::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pensamento do Dia

Porque é que eu não votei no Manuel Alegre?...


"O deputado Manuel Alegre, ausente das jornadas socialistas e acusou recentemente o Governo de "insensibilidade social", pediu para ser lida uma mensagem e apelou ao grupo parlamentar do PS para, apoiando "o que deve ser apoiado", não se furtar a "criticar o que deve ser criticado e corrigir o que deve ser corrigido".









As imagens continuam a ser gentilmente "emprestadas" pelo fantástico Blog We Have Kaos In The Garden.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Qualquer um chega a ministro da educação!"






...e já agora a Primeiro Ministro.
E devo acrescentar, a Presidente da República.
Não devo nem vou elucidar quem quer que seja sobre o assunto da Educação, por dois motivos: porque considero que quem queira estar informado deva ler jornais ou ao menos interessar-se pelas notícias e debates que fazem parte desta palhaçada de desgoverno que temos, e porque não me apetece fazer humor de um assunto que considero sério e que me é bastante pessoal. Não sei se a alternativa de Menezes e do "seu" PSD farão alguma mossa ou sequer se este PS alguma vez sairá do Poder, uma vez que lá chegou com maioria absoluta. Alguém votou no "sr engenheiro", eu é que não fui. E não sei sequer se ao demitir a ministra, adiantaria algo ao estado das coisas, ou se modificaria mesmo o que quer que fosse. Todos os cancros deixam metástases e este não é excepção.
Considero de louvar como é que a incoerência se pode personificar assim tanto, a incompetência e o autismo de um ministro que antes de tudo, deveria saber dialogar e estar atento às contrapartidas de TODOS os professores. A grande questão aqui nem sequer se trata de qualidade, de uma boa avaliação do corpo docente nem se temos um Ensino digno e capaz em Portugal: a verdadeira razão para aquilo que se está a verificar nas alterações do Estatuto da Carreira Docente é DINHEIRO. Números. Reduzir o número de horas de algumas disciplinas equivale a reduzir emprego e vagas nas escolas = dinheiro nos cofres. A solução é, portanto, cortar nas despesas da Educação. Fácil. Instituir o medo também. Reduzir as hipóteses de progressão na carreira e congelar ordenados com o pretexto da avaliação é fácil, mas não é mais que areia nos olhos. E não é preciso ser-se ministro para se chegar a esta conclusão.
O problema dos professores não é medo de serem avaliados: é medo da humilhação pública a que estão sujeitos com esta avaliação, é medo do desemprego, é a revolta contra alguém que se insurge acima de qualquer democracia, levando em frente políticas nunca antes tão contestadas no país, depois da ditadura. É a raiva contra este Governo e este Primeiro-Ministro que se julga acima de todos, que EXIGE qualificações da parte de todos os trabalhadores deste país, mas continua alheio aos escândalos e às mentiras envoltas nas suas próprias qualificações. Que ainda não explicou todos os últimos acontecimentos relativos às obras que assinou e que continua a ter uma licenciatura entre-aspas.

Este Governo é um cancro que privilegia o facilitismo, a incapacidade de trabalho e a falta de disciplina nos alunos. Basta ler o novo estatuto do aluno, não é necessário recolher nomes de inspectores que obrigam professores a passar os meninos. Reduza-se o número de negativas!, grita o Ministério, para parecer bem à U.E. o número de pessoas tão inteligentes que temos em Portugal, quando sabemos que a maioria dos alunos não sabe fazer contas de dividir ou quem escreveu Os Maias. Não reprovem as crianças pois serão AVALIADOS em função do número de reprovações que fizerem!! Isto é um ultraje, uma vergonha. E temo que isto já não vá lá com demissões de ministros, nem sequer com o que quer que possamos fazer nas ruas ou quantos argumentos e pressões todos os partidos da Oposição tiverem junto da Assembleia da República.

Eu tinha vergonha de exigir aquilo que não tenho. Este Governo e este Primeiro-Ministro lembram-me o autoritarismo de Salazar nas suas políticas, fazendo-se valer da sua maioria absoluta, recusando ouvir seja quem for. Não há esquerdas nem direitas neste país, há sim um grande jogo de interesses, há sacos azuis nas autarquias, há betão por todo o lado, feito a martelo, envelopes de dinheiro debaixo da mesa entre autarcas e construtores civis, há processos deixados para trás, Casas Pias e afins, Apitos Dourados, não há Justiça, não há Saúde digna e igual para todos, a Segurança Social é um buraco, não há emprego, há milhares de licenciados desempregados, há pobreza, há fome, há um povo demasiado ignorante para se preocupar, demasiados jovens sustentados pelos pais a beberem e a drogarem-se demais, há, acima de tudo, como sempre houve neste país, muita desinformação, e muito pouco amor à educação e à cultura. E muita vergonha de se ser português.
Das duas uma: ou o senhor Presidente da República dissolve a Assembleia ou tiramos os cravos das espingardas, porque se isto não é uma República de direito democrata e livre, utilizem-se as medidas extremas. Os estudantes de Coimbra tiraram Salazar do poder e o golpe militar de '74 deu-nos o fim do Estado Novo. Penso que alguns milhares de professores já fariam mossa. E já é altura de mudar o rumo das coisas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pronúncias, pensamentos e anedotas do dia






- Filhe, vá dizer à tua mõe, que o pai quer a cona!
O miúdo vai ter com a mãe e diz:
- Mõe, o pai mandu dezer que quer a cona.
- Ah filhe, mas a mõe hoje na pode dar a cona, tou co període...
A criança volta para o pé do pai:
- Olhe pai, a mõe hoje na lhe pode dar a cona, porque tá co període.
- Na é essa cona, estúpedo, é a CONA DE PESCA!...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ele há gajas e gajas...

...que era dar-lhes com um gato morto nas trombas até o gato miar!




Soraia Chaves - só posso deduzir que o A.P.V. ande com uma crise de idade para ter escolhido esta tipa para o papel principal de Call Girl. Boas mamas, bom rabo e coiso e tal, mas não será preciso mais para se ser uma actriz digna desse papel? A gaja é boa todos os dias, até eu própria admito que iria mais depressa com ela do que com o Nicolau Breyner, mas bolas pá! Com tanta actriz neste país e logo havia de calhar esta aspirante a qualquer coisa que "por amor de deus digam à rapariga que nunca há-de fazer papéis em que não tenha de tirar a camisola"?... "Sentes como estou molhada?" é a frase chave. Está tão molhada como eu enquanto escrevo estas linhas... give me a break...




Elsa Raposo (mas também pode ser a Merche Romero) - ou as colunáveis loiras e maravilhosas do mundo faz-de-conta que anda nas páginas da Caras (mas também pode ser a Lux) - a sério. Estava aqui a pensar que vai aqui uma má língua neste Blog e não fica nada bem falar tão mal destas senhoras, por isso não vou mesmo mesmo dizer o que penso da Elsa Raposo MAS se calhar sem estas mulheres não poderíamos valorizar todas as outras, as que têm bastante ou apenas algum valor. A grande questão é: afinal o que é que a Elsa Raposo faz para ganhar a vida?




