::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Isto Sim É Sétima Arte


Não sou grande fã de comédias. Acaba por ser estranho em si, pelo facto de ser uma pessoa de riso fácil, mas a verdade é que não gosto de comédias, e se for pensar nas comédias da minha vida, elas cabem-me nas palmas das mãos. O que de si já não é mau.
Penso que é mesmo o género mais difícil de agradar, de interpretar, de fazer.

Um mau drama passa despercebido, mas uma má comédia nunca passa.

Nunca apreciei muito os Monty Phyton, ao contrário de quase toda a gente que conheço, e não faço daquilo enciclopédia do humor ou referência no que implica uma boa gargalhada. Não interfere no meu sistema nervoso de riso. Até mesmo os Gato Fedorento (de que gosto muito), têm sketches que não me fazem sorrir sequer, ou porque são demasiado nonsense, ou demasiado pretensiosos, ou demasiado qualquer coisa e quando assim é, a aplicar em demasia, é como um prato que levou demasiado sal ou pimenta ou picante.

A comédia é, efectivamente, uma fórmula difícil de obter e deve alcançar o maior número possível de pessoas, senão seria uma private joke.

Não sei definir ao certo o que é que me faz rir ou qual o meu "tipo de humor", e muitos dos que vou referir nem estarão etiquetados como comédias, mas foram os filmes que mais me fizeram rir até hoje. Não se pode comparar um Jack Black a um Woody Allen, ou um Emir Kusturica a um Wes Anderson, mas todos são incomparáveis e todos me fizeram rir.



Aleatoriamente, são estes os da minha hilariante eleição. Sem ordem de preferência ou de chegada. Muito do que depende uma boa gargalhada depende da altura da nossa vida em que vemos determinado filme. Não necessariamente do estado de espírito, mas, acima de tudo, a capacidade de nos vermos em cada um daqueles papéis.





The Darjeeling Limited (2007), de Wes Anderson





Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2006), de Larry Charles





Little Miss Sunshine (2006), de Jonathan Dayton/Valerie Faris





The Big Lebowski (1998), de Joel Coen/Ethan Coen





Nacho Libre (2006), de Jared Hess





The Big White (2005), de Mark Mylod




Shrek (2001), de Andrew Adamson/Vicky Jenson





Delicatessen (1991), de Marc Caro/Jean-Pierre Jeunet




Zoolander (2001), de Ben Stiller





High Fidelity (2000), de Stephen Frears





Crna macka, beli macor aka Gato Preto Gato Branco(1998), de Emir Kusturica




Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988), de Pedro Almodóvar






Everything You Always Wanted to Know About Sex (1972), de Woody Allen

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Revolutionary Life










John Givings: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

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April Wheeler: Tell me the truth Frank remember that? We used to live by it. And you know what's so good about the truth? Everyone knows what it is however long they've lived without it. No one forgets the truth Frank... they just get better at lying.





