::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Educação em Portugal e quiçá no Mundo inteiro!




Pois, já sabemos que andam todos muito cansados do tema. É isto e os patifes do BPN. E o Natal, já agora. A realidade é que muita gente me pergunta:

"Mas afinal os professores não querem ser avaliados?"

Quando a grande questão é que ninguém gosta que o seu trabalho seja colocado em causa e, obviamente, NINGUÉM gosta de ser avaliado. A haver uma avaliação, terá de ser uma avaliação SÉRIA e coerente, de forma a que haja igualdade e seriedade no processo. Depois, há a questão das regalias perdidas, e essas meus caros amigos do tipo "ah e tal, eu não percebo nada disso, não sou a favor nem contra os professores e não entendo nada de política", isso prende-se apenas com o estatuto da carreira docente, que também foi alterado, e não com a avaliação.

Tudo isto do professor titular e do director de escola e outras parvoíces que tal, apenas me lembram uma época que foi enterrada com o tal regime ditatorial de Salazar e ainda há muito boa gente que se surpreende quando eu peço um outro Salazar, que nessa altura ainda não havia putos broncos a bater em professores e a ameaçá-los de morte, de pancadaria, de lhe riscar o carro e de vir o bairro todo atrás do desgraçado do professor, não havia a pobreza de espírito que reside neste povo de merda que se demite até da sua própria opinião ("ah e tal, eu não percebo nada de política e isso dos professores não percebo nada") e nem sequer havia a necessidade de se criar um pretexto de se colocar em causa a dignidade, a competência e o profissionalismo de um professor com a falta de educação que não havia (e agora há) em casa das pessoas, pois nessa altura havia ainda RESPEITO de todos por aquela figura que ensinava e se tratava por senhor professor. Já agora, toda a gente sabia ler e escrever com o quarto ano (antiga quarta classe), e hoje em dia nem se sentar sabem, quanto mais saber ler o próprio nome e escrevê-lo no nono ano!

O que esta ministra pretende com este fantástico "sucesso escolar a martelo" é dizer que em Portugal é tudo gente muito bem educada e formada, e à pala disso, os meninos passam todos, mesmo com faltas de assiduidade e faltas de educação. Toda a gente se demite da Educação neste país, quando ela deveria ser tarefa principal dos pais, mas esses, no seu geral, também ganham cada vez pior, trabalham cada vez mais, não têm tempo para os filhos e é uma bola de neve enorme que se cria e tudo sobra para o professor que, ainda por cima, também é gente, tem vida pessoal e filhos para educar e criar! E é este o nacional porreirismo que este Governo Socialista nos habituou: é só facilidades e temos uma educação facilitista que não premia os bons alunos e a excelência. Qual a justiça em passar todos os alunos? Pois, mas os professores são avaliados em função do sucesso escolar dos seus alunos. Imaginem: tenho trinta alunos que são crianças com currículos adaptados, têm lacunas de sociabilização (entenda-se isto como cuspir no chão da sala, chamar nomes aos professores, andar à porrada dentro da sala e recusam-se constantemente a trabalhar) e ainda vou ter de passar estes animais, caso contrário tenho uma má avaliação?!? Onde é que está a justiça neste modelo??

O que ela se esquece é de dizer que no resto da Europa, à qual pertencemos, o modelo de avaliação de desempenho docente não se faz, contrariamente ao que esta ministra afirmou, à equivalência do modelo que ela quis aprovar e defende.





Amanhã, eu vou marcar falta a esta ministra. A este governo. E nunca me soube tão bem, como agora, dizer que sou de Direita. Não se pode obviamente cair no exagero de pedir uma ditadura que obrigue os professores a usar régua e palmatória na cabeça dos meninos e nas palminhas das mãos, mas não se pode fechar os olhos a esta constante libertinagem e falta de valores patrocinados pelo próprio ministério! Tem de existir um equilíbrio e de se restituir o respeito e a dignidade à carreira docente, bem como o próprio estatuto do aluno.





Avaliação de Professores no Mundo / Avaliação de Professores em Portugal

Onde se inspirou o governo português para conceber um modelo de avaliação tão burocrático?
Em declarações ao órgão de propaganda do PS a ministra da educação afirma que se inspirou em modelos de avaliação existentes na Inglaterra, Espanha, Holanda e Suécia (Março de 2008).
Os professores destes países negam tal afirmação. O modelo que maiores
semelhanças tem com o português é o chileno, mas seja mesmo assim menos
burocrático. Estamos pois perante o sistema de avaliação mais burocrático do
mundo, e que fomenta o fim do trabalho cooperativo nas escolas. Não admira que
ao aperceber-se da gravidade do problema, o próprio ME tenha vindo a apelar
para que cada escola simplifique o sistema, criando desta forma uma disparidade
de modelos e de critérios de avaliação no país.

Consultas:

Avaliação de Professores na Alemanha

1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola, tal como existia em Portugal.
2. Aulas Assistidas: Acontecem durante o período de formação e depois de 6 em 6 anos. A aula tem a duração de 45 minutos e é assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão. Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as aulas assistidas e não existe mais nenhuma avaliação.
3. Horários dos Professores. Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
4. Avaliação de Alunos. As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de interrupção de actividades ou de férias. Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas.
Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria. Os
alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe
essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
5. Horários escolares: Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13
ou 14 horas. Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00
ou, a partir do 10° ano,às 17.00.
6. Férias: cerca de 80 dias por ano, embora possa haver ligeiras diferenças de Estado para Estado.
7. Máximo de alunos por turma: 22

Avaliação de Professores na Suíça

1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular.
Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).
2. Aulas Assistidas: Estas aulas só ocorrem durante a formação e para a subida de
escalão.
3. Férias. As escolas durante o período de férias estão encerradas. Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão) .
4. Os horários escolares: Idênticos aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, e terminam cerca das 11.30.
5. Máxima de alunos por turma: 22.