Maria de Lurdes Rodrigues - será que José Sócrates anda bom da cabeça? Demite-se o gajo da Cultura e o da Saúde e mantém-se esta (piiiiiiiiiiiii) no executivo a troco de quê??? De quê??? É que a Soraia ainda é toda jeitosa e na tela fica gira (caladinha), mas esta... não fica bem nem num alvo de dardos. (Já sei, estavam a pensar que este post era só pra gajas boas)...





Margarida Rebelo Pinto - o nosso caso sério de best-seller em Portugal, tudo aquilo que eu deveria ser neste Blog cheia de bons propósitos a falar ao coração das pessoas (mas não sou). A grande questão não é quem compra, mas sim quem continua a comprar(?) Muita gente, sim, eu sei, já li o Sei Lá e o Não há Coincidências (ficou a meio), mas como é possível gostar-se daquilo? Antes ler MRP do que não ler nada, dizem, mas... eu cá preferia não ler nada... ou ler a necrologia no jornal diário de província... penso que MRP gostaria de ser a nova namoradinha de Portugal, mas raios, a miúda tem azar! Primeiro foi a Catarina Furtado, depois a Bárbara Guimarães, depois a Isabel Figueira, e agora a Floribela... daqui a pouco já tem 50 em cima e lá se vão todas as oportunidades!... "que maçada, sei lá!"




Fátima Lopes - Ninguém é obrigado a gostar ou deixar de gostar da roupa, mas a atitude da mulher é enervante. Tipo MRP, mas com um ego do tamanho do Universo. E aqueles trapos são sempre a mesma coisa. Já alguém lhe disse? Imagem de marca... ya right... Consigo gostar mais da Elsa Raposo do que desta. Ao menos a Elsa tem coração...





Luciana Abreu aka Floribela - nem sei de qual delas goste mais: se da nova imagem de Luciana Abreu se da Floribela... estou em dúvida... (não encontrei nenhuma imagem daquelas da L.A. peço desculpa) Esta miúda faz-me lembrar a Britney Spears: tão virgem e tão pura no início e agora... Luciana, vê lá rapariga, tu não te estragues carago!




José Castelo Branco - definitivamente... sem comentários.



O que é que Soraia Chaves, Elsa Raposo, Maria de Lurdes Rodrigues, Margarida Rebelo Pinto, Fátima Lopes, Luciana Abreu aka Floribela e José Castelo Branco têm em comum? Na minha parca opinião são personalidades, figuras públicas que nunca deveriam ter sido mais do que bordadeiras ou mulheres a dias. Muito mau gosto disfarçado de muita soberba e pose de verniz. Só faltava que viesse a público que a Britney Spears é portuguesa...

Fica o vídeo.






sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Vamos tomar um café?"


Aqui há uns dias tive uma conversa algo sui generis com um amigo meu sobre amizade entre homens e mulheres, sobre tudo aquilo que une e/ou afasta enquanto seres vindos de Marte ou de Vénus e de como as coisas às vezes se confundem na aplicabilidade do conceito de amizade.

Lembro uma outra frase de uma grande amiga minha "não há almoços grátis". Não há não senhor.

Antes de passar a explicar o meu ponto de vista e a teoria que tenho sobre este assunto, importa saber em que circunstâncias a amizade se encontra condicionada, e importa ainda saber até que ponto qualquer ser humano que se preste a uma amizade GOSTA realmente de pessoas. Eu creio que este meu amigo, tal como eu, gosta muito de pessoas. Creio também que já gostou mais, dada a recente unilateralidade do sentimento em causa (eu sei que já gostei mais). É e será sempre de desconfiar de alguém que não goste de pessoas e queira ser nosso amigo e queira ir tomar o tal café. Imediatamente pensamos: a troco de quê?

É fundamental gostar-se de pessoas quando se quer começar uma amizade e já se está na casa dos trintas. A esta altura da vida, as amizades estão já mais que cimentadas e ninguém se sente na predisposição de se submeter à vontade alheia (fazer fretes, querer agradar). Ou seja, já todos temos os nossos grandes amigos da altura do tempo da carochinha e dos verdes anos, em que acreditávamos que realmente podíamos mudar o mundo, em que somos "iguais", mulheres e homens, éramos todos virgens, trocávamos ideias a toda a hora com as borbulhas na cara, e se calhar até era o melhor amigo do namorado, ou o namorado da melhor amiga... got the point?


Vejamos as condicionantes/circunstâncias em que apoio a minha teoria:


- pessoas adultas (com mais de 25 anos de idade - que eu ainda sou do tempo que um gajo com trinta anos já não é jovem);

- estas pessoas são heterossexuais (amigos gays não vale, toda a gente sabe que o melhor amigo duma mulher é gay, sem hipótese);

- não possuem nenhum atraso mental ou doença do foro psiquiátrico.


A minha teoria, baseada na tal frasezinha "não existem almoços grátis", desprovida de qualquer sentimento ligado à ingenuidade (já acreditei que a amizade fosse de outra forma ou pudesse ser de outra forma), ou credulidade impiedosa, nada tem a ver com alguma forma de cinismo tão em voga. Baseio-me no que vejo, no que observo, nas relações que passam pelos outros e por mim própria, ou não fosse eu uma mulher.

Esta teoria assenta num pressuposto que já a minha avó defendia, de que as mulheres "não dão ponto sem nó" e a minha avó bordava e costurava bem que se fartava. Ou seja: há SEMPRE um interesse implícito nessa suposta "amizade" e interesse da parte duma mulher para com um homem. Não vamos em conversas. A não ser que se seja uma freira, todas as mulheres tem todos os seus pecados bem à flor da pele e sabem bem o que fazem quando se aproximam dum homem, fora profissionalmente (já que são "obrigadas" a ter de se relacionar no meio profissional).


Existem três grandes interesses, três grandes grupos em que dividimos objectivos aquando da aproximação de um gajo e até lhe damos "troco".


1 - "amizade de longa data, tipo irmão": sim sim, não há interesse e tal... vejamos: desabafar a toda a hora com o pobre desgraçado, pedir-lhe guarida quando corre mal com o namorado, quando há discussões seja lá com quem for, pedir-lhe cd's, filmes, livros, etc... isto não é interesse macabro? Quem lucra? Pois, pode até ser recíproco, e esse amigo já ter chorado no nosso ombro inúmeras vezes, mas nada comparável com a brutal seca que o pobre apanha cada vez que a vida nos corre mal. Àparte isso, é a única amizade que pode correr bem se as pessoas tiverem bastantes interesses em comum, gostos culturais parecidos, ser do mesmo partido político, gostar muito de algo especificamente. AH!, e zero atracção, para sempre se poder dizer que aquele é um bom amigo. Resulta e existem alguns casos assim, mas muito poucos aqueles que não evoluíram para algo mais (pelo menos em que ambas as partes não tivessem nenhum compromisso com terceiros).


2 - "amizade colorida": não se iludam meninos; nenhuma mulher quer ser apenas vossa amiga. O que elas querem é saltar-vos pra cima. Na melhor das hipóteses, poder ter a oportunidade de constatar se serão ou não o "homem da vida dela". Sim, é sexo mesmo. ou a ver se dá algo mais. Quando elas descobrem que vocês têm namorada, podem até ser muito interessantes, inteligentes, cultos, educados, divertidos, etc, mas a coisa já não tem o mesmo sabor e há que fugir a sete pés. Redutor? Talvez seja, mas o facto é que mais curioso que o gato, só mesmo a mulher.