Mais um filme de Sam Mendes. Mais um belíssimo filme de Sam Mendes. Poderia falar nas semelhanças que este filme tem com American Beauty, na medida em que é mais uma película que fala da (des)ilusão do sonho americano, de americanos que sonham com a Europa, como se nela viessem encontrar a resposta para todos os seus problemas. Poderia perder-me nos mil e um detalhes que o filme tem, nas suas particularidades, da fotografia lindíssima, do fenomenal desempenho da brilhante Kate Winslet, do espalhafatoso miúdo armado em "actor dramático" Leonardo DiCaprio, da fabulosa Kathy Bates e acima de tudo, um Michael Shannon no seu melhor. A surpreender. Poderia falar no poder dramático do filme, em como a visão irónica, dramática e até porque não(?) ingenuamente romântica, usual de Mendes pendeu desta vez para algo mais pesado e difícil de digerir. Poderia estar aqui durante horas. Não o irei fazer.
Hoje é dia dos namorados e este é um filme perfeito para se ver com a cara-metade. Levanta-nos questões pertinentes como a falta de verdade das nossas vidas, quem somos, quem já fomos, as mil e uma formas de "crescermos juntos" e até onde queremos AINDA ir. Reforço a permissa adverbial pois penso ser a questão fulcral do filme e porque não, das nossas vidas supostamente "reais". O caminho que nos leva a algum sítio não é mais importante que o rumo e as escolhas a tomar no caminho que queremos seguir. Nunca é tarde para se seguir por um atalho.
Não tenho a presunção de me achar mais verdadeira do que seja quem for, os meus conselhos no campo amoroso são uma treta e não tenho fórmulas secretas para "vencer na vida", mas penso que cada um de nós encontra a sua fórmula secreta e vê-se ao espelho como vencedor ou perdedor de algo ou de alguém ou de alguma coisa. Todos, a determinada altura da nossa vida, podemos considerar que em todas as escolhas que fizémos, umas foram as mais acertadas e outras as menos acertadas, mas nenhuma foi a CERTA, pois em todas elas perde-se sempre algo pelo caminho. Em última instância, somos todos "perdedores". Definimos prioridades e agimos de acordo com elas. O resto é apenas ilusão, e muitos de nós repetem-se ao espelho que estão no caminho certo, fazem o controlo de danos mas não controlam coisíssima nenhuma enquanto essa gestão de prioridades não estiver bem assente. A carreira? O amor? Qualquer coisa pode ser digna de ser entendida ou vista como uma prioridade. O resto gira em redor disso mesmo.
Quero com isto dizer que não, eu não acredito que toda a falta de verdade deixasse de existir ou todo o amor por ressuscitar surgisse naquela (a do filme) ou noutra relação (que não seja num filme) apenas porque teriam fugido para Paris ou para a China ou para outro sítio qualquer. As merdas feias como a falta de verdade na vida, no amor ou no trabalho, as desilusões acumuladas ou o ódio latente por algo ou alguém perseguem-nos para onde quer que vamos. A geografia não nos muda a mente nem o coração, muito menos a alma se estiver já vendida ao Diabo. Não se pode culpar alguém por querer fazer melhor, por tentar, por ter a ilusão de que se pode salvar algo que esteja de antemão perdido, mas é apenas uma ilusão. Os atalhos que tomamos e decidimos a qualquer altura da vida devrão ser verdadeiros, não ilusórios.
Poderia dizer que o filme acabou mal. Mais importante, é saber que o filme já começou "mal". Não existem finais felizes para histórias perdidas, com tanta fealdade à mistura. Tanta falta de Amor.




****Numa altura em que considerei mudar de profissão, este filme veio mesmo a calhar. Talvez eu tenha muito mais de Frank do que aquilo que gostaria de admitir, mas a April que vive cá dentro impele-me a perseguir sonhos que permanecem por cumprir. Adverbialmente, AINDA por cumprir.
Numa altura em que sinto que já perdi tanta coisa na minha vida, em todos os momentos em que me sinto fraquejar, em que derramo lágrimas de saudade e de frustração e porque nem sempre ter uma relação feliz é sinónimo de "estar tudo bem", dedico este post à minha cara-metade, que sempre me tem feito sentir que vivemos a nossa verdade, quem tanto amo, e que todos os caminhos tortuosos me fizeram chegar até aqui, até ele.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Yesterday Tomorrows




A ideia de ver um concerto de Tindersticks, nesta altura da sua longa carreira, em que se chegou mesmo a pensar que o Stuart "tinha feito as malas", num timming perfeito a par de uma fase estranha na minha vida, em que ainda não "recordo os bons velhos tempos" ou a "música do meu tempo", em que era uma das bandas que mais ouvia em Coimbra, nos meus "verdes anos", das alturas de cor de corno e dos supostos males de amor, faz e dá que pensar que o espectáculo é longo, que tudo isto não passa de uma piada de mau gosto que nos contaram quando nos disseram que "um dia vai ser mais fácil".



Nunca é fácil. Talvez seja para alguns, mas nunca o será para mim.

Ouvir Tindersticks ontem à noite não foi fácil, porque para além de superar todas as expectativas de alguém cínico como eu, sempre à espera da grande falha e da desculpa para a grande desilusão, o murro no estômago foi muito forte.
Não é de música que se trata, é da própria vida a acontecer, e da manifesta premonição de tudo o que é ainda novo, de tudo o que ainda nos faz sofrer. A lembrar-nos que não há espaço para haver um passado enterrado num tempo, e que o amanhã pode bem desenterrar-nos lágrimas ao som destas músicas, que o presente não é nem estará acomodado.