Avaliação de Professores na Bélgica

1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem
quadros de escola (Professores do quadro).
2. Aulas Assistidas. As aulas Assistidas só ocorrem quando são solicitadas pela direcção da escola, mas não contam para efeitos de progressão dos docentes.
3. Avaliação das Escolas.
A avaliação dos professores está englobada na avaliação das escolas. Avalia-se
o trabalho da escolas, e desta forma o trabalho dos professores que nelas
exercem a sua actividade.

Avaliação de Professores na Inglaterra e País de Gales

1. Categorias. Os professores do ensino público estão divididos
em função de duas categorias salariais: A Tabela Salarial Principal (dividida
em 6 níveis) e a Tabela Salarial Alta (dividida em 3 níveis).
2. Avaliação. A progressão nas tabelas depende dos resultados da avaliação
contínua e que envolve o director da escola, o conselho directivo eos 'avaliadores de 'performance'.

Avaliação de Professores na França

1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular.
2. Aulas assistidas. As aulas assistidas só ocorrem no mínimo de 4 em 4 anos, a regra é de 6 em 6 anos, e são observadas por um inspector com formação na área do professor. O objectivo destas aulas é essencialmente formativo, tendo em vista ajudar os professores a melhorar as suas práticas lectivas.
3. Progressão na carreira. Para além da antiguidade, são tidos em conta os resultados da observação das aulas e as acções de formação frequentadas pelos professores.

Avaliação dos Professores em Espanha

1.Descentralização. A única legislação nacional que existe sobre avaliação dos professores e sistemas de promoção contemplam apenas o ensino básico. Cada 'Comunidade Autonómica' estabelece os seus próprios critérios para a progressão dos professores.
3. Avaliação.
Embora não existam progressões automáticas, na maioria dos casos as mesmas são
feitas com base na antiguidade.

Avaliação de Professores nos EUA

1. Descentralização.. Cada um dos 13 mil distritos escolares tem os seus próprios
critérios de recrutamento, de carreira, avaliação de desempenho, promoção ou de
pagamento.
2. Avaliação. Não existe um sistema único de avaliação. Nos distritos onde existe avaliação, esta pode ser feita pelo director da escola ou entre os próprios professores.
3. Progressão. Em geral os aumentos salariais são feitos em função do tempo de serviço.

Avaliação de Professores no Chile ( A grande inspiração)

O Ministério da Educação de Portugal terá copiado o modelo chileno de avaliação ?. ( Consultar ) .
Estes modelos foram já objecto de uma comparação muito elucidativa das suas semelhanças e diferenças.
Comparação Modelo de Avaliação Português / Modelo de Avaliação Chileno

Periodicidade

Portugal:
1. A avaliação global é feita de 2 em 2 anos.
2. A avaliação serve sobretudo para contagem de serviço para a progressão na carreira (existem cotas para a categoria de titulares).

Chile:
1. A avaliação é feita de 4 em 4 anos.
2. A avaliação serve sobretudo para premiar financeiramente os melhores desempenhos, os quais pode ir até 25% do salário mínimo nacional chileno (não existem cotas para estes prémios).
Instrumentos de Avaliação

Portugal:
1. Fichas de auto-avaliação do professor;
2. Ficha dos objectivos individuais de cada professor;
3. Ficha de avaliação dos objectivos individuais do professor;
4. Portefólio do professor
5. Avaliação do portefólio do professor avaliado;
6. Entrevista pelo professor avaliador. Implica o preenchimento de ficha de
avaliação.
7. Avaliação pelo coordenador do Departamento Curricular. Implicando o preenchimento de ficha de avaliação).
8. Avaliação pela Comissão Executiva (Director). Implica o preenchimento de ficha de
avaliação).
9. Assistência do avaliador a pelo menos 3 aulas em cada ano lectivo. Implica o preenchimento de 3 fichas de avaliação.

Chile:
1. Fichas de Auto-avaliação;
2. Entrevista pelo professor avaliador;
3. Avaliação do director ou do chefe técnico da escola;
4. Portfólio, que inclui a gravação em vídeo de uma aula, de 4 em quatro anos.

Níveis de Desempenho e Resultados da Avaliação

Portugal:
1. Excelente (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz em quatro anos o tempo de serviço para acesso à categoria de titular; Quatro vezes seguidas dá direito a prémio de desempenho.
2. Muito Bom (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz 2 anos o tempo;
3. Bom. Classificação mínima necessária para progredir.
4. Regular. Não progride. Proposta de acção de formação contínua;
5. Insuficiente. Não progride. Pode determinar a reconversão profissional.

Chile:
1. Destacado ou Competente. Recebe um abono suplementar mensal. O abono dura três e quatro anos.
2. Insatisfatório. Repete a avaliação no ano seguinte. Se na segunda avaliação tiver o mesmo resultado deixa de dar aulas, durante um ano. Se tiver uma terceira avaliação negativa
sai da carreira, mas recebe um abono.

What can I possibly say?...

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