3 - "amizade que já pode ser amizade porque já foi algo mais": sim, é verdade que pode ficar uma amizade. A curiosidade satisfeita, muito pouco a acrescentar. Para que haja veracidade/genuicidade nesa relação, as coisas têm imperativamente de ter acabado bem. Senão... meninos, não se iludam, pois uma mulher nunca esquece, e o que ela quer não é amizade: ou é vingança e atacar-vos pelo flanco ou é ter alguém ali à mão que satisfaça o ego (e outras coisas) e aí podem bem saltar até à "casa dois" ou seja, para a cueca da já referida amizade colorida.



Caso para cada um pensar bem nas amizades que tem com o sexo oposto. Cada vez que alguém lhe perguntar "vamos tomar um café um dia destes?" a propósito da bela amizade descomprometida que têm... é capaz de ser impulse...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Romance (ou uma conspiração comercial)

nota: este post foi recuperado do baú do Psicologias. A razão para a sua publicação é de que se encontra ainda "dentro do prazo".



::romance::cara barer::of words paper and shapes::the book project::




Hoje é dia dos namorados. ponto. dia catorze de fevereiro. para uns, será mais um dia no calendário (com ou sem namorados). para outros... um inferno (com ou sem namorados). pode ser mais um pretexto para se dizer à pessoa que se ama que a amamos, pode ser uma boa desculpa para não cozinhar ou para enviar mais uns sms aos amigos mais especiais, mesmo para quem não tem namorado/a, ou ainda o pretexto para oferecer aquele cd, oferecer aquele livro ou fazer uma loucura, uma surpresa a fim de plantar um sorriso no rosto do dono/a do nosso coração. mais nada. uma saborosa extensão de todos os outros dias do ano. mais um dia no calendário.

o inferno? sim, o inferno para todos aqueles que se sentem obrigados a perfilar com a carneirada em filas para o cinema (para ver aquela estúpida comédia romântica), o inferno para saber o que é que se há-de oferecer à cara-metade (só porque sim) e acaba-se sempre por comprar a coisa mais estúpida e vermelha da loja, cheia de corações e laços, o inferno para se encontrar um restaurante e, na melhor das hipóteses, um lugar perto de outras inúmeras duplas, em que durante o repasto trocam-se olhares de soslaio para esses outros casais que, a mais das vezes, não trocam nem palavras nem olhares entre si. o inferno de se rezar para que acabe bem depressa o dia da comemoração dum gajo que se chamava valentim.

e claro, ainda há o inferno dos que não têm ninguém com quem partilhar este outro inferno, agarrados a sentimentos de auto-comiseração, pois o mais curioso é que pessoas assim, sofredoras por não ter ninguém, trocam sempre um inferno por outro. como se o mais importante fosse mostrar o sorriso patente (e pateta) do orgulho de ter um apêndice preso pela mão, neste dia.

no fundo, o romance de outras eras, em que não se enfeitava de vermelho-inferno (igual ao que se vê agora também no Natal) as montras das lojas, deu lugar a esta era comerciável em que até o amor é algo de vendável, passível de ser produto ready to wear, ready to feel, ready to use.

no fundo, o amor é algo de muito mais simples e frágil do que nos querem fazer comprar. todos os dias. digo eu... que tenho a mania que sou poeta.

nota: o Divã hoje está à disposição de todas as confissões e lágrimas dos corações solitários ou destroçados. podem sempre ficar no anonimato ou passar à frente... mas também à disposição dos que quiserem deixar a sua declaração de amor e prestar homenagem à tal cara metade. sejam felizes. today seems christmas day!




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Carnaval em Portugal

"É bom que tenhamos agora quatro dias em que não se fala de política para os portugueses não pensarem nisso e os próprios políticos poderem gozar com tranquilidade"


Cavaco Silva (Presidente da República).




....








José Sócrates está tramado. Não há forma de sair airosamente deste novo Civilgate, agora descoberto na Guarda. Se a notícia do Público for verdadeira e ele realmente tiver andado a assinar projectos alheios, é uma tragédia ética. Se a notícia for falsa e aquelas moradias tiverem mesmo saído da sua cabecinha, é uma tragédia estética. Entre o bem e o belo, é natural que Sócrates se agarre ao bem, que é qualidade mais apreciada num político, mas quando olhamos para aquelas fotografias de casas de emigrantes horrendas made by José damos todos graças a Deus de o homem ter optado pela política em detrimento da engenharia.

Entalado entre dois desastres, Sócrates reagiu de forma desastrada. Eu começo a desconfiar que quem assina o boletim de militante socialista deve ser inoculado com algum vírus que o leva a gritar "cabala" sempre que confrontado com factos desagradáveis. Eu tinha o nosso primeiro-ministro em melhor conta. Transformar uma notícia perfeitamente legítima, bem fundamentada e assinada por um dos poucos jornalistas que em Portugal ainda fazem investigação a sério, num "ataque pessoal e político" é uma pouca-vergonha. Se Sócrates entende que se trata de uma calúnia, então apresente factos - e não gritinhos histéricos.

Eu, pelo meu lado, o que gostava de saber não é porque é que o Público persegue José Sócrates - é porque é que o Público, tendo uma notícia deste calibre nas mãos, optou na primeira página por a colocar em rodapé. É que convém estar atento aos detalhes. Para quem não reparou, a manchete do Público na sexta- -feira foi "Democracias fecham os olhos aos abusos das ditaduras, denuncia ONG", o que para além da elegância da formulação é algo de tão original quanto dizer que as galinhas têm penas e que os cães fazem ão-ão. Ou seja, aquela primeira página não mostra que Sócrates é perseguido - mostra, pelo contrário, que Sócrates mete demasiado medo a demasiada gente, como depois se comprovou pelo manto de silêncio que caiu sobre as pessoas envolvidas na notícia. E este silêncio, francamente, começa a cheirar muito mal.

É que por muita tolerância que o povo português tenha para com a pequena trapaça - e tem, e muita -, há sempre um momento em que se esgota o espaço debaixo do
tapete: empurra-se o lixo, mas ele já não cabe. Para Sócrates, este pode muito bem vir a ser esse momento. Ao garantir, preto no branco, que todos aqueles projectos são da sua autoria e responsabilidade, ele cometeu um erro estratégico: enterrou-se neste caso até ao pescoço. Agora, se for apanhado, não tem como sair de mansinho. Uma mentira destas nem o padre Melícias consegue absolver.

João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

::volto a frisar que este post encontra-se em construção::até que me apeteça ou tal como dizia o outro "até que a voz me doa". Caso para perguntar "ó sr. Presidente, afinal quando é que devolve a dignidade ao país?... sr. engenheiro, quando é que se demite?"



Mais imagens das boas aqui.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A senhora que se segue.

Não, não é a Soraia Chaves, que para essa já não há .. que aguente.
Esta mulher é lindíssima, canta bem que se farta e consta que é a nova primeira dama francesa. O resto? É só má-língua e dor de cotovelo.







segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Kanye West, YOU CAN'T TELL ME NOTHING!