Um concerto que me lembrou que pior do que se ser nostálgico, é viver a vida e a música que a acompanha a cada dia que passa. A cada lágrima que cai. A cada "tiny tear" que se perde.





























then it turned down down my feet
and the buildings and trees live with the wind
left me standing in a courtesy to scream
when i was stranger to everyone
and everyone was a stranger to me

if i could touch you down
and tell you all the things i never said
of how you hid those tears away from me
like i couldn't hear

for i loved you through this wilderness
i loved you through the shit
i loved you through the best times
-----
and from the other side of the world

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Prémio do Euromilhões congelado por zanga de namorados

Em vésperas de Dia dos Namorados...


O Tribunal Cível de Barcelos junta dia 31 de Março um ex-casal de namorados, desavindos por causa da repartição de um prémio do Euromilhões de 15 milhões de euros, na tentativa de encontrar um entendimento.

O advogado Vasco Cardoso adianta que as duas partes não chegaram a acordo na audiência preliminar, realizada quarta-feira, o que levou o tribunal a marcar nova tentativa de conciliação para evitar que o caso chegue a julgamento.

Embora o jurista se recuse a adiantar detalhes sobre o processo, uma fonte ligada ao caso adianta que deverá defender a tese de que a associação de namoro entre os dois jovens e a gestão conjunta dos 15 milhões de euros, saídos quando jogaram "a meias", configuram um caso de sociedade comercial irregular.

Estas sociedades, embora não revistam a forma escrita através de escritura pública, têm validade legal desde que a sua existência seja provada.

Cristina e Luís não se entendem sobre a propriedade do dinheiro ganho em 2007, com o 1.º prémio do Euromilhões, quando ainda namoravam.

Uma outra fonte adianta que a fortuna acabou por motivar divergências entre os dois, vindo a separá-los. Por causa disso, e dado que o dinheiro está bloqueado numa conta bancária, por ordem judicial, os ex-namorados vivem em zonas rurais de Barcelos sem grandes luxos.

Aquela fonte afirma que terá sido Luís Ribeiro, na altura estudante e agora com 22 anos, a fazer o registo do boletim do Euromilhões. Sublinha, no entanto, que terá sido Cristina a sugerir um "investimento" de mais dois euros, o qual acabou por conduzir à combinação da sorte.

O par, mais os pais de Cristina Simões, foram a Lisboa levantar o dinheiro e abriram uma conta conjunta, num banco junto à Santa Casa da Misericórdia.

Os primeiros juros da fortuna depositada no banco foram divididos pelos dois ex-namorados, mas as desavenças começaram quando Luís, a residir em Courel, arredores de Barcelos, pediu mais dinheiro da sua parte - 7,5 milhões de euros - para ajudar pais e irmãos.

Na ocasião, terá sido o pai de Cristina Simões, da freguesia de Remelhe, Barcelos, a negar o pedido, defendendo que só depois de se casarem ele poderia ter acesso ao dinheiro.


in Expresso

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Gina

Só porque hoje se falou em revista Maria, e fui FORÇADA a falar na Revista Gina, lembrei-me deste post, agora "ressuscitado". Afinal, sou adepta da filosofia da reciclagem. O Blog tem andado muito movimentado, ultimamente. Demasiado agitado. Fica a história para vos acalmar. É bonita e vale a pena recordar. Porque recordar é viver...



