::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Puer aeternus... ou os novos "trintões"

Puer Aeternus is Latin for eternal boy , used in mythology to designate a child-god who is forever young; psychologically it refers to an older man whose emotional life has remained at an adolescent level, usually coupled with too great a dependence on the mother. The puer typically leads a provisional life, due to the fear of being caught in a situation from which it might not be possible to escape. He covets independence and freedom, chafes at boundaries and limits, and tends to find any restriction intolerable.






Hoje em dia confunde-se bastante imaturidade com irresponsabilidade, promiscuidade com leviandade, e a verdade anda de mãos dadas com a mentira, ao ponto de já nem sabermos distinguir uma coisa de outra.

A verdade é que as pessoas escondem-se atrás de frases feitas tais como "tenho medo da entrega, da vulnerabilidade que existe numa relação"quando, na verdade, o que se esconde é o medo de ter de enfrentar a parte assustadoramente real que existe numa relação. Como diria um amigo meu, "as cuecas sujas no meio do chão" (Cadete dixit). Quem normalmente proclama que já sofreu muito por amor e reafirma que tem medo de voltar àquele lugar, nega as afirmações anteriores. Diz que isto é treta. A perda da independência, a perda do "seu espaço", o medo (pavor, aliás) da partilha das horas e do tempo escondem muitas vezes, um egoísmo natural de quem ainda não está preparado para enfrentar as tais responsabilidades e imperfeições do mundo real (as cuecas, portanto), e são uma boa desculpa para a manutenção dos ponteiros do relógio numa equação de vida que se quer jovem, bonita e leve.

É natural que presentemente, em pleno século XXI, já todos vivemos concerteza uma grande história de amor que correu mal. Sejamos francos: correu mal... mas passamos à frente. Já ninguém vive vidas quebradas ou estilhaçadas ou interrompidas, e a reputação de uma mulher não fica manchada para sempre, porque teve um namorado e aquilo correu mal. Sim, somos modernos, trintões, solteiros e recusamo-nos a viver aquilo que os nossos pais na geração de 60 ou 70 viveram. Vinte anos depois divorciavam-se e é talvez nessa altura que se dá o fim do medo da ruptura. Hoje em dia já não sofremos rupturas em que o peso da dor era tantas vezes suplantado pelo peso da derrota social. E portanto o nosso medo em acabar uma relação ou ver a nossa relação chegar ao fim é mais baseada na dor que sentimos por ver alguém que amamos partir do que propriamente as convenções sociais e o medo de "ficar para tio/a". É "fácil" acabar uma relação e digo "fácil" porque nunca o é. Depois há a separação lógica dos termos "relação" e "caso", pois mais são os "casos" do que as "relações" (ditas sérias).

Conclusão de tudo isto: amar alguém e ter uma relação, viver com essa pessoa nunca foi, nem será, fácil. É um desafio que não está ao alcance de todos, conseguir manter a tal chama acesa. É uma questão de timming, cada hora e cada minuto. Por vezes convencemo-nos de que se já fomos capazes e falhámos, é porque algo está errado connosco, quando na verdade pode ter sido apenas um mau passo, e não era aquela a pessoa que nos completa, nos faz felizes. Ou não. Pode bem ser o sinal, que se não conseguimos ultrapassar a barreira do "tal medo, do pavor" de partilha, é porque talvez a vida não tenha de passar por aí, e somos felizes de outra forma. Sozinhos.

Penso que já é tempo de deixarmo-nos de ilusões e também de preconceitos. Provavelmente quando se tem trinta(s) e não se encontrou ninguém à altura do tal desafio, não há que desesperar. Nem que esperar ("pode ser que seja aos 40..."). Sinceramente, acho que se pensa demais NO problema e menos nas causas DO problema, que é aquilo que cada um de nós é no seu percurso de vida e o que quer realmente nesse percurso. Aparentemente, podemos encontrar imensas pessoas compatíveis connosco, a nível cultural ou sexual, mas as exigências do novo século e dos estilos de vida agitados pedem-nos algo parecido com a perfeição. Idealiza-se a pessoa perfeita que deve estar ao nosso lado. A perfeição não existe, porque ninguém é perfeito e o ser humano muda todos os dias. Mas pode haver perfeição dentro da imperfeição. Há que saber viver aquilo que é uma aprendizagem que se constrói com os erros e cabeçadas que se vão dando. Saber aceitar o que se é e aceitar os defeitos dos outros. Saber aquilo que se é e para onde se vai. Muita gente encontra o amor aos 40, aos 50 e aos 60... e por aí fora, na constância de uma vida que se quer plena, com os seus altos e baixos e sonhos a cada etapa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Explica-me isso da avaliação de desempenho dos professores como se eu fosse muito burro..."

Há várias formas de explicar este processo. (*se não tiver pachorra para ler isto tudo, siga até ao último parágrafo, a preto).



Esta, é a que consta, sinteticamente, no Portal da Educação:



A que melhor qualifica o dito processo elaborado em tempo recorde (na gíria "em cima do joelho") é esta: o facto de haver ou não uma avaliação do desempenho docente deixou de ser uma questão de justiça, bom senso ou inteligência, capacidade analítica de objectivos alcançados no que concerne a sucesso escolar, ou sequer uma ferramenta útil na dignificação da carreira. Passou a ser uma questão política, um "braço-de-ferro" entre Sócrates (bem como na pessoa da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues) e os professores deste país.
É praticamente uma questão de honra, em que os dois descuram o poder altamente significativo e simbólico de 120 mil pessoas na rua a fazer aquilo que não passa somente pela contestação de um processo de avaliação, mas como da própria democracia do país; aquilo que está em causa passou a ser muito mais do que a avaliação de desempenho, e a reacção autista e da suposta "força" desta maioria dita socialista, é de fazer corar um menino outrora chamado Oliveira Salazar.





Se 120.000 pessoas saem à rua a proclamar e a repudiar uma medida do Governo, é porque provavelmente algo está mal. Não será? A atitude de avestruz bem poderá originar uma atitude de pânico se o pior acontecer, ou simplesmente uma atitude de arrependimento na hora dos portugueses irem às urnas.
O ensino em Portugal está a deixar de ser digno, exigente, e acima de tudo, está a deixar de ser JUSTO.

O ensino está a cair na mediocridade, no facilitismo, no "passa toda a gente" ainda que os alunos não saibam escrever o seu nome. Penso que nenhum pai ou nenhuma mãe gosta de ver o seu filho saber menos do que a geração anterior quando era suposto haver uma melhoria e uma evolução nas gerações pós 25 de Abril. Um dos maiores pilares da sociedade É efectivamente a Educação e num país em que se descura e desrespeita a democracia desta forma, em que se protela e promove "os coitadinhos", em que não existe justiça e nivelamento dos alunos, em que ser excelente aluno é igual a ser péssimo aluno, pois toda a gente passa de ano, num país em que os professores são agredidos (física e verbalmente) e constantemente desrespeitados nas suas aulas, é natural que um processo de avaliação como este seja a coisa mais natural do mundo.




A ministra pediu desculpa MAS reitera que o processo vai avançar. A bem ou a mal.
A Marcha da Indignação aconteceu dia 8 de Março de 2008. 100.000 professores saíram à rua.
A Marcha da Exigência aconteceu no passado dia 8 de Novembro. 120.000 professores...
Seguir-se-á que Marcha? A da Violência?
Não é com computadores da treta resistentes ao choque e aos líquidos, com nomes ibero-americanos que se melhora o ensino nas escolas portuguesas.
Não é com autoritarismo que se conquista o respeito das pessoas. Não é pela teimosia e pela falsa aparência de querer melhorar a educação que enganam a população portuguesa (querem prestigiar a carreira docente?!? aos olhos da opinião pública?? - que raio de argumento é este? A carreira dignifica-se a si própria quando existem bons resultados e não resultados A MARTELO do tipo passar toda a gente, no matter what). Não é com falsos pedidos de desculpa e mil e uma negociações com os sindicatos que vão conseguir jogar poeira para os olhos dos professores, que estão unidos, e não alinham em jogos políticos de qualquer frente. E não é concerteza com este autismo, esta inflexibilidade e arrogância que vão conseguir conquistar votos nas próximas eleições.