Gostava de ver, a seguir, uma versão de Justin Timberlake por Rufus Wainwright ou, quem sabe, um cover mais arrojado de Cat Power de uma música de Britney Spears...





Aqui fica a dedicatória ao género e o meu particular enjoo tornado público por gajos tipo Kanye West ou o Justin Timberlake. "Ah e tal, são génios da Pop"... yah, também o autor de Billy Jean e Thriller...

POP IS DEAD!

sábado, 26 de janeiro de 2008

"Temos que trabalhar!"









*resposta do senhor Ministro da Saúde à Comunicação Social, Correia de Campos, quando confrontado com esta situação. **qualquer semelhança com este tipo de resposta e as respostas do treinador do SCP, Paulo Bento, é pura coincidência.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lisboa e a soja

Ponto número um: não sou de Lisboa.

Ponto número dois: ainda bem que não sou.











Não serve o presente post para desacreditar os reais vegetarianos que muito respeito têm da minha parte. Não serve tampouco de ataque a todos os lisboetas (a grande maioria de pessoas de que falo nem de Lisboa são, a bem dizer, e tentam a todo o custo negar as suas raízes rurais, abraçando todo um mundo (sub)urbano que vivem de segunda a sexta-feira, com intervalos ao fim-de-semana, que é quando vão à terra). Serve o presente post para desacreditar a corja real que vive num (infelizmente cada vez menos) (sub)mundo lisboeta e que nele se tenta afirmar de alguma forma por hábitos sobejamente modernos e muito alternativos, os quais incluem toda uma nova gastronomia (nada a ver com a nouvelle cuisine, não misturar por favor) apenas porque são in. Ou alternativos.

Enquanto escrevo este post encontro-me a salivar da raiva que tenho a esta gente, que me metem nojo e asco, não porque me relacione directamente com pessoal deste gabarito (normalmente chego àquela fase em que o meu mau feitio me permite mandá-los dar a tal curva ao tal bilhar com mais ou menos elegância que o vernáculo me permitir na altura), mas porque sempre que tenho a ocasião de visitar alguns blogs, saltam-me à vista este espécime que abomino cada vez mais e que se reproduz como cogumelos na blogosfera, os quais já foquei em post anteriormente: os forinhas aka pseudo-intelectuais.

Qualquer assunto serve de pretexto ou ponte para se fazer referência ao facto de se ter comido tofu ou soja ou algo assim muito fora tudo o que é a boa mesa portuguesa. Está completamente fora de questão dizer que se adora uma boa chouriça assada com grelos ou uma sardinha assada com broa. Nem pensar em bife!!! Coitados dos animais!! Não é in. Não é bem. Bem é a soja. Bem é o tofu. Bem é a lasagne al funghi. Bem é o estrangeirismo que se apoderou dos nossos hábitos e a globalização que é sempre uma coisa tão bonita de se ter casa adentro.

Não é raro nos dias de hoje alguém dizer "ontem o jantar foi fantástico!" e em vez de se dizer com quem se esteve, diz-se o que se comeu e bebeu, e os livros que se discutiram, bem como os filmes. Quanto mais fora, melhor. Quanto mais mainstream, melhor. Lêem mais que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa! E quanto mais sensaborona a comida e altamente vegetariana, melhor. Queiram ou não acreditar, isto apenas se passa em Lisboa, talvez de igual forma no Porto, desconheço se tal assim é. Grupos de pseudo-intelectuais se juntam em manada para estes jantarinhos íntimos e a conversa é invariavelmente a mesma. Existe um protocolo e existe uma etiqueta a seguir. Existe muito muito verniz. O que não existe? Gargalhadas sem drogas (não, eu não tenho nada contra as drogas, mas quem não meta uma linha de coca não é bem visto) ou sem muito álcool, são raras. Não existe também um belo bife mal passado ou um simples franguinho assado, comprado à pressão e empurrado com um belo tintinho, apenas para se servir de pretexto a uma boa companhia e conversa genuínas. Há coisas que se estão a perder nesta nossa sociedade portuguesa e tão pseudo-burguesa que tanta soja e tanto tofu come.

*Lembro o meu primeiro contacto com pessoal assim, num jantar assim, numa Lisboa de há dez anos atrás. Jantar com muito muito Martini, muita muita soja, muita roupa estranha e muita conversa da treta com malta da Faculdade de Arquitectura. "A tua mala é incrível!! É Prada?" e eu "não, é da feira mesmo". Por acaso até nem era, mas foi mesmo para escandalizar. Que estas meninas e meninos é tudo muito in e muito design e muito cliché parvo nas cabecinhas, é muita soja e muito tofu e muita amizade aos animais, mas se formos ver as etiquetas, é muita pele de animal morto e atitude muito pouco amiga dos seres de quatro patas.

Ainda bem que eu não sou de Lisboa e o bife que comi ontem estava absolutamente fantástico!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O Melhor Post de Sempre (ou o imenso orgulho de ser português)

Não, não é a brincar. O Portuga tal como ele é, tal como o conhecemos, tal como nos envergonhamos orgulhamos de assim tão lusos sermos. À distância de um arrastar a página desta linda enciclopédia com o cursor...

Depois de ler alguns comentários fiquei a pensar de mim para mim: o que é que este post tem em comum com o JCM e a Branca de Neve e a Soraia Chaves? Nada. Isso porque o post tem errito. Cliquem aqui sff




segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

As Mulheres, os Homens e o Sexo na Cidade e nas Aldeias

Aqui há uns anitos publiquei esta carta (de M.S.T.) como resposta a um artigo de Ana Annes no antigo Psicologias e ainda hoje me rio quando releio a carta. Sendo mulher, sinto-me defraudada por saber que algumas mulheres pensam assim ou (re) agem perante o sexo, não tirando o máximo proveito e os mil benefícios que ele encerra. Por outro lado... what da fuck, a vida é de cada um e eu não tenho nada a ver com isso. Vale sempre a pena ler isto e soltar uma boa gargalhada.








"Escrevo esta crónica em plena quadra natalícia, numa altura em que os homens, coitados, na sua pequenez de vista, acham que nós queremos receber jóias, um casaquito do Cavali, um fim-de-semana numa linda pousada, um microondas para enfiarmos a cabeça lá dentro, etc, etc.
Nem estão enganados os pobres.
Mas o que nós queríamos mesmo era homens que soubessem fazer um minete "comme il flaut".
Eu explico.
Estas almas penadas vieram ao mundo com um gene que lhes meteu na cabeça que fazer um bom minete é um dado adquirido.
Pois vai uma notícia: não é !
E o mais giro é que, perguntando aos desgraçados dos meus amigos, "Ex" e afins (o leque é grande e a probabilidade de acertar quase igual à da EuroSondagem), todos acham que fazem "o" minete.
Extraordinário!
Mas alguém se lembrou de às respectivas? Não.
E todos continuam convencidos de que são os maiores nesta lide particular. Burros!
Ora, da mesma forma que nós grandes falsas – esperneamos, dizemos "aaahhh! sssimm hhuuuummm!!" e nos mexemos "à canal 18" para fingir um orgasmo durante o acto, o mesmo nos estão a meter a cara entre as pernas.
Assumindo uma posição tipo "Dra Ruth" – é o que chama, no gozo a minha editora-, arrisco dizer que 80 por cento dos homens fazem minetes como os São Bernardo lambem as vitimas perdidas na neve, Lambem, lambem… sem saber porquê e onde.
E nós fazemos o nosso papel, para os pobre coitados não ficarem cheios de complexos (de vez em quando, algumas ganham coragem e dizem "querido, não te importas de fazer assim ou assado?", mas ainda é raro).
Depois, há cerca de dez por cento que têm jeito prà coisa : um potencial elevado para um "minete colibri" – Bate as asinhas e "truca", acerta no alvo sem grandes lambidelas ou aparato.
E, finalmente, vêm os abençoados, que já foram como os anteriores mas entretanto leram livros das especialidade e fazem os "minetes de oiro"- coisa rara nos dias que correm .
Mais uma vez os caracteres lixam-me a prosa não as ideias. Mas não é por isso que ficam os senhores leitores sem uma ideia para uma prenda jeitosa para o Natal, daquelas que , uma vez aprendida, é só dar."


