::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Excuse Me"

::fotografia de jill greenberg::





"Antes tarde que nunca" é uma verdade aplicável ao arrependimento verdadeiro, mas nem sempre o pedido de desculpas personifica esse mesmo arrependimento.


"As desculpas não se pedem, evitam-se". Penso ser uma verdade ainda maior.




É certo que não gosto de pedidos de desculpa. Nalguns casos (as criancinhas na escola) são perfeitamente justificáveis, mas a verdade é que não gosto (aliás, detesto) de pedidos de desculpa. As pessoas são naturalmente egoístas, e são as mais egoístas que passam a vida a dizer "desculpa". Já agora, as que têm maior défice de inteligência emocional, uma vez que passam a vida a cometer os mesmos erros nas suas relações, e a pedir as tais desculpas, porque cometem s e m p r e o mesmo erro. Ainda há os da vertente orgulhosa estupidificada, "desculpa, mas..." e não há pachorra. Isso, pachorra, porque a paciência esgota-se minutos antes da pachorra.




E isto vem de braço dado com o facto de ter estado a ver o Oprah Winfrey Show. Eu sei que não tenho coração, mas eu abomino tanto o programa como as pessoas que o vêem religiosamente. Tenho dentro de mim uma vontade férrea de vir a ser uma melhor pessoa, mas o facto é que a espada páira sobre a cabeça de alguns dos meus conhecidos e a Justiça normalmente é cega. Passo a explicar: o dito programa (ou parte dele, porque não vi tudo) falava do arrependimento, com direito a lágrimas e tudo, de alguns adolescentes e professores dum liceu dos EUA que se magoaram reciprocamente, fosse por racismo, fosse por homofobia, etc, numa sessão de pedidos de desculpa. Uma professora chorava a pedir perdão aos seus alunos caso algum dia os tivesse magoado. (Nobre, hein?)


Um aluno (gordo que se farta) a pedir perdão ao amigo pelas piadas racistas que costumava mandar ao amigo (que sendo negro, era bem giro e muito mais jeitoso que o puto racista gordo, leitoso e feio que nem um penedo). Um outro, negro, a pedir perdão ao amigo gay porque lhe chamava "maricas", etc, e já agora, a todas as mulheres que eventualmente pudesse ter ofendido, porque todas as mulheres eram lindas e não mereciam... todos a chorar. Alguns convulsivamente. Tudo a soar a falso, efectivamente. Professores a pedir desculpa aos alunos CASO algum dia os tivesse magoado...? De lágrimas nos olhos...?




Mudei de canal.




Pensei "não há pachorra". Tudo isto lembra-me a parva duma suposta amiga que tenho/tinha que assiste a esta bosta de programas (eu escrevi bosta, sim) mas na altura devida em que deve evitar uma data de situações e não perder os amigos, só tem feito porcaria. Metade das pessoas que conhecia já não lhe falam, afastaram-se, devido a situações desagradáveis por ela criadas. Acha que o mundo está contra ela, acha que ninguém a compreende e toda a gente é má e ruim. Bem, eu sei que sou má e ruim, mas considero que com ela nunca apreciei o verdadeiro lado da minha ruindade. O facto é que eu gostava dela. O facto é que nas piores alturas, eu estive lá para ela. O facto é que sempre me interessei, liguei, apareci, tolerei e aceitei. Cheguei mesmo a perdoar situações que por outra pessoa, não o faria. Uma manhã não pude estar a 100%. Estive ao telemóvel com outra pessoa. Meia hora ao telefone. A partir dessa manhã, depois de insultada, deixei de ser considerada Amiga porque estava ao telefone com outra pessoa. Deixou de me falar. Até hoje nem sei bem porquê. Penso que foi a única razão.



Talvez um destes dias ela apareça ou ligue.... "peço-te desculpa".


Ao fim de mais de 8 meses. Não irei desculpar, caso isso aconteça. Não vejo a porra da Oprah Winfrey e não tenho pachorra. Tal como ela, algumas pessoas que páiram por aí. E a culpa não é do mundo, a culpa é minha. Nossa, de nos deixarmos magoar. É simplesmente devido às expectativas que nós temos dos outros, e que nunca são cumpridas por essas determinadas pessoas. Todos temos problemas e todos temos uma vida. Morrem pessoas todos os dias, e quando morrerem, será que é nessa altura que devemos ocupar-nos delas? Será que é depois de se fazer a porcaria e de se magoar e de se ignorar e desprezar pessoas que lhes vamos pedir "desculpa"? Será que depois de não terem cuidado connosco, teremos de ter cuidado com essas pessoas? O egoismo reina e anda tudo demasiado centrado nos seus problemazinhos da treta, e por vezes esquecemo-nos de que tudo isto é efémero. Eu, penso que não aprendi nada de novo. O discurso até poderia ser "ah e tal, as pessoas são assim mesmo, são todos uma cambada de egoistas!..." mas não. Não o faço porque por cada merdoso/a que conheço tenho mais uns quantos que ainda valem a pena. Por isso gosto de pessoas. Por isso gosto de falar com pessoas, estar com elas. Há outras para as quais não tenho mesmo... pachorra. A Amizade também se faz disto. De nivelar. Saber distinguir o trigo do joio. Se eu perder tempo com quem não sei, o que é que eu vou dizer a quem sei?... já dizia a minha A.miga. E siga!




Como disse no início, eu detesto pedidos de desculpa (a mágoa ou a tristeza incutidas ou a maldade deliberadas não têm desculpa)... quanto às lágrimas, hei-de me lembrar sempre das palavras dum grande amigo meu... "chorou? ai chorou?? pois olha, isso são lágrimas de crocodilo, e o crocodilo só fica bem em sapatos ou malas... ou naqueles polos muito giros da Lacoste"....

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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