*Para terminar o post e se o caro leitor não teve pachorra de ler o post na íntegra, isto é muito simples: os professores são um dos poucos sectores da função pública com formação superior, o que, no total, custa bastante dinheiro ao Estado (ah e tal, até tirou um curso que agora é posto em causa, mas isso de se ter um curso quer dizer que tem de se pagar mais aos gajos). Se "cortarem"ao máximo a progressão na Carreira Docente, inventa-se um processo de avaliação assim a dar para o lixado: os mais velhos fartam-se de andar a fazer manifs e pôem-se a andar com reformas antecipadas; não chegam ao décimo escalão, o que é bom porque o 10º escalão é uma pipa de massa; corta-se no pessoal contratado porque entretanto uns vão para a rua (são dados como maus professores e tal), outros desistem porque não passaram no exame (o curso por si só não chega, têm de fazer uma prova na qual a nota mínima exigida é 14, senão são inaptos) e torna-se assim mais fácil pagar menos à malta, fica bastante pilim nos cofres $$$$$ Se puderem continuar a facilitar a passagem dos alunos no Ensino Básico como até agora, ainda melhor: passam os putos todos, com nível de exigência zero e qualquer dia, a ministra até se lembra: "Professores para quê? Fazem o Ensino Básico por correspondência pela Internet (com o tal portátil de nome ibero-americano) e não precisam de professores para nada até ao 9º ano!, fazem o 12º ano com as Novas Oportunidades e com este Tratado de Bolonha, tiram um curso em três anos!!!"





***** a Manuel Alegre nas suas críticas a este Governo e àquilo que toda a gente percebe menos o Sr.Diz-que-É-Uma-Espécie-de-Engenheiro Sócrates. O deputado socialista esteve muito bem num período negro do Socialismo português, em que o BPN é a maior anedota do panorama actual. Constâncio torna-se patético. Portas fê-lo com imensa pinta no Parlamento (só por isso leva uma estrela também).

**** a Alberto João Jardim na sua avaliação por portaria. Todos os professores da Região Autónoma da Madeira terão Bom. Contornou o problema da melhor forma até que surja um modelo de avaliação coeso e forte. Um recado audaz ao Presidente da República.

*** à malta de Fafe. "Ganda nóia pá!"Mas...ovos? Que desperdício. Sócrates referiu-se ao ocorrido como uma falta de educação. Concordo. Outro tipo de material seria mais apropriado. Penso que um dia, e pelo decorrer da coisa, veremos tal acontecer. Infelizmente.

Porque os "ovos são as novas pérolas"... a porcos.

AGORA, ENTRE OS PROFESSORES, NEM A VIDA DE GATO É ESTIMADA. PARA CÃO JÁ BASTA ASSIM…
Dia 15 de Novembro, participe na GRANDE MANIFESTAÇÃO DA INDIGNAÇÃO DOS PROFESSORES, EM LISBOA, para que PORTUGAL ACORDE.
INSCREVA-SE, PELA DIGNIDADE E PELA SANIDADE PROFISSIONAL.




Escola nova


Estás a ouvir Barry White
( é o teu primeiro dia na escola está tudo maravilhoso, os alunos são o máximo, todos muito deseducados e atenciosos...)


depois de 3 meses ...


Estás a ouvir HOUSE Music
(Tens tanto trabalho, a preparar e corrigir testes, que não sabes se ficas ou vais embora, as crianças respondem torto e não obedecem à primeira .....)

Depois de 6 meses ....



Estás a ouvir Moonspell
( O teu dia de trabalho começa as 8h00 e acaba as 20h00, porque além dos testes já tens reuniões -muitas- e fichas de objectivos individuais para preencher e mais fichas, não se sabe bem para quê se amanhã já não são estas....)

depois de 9 meses...



Estás a ouvir Da Weasel
( por causa do stress, engordaste , estás inchada, não sabes bem como vais ter 100% de transições (não são passagens de ano, são transições e retenções)

Depois de 1 ano ...


Estás a ouvir Tupac Shakur
( Esqueceste o que é um 'Bom dia' e vives só da Cafeína, os jovens não obedecem de todo, os objectivos individuais são todos cumpridos, os 100% de transições - nem que fossem 200%- são alcançados, mas tu estás um bocadinho em baixo...)


Finalmente depois de 2 anos ...

Estás a ouvir Techno e
estás completamente louca !!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

post da semana

Ainda vou a tempo de colocar no ar o melhor sketch dos Gato Fedorento a parodiar o nosso PM?


(Desta vez, o trabalho de caracterização do programa fez um excelente trabalho. Ricardo de Araújo Pereira está muito parecido com o nosso PM. Notável.)




Janela Indiscreta




Hesitei entre colocar este post aqui ou lá, onde o silêncio é maior e os cinzentos se misturam nos olhos de quem passa e se apercebe que afinal a vida não é a preto e branco. Então me dei conta que os Blogs são muitos mais hoje em dia do que no ano em que abri o primeiro Blog (este) e por aqui o silêncio começou também a ser maior, o espaço mais aberto, menor quantidade de olhos e finalmente adquiriu o pleno direito da não-obrigação da escrita, que é no fundo, o que me faz escrever. Ou fazer outra coisa qualquer. Foi devolvido a este Blog o pleno direito de introspecção e diário de bordo. Engane-se quem achar que se escreve sempre para si mesmo; ou que escreve sempre para terceiros. Existe um equilíbrio. Ou talvez seja eu que estou a entrar em (des)equilíbrio, sabe-se lá... mas chega uma altura em que se sente a alma tão dividida que a fuga acaba sempre por ser o caminho para a frente, e mais acabam por ser os espectadores inesperados e imprevisíveis do que aqueles que esperamos.
Há coisas demasiado nossas e privadas que não se expôem em Blogs e a conclusão a que chego é que andamos todos muito confusos, ou fazêmo-lo de forma inconsciente, e nem sempre expômos o que deveríamos expôr, ou o que mostramos é confundido com algo que ao invés de ser nosso, é apenas mera ficção, e não passa disso mesmo. Por outro lado, e acontecer uma exposição da vida privada que não interessa a ninguém senão ao próprio e a quem dessa vida faz parte, não constitui interesse para ninguém. Ou a quase ninguém. Desta forma, porquê tantos Blogs? Porquê tanto interesse na vida alheia? Porquê esta vontade de apenas dizer "estou aqui"?Porquê tanto alarido e porque nascem tantas amizades e amores a partir desta vida virtual que todos temos? Não seria suposto cada um seguir a sua vida? Será que de repente todos temos assim tanto uma palavra a dizer?... penso que a resposta a esta questões oscila entre ego e solidão.
Ego porque todos sentimos a necessidade de nos sentirmos importantes perante algo ou alguém, nem que seja o nosso próprio espelho.
Solidão porque acaba por sempre ser uma companhia e uma brincadeira, entre verbos e contacto com outras pessoas que escrevem outros Blogs e partilham as suas opiniões.
Hoje olhei para dentro da minha própria "janela indiscreta" e senti-me bem com o que lá está, muito embora reconheça que ter dois Blogs é uma carga de trabalhos e optarei por continuar apenas um deles.

Dama Aflita


terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Amizade

"O raio do tempo passa e nem sequer deixa um número para onde lhe possamos telefonar. Muda de casa, de mês, de ilha, de tempo (daquele que antes fez sol e agora é de chuva), muda de nome, de dentes, de cor de cabelo, ganha e perde barriga sem pedir autorização, esquece nomes e senhas e passwords, enfim, o Tempo é um ingrato quando tudo o que devia ser é Agradecido. Por isso, o tempo deixa angústias por não ter deixado agarrar-se a tempo.

Faz tempo que não tinha tempo para coisas importantes - porque a esmagadora maioria das parcelas que compõem a minha vida são feitas de coisa nenhuma, perdida entre filas de automóveis e anotações de conversas chatas que, ainda por cima,têm de ser correctamente reproduzidas -, mas, dizia-vos, faz tempo que Vos queria ver... E hoje fi-lo.

Fiquei com aquela lágrima emperrada ao canto do olho, porque sou dado a estas coisas que caem para o lado da cebolinha bem picadinha, e comovi-me com a casa azul e os tempos que juntam o 30 ao 31.

Não sei se me consigo redimir sobre a tal minha ausência, mas se for possível meter uma valente cunha nesse sentido, também aproveito para, juntamente com a remessa da dita cunha, Vos deixar, do fundo do meu coração, o maior beijo que vos possa dar."



J.