É fantástico, porque a sra jornalista pode ter tido sete anos de mau sexo, mas ao menos sabe como é o minete feito pelo colibri! Ou ter tido a coragem de perguntar aos ex's se achavam que faziam bons minetes! Esta suposta superioridade de quem sabe o que diz à boca cheia, com ares de sabedoria extrema sobre o assunto, comove-me. Às tantas fico a pensar se ela terá alguma intenção de brincar com o assunto, transformando-o numa "espécie" de guerrinha entre os sexos, engraçada e humorística, ou se estará mesmo mesmo a falar a sério. É que no primeiro caso, só faz figura de parva. No segundo caso, também faz figura de parva, para além de frustrada. Tenho lido por aí muito sobre o assunto, investigado e deparado com Blogs onde a grande maioria das minhas congéneres faz questão de falar mal dos ex's, que não lhes dão aquilo que elas querem, que não sabem fazer sexo, que não sabem nada de nada sobre aquilo que elas querem, etc. OK, está certo que este Blog também tem a sua quota parte de brincadeira e avacalhamento sobre o assunto "guerrinha de sexos", mas convenhamos: meninas: haveria alguma piada num mundo sem homens? Se fingimos mais ou menos orgasmos que eles, talvez o façamos em maior número (sim, eles também fingem). Isso nem sempre é sinónimo de insatisfação (ah, pois é, e a primeira que nunca tenha fingido e ache isso motivo de grande orgulho, atire a primeira pedra! Eu cá, acho que faz parte do gozo e do jogo), mas isso são outros quinhentos. O que aqui está mal e muito mal é este atraso na mentalidade que algumas mulheres têm nas cabecinhas, a achar que a evolução e a igualdade entre sexos se faz desta forma. basear-se numa inferiorização do homem perante a mulher. Acham-se muito modernas, mas eu não lhes dou mais do que cinco aninhos para se afrmarem como lésbicas. O que aqui se trata é de um ódio sabe-se lá vindo de que recalcamento de infância, de um ressabiamento inexplicável porque talvez tiveram maus encontros na vida. Maus encontros todos tivémos e não será por algum filho da puta que devemos julgar um bom rapaz. E vice-versa. Mas enfim... é ler a resposta do Miguel, que me tem dado tanto que ler nos últimos dias. E que bem que ele escreve.




"Minha Cara,

Tenho, sinceramente, muita pena de si...

Em primeiro lugar, tive a pena de constatar que só se sentiu
realizada, ou minimamente realizada, em 20% dos minetes que lhe
fizeram.
Concordo consigo quando diz que os homens devem perguntar às respectivas se
estão contentes com o seu desempenho. Nesse caso, porque é que assume
claramente que finge os seus orgasmos? Das duas uma, ou a menina nunca
foi "comida" como devia, ou então, coitadinha, não tem mesmo jeitinho
nenhum para o sexo. Nós, homens, também lhe podemos fazer, por exemplo
uma estatística de quantas mulheres são ou não boas na cama. Ou
quantas fazem ou não, bons broches. O que nunca lhe vamos poder fazer
é fingir um orgasmo. Isto, claro, se conseguir que atinjamos um.
Acredite que há muitos homens que perguntam as parceiras se estão
contentes com o seu desempenho. E acredite também que a maior parte
dos homens não teve que ler um manual para fazer bons minetes. Apenas
teve que os fazer, uma e outra e outra vez. Só com treino se consegue
melhorar a performance minha cara.
Em segundo lugar, informo-a que, caso ainda não tenha percebido, o que
você está a fazer é, muito simplesmente, a aumentar o número de homens
que pratica mau sexo. Você e as mulheres como você. Ora repare: se
você finge um orgasmo de cada vez que está com um homem, em primeiro
lugar, está a fazer com que o homem acredite que realmente percebe do
assunto (Sim, há homens que não percebem). Em segundo lugar, está a
fazer com que este mesmo homem, não se esforçe o suficiente para
agradar a parceira na relação seguinte. Penso que estamos ambos de
acordo, quando digo que uma situação destas não é agradável, nem tão
pouco desejável, certo?
O meu conselho, se o quiser aceitar, é: Faça mais sexo!!! A sério,
penso que você precisa. Mas faça mais sexo sem fingir orgasmos. Vai
ver que a sua vida sexual melhorar exponencialmente, e excusa de se
vir queixar para as revistas. É obvio que nem todos os homens lhe vão
dar um orgasmo, ambos sabemos isso. Mas vão tentar, isso, eu
garanto...
E já agora. Informo-a também que não é assim tão raro uma mulher pedir
ao "querido" para fazer assim ou assado. Não julgue todas as mulheres
por si, "Dra. Ruth" .

Um Cordial abraço,

Miguel Sousa Tavares"

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Inferno é o fumo do cigarro dos Outros

Este Blog informa que passou a ser branco, pois o fumo do cigarro que aqui havia desapareceu. It's GONE.

O Psicologias da Treta não seria realmente da treta se neste novo ano cheio de tanta coisa boa (como a proibição do fumo de cigarro em locais públicos), não fizesse uma breve apreciação sobre os prós e contras da nova lei e, já agora, dar uma achegazinha e uma consideração bastante pessoal sobre o assunto.




Portugal não é, e penso que nunca foi, um país de gente civilizada. Ponto assente. Nível zero em cidadania e boas maneiras. Consideração pelos outros. Respeito pela Liberdade de cada um. Deveria ser proibido, tal como o fumo de cigarro, as pessoas comerem de boca aberta, fazerem ruídos estranhos aquando da degustação, arrotarem, levarem criancinhas aos berros e sobejamente mal educadas e, já agora, dizerem palavrões (tipo "o jogo de ontem foi uma merda, aquele árbitro é um cabrão..." e por aí fora)... isto em locais públicos. Já para não falar do lixo em abundância nas matas do nosso querido país livre, bem como nas praias que nos distinguem como um dos principais pontos turísticos do mundo. Não estou a brincar. Este país é uma vergonha. Você, caro leitor, sabe disso. Pode levar algum tempo a discordar, e mesmo assim, a afirmação de que somos um país de gente incivilizada, como é referido no início do texto, é muito suave. Arrisco mesmo a dizer que somos um país de selvagens. Selvajaria.