Vasco deixou de falar com Joana porque se fartou da insistência dela
ou
Vasco deixou de falar com Joana porque sofria do complexo de Peter Pan e não disposto a deixar-se apanhar pelas manápulas de um ser do sexo oposto e maquiavélico, com vista a ter um compromisso sério, procurou consolo e ajuda sexual junto de outra pessoa, cujo número de telefone lhe teria ido parar à caixa de correio de forma assaz estranha. Sem remetente e sem morada.
Vasco não podia deixar de se sentir culpado pela forma algo atabalhoada como tinha “despachado” a Joana, que parecia, até uma boa pessoa, mas que mostrou ser uma Cabra Fria E Cruel pela forma como reagiu à sua honestidade. Afinal de contas, raios, ele tinha sido honesto! Fez-lhe o favor de lhe dizer quais eram as intenções dele!
“afinal, o interesse que tenho por ti é apenas sexual”
“o quê??? Só pode estar a gozar comigo… então mas e … as saídas com os teus amigos? As idas ao cinema??... o desenho amoroso que o teu primo me fez??... afnal era tudo pelo sexo??”
“querida… sabes… até tens muita sorte por eu te estar a dizer isto… podia apenas aproveitar-me de ti e…”
“quê???? SEU MONSTRO!!!! És igual a todos os outros!”
Vasco liga a Gina (era esse o seu nome) depois de ver Joana atravessar a esquina… aquele bilhete tinha-lhe despertado interesse… era envolvente e misterioso “liga-me 9X XXXXXXXX” era mesmo muito misterioso.
Após alguns minutos de conversa
“Onde vives mesmo?...”
“……”
Eram vizinhos, afinal de contas… ela houvera reparado nele numa ida ao supermercado.
Gina encontrava-se no apartamento de Vasco. Era linda. Depois de algumas noites tórridas de amor louco e sessões de sexo selvagem, Vasco achava-se o máximo, ciente das suas aptidões e potencialidades e lá bem no fundo, no fundo do seu fosso sentimental, Vasco não se apercebia que ao mesmo tempo que se regozijava por ter mandado a Joana “passear”, sentia que Gina era a mulher, a fêmea que o completava, que estava à sua altura, muito diferente da outra neurótica que já imaginava casar com ele, concerteza.
Vasco apaixonou-se por Gina.
Gina, essa, tinha ambições profissionais, tinha sonhos, não se resignaria a ficar pela metade quando se achava merecedora dum todo, um mundo onde caberia ela e todos os “Vascos” que pudesse encontrar pelo caminho.
Ao fim de duas semanas, fartou-se de Vasco. Farta das suas chamadas telefónicas frequentes e de ele não conseguir perceber que afinal aquela relação não tinha sido mais do que… sexo.
“Gina… então querida? Queres passar cá em casa para provar uma receita nova que ando a experimentar desde há cinco dias, os mesmos dias que estou sem te ver?...”
“Vasco… olha… não vai dar…”
Depois de algumas discussões pouco agradáveis, Gina lá fez o favor de dizer a Vasco que

“afinal, o interesse que tenho por ti é apenas sexual…”
Vasco fez um escândalo e passou a seguir Gina todos os dias, a todas as horas, até que descobriu que Gina andava a encontrar-se com outra pessoa.
Pela insistência, pelo terror, pelas ameaças e pela loucura de Vasco por ela… Gina teve de mudar de casa.


Moral da história: por mais porcaria que se faça na vida, o preço a pagar pelos pecados que se cometem com outros é igual ou de superior valor, e cada um tem aquilo que merece, cada um deita-se na cama que faz e a galinha da vizinha afinal chamava-se Gina.

E perguntam vocês: ah…. E a Joana? Que foi feito dela? Joana tornou-se a Directora de uma conceituada revista, baseada nos percalços que teve na vida com Vasco. E indirectamente… com a Gina.





E como se não bastasse, há precisamente três anos, no Psicologias da Treta, o post era este:


Your Japanese Name Is...
Gina Yamamoto



Há coincidências fantásticas. It was really meant to be... sim, eu tenho uma Gina dentro de mim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Parvoíce do dia II




Hoje estou assim meio parva. Andei parva o dia todo. Depois ouvi esta música, que já não ouvia há muito muito tempo. Na televisão, numa série qualquer. Ouvi Counting Crows, "'Round Here", na rádio. Calhou. Na TSF. E só faltava ouvir Wilco ou Pavement para me sentir ainda mais parva.

Estou a ficar cada vez mais parva. E a sentir-me cansada de tanta parvoíce.





"Laundry Shop" - fuck



Tenho saudades de certas bandas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Descubra as diferenças V









Scarlett Johansson
e
Marilyn Monroe

Before and After









É desta que o Blogger vai carimbar-me com o "atenção atenção, este Blog contém conteúdos para adultos". É um Blog muito adulto, é sim senhora. Não podia deixar de partilhar com os demais transeuntes estas imagens que deverão ser já do conhecimento de todos, mas que me deixaram boquiaberta. Reparai na pureza da moça de cima, imagem muito crua, muito "em bruto", no seu ar "negligé", a contrastar com a pose artística da segunda imagem.

Anos oitenta versus descoberta da cera depilatória por Madonna Louise Veronica Ciccone. Confesso que até nutro alguma simpatia pela rapariga que já leva cinco décadas disto.~



Like a Virgin...


Ai Sean Penn.... ai Guy Ritchie....