De psicologias da treta





Não vinha aqui há muito tempo, pois as minhas obrigações profissionais não mo permitem, para além do facto de não ter Internet em casa ou móvel ou coisa que o valha. Quando tenho tempo, não tenho os meios. Quando tenho os meios, não tenho tempo, nem sequer disposição para isso. No trabalho, e ao contrário do que se passa com a esmagadora maioria dos demais que ao invés de trabalhar, estão ligados à rede e a estas coisas dos Blogs, não posso de maneira nenhuma vir aqui, a este espaço que tanta falta me tem feito, como a tal fuga à vida real que tantas vezes necessito. Para além do facto de gostar de escrever de noite, obviamente. Mas hoje, e porque um amigo que conheci por estas andanças faz anos hoje, resolvi ler mais qualquer coisa e, dedicar um bocadinho dos intervalos e da minha humilde escrita, à amizade. A isto dos Blogs. A isto de se ser amigo de alguém e de se saber porquê. E li esta mensagem que ainda não tinha lido e que se refere também a mim, num plural "vocês" que me junta àquele que amo. E adorei ter lido o que li. Porque está bem escrito e porque é honesto. E é esta a minha queixa no "muro das lamentações" de hoje, primeira parte deste post: as pessoas deixaram algures de ser honestas. Primeiro, consigo mesmas; depois, com os outros. Porque tiveram um azar, porque iam perdendo o emprego, porque perderam alguém da família, porque só elas é que sofrem e só elas é que sabem o que passam. E queixam-se. E justificam a falta de atenção para com os outros, esquecem-se que os outros também passam por aflições no emprego, sofrem e choram por motivos profissionais, têm a mãe a morrer, estão longe de todos aqueles que mais amam e estão sinceramente fartos de tanta indiferença e apatia. Às vezes, uma merda duma mensagem ou dum telefonema de dois minutos fazia toda a diferença. A amizade não é algo que se coloca na prateleira e arruma-se porque sim. Precisamos uns dos outros. Todos. E ninguém gosta de se sentir "arrumado". Eu sei que não gosto. Mas também não é uma obrigação e sinto-me triste quando tenho de "lembrar" que há coisas que não deveriam ser assim ou assado. Ou se calhar eu é que devia estar caladinha, deixar de ser parva e aperceber-me da real importância que (não) tenho na vida dos outros. Eu até tenho uma agenda ocupada, tenho mesmo MUITO que fazer e não entendo como é que as pessoas se limpam ao "tempo". Se calhar até acaba por nem ser assim tão importante. E "caga nisso". Passa-se à frente. Como em tantas outras coisas que se adiam, também algumas pessoas ficam para trás. Ou porque estão longe, ou porque têm namorado/marido/mulher, ou porque são "solteironas"/"solteirões", ou porque ganham mais, ou porque ganham menos, ou porque não são "fixes" e não saem à noite, porque são "caretas", porque ouvem as músicas erradas e lêem os livros errados, sei lá... uma data de coisas que só valem aquilo que valem. Eu concerteza é que não vou deixar de ter tempo para a pessoa que amo, nem de trabalhar, de fazer as coisas que gosto de fazer, assumi-las até ao fim, de ter tempo para mim e de ser como sou, para apenas poder agradar a gregos e troianos.
No outro dia, discutia com uma amiga a importância do destino. Alguns dias depois, falava com outra sobre o mesmo assunto. E vamos assim parando o tempo, damos lugar a conversas que nos arrastam durante umas boas horas e ainda que não cheguemos a conclusão alguma, ao menos ficamos com uma ideia de quem são os outros, o que pensam e como agem a partir dessa linha de pensamento. Agem em conformidade, são coerentes consigo mesmos, no trabalho e na vida pessoal. Se estamos ou não destinados a encontrarmo-nos, todos, e de que forma as nossas vidas assumem importância nas vidas dos outros, é algo que ainda estou para descobrir e entender. Algumas pessoas assumem uma tal importância na minha vida que são primordiais. Gosto delas como se fossem parte do meu sangue. São pessoas que têm a capacidade de fazer os meus dias mais felizes, e de ficar triste por elas quando algo não lhes corre bem. Sei que do outro lado é a mesma coisa. E podemos nem sequer falar todas as semanas sequer. Mas se as semanas passam e passam e passam e arrastam-se indefinidamente, acabo por sempre sentir uma enorme saudade dessas pessoas, ainda mais vivendo tão longe de toda a gente. Se a árvore é regada no seu tempo devido, pode viver séculos e perde-se na memória do tempo. Se não, acaba mesmo por morrer. Pode soar pindérico, mas eu sou assim mesmo: pindérica e foleira e acredito em coisas que estão um bocadinho em desuso. E existem também todas as outras, que fazem parte de um quotidiano que, no meu caso, acaba por ser bastante mutável, oscilatório, pois é diferente todos os anos. Não faço novos Amigos, mas alguns desses, poucos, acabam ou acabaram por fazer parte da minha vida e adquirem uma importância muito maior do que aquela que esperaria de início. E surgem as boas surpresas. Não sou nem nunca fui de amores à primeira vista no que diz respeito à construção de uma relação, e do alto da minha proclamada burrice e desconfiança não "abro" a porta a qualquer pessoa, mas também não sou apologista de que a longevidade seja o critério principal para que uma amizade perdure no tempo, e não nego que uma grande amizade possa desenvolver-se num curto espaço de tempo.

Melhor: cada vez mais, acredito nas pessoas politicamente incorrectas, nas pessoas que fazem as coisas porque sim, porque acreditam nelas e não têm de provar nada a ninguém senão a elas próprias. Nas pessoas que assumem os seus problemas e complexos, que sabem aquilo que não querem mesmo, que não andam a fingir coisíssima nenhuma, que ponderam (ou não) as suas acções baseadas nas suas experiências e que assumam os erros, não descartando culpas. Acredito nas pessoas que se interessam, que são realmente diferentes e defendem as suas diferenças, ainda que sofram com elas, porque são essas que geralmente fazem toda a diferença.

sábado, 30 de agosto de 2008

- Foi você que pediu...?

Dois (grandes) em um (só concerto). Momento muito muito cool.


Ultimamente tem-me dado para isto.



ect>



Há coisas na vida que gostava de ter feito. Uma delas teria sido presenciar momentos destes...


...e recordar é viver...



Diz que é uma espécie de Leonard Cohen (versão obesa, assim a dar para o Barry White brasileiro...)


Bom fim-de-semana.







sexta-feira, 29 de agosto de 2008

private joke of the day

#$%&%"#$%&&%#$%&?"#$&&$$%&)/)%#%&(?==(/&%$!!!!



- Como é que te chamas?
- Báurebura.
- Inglesa?...
- Não.... mônguolóideeee....





nós só queremos ver o Porto a arder, o Porto a arder, o Porto a arder.....



quinta-feira, 28 de agosto de 2008

a rentrée

Ainda sobre o caso Carolina Michaelis do "dá-me o telemóvel já!" nessa bela localidade que é o Porto...
... já muito se disse sobre o caso em questão e na altura, optei por não tecer conjecturas sobre este assunto. Sou da opinião que cada professor é livre de levar a cabo as aprendizagens conforme achar adequado, bem como ter as suas próprias estratégias de ensino.

O nosso Primeiro-Ministro, o eng. José Sócrates, ridicularizou o número (100 mil, para quem não se lembra) de professores que protestaram contra o novo sistema de avaliação, recusando-se a ouvir a classe, alegando que por acreditar nesse sistema, não iria voltar atrás no projecto. Depois de toda a polémica gerada por declarações da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, o nosso Primeiro-Ministro manteve a dita senhora no executivo, e contra tudo e contra todos, manteve a sua postura hermética e autista.

Por isso, eu digo: vão à merda mais os vossos cravos vermelhos de Abril e com a porra dos discursos da Liberdade e de "que bom é ser de Esquerda!", porque este povo não tem paz nem pão nem liberdade nem coisíssima nenhuma, e daqui a pouco nem dignidade e ideais temos. Fazem valer uma postura de acordo com as novas tecnologias, os novos recursos e toda a gente pode ter um portátil da TMN ou andar aos saltos com o kanguru e ser muito inteligente e bom profissional, mas o que interessa é ver os Malucos do Riso, ver europeus e mundiais e o campeonato e as telenovelas e contribuir para a estupidificação do povo e fazer a malta acreditar que este Governo é melhor do que o Governo Salazarista que toda a gente critica mas que vai dar ao mesmo. Ou pior.