Eu concordo com a nova lei. Não tenho de concordar com o facto de termos todos de respirar aquelas coisas todas muito más que vêm no fumo dos cigarros dos outros, e nem sequer tenho de partilhar os malefícios da minha escolha enquanto fumadora suicida com os outros, os que optaram por dizer NÃO naquele momento em que os mais fortes e portatores de grande carácter pessoal e humano, se distinguem dos outros, os fracos, os que sucumbiram ao pecado de fumar um cigarrinho. Faz mal à saúde e isso já todos nós sabíamos. Que a proibição seria um mal necessário, é um facto eminente que mais cedo ou mais tarde, assim teria de ser, e não há volta a dar. Eu sou fumadora e reconheço que nalgum momento (vá, em bastantes) da minha vida, deverei ter acendido algum cigarro perto de muitas criancinhas e sim, fui má cidadã, egoísta e hedonista de pacotilha, coloquei o meu vício antes do bem-estar dos piquenos, mas merecerei o Inferno por isso?... tal como eu, a grande maioria dos fumadores que conheço. É proibido fumar, não se fuma. E ponto. Nem coloco em causa algo que me parece ser do genuíno interesse de todos.

O pior é mesmo o resto. É todo um conjunto de leis que indicam a proibição de algo bem mais precioso que isto, e todos calam, consentem, e daí eu achar que é uma idiotice falar-se nisto e não se falar no resto. O lixo, a poluição, a falta de consciência cívica e ambiental, de animais que se dizem pessoas e não passam de portugueses idiotas, que sujam tudo e não respeitam ninguém, levam os filhos a fazer piqueniques e ensinam-nos a sujar o que é de todos. Para estes não há leis, e estes são a grande maioria daquilo que é chamado de povo português. E o pior é que nem com proibições e leis contra o fumo estas pessoas vão apagar os seus cigarros. O fumo do cigarro é apenas a ponta do iceberg. Não dá trabalho e não custa dinheiro ao Estado chamar um GNR e fazer a denúncia daquele gajo que está ali, armado em estúpido a fumar o seu cigarro do contra (acontece, infelizmente). O que já dá trabalho e custa dinheiro, é colocar mais guardas florestais e polícia marítima a dizer à senhora que não deixe a fraldinha cagada do puto no meio do chão que é de todos. Ou chamar à razão os energúmenos que vão fazer barulho para o cinema, a comer ruidosamente pipocas. Ou mandar calar a criancinha aos berros durante uma refeição em que não tenho simplesmente de sofrer pelos tímpanos. E um sem número de coisas que supostamente são proibidas, mas que não são respeitadas porque dão muito mais trabalho e custam muito mais dinheiro ao mesmo Estado que abre noticiários todos os dias com uma não-notícia. É no fundo, uma falsa questão, ou deveria ser uma falsa questão, que nem em causa deveria ser colocada.

Com o tempo, as proibições serão cada vez maiores e mais pesadas. Fôssemos nós um povo civilizado e nada disto seria necessário. Desde a falta de bom senso até à falta de consideração, os portugueses só entendem a mão da proibição e o delinear de limites bem definidos. E ainda se admiram de ter sido Salazar a figura escolhida pelo povo?




domingo, 6 de janeiro de 2008

Previsão Astrológica Para 2008





Ah sim, cá está a bela da previsãozinha que este Blog não podia de maneira alguma descurar. Podendo ou não acreditar mais nos astros do que alguma vez poderiam vocês supôr, podendo ou não eu ser uma dessas pessoas que jura a pés juntos que a sua única teoria sobre tudo e mais alguma coisa é a do caos ou, em última instância, ser apologista de que o nosso destino está nas nossas mãos, podendo achar que o livre arbítrio será sempre a primeira e última chave para o sucesso ou insucesso nas nossas vidas, é caso para dizer que o indecifrável anda por aí, e a velha história das bruxas (que las hay, las hay...)

Enfim, é melhor ler.




Previsão Astrológica para 2008,
por Professora A, Psicóloga da Treta


Carneiro: 2008, vai ser um ano de mudança e transformação, são de esperar grandes alterações profissionais, e como o Carneiro gosta de mudanças é de prever novidades. Provavelmente para além do emprego, vai mudar de cor de cabelo, fazer dietas, lembrar-se de que comeu e bebeu demais nas festas, mudar de carro, de emprego, tudo vai mudar. Veja lá não se entusiasme e no calor da mudança, não mude de sexo.

Touro: Recebe boas influências do planeta Júpiter, é tempo de colheita de todos os esforços efectuados, solidez e construção são as palavras-chaves para estes nativos. Provavelmente, e sendo algum construtor civil mais afortunado em conhecimentos entre o poder autarca, colherá os frutos do árduo trabalho que elaboraram em conjunto.

Gémeos: será um ano, onde podem esperar por algumas dificuldades, planos podem sair frustrados, assim como poderão ter dificuldades de realização em termos de projectos. Mas nem tudo serão espinhos; para além dos projectos mal realizados, faça uma boa amizade com um nativo de Touro: vai ver que este lhe apresenta alguém lá da Junta ou até mesmo da Câmara, e esses projectos vão correr melhor. Lá para Junho ou assim...

Caranguejo: Outro signo que está a receber boas influências do Céu. Urano representa o progresso e futuro, as suas vidas são ser abençoadas pela sorte. Irá existir muitos casamentos nos nativos deste signo. Se começou a namorar no ano de 2007, então é limpinho: vai CASAR mesmo e constituir família. Deixe finalmente de se armar em durão e assuma que é um romântico incurável: essa carapaça de insensível não o leva a lado nenhum. Todos os Caranguejos anseiam por um bom par de chinelos e um comando de tv na mão, rodeados de filhos.

Leão: Este signo vai ter a oportunidade de renovar, é o renascer das cinzas, os últimos dois anos foram de privações e obstáculos, é um início de um novo ciclo para estes nativos. Também já não era sem tempo! Tenha cuidado com as cinzas, tanto tempo a arder, ainda o confundem com algum arbusto em época de incêndia ou com algum incendiário. Já agora, uns calmantes ajudavam, já que o humor explosivo do Leão é conhecido por ser imprevisível. Os restantes nativos que leiam esta previsão, um conselho: dêm sempre a razão ao Leão; quando contrariado, é insuportável. Deixem-no brilhar.

Virgem: Encontra-se numa posição frágil e de dificuldades. Saturno, o professor da vida entrou nesta constelação a trazer o retorno de tudo aquilo que foi construído nos últimos 7 anos, é um ano de muito trabalho e esforço. Não há bela sem senão. No trabalho é que está o ganho. Conselho para os nativos deste signo: não trabalhe tanto e não seja tão organizado. Pense: 7 anos de tanto gozo e só agora é que paga a factura?... eh... há-de continuar a lucrar. Arrisque mais nos amores e liberte-se de histórias antigas, saia nu/a para a rua, dance mais, ria mais, grite numa falésia, visite os Açores e deixe-se de coisas. A vida é demasiado curta...