Mas uma coisa é certa e será sempre: dai ao povo aquilo que o povo quer. Enquanto houver votos para esta gente, eu lavo daqui as minhas mãos, porque nunca votei neles. Não contem comigo para levar porrada de putos mal educados e mal formados. Não me venham com a treta dos cursos e das formações contra bullying e violência nas escolas, quando há professores com baixas metidas e a tomar calmantes, à beira de um ataque de nervos porque não têm (nem têm de ter) estrutura mental e psicológica para serem mal tratados dentro das suas salas, no seu próprio local de trabalho.

A disciplina dentro da sala de aula não se mantém à custa de palavras bonitas do tipo "anda cá, vou falar-te de amor e amizade e compreensão" (muitas vezes os alunos estão "pedrados"), nem teorias da educação baseadas nos pedagogos que já estão a fazer tijolo há muito tempo, e que não sabiam sequer o que era um telemóvel. Há problemas nas escolas porque há problemas nas casas das pessoas. Não há tempo nem há dinheiro e todos sabemos disso. A disciplina mantém-se à custa de um Governo que sabe mediar algumas situações e precaver-se contra outras (e aqui podia falar da Lei do Aborto), mas sobretudo, dando poder real e efectivo aos professores para que estes possam levar a cabo a disciplina necessária nas suas aulas. É estúpido? É mal educado? Então seja expulso porque é o que está previsto na maioria dos regulamentos internos das escolas. "Ah e tal, a escolaridade obrigatória"... orientem esses putos para cursos onde de facto eles aprendam algo de real e decidam o que querem fazer da vida. Vão trabalhar. Carregar baldes de massa. Cultivar a terra. Pescar. Mas este é um país burguês que em nada tem apoiado o que de melhor o país tem para oferecer, que é a Agricultura e as Pescas, portanto estes trabalhos são mal vistos e vivemos num país em que todos querem ser doutores e engenheiros.


Quanto a mim, farei como este colega aqui dos States, que não esteve com meias medidas. Para grandes males, grandes remédios. Logo abaixo, segue outro vídeo a ridicularizar a cena toda do caso Carolina Michaelis para descontrair...







quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Bitter songs





“Sometimes reality has a way of sneaking up and biting us in the ass.
And when the dam bursts, all you can do is swim.
The world of pretend is a cage, not a cocoon.
We can only lie to ourselves for so long.
We are tired, we are scared, denying it doesn't change the truth.
Sooner or later we have to put aside our denial and face the world. Head on, guns blazing.
"De Nile"(denial).
It's not just a river in Egypt, it's a freakin' ocean. So how do you keep from drowning in it?”


Meredith Grey in Grey's Anatomy










Não gosto particularmente desta série. Há algo nestas personagens que simplesmente não "joga", ou talvez tudo aquilo seja demasiado desesperado, lamechas e extravasante para mim, que adoro o House, Dr House. E falha-me o juízo e a paciência para entender séries que me servem apenas como pano de fundo naqueles dias cinzentos, em que me sinto um farrapo de gente, "girlie", chorona, cheia de crises de TPM, carente e sabe-se lá que mais.


Grey's Anatomy é isto mas também é muito mais, caso contrário nem assistiria a mais do que dois episódios da série. É sobretudo uma banda sonora fantástica, e um episódio absolutamente soberbo (ou uma série de três ou quatro episódios seguidos), de quando a própria Meredith Grey tem a sua vida em risco. Acaba por sobreviver, claro, mas não é isso que interessa. É o resto: o que fazer quando no fundo todos tentam resgatar-nos de qualquer perigo que nos auto-infligimos (fica a ideia suicida subjacente no todo destes episódios), e ainda assim tentar sobreviver ao resto. Por vezes não passamos de avestruzes que enfiam a cabeça dentro da terra. Ignoramos os problemas. Desistimos de tentar resolvê-los.


Este episódio confirma a ideia de realidade e crueza de que tanto gosto, a par de uma beleza e sensibilidade à flor da pele. Que todos somos falíveis e todos temos fraquezas, e a Morte pode bem estar à espreita a qualquer um desses momentos. No meio de tantos erros que cometemos, apenas porque somos humanos, pode haver uma ténue luz de esperança que nos diz que sempre existem soluções, pelo menos enquanto cá andamos e que tudo isto é bastante breve.


A única solução apenas é tentar sobreviver. Manter a cabeça fora de água para não nos afogarmos.









terça-feira, 26 de agosto de 2008

Beijing 2008







Temas: recordes, Desporto, Jogos Olímpicos de Verão

Pequim, 24 Ago (Lusa) - A natação e o "tubarão" norte-americano Michael Phelps foram determinantes para os 36 recordes mundiais batidos durante os Jogos Olímpicos Pequim2008.

O nadador, que em Pequim conseguiu oito inéditas medalhas de ouro em apenas uma edição dos Jogos Olímpicos, pulverizou sete recordes mundiais, num total de 25 batidos no Cubo de Água.

No Ninho de Pássaro, o emblemático estádio olímpico de Pequim, o rei e senhor foi o jamaicano Usain Bolt, com três recordes mundiais, nos 100, 200 e 4x100.

No atletismo, fora ainda batidos mais dois, enquanto no halterofilismo quatro atletas superaram as melhores marcas do Mundo.

O ciclismo foi a outra modalidade que bateu recordes mundiais, com dois novos máximos.






Os 36 recordes do Mundo batidos nos Jogos Olímpicos Pequim2008:

Atletismo 5

Ciclismo em pista 2

Halterofilismo 4

Natação 25





- Atletismo

----------

100 m masculinos: 9,69 segundos - Usain Bolt (Jam)

200 m masculinos: 19,30 segundos - Usain Bolt (Jam)

4x100 m masculinos: 37,10 segundos - Jamaica (Carter, Frater, Bolt, Powell)

3000 m barreiras femininos: 8.58,81 minutos - Gulnara Galkina-Samitova (Rus)

Salto com vara femininos: 5,05 m - Yelena Isinbayeva (Rus)



- Ciclismo em pista

------------------

Perseguição por equipas masculinos: 3.53,314 minutos - Grã-Bretanha (Clancy, Thomas, Manning, Wiggins)

Perseguição por equipas masculinos: 3.55,202 - Grã-Bretanha (Clancy, Thomas, Manning, Wiggins)



- Halterofilismo (total olímpico)

-------------

-69 kg femininos: 286 kg - Liu Chuhong (Chn)

+75 kg femininos: 326 kg - Jang Mi-ran (Cor)

-85 kg masculinos: 394 kg - Andrei Rybajou (Bie)

-105 kg masculinos: 436 kg - Andrei Aramnau (Bie)





- Natação

-------------

. Masculinos (14)



100 m livres (nos 4x100 m livres): Eamon Sullivan (Aus) (47,24)

100 m livres (meia-final): Alain Bernard (Fra) (47,20)

100 m livres (meia-fina): Eamon Sullivan (Aus) (47,05)

200 m livres (final): Michael Phelps (EUA) (1.42,96)

100 m costas (final): Aaron Peirsol (EUA) (52,54)

200 m costas (final): Ryan Lochte (EUA) (1.53,94)

100 m bruços (final): Kosuke Kitajima (Jap) (58,91)

200 m mariposa (final): Michael Phelps (EUA) (1.52,03)

200 m estilos (final): Michael Phelps (EUA) (1.54,23)

400 m 4 estilos (final): Michael Phelps (EUA) (4.03,84)

4x100 m livres (série): EUA - Nathan Adrian, Cullen Jones, Ben Wildman-Tobriner, Matt Grevers (3.12,23)

4x100 m livres (final): EUA - Michael Phelps, Garrett Weber-Gale, Cullen Jones, Jason Lezak (3.08,24)

4x200 m livres (final): EUA - Michael Phelps, Ryan Lochte, Ricky Berens, Peter Vanderkaay (6.58,56)

4x100 m estilos (final): EUA - Aaron Peirsol, Brendan Hansen, Michael Phelps, Jason Lezak (3.29,34)



. Femininos (11)

200 m livres (série): Federica Pellegrini (Ita) (1.55,45)

200 m livres (final): Federica Pellegrini (Ita) (1.54,82)

100 m costas (meia-final): Kirsty Coventry (Zim) (58,77)

200 m costas (final): Kirsty Coventry (ZIM) (2.05,24)

200 m bruços (final): Rebecca Soni (EUA) (2.20,22)

200 m mariposa (final): Liu Zige (Chn) (2.04,18)

200 m estilos (final): Stephanie Rice (Aus) (2.08,45)

400 m estilos (final): Stephanie Rice (Aus) (4.29,45)

800 m livres (final): Rebecca Adlington (GB) (8.14,10)

4x200 m livres (final): Austrália - Stephanie Rice, Bronte Barratt, Kylie Palmer, Linda McKenzie (7.44,31)

4x100 m estilos: Austrália - Emily Seebohm, Leisel Jones, Jessicah Schipper, Lisbeth Trickett (3.52,69)



(Agência Lusa)

Nós e os trolhas aka homens das obras


Concerteza já todos ouviram, homens e mulheres, a dada altura da vossa vida, um "piropo" carinhoso da parte de um trolha aka homem das obras, ou dirigido a si, ou no caso dos homens, por parte de amigas e namoradas, esposas, etc, e concerteza já se sentiram incomodados (ou não) perante a ignomínia praticada em tal rude e cru e porque não(?) pomposo e típico vernáculo dessa classe trabalhadora que são os serventes de pedreiros. Alguns de vocês (e algumas, obviamente) poderão ter achado ofensivo o conteúdo das frases em questão.







Durante este ano, de forma a poder deslocar-me ao meu local de trabalho, tive a oportunidade de passar junto a uma dessas obras, a uma casa (estavam a fazer o restauro do edifício), na qual trabalhavam uns moços assaz inspirados (antes das nove da manhã, já estavam com a verborreia preparada).

Desta forma, pude fazer o levantamento exaustivo das frases curtas de que vos falo neste post. São elas:



. Quem me dera que fosses um frango para te espetar um pau no cu e fazer-te suar.

. A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu.

. Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.

. Tens um cú que parece uma cebola! É de comer e chorar por mais!

. Oh boa, com um cú desses deves cagar bombons!

. És como um helicóptero: gira e boa!

. Usas cuecas TMN? É que tens um rabinho que é um mimo!

. Belas pernas! A que horas abrem?

. Ó febra! Junta-te aqui à brasa!

. Ó joia! Anda aqui ao ourives.

. Contigo filha, era até ao osso!

. Ó linda, sobe-me à palmeira e lambe-me os cocos...

Ou ainda mais estas:

"Eh boa!... Dá beijinho ao trolha"

"Eu vi logo, gorda como estás é porque não suas muito."

"Olha lá, com menos cu também se caga, sabias?"

"Se o teu cu fosse uma torrada tinha que barrar a manteiga com um remo."

"Tanta carne e eu em jejum."

"Oh filha, anda cá que o pai unta-te.”

"Que curvas. E eu sem travões."

"Diz-me quem é a tua ginecologista para eu lhe chupar o dedo."

"Estás tão boa que te fazia um vestido de cuspo."

"Se cair, já sei onde me agarrar."

“Se fosses um barco pirata, comia-te o tesouro que tens entre as pernas.”

“Anda cá que te vou dar uma sessão de raboterapia.”

“Só não tenho pêlos na lingua porque tu não queres.”

(Lamber o dedo e passar na camisola dela) “É melhor tirares essa roupa molhada.”

“Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo, esta noite!”

“Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.”

“Essa roupa fica-te muito bem, mas eu ficava-te melhor.”

“Gostava de ver como ficas comigo nu.”

“Não és nada má, já tive muito pior e a pagar.”

“Lindas pernas, a que horas abrem?”

“Sentes a magia que há entre nós?... (enquanto ela te olha nos olhos) Mais abaixo!”

“Olá, sou o tipo perfeito. Disseram-me que andavas à minha procura.”

“Os meus amigos querem saber se achas que sou giro.”

“Posso tocar no teu umbigo . . . da parte de dentro?”

“Não sou muito bom em matemática, mas 1+1 = 69?”

“Podes não ser a rapariga mais gira, mas com a luz apagada também é bom.”

“O meu amor por ti é como a diarreia, não o consigo manter cá dentro.(esta é mesmo profunda!!! :P)”

“Tu e eu. Chantili e algemas. Alguma pergunta?”

“Se fosses a ultima mulher e eu o ultimo homem na Terra, aposto que fazias amor comigo em público...”
“Costumas dormir em cima do teu estômago? Posso dormir eu?”

“Deixa-me ver a etiqueta da tua camisola. Quero ver se diz «Made in Heaven»”

“Chama-me gaveta e desarruma-me todo...”

“És um bilhete em primeira classe para o pecado!”

“Acreditas na ajuda a desalojados? Então leva-me para casa contigo!”

“Os teus olhos acabaram de fazer mais estragos que o icebergue no «Titanic».”

“És tão doce que só de olhar para ti tenho medo de engordar!”

“Lindas pernas, só é pena serem a primeira coisa que se põe para o lado.”

“Posso-te pagar um copo, ou preferes o dinheiro?”

“Posso não ser o tipo mais giro, mas sou o único que está a falar contigo.”

“Isso é tudo teu?”
“Há mais lá em casa como tu?”


Perante isto, a questão que coloco é: já que na sua grande maioria, qualquer mulher se sente incomodada com este palavreado, e de antemão, muda de passeio ou dá a volta ao quarteirão para não ter de levar com isto, porque não virar o feitiço contra o feiticeiro? E se cada uma de nós, antes de sequer imaginar que vai levar com isto, não inverte papéis e passa a mandar "piropos" destes aos trolhas? Hmmm? Como acham que eles se iriam sentir?....

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sobre o assalto ao BES...

... não há muito mais a dizer.
Fez-se o que tinha de se fazer. Se pessoas há que decidiram ter muita pena dos gajos porque "ah e tal, somos sempre a mesma coisa, um país de racistas e xenófobos" e se as vozes da reacção se fizeram ouvir contra a atitude e acção policial, a mim me parece que a malta cai sempre no erro de misturar coisas que não são passíveis de ser misturadas.




Tenho Portugal como um país de pessoas que são tudo menos racistas. Somos acima de tudo, um povo voltado para a descoberta de novos mundos e novas culturas (não me venham com a história da puta da colonização e de como fomos uns mauzões há umas centens de anos; são o mesmo tipo de malta incoerente que depois vê filmes sobre a colonização inglesa e espanhola e aplaude de pé e verte uma lágrima a meio da fita). Temos um dos melhores serviços de turismo do Mundo inteiro e não há-de ser apenas por causa do clima. Somos hospitaleiros, e nem assim tão broncos.
Somos um país de emigrantes e juro-vos por Deus ou lá a entidade divina que queiram, que a cada Agosto que passo neste país, que prefiro angolanos, moçambicanos, brasileiros, chineses e russos e etc etc etc do que a visão de ter de levar com TODOS os portugueses emigrados.




As vozes da reacção poderão dizer "ah e tal, não gostas de emigrantes". Pois é, também tenho as minhas formas de discriminação-não-generalizada-mas-quase. E tenho esse direito. Porque as excepções existem, pois claro, mas são poucas. Não gosto do mês de Agosto e não gosto de emigrantes. Pior do que isto, é juntar emigrantes no mês de Agosto no Norte, outra prole que abomino cada vez mais. Não gosto do que não gosto e tal como muitas pessoas não gostam do Algarve, e passam a vida a meter lá as patas imundas, eu não gosto do Norte e não tenho saudades nenhumas de lá ir. Quem diz Norte, diz nortenhos e acredito piamente que se devia fazer um ghetto ou um muro para se separar aquela malta do resto, e só haviam de entrar em Lisboa com passaporte. Desculpem lá o parêntesis. Isto é assaz pessoal. Mas reconheço que há boas pessoas e boas coisas no Norte: a excepção, portanto.



Isto para dizer que o que aconteceu não me choca, e se pessoas há que se revoltam contra brasileiros e dizem que a culpa é dos brasileiros, que há muitos brasileiros mauzões, ou que estão ilegais e deixam de estar ilegais, outros dizem que somos racistas e xenófobos, etc etc etc, penso apenas que para se fazer afirmações do tipo, as pessoas terão de estar um pouco mais esclarecidas e menos "emotivas" relativamente às diversas questões. Leio comentários (ou li agora, no Blog do Markl), opiniões de algumas pessoas que se nota claramente que não sabem o que é o trabalho de um snipper. Outros, deixam-me estupefacta e boquiaberta, por não saber nem calcular a grande polémica em que, afinal, o assunto se tornou. Acabam por misturar tudo e até em falar em pena de morte. Por favor!