Balança: 2008 será um ano para finalmente satisfazer velhos sonhos e acabar com as ansiedades. Não pense tanto se muda a cor do cabelo ou não; não pense tanto se come aquele bolinho ou não; não pense mil vezes antes de mandar o chefe à merda se não; não pense tanto se deva dar AQUELE beijo ou fazer aquele telefonema ou não. Se tiver um amigo Carneiro por perto, não hesite: fale com ele a fim de suprimir o juízo que lhe resta depois de tanto pensar. Vai ver que no arriscar afinal há sempre um petiscar.

Escorpião: Outro Signo que tem uma posição muito vantajosa no Zodíaco em 2008. Após toda a diluição que tiveram em 2007, vem a sorte, o crescimento, e o progresso. Conselho para estes nativos: não contrariar a corrente e acreditar mesmo na Sorte. Seja menos possessivo e mandão, menos cáustico e já agora, menos atento. Faça um bocadinho a vontade aos filhos, sobretudo ao mais novo: não há nada pior que ter uma mãe Escorpião... Viaje mais.


Sagitário: Para os nativos dos últimos dias, será um ano de grandes dificuldades, situações inesperadas poderão alterar radicalmente as suas vidas, não devem tomar iniciativas de expansão. Ou seja: aquilo que mais gostam de fazer, que é viajar, deve ser bem planeado. Boletins metereológicos, passaportes e vacinas, tudo deve ser bem revisto para não haver dissabores de maior.

Capricórnio: Será o grande rei entre os signos, a entrada de Júpiter na constelação já a partir da próxima semana, irá trazer grandes recompensas, êxitos, sorte honras, durante o ano de 2008, tudo irá correr sobre rodas para o Capricórnio. Ou seja: o mar tá de feição, Tóne! Talvez comprar aquele Jaguar, fazer finalmente a piscina, casa sobre o mar, tudo vai ser uma maravilha. Quem sabe, o EuroMilhões?... não seja tão fuinha, tão picuinhas e não teime tanto. Essa sua teimosia sobretudo com aqueles nativos de signos irascíveis, às vezes pode dar faísca... conselho para este ano: não coma tantos doces.

Aquário: A presença do planeta Neptuno, nesta constelação, irá desmoronar alguns sonhos, e objectivos destes nativos. Atenção a projectos grandiosos. Lembre-se: aquilo que não se fizer este ano faz-se no próximo. Não seja tão esquisito, e tão armado em diferente. Apanhe uma bebedeira e chore no ombro dum amigo; é bom ter dentro de si alguma vulnerabilidade, e tanta independência junta faz mal ao fígado. Desabafe. Tal como o Balança, é atreito à ideia de mandar o chefe à merda, muito embora acabe por fazê-lo, mas por palavras caras, que o chefe não entende... mande-o mesmo à merda. Vai ver que faz milagres.

Peixes: Outro signo que está sob as boas graças do céu, é tempo de realização dos sonhos, destes nativos. Mudanças repentinas, mas favoráveis irão trazer grandes concretizações. Nem sempre o Peixes gosta de mudanças, mas se as boas graças vêm dos céus, então é recebê-las de braços abertos. Conselho para este nativo: não pense tanto na perseguição cruel que os outros fazem, que o Mundo faz, nos entraves da vida. Nem tudo é ambíguo e tudo pode ser afinal muito simples.


É de referir que cada pessoa é um mundo, todo o ser humano tem um micro-zodíaco dentro de si, de acordo com a posição dos planetas nos signos.
Assim as previsões acima citadas, são um genérico abrangendo apenas 10% das pessoas de cada signo.

Cada pessoa tem uma missão a cumprir, que depende da posição de cada planeta, e os aspectos que fazem.

As pessoas dos Signos Cardinais, que são Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio, que fazem anos nos primeiros dias, vão ter mudanças grandes, nas suas vidas, mas se as mudanças são benéficas ou maléficas, vai depender do mapa Astrológico de cada ser.




* foi o que de mais Zen consegui arranjar, pelo que dentro dos próximos meses, penso que não voltarei a falar de previsões astrológicas. Agradeço à minha querida amiga Cristina Candeias, que me ajudou a elucidar-vos um pouco mais sobre este novo ano fiscal de 2008.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

As Passagens de Ano




Ainda agora este 2008 começou e já eu me sinto uma Cabra Fria e Cruel da pior espécie, mesmo não sabendo o que é que o novo ano me reserva, e mesmo que seja uma data de coisas muito ruinzinhas, fica ao menos este testemunho pessoal e intransmissível de uma porção de coisas que me perturbam sempre que acaba um ano velho e começa um ano novo.


Isto serão apenas algumas considerações e resoluções de quem, como disse anteriormente, acaba um e começa outro. Ano, pois então.


Não me irei debruçar sobre aspecto nenhum da minha vida nem sequer dizer qual foi o melhor e o pior no internacional de 2007, pois isso seria demasiado óbvio e para isso já há demasiados Blogs a encher páginas. A mim ninguém me paga para fazer críticas e concerteza ninguém está muito interessado em saber qual é o Top 100 das minhas preferências culturais. Quando muito, poderei dizer que, para o ranking das minhas preferências gastronómicas entrou directamente para um merecido (sei lá, deixa ver) sétimo lugarito a alcatra de peixe da Ilha Terceira que é de babar.


Mas onde é que eu ía?


Pois, as Passagens de Ano e as considerações sobre o Velho e o Novo.


Se querem saber, não divido assim tanto o Velho do Novo, acho que acaba por ser tudo a mesma coisa até porque o quebrar de um Ciclo na vida de qualquer pessoa é muito relativo e mal seria se todos começássemos a tal vida nova a cada dia 1 de Janeiro. Ou seja, mais uma vez, pessoal e intransmissível. No fundo, o que temos todos em comum é o facto de termos de fazer o IRS de ano a ano, e disso nem os ministros se escapam, fazendo das finanças deste país um quase denominador comum (sim, porque quem dera que os meus rendimentos fossem iguais aos do tio Belmiro) . "Feliz ano novo fiscal!" vão passar a ser os meus votos nos Dezembros vindouros.

Outra coisa que me irrita um bocadito no calendário é a porcaria dos filmes. Isso, a porcaria dos filmes. Ou dos prémios para filmes. Já agora, dos discos e respectivos prémios também. Quem é que quer saber do filme que foi realizado em Janeiro de 2007 na altura da atribuição do prémio que se passa no ano seguinte??? E o tal disco que tanto se ouviu em 2007 mas que afinal foi de 2006? Será que posso dizer que 2006 foi um grande ano para aquela banda, se afinal só ouvi AQUELE disco no ano a seguir? Daí toda a minha fúria relativamente aos atrasos que afinal o calendário comporta desde os números marcados em cada mês e a realidade subjacente á nossa vida em concreto. No fundo, a questão do IRS também se aplica aqui. Quem é que nunca se auto-flagelou por ter perdido n facturas que afinal são já "do ano passado"?


Bem, do que é que eu gosto na cena toda do Ano Novo?

Gosto do Fogo de Artifício que, tal como o próprio nome indica, simboliza tudo o que aquelas míseras horitas significam, no fundo: um artifício. Gosto da alegria quando é genuína, quando se está na companhia de quem realmente interessa, sinal de que ainda andamos todos por cá e gosto da comida e da bebida.
O que é que me perturba? As semelhanças com o Carnaval, que detesto. Quase tudo, a bem dizer...