A grande questão aqui, para mim, é: fossem brasileiros, suecos, espanhóis, australianos ou japoneses, a atitude da polícia foi apenas o ter de fazer o que havia a fazer. Sem falsos moralismos ou penas de maior ou justiças divinas ou lágrimas pelas pessoas que morreram (ou a que morreu). Friamente e porque a justiça é cega, e nunca totalmente justa, pagaram o preço com a vida o erro que cometeram e numa situação limite e em que a acção violenta de uns contra outros coloca a vida desses em perigo, a decisão foi bem tomada.



sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Arte Pimba ou Pimba Art (para inglês ver)





Pimba Art::acabo de inventar um novo termo para designar aquela que é a Arte do nosso povão. Passo a explicar o termo::"povão": aquele que gosta dos Malucos do Riso e papa os noticiários da TVI, aquele que delira com o Benfica, aquele que vota Sócrates e dá as maiorias absolutas que nos fazem regozijar de prazer com a vida política do país, aquele que cospe para o chão depois de arrotar ruidosamente o seu belo almoço composto de pezinhos de coentrada e tintol, aquele que apita por tudo e por nada e faz manobras perigosas nas estradas, aquele que adora

(repito a d o r a )

ir ao chópingue aos fins-de-semana, que diz "destorce" e "prontos" e "quaisqueres"... Em suma, também aquele que ganha o ordenado mínimo e faz o que pode pela vidinha, ou na melhor das hipóteses, não faz nenhum e recebe o subsídio de desemprego... pessoas "simples". Daquelas que dizem "eu cá não percebo nada de política" e mesmo assim saem de casa pra irem votar nos gajos que governam e desgovernam este país, com a boca cheia de bolo-rei, inventam leis anti-tabaco mas que não se coibem de acender um cigarrinho no avião, para no dia seguinte pedirem desculpa aos portugueses e dizerem que estão a deixar de fumar...Estão a ver?


Ora isto de se falar de Arte tem mais que se lhe diga. Há conceitos e designações e definições muito próprias, e cada um tem/não tem o seu próprio... ora e o que será isto de Pimba Art? É português, e é pimba. Desengane-se quem pensava que o termo havia nascido com a música do tal senhor Emanuel ou com a tal senhora Ágata. Nasceu com este quadro (o do Menino que Chora) e depressa se multiplicou nas marquises das casas dos portugueses. Estão a ver a bela da marquise? E o quadro? A luz nos traços, as formas, os volumes, a textura, a cor... existem vários modelos, mas também essa é uma das particularidades deste novo conceito de Arte: é para todos e por uma módica quantia.

É um movimento que teve a sua origem na década de setenta/oitenta do séc.XX e atingiu o seu apogeu aquando do governo de Cavaco Silva, esse senhor que agora é Presidente da República do mesmo Reino do Povão.


Não há casa portuguesa que se preze que não tenha um destes exemplares pendurados na parede (atente-se: na marquise). Alguns poderão considerá-la exemplo de Kitsch Art (a lembrar um certo Ar de Kitchenete) mas não confundir o Kitchenete com a Marquise. O Pimba Art é um movimento sui generis que tem as suas fundações muito bem demarcadas em todo um certo contexto social no nosso país. Penso mesmo que daqui a cem anos ainda veremos um destes quadros, não tão raros assim, num Louvre ou num Hermitage. Consta que a National Gallery já adquiriu uma destas emblemáticas telas. Em breve, Portugal terá o seu papel preponderante no mundo da Arte, mundo esse sempre tão longínquo, do qual nos sentimos tão arredados. Perto destes meninos que choram, a Gioconda é apenas um foleiro exercício de principiante. Joe Berardo deve ter já adquirido umas quantas réplicas deste "Menino que Chora", tal como quando adquiriu uma réplica da Mona Lisa, pensando tratar-se dum original mas, desta feita, os diversos meninos que Choram têm a vantagem de ser um negócio realmente honesto: sabemos que há muitos e que são todos falsificados. Sim, que um português não engana outro português e aqui é tudo feito às claras!
Claro que para além de haver um "Menino que Chora", fui descobrir também a "Menina que Chora"... ora digam lá que não é lindo?
Quem precisa de medalhas de ouro e motivos de grande orgulho nacional se temos um baluarte destes? Isto sim... é Arte.












::este, é um post recuperado dos ficheiros mais antigos do PT, não porque não ande inspirada para escrever sobre outras coisas "quaisquéres" mas porque esta visão da menina que Chora é inteiramente nova e merecia ser publicada.


sábado, 26 de julho de 2008

Portugal e o Euro 2008

Não escrevi nada antes sobre o Euro ou a minha entusiasta paixão pelo futebol nos relvados europeus, não porque compartilhe da visão desmesuradamente negativa e derrotista dos habituais "velhos do restelo" para estas ocasiões, mas também porque no fundo não dou grande importância a estas questões. O meu coração não vibra descompassadamente ao ritmo das fintas brilhantes dos nossos craques, mas não posso dizer que tenha perdido um único jogo, porque reconheço a importância DESTE jogo.

Sou portuguesa, gosto de beber uns copos, o meu país tem sol em Junho até às nove da noite e por acréscimo, vem um Europeu de futebol conseguir juntar amigos e desconhecidos em mesas redondas, quadradas e até mesmo sem mesa se está em grupo. O futebol, acaba por ser, no fundo, um bom pretexto para se rir, brincar, conversar e beber.

Por outro lado, não falei da prestação portuguesa neste Europeu, pois como de costume, e tendo vivido já algumas competições, não guardo grandes expectativas, mas acredito sempre que é possível chegar à final. Ou não. Muito se leu e ouviu durante o mês de Junho sobre esta temática e de todos os confrontos de opiniões mais ou menos fervorosas, emocionais ou racionais, esta (de Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso e que passarei a transcrever) foi a que me despertou a atenção pois é onde mais me revejo. A acreditar que o Desporto e os ideais de um país que tenta chegar a um objectivo máximo (o qual é trazer a taça para casa) podem estar ligados, a equipa espanhola esteve sempre muito bem. Nós? Jogámos bem, mas estivémos pior. Não há pachorra nem cu que aguente os vedetismos de alguns jogadores, dos seus penteados e roupas fantásticos, os carros e as namoradas, o que comem e onde ... Já para não dizer que se o futebol é um jogo de homens, em Portugal estamos a assistir à ridicularização do sexo masculino. Havendo quem lhe chame metrossexualidade, eu chamo-lhe mariquice. Entre a preocupação de parecer bem, o culto do individualismo e do champô de marca e a camisa cor-de-rosa a dar com o "téne" prateado, entre a publicidade pindérica até à vida familiar de cada um dos "craques", o grande ideal desportista e dever patriótico ficaram para trás. O bem colectivo como meio para se chegar ao único final que seria trazer a tal taça para casa foi substituído pelo freakshow e pela feira de vaidades de cada uma das "marias-amélias" tugas.

Espero que o Mundial de 2010 traga mais homens com sentido de dever, menos contratos publicitários e menos dinheiro, mais camaradagem e menos sede de protagonismo.

Fica a crónica, a meu ver, excelente, da Clara Ferreira Alves. E já agora, o cartoon, de António.








NÃO ME LEMBRO de ver nada assim. A recepção à selecção de Espanha foi a maior festa do país desde a democracia. Milhares e milhares de espanhóis embrulhados em bandeiras e símbolos nacionais, camisetas e gorros, pintalgados com as cores amarela e vermelha, esperaram na Praça Colón de Madrid o autocarro descoberto com os jogadores e o seleccionador. Existe uma Espanha, deixaram de existir várias Espanhas, ao menos por uma semana. E o que o escritor espanhol Javier Marías tinha chamado "um bando de mediocridades" tornou-se um grupo de heróis nacionais, como ele mesmo conta no "El País". Eu vi o jogo num "pub" de Madrid, cheio de ingleses, escoceses, espanhóis, brasileiros e um pequeno grupo de "chicas alemanas" que fumavam cigarros tensos e desesperados com o andamento do jogo. Empoleirada na multidão suada, rodeada de ecrãs gigantes e adrenalina, fui observando como a paixão do futebol e do trabalho bem feito consegue empolgar toda a gente.

No final, todos éramos espanhóis, especialmente os ingleses do lado. No dia seguinte, ouvi a conversa entre os empregados de um restaurante. Primeiro empregado: "E nós que éramos pelos portugueses e acabamos a ganhar o Euro, que bem que isto sabe." Segundo empregado: "Estes rapazes são muito jovens. muito amigos, muito unidos. Os portugueses não tinham bem uma Selecção, muitos contratos, muito dinheiro, muitas vedetas.