E siga que já é 2008.

Bom ano fiscal a todos!

Onde é que eu ía mesmo?

*breve esclarecimento a algum leitor mais perdido: sim, e por falar em perdidos, este Blog já deverá andar na secção de perdidos e achados na lista de alguns outros mais esquecidos.



Não, eu não tenho nada contra o Natal ou a época, muito pelo contrário, e nem se trata sequer de "ter tempo", aquela desculpa pomposa da merda que a maltinha gosta de dar, em jeito de vida atribulada e complicada e ocupada e distante e importante, eu não sou nada disso, e até sou bem organizada no que concerne a agendas. portanto, a ausência deve-se à ausência de Internet no buraco onde me encontro a viver. Penso que hoje vai ser um daqueles dias memoráveis, em que a Humanidade poderá continuar a dar um passo de gigante quando aceder a este Blog, uma vez que o modem está a caminho.



Entretanto, já andei a dar uma vista de olhos na minha lista altamente desactualizada de Blogs e vejo que salvo um ou outro, não perdi grande coisa. Ressalva para o blog do Nuno Guronsan que está cheio de coisas bonitas e genuínas e que por acaso, me ofereceu um livro do Camus este Natal... é caso pra dizer "ah porra!, Lisboa aqui tão perto!" Não, 2008 não será o ano em que me converto à malta pseudo, Nuno, mas o livro já está na waiting list.



Onde é que eu ía mesmo?

Vou almoçar. Era só mesmo pra avisar que...





terça-feira, 27 de novembro de 2007

Abuso sexual de menores





"Ah e tal, mais uma petição..." Não jovens, não é voltar a cabeça e dizer "ah e tal, mais uma petição" e passar à frente, e borrifar no assunto. Ao menos o que possamos fazer, que o façamos de direito e por consciência. A mim, mete-me nojo a pedofilia, pedófilos, abusos sexuais seja lá de que natureza for, casas pias e afins. Sei que sempre houve, hoje em dia há muito mais com a existência de sites na Internet, mas terá de haver um momento em que terá de deixar de haver. Sei que é muito maior do que nós, mas tem de começar por algum lado. E a vontade move montanhas certo?

Assinem já
aqui, por favor. Tenho alguma pena em verificar que a minha, foi a 61ª assinatura. Os mais cépticos podem sempre ler o texto abaixo.




To: Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência

No exercício do direito de petição previsto na Constituição da República Portuguesa, verificado o cumprimento dos pressupostos legais para o seu exercício, vêm os signatários abaixo assinados, por este meio, expor e peticionar a V. Exa. o seguinte:

Somos um conjunto de cidadãos e de cidadãs, conscientes de que o abuso sexual de crianças não afecta apenas as vítimas mas toda a sociedade, e de que “a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” (Elie Wiesel).

Estamos unido(a)s por um sentimento de profunda e radical indignação contra a pedofilia e abuso sexual de crianças, de acordo com a noção de criança do art. 1.º da Convenção dos Direitos da Criança, que define criança como todo o ser humano até aos 18 anos de idade, e partilhamos a convicção de que não há Estado de Direito, sem protecção eficaz dos cidadãos mais fracos e indefesos, nomeadamente, das crianças especialmente vulneráveis, a viver em instituições ou em famílias maltratantes.

Os direitos especiais das crianças são dotados da mesma força directa e imediata dos direitos e liberdades e garantias, previstos na Constituição da República Portuguesa, nos termos dos arts. 16.º, 17.º e 18.º da CRP e constituem uma concretização dos direitos à integridade pessoal e ao livre desenvolvimento, consagrados nos arts 25.º e 26.º da CRP, e do direito da criança à protecção do Estado e da sociedade (art. 69.º da CRP).

Indo ao encontro das preocupações reveladas por V. Exa. relativamente às investigações em curso sobre crimes de abuso sexual de crianças a viver em instituições, e também ao anterior apelo de Vossa Excelência para que não nos resignemos e que não nos deixemos vencer pelo desânimo ou pelo cepticismo face ao que desejamos para Portugal, sendo que é dever do Estado de fiscalizar a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e outras instituições de reconhecido interesse público (art. 63.º, n.º 5 da CRP) e de criar condições económicas, sociais, culturais e ambientais para garantir a protecção da infância, da juventude e da velhice (art. 64.º, n.º 2, al.d) da CRP), vimos requerer a intervenção de V. Exa, através de uma mensagem à AR, ao abrigo do art. 133.º, al. d) da CRP, para a concretização dos seguintes objectivos:

1) A criação de uma vontade política séria, firme e intransigente no combate ao crime organizado de tráfico de crianças para exploração sexual e na protecção das crianças confiadas à guarda do Estado;

2) O empenhamento do Estado, na defesa dos direitos das crianças em perigo e das crianças vítimas de crimes sexuais, em ordem a assegurar a protecção e a promoção dos seus direitos;

3) O estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que assegurem o respeito pela dignidade e necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal, que evitem a vitimização secundária e o adiamento desnecessário dos processos, e que consagrem um dever de respeito pelo sofrimento das vítimas, nos termos dos arts. 8.º e 9.º do Protocolo Facultativo à Convenção sobre os direitos da criança, relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis, documento ratificado pelo Estado Português, nomeadamente:
a) Proibição de repetição dos exames, dos interrogatórios e das perícias psicológicas;
b) O direito da criança à audição por videoconferência, sem «cara a cara» com o arguido;
c) O direito da criança se fazer acompanhar por pessoa da sua confiança sempre que tiver que prestar declarações;
d) Formação psicológica e jurídica especializada da parte das pessoas que trabalham com as vítimas, de magistrados e de pessoas que exercem funções de direcção em instituições que acolhem crianças, assim como de funcionário(a)s das mesmas;
e) Assistência às vítimas e suas famílias, particularmente a promoção da segurança e protecção, recuperação psicológica e reinserção social das vítimas, de acordo com o art. 39.º da Convenção sobre os Direitos da Criança e o art 9.º, n.º 3 do Protocolo Facultativo à mesma Convenção relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis;
f) Uma política criminal que dê prioridade à investigação de crimes de abuso sexual de crianças e de recurso ao sexo pago com menores de 18 anos;
g) Proibição da aplicação de pena suspensa ou de medida de segurança em regime aberto ou semi-aberto (ou tutelar educativa, no caso de o abusador ter menos de 16 anos), a abusadores sexuais condenados;
h) A adopção de leis, medidas administrativas, políticas sociais e programas de sensibilização e de informação da população, nomeadamente das crianças, sobre a prevenção da ocorrência de crimes sexuais e sobre os seus efeitos prejudiciais, no desenvolvimento das vítimas;

4) Proibições efectivas da produção e difusão de material que faça publicidade às ofensas descritas no Protocolo Facultativo à Convenção dos Direitos da Criança.

Requeremos a Vossa Excelência, que num discurso solene, dirigido às crianças, as cidadãs mais importantes do nosso país, assuma, para com elas, estes compromissos, prestando uma manifestação de solidariedade para com o sofrimento das vítimas, pois como disse Albert Camus “não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento”.



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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A Treta Mora ao Lado...