Comentadores de bancada cheios de razão. O pior de Portugal nestes campeonatos foi contentar-se com pouco e usar o futebol e as pequenas vitórias para as piores exibições de marialvismo e bacoca exaltação patriótica.

Portugal precisa de uma vitória, e não é de uma pequena vitória. Não precisa do culto da personalidade a que temos assistido. Os "posters" de Ronaldo, as pancartas de Ronaldo, os anúncios de Ronaldo, as revistas detalhando a vida íntima da Ronaldo e das amigas de Ronaldo, a família de Ronaldo, os milhões de Ronaldo. Vencidos à procura de um vencedor. A política, como o futebol, precisa de vitórias e de mobilização, e nada nos últimos tempos parece estar em condições de tirar Portugal da mais funda depressão, nem o Ronaldo e os seus milhões, nem o futebol e a Selecção, nem as prédicas de Sócrates e Ferreira Leite. Muito menos os avisos banais do Presidente da Republica.

Os espanhóis não são muito diferentes dos portugueses, nem de outros povos, no que toca a derrotas e vitórias. A crença na vitória em Espanha, pelo menos no futebol, adoptou um slogan roubado a Obama, "Juntos Podemos". Este "Juntos Podemos" serviu de mantra e de oração, serviu de mote e de poema, e foi repetido como um acto de fé até se tornar uma realidade. Quem ouviu como eu os comentários da população e das televisões, ouvia estas palavras repetidas como se não houvesse outro caminho a não ser este. O colectivo. Em Espanha, país de um individualismo extremo, é um fenómeno novo. Um cínico diria que tudo isto é um disparate, mas estes disparates têm um efeito poderoso nos comportamentos colectivos. Portugal não tem, em nenhuma das suas frentes mobilizadores do orgulho nacional ou da satisfação do trabalho bem feito, um única acção ou frase que o mobilize. Somos um povo quebrado por anos de sacrifícios inúteis. De privações, de malícias e péssimas governações. E quebrado pelo provincianismo que faz com que saudemos como providencial o que é medíocre e como genial o que vem do estrangeiro.

O presidente da TAP dizia há pouco tempo que está cansado e que será muito difícil recuperar a TAP outra vez. Grande frase de derrota. A frase aplica-se a Portugal, estamos cansados. Cansados de dificuldades. Em vez de trabalho colectivo, veneramos o sucesso individual e o dinheiro dos outros. Assim, não vamos lá. Juntos, não pudemos. Num tempo de medo e recessão, de dúvida e lassidão, o país pensa em que vai substituir Scolari, o homem providencial. Não pensa no que o país é capaz de fazer sem Scolaris, sem Mourinhos, sem Ronaldos. Muitos contratos, muito dinheiro, pouco trabalho. Bem dizem os espanhóis, que vivem muito melhor do que nós.

Clara Ferreira Alves in Revista Única (Expresso) de 5 de Julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Thank You, Mr C!

Devo referir, antes de mais, que estive no concerto. As considerações e palavras bonitas ficam sempre muito aquém de tudo o que poderei ter sentido num espectáculo único e sem par, o qual esperei toda a minha vida, sem nunca, no entanto, ter realmente esperado, pois era algo que estava perfeitamente fora de cogitação. Portanto, desta vez, não haverão palavras: as minhas palavras traduziram-se em lágrimas e as lágrimas em risos. Perdurarão na minha memória, tal como as imagens e os acontecimentos dessa noite.
Desde já, agradeço também ao manager do Sr.Cohen o desfalque de mais de seis milhões de dólares, o que obrigou o Senhor a vir à rua cantar para todos aqueles que puderam e quiseram ver o Homem cantar. Sem ele, nada disto teria sido possível.
No entanto, não posso deixar de publicar aqui dois registos que me tocaram profundamente: o artigo de João Bonifácio, no jornal Público, e o artigo de Mário Rui Vieira, do Blitz. O primeiro, de João Bonifácio, suscita-me um ambivalente sentimento de profunda pena a par com a revolta própria de quem não gosta de ver assim os "seus" declamados ignobilmente em praça pública. Pena porque isto é um artigo de opinião (num jornal que supostamente usa de idoneidade, não é propriamente o 24 horas) de quem se percebe que até gosta de Cohen, e até tenta imitar o elegante sarcasmo do poeta, mas o jornalista não chega lá. É fracote, isto. É pouco inteligente, pouco charmoso e pouco sagaz. Nível zero em elegância de escrita. Fica aquém do pretendido. Com estas pretensões literárias, escreva um livro! Ou um Blog! Diz que são baratos e podem ser escritos em qualquer língua estrangeira: se arranjar muitas admiradoras quarentonas alemãs que façam férias no Algarve, pode até ser que nasça um novo Zezé Camarinha, com tanta sabedoria de martini na mão.
Depois, claro, é um artigo irritantezinho, como são todas as coisas irritantezinhas à tuga-poucochinho-que-não-tem-mais-que-fazer-armado-ao-cagalhão-armado-em-chico-esperto: critica aspectos num concerto que não é passível de ser criticado e pior, dá-se ares de grande conhecedor e senhor da razão e acaba em tudo por ser incoerente. O maior triste que não entende que não é mais do que ninguém nem entende melhor Cohen do que o público que lá estava, de uma forma arrogante que me merece algum desprezo. Ao contrário do jornalista Bonifácio e de muitos intelectualóides que julgam entender sempre tudo melhor que os outros, fiquei feliz por ver muita malta nova que dá os tais 35 euros que numa carteira teenager faz sempre falta. Em poucas palavras? É uma tremenda falta de respeito. Numa palavra: patético. Salve-se a pena, Bonifácio, por si, pobre coitado, pois entendo a sua intenção nobre de querer fazer floreados bonitos e irónicos ao jeito de Cohen, e realmente entendo, entendo mesmo (também eu gostava de ter ouvido a Famous Blue Raincoat ou a Chelsea Hotel) mas perante tal verborreia, sou eu que lhe digo: eu é que não tenho força mental para muito mais do que estas palavras. I'm grownin' old and bitter e não tenho paciência para os Zés-Ninguém que se outorgam o direito de falar assim de um último concerto da vida de alguém que se dedicou a fazer música e poesia para pobres coitados como nós.
Sim, porque Cohen não é como nós. Pena, muita pena que alguns críticos armados em espertalhões (para não dizer em parvos) não entendam isso, e que não percebam que poucas, muito poucas palavras chegam para descrever aquilo que nos faz sentir mais perto da perfeição, para além das histórias da vida de cada um de nós e consequentes emoções a surgir ao ritmo daquela banda sonora a adquirir maior importãncia que a criticazinha ao baixo e ao saxofone. Pena, muita pena de todos aqueles que não viram o concerto, que não puderam estar presentes, e que lêem porcarias pretensiosas destas num jornal que eu não volto a comprar.
Haja respeito. Haja humildade. E haja Blitz...








“Leonard Cohen” por João Bonifácio:


“Em Lisboa, Cohen fingiu ser um cavalheiro sem dores de alma e, entre arranjos com mais ou menos bom gosto, desfiou as suas profecias malignas com uma voz de tempestade”

“Conta a lenda que há mais de 30 anos Leonard Cohen, supremo esteta da filha-putice arrependida, entrou no palco para um concerto empinado num cavalo branco. Ontem, sacana maior de entre os sacanas que restam (Dylan, Waits, mais ninguém), entrou - sem cavalo - a passo de trote no palco montado no Passeio Marítimo de Algés. É outro Cohen: foi-se o ópio, a cocaína que usava para combater a depressão (e que odeia), as relações turbulentas com as mulheres, as quedas. Vestido de fato e chapéu pretos e camisa branca, Cohen fingiu, durante três horas, ser um cavalheiro sem dores de alma, mas é óbvio que ele é apenas o cavalheiro que a sua solidão o obriga a ser. E como se isso fosse pouco, ainda cantou.

Começou com uma versão charmosa de Dance me to the end of love, ajoelhou-se a meio, tirou o chapéu. As meninas mais novas (severamente pintadas, em homenagem ao mestre) choraram. E, para que não restassem dúvidas de que aquele era um concerto em que o gosto do público era mais importante do que a melhor música que Cohen fez (o registo do concerto foi o de um “Greatest Hits” o menos depressivo possível), saiu uma versão jazzy de The future. A canção foi bem recebida mas há uma certa ironia em ver dezena e tal de milhares de pessoas a urrar perante uma espécie de versão cantada do Livro do Apocalipse.

De entre os vinte e muitos temas do alinhamento, o grosso veio dos álbuns dos anos 80 e 90: canções baseadas em sintetizadores, com arranjos de música de bar de hotel, de alterne de luxo. Para criar uma unidade com os temas repescados aos anos 60, Cohen optou por bateria, baixo, duas guitarras (ou alaúde), sopros (ou metais), teclas e coro de três meninas. O melhor dos arranjos veio das teclas: um velhinho Hammond salvou todo o tema que ameaçou resvalar para o pântano do piroso. No lado oposto do ringue, esteve o homem que soprava: cada vez que pegou no saxofone (ou na harmónica) reduzia a respectiva canção a um émulo de Kenny G, a um vago amontoado de clichés New Age.

Mas, surpreendentemente, houve Cohen. Em seis, sete canções, o judeu puxou o mais que pôde pela voz, atirou-se aos crescendos que caracterizavam muitos dos seus temas iniciais e levou toda a santa alminha à comoção. Bird on a wire, tirando o horrível solo de saxofone, fez muita gente ceder às lágrimas, Who by fire (em que Cohen pegou na guitarra acústica pela primeira vez) idem, Hey, that’s no way to say goodbye, ainda que demasiado aveludado nas pontas, esteve perto, Suzanne foi estupendo e depois houve Hallelujah: a voz sempre a suplantar-se, uma entrega desmesurada, os fortíssimos de percussão no tempo certo, o coro a redobrar o quebranto - algo de poderoso aconteceu ali, provavelmente a canção mais emocionante que alguma vez vimos ser cantada ou a canção que vimos ser cantada de forma mais emocional ou a canção que mais emoção vimos causar ao ser cantada. E depois disto ainda houve um So long, Marianne que espantou pela capacidade de se atirar à jugular sem rodeios.

Na secção anos 80/90, houve faixas para encher: Take this waltz, Gipsy wife, um aborrecidíssimo In my secret life, aquela chatice de Boogie Street. Tudo o que de mau há na música de Cohen das últimas décadas - os arranjos ao gosto de Julio Iglesias, o funk branco soft porno, as harmonias de guitarra à Casino do Estoril, os órgãos planantes para dois dedos de Martini em varanda de resort de luxo ao pôr-do-sol - esteve ali demasiado exposto, bem ao gosto dos turistas alemães de classe média alta.

Mas - e ainda nesse campeonato, que fica a milhas de tudo o que o homem fez quando a metafísica da carne lhe roeu os ossos, isto é (e sendo simpático), até 1979, com Recent Songs - houve faixas ao nível do que se encontra em disco: Tower of song tornou-se um monstro, Everybody knows, com pedal steel guitar, esteve acima do original, First we take Manhattan tem uma senhora linha de baixo a bambolear e I’m your man foi de um sarcasmo extraordinário - resta saber se quem cantou a canção aos berros se apercebe de que não é uma canção de charme, mas sim de patética submissão.

Faltou num concerto tão grande (três horas, vinte e tais canções) um tema que fosse de Songs of Love and Hate (a obra-prima absoluta), faltou surpresa no alinhamento, algum pudor nos arranjos, mas o grande trunfo de Cohen - além das canções - é que, por detrás daquela voz de charme e da pose de cavalheiro que está ali por acaso, ele canta: a sida, a crueldade emocional, o sado-masoquismo, o terror, o advento do fascismo, o crack, o sexo anal, o cunilingus enquanto forma de salvação, todas as coisas bonitas de que precisamos quando estamos de férias no Algarve.

Não houve as catarses do início, houve imagens de negrume escondidas entre cortinas de veludo, com cada uma das palavras apocalípticas do judeu a adquirirem a coloração da tempestade em dia claro. Pelo meio, Cohen agradeceu 600 vezes ao público em pose de caricatural humildade e apresentou os músicos 1800 vezes, como um mestre de cerimónias excessivamente cerimonioso - quem conhece Cohen sabe que aquela é a sua forma de ser sarcástico e de gozar consigo mesmo. E sabe que aquele concerto foi a forma possível de dizer adeus, porque já não consegue ter força mental para cantar (por exemplo) Let’s sing another song, boys. E, para o público, isto foi uma maneira de agradecer àquele que nos ensinou que religião é uma forma de cair, de preferência em cima de uma mulher.”







Dono de uma voz inconfundível, o poeta canadiano encantou quem o viu e ouviu em Lisboa esta noite.

Num Verão que ficará na memória dos lisboetas como o dos veteranos (o que faltou para trazer também Tom Waits?), um dos concertos que melhores recordações trará será com certeza aquele que o canadiano Leonard Cohen deu esta noite. Simpatia para dar e vender (referiu-se sempre à audiência como "caros amigos"), uma boa-disposição contagiante (por várias vezes saiu de palco a saltitar qual criança de 10 anos) e uma voz que não parece ter envelhecido, foram trunfos que Cohen usou para encher as medidas, até dos mais exigentes.

Um público maioritariamente composto por pessoas de uma faixa etária bem mais elevada que aquela que passou pelo Passeio Marítimo de Algés há uma semana, cantou, dançou e não parou de elogiar o cantor e a banda. No entanto, como comentava alguém à entrada, o cantor e escritor de canções arrasta uma legião de fãs que abarca várias gerações, pelo que não foi de estranhar a presença de filhos e netos (estrangeiros a rodos, também).

Pontualidade britânica, à hora marcada Cohen atacava já um dos seus temas mais conhecidos. "Dance Me to the End of Love" abriu um concerto de mais de duas horas, com um intervalo pelo meio. Do alto dos seus 73 anos, o cantor e escritor de canções continua um cavalheiro - chapéu e indumentária a condizer com a condição - partilhando o protagonismo com uma banda e um coro irrepreensíveis e agradecendo várias vezes o carinho de um público que até flores lhe arremessou.

Um alinhamento que não deixou de parte nenhuma das canções mais esperadas (uma pena não se ter ouvido "The Guests", no entanto) formou uma espécie de retrospectiva de carreira. Os três elementos do coro feminino fazem o contraponto perfeito (e sem excessos despropositados) à voz ainda encorpada e indescritivelmente profunda de Cohen. Os maiores arrepios chegaram, como seria de esperar, com "Hallelujah" e "Suzanne" (ambos na segunda metade do concerto) mas o momento eleito pelo público terá sido mesmo "I'm Your Man", com direito a coro bem afinado.

Sem o aparato de ecrãs gigantes, em palco o cantor de farta cabeleira branca desliza como uma sombra, fazendo ressoar a voz por um espaço bastante composto e iluminado por uma lua bem redonda. Entre agradecimentos, e antes da mensagem urgente de "Anthem", Cohen faz uma pausa para elogiar a música portuguesa e falar de um "mundo mergulhado no caos". Antes, já "Everybody Knows" e "Hey, That's No Way to Say Goodbye" tinham deixado o público totalmente rendido.

Coube a "Tower of Song" abrir com chave de ouro (e bastante garra) a segunda metade da actuação - o verso "I was born with the gift of a golden voice" arrancou, previsivelmente, ovação espontânea. "Boogie Street" é servido em formato de dueto intimista com Sharon Robinson e, antes do encore, "Take This Waltz" faz (mesmo) dançar.

O regresso ao palco é feito em passo vigoroso e bem-disposto. Com a garra de alguém por quem a idade não passou, incendeia os ânimos com "So Long, Marianne" e continua em alta com o ritmo galopante de "First We Take Manhattan". O solene "Sisters of Mercy" é apresentado depois de mais uma breve saída de palco e entrega depois de bandeja o protagonismos às Webb Sisters na prece hipnotizante de "If It Be Your Will".

"Closing Time" parecia querer encerrar a noite, mas, visivelmente satisfeito, Cohen regressa ainda para o íntimo "I Tried to Leave You". Solos para todos os elementos da banda, sempre convenientemente apresentados pelo anfitrião, numa despedida que termina em coro generalizado. "Obrigado por uma noite memorável", diz o cantor no final. Sem qualquer tipo de hesitação, retribuímos o agradecimento.


Texto de: Mário Rui Vieira

Foto de: Rita Carmo/Espanta Espíritos



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...