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Post da Semana - Avacalhar o Sistema







Toda a gente sabe que a blogoesfera já não é o que era. Mais política, institucionalizada, demasiado séria, deixou de ser um antro que acoita a selvajaria anónima - ou melhor, esta ainda mexe, mas de uma forma envergonhada, a coberto do barulho das luzes dos jornalistas, cronistas e opinion makers em geral. O que não é necessariamente bom. Porque, se é certo que a blogoesfera se democratizou, alargando-se ao povinho –temos agora o político e a sopeira, a professora e o reformado, a puta e o magistrado - nem por isso é sinónimo de maior e mais desenfreada liberdade de expressão. Se calhar, por sermos hoje menos anónimos do que ontem, acobardamo-nos e abstemo-nos de mandar para a coisa da tia, ao tipo que conhecemos na apresentação de um livro ou à gaja que nos foi apresentada numa festa. Está demasiado bem-educada, a blogoesfera, muito certinha e mainstream; respeita-se sempre a opinião dos outros, por mais cretina que seja; replica-se, treplica-se e dissecam-se imbecilidades. Há até quem ouse criar regras de etiqueta e normas de comportamento, e que pretenda a criação de entidades que cuidem da sua aplicação. Que se fodam. A quantidade de hate mail que recebo decresceu consideravelmente, o que me desgosta: desprezar idiotas era um dos meus passatempos favoritos. No início, isto era uma alegre chafurdice, porque éramos poucos e íamos todos aos mesmos sítios: as sopeiras comentavam os políticos; os jornalistas respondiam a tarados, as doutoradas metiam-se com os trolls – alguns em nome próprio, outros nem tanto. Hoje, as águas estão separadas; há pouca pica, maldadezinha ou veneno puro e a imprensa, quando fala da blogoesfera, limita-se a fazer eco de si própria. Estou de tal modo à míngua que, no outro dia, nos comentários do Blasfémias, uma das poucas bloggers que ainda mantém a tradição dos primórdios em roda livre (saravá, zazie!) chamava-me “aquela barbie monga da maresia” (fartei-me de rir). Ah, que lufada de ar fresco! A blogoesfera precisa disto, de algum descontrolo, de alguma raiva à solta, de não se levar tão a sério (e de que os outros não a levem tão a sério); precisa de vernáculo, de caralhadas, de inimigos jurados, de gente a fingir aquilo que não é, de personagens de ficção, loucas hilariantes, deprimentes, ou apenas que incomodem. Já não há pachorra para a bengalada queiroziana, para o com a sua licença, vossa excelencia é um asno. Acho que vou ali criar um blogue anónimo para avacalhar o sistema e já volto.

Blindness

de Fernando Meirelles,
baseado no romance de José Saramago
"Ensaio Sobre a Cegueira"

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The only thing more terrifying than blindness is being the only one who can see.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Descubra as diferenças IV













Daniel Craig


Steve McQueen


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Anda por aí um desafio na blogosfera muito interessante, que consiste em descrevermos a nossa vida e aquilo que somos através de temas musicais de uma banda apenas. Decidi abraçar o desafio e responder com temas de Morrissey/Smiths. Não é uma banda ou autor demasiado óbvio naquilo que me diz respeito. Não é a escolha lógica, como seria uma Cat Power, mas a vida faz-se de escolhas pouco óbvias.

Right?


1. És homem ou mulher? Girl Afraid


2. Descreve-te. Bigmouth Strikes Again / I Am Two People


3. O que pensam as pessoas de ti? First Of The Gang To Die


4. Como descreves o teu último relacionamento? You Know I Couldn't Last


5. Descreve o estado actual da tua relação. Is It Really So Strange?


6. Onde querias estar agora? Back To The Old House


7. O que pensas a respeito do amor? Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me


8. Como é a tua vida? My Life Is An Endless Succession Of People Saying Goodbye


9. O que pedirias se só pudesses ter um desejo? Please, Please, Please, Let Me Get What I Want


10. Escreve uma frase sábia. The World Is Full Of Crashing Bores



* considerem-se "desafiados" todos os que por aqui passarem. Podem deixar mesmo na caixa de comentários.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009










Sempre que me lembro da palavra amizade, lembro-me desta noite, desta imagem, desta amiga. Por tudo o que nela encerra, por todos os ingredientes que dela fizeram parte, por tudo o que somos e podemos ter a liberdade de poder e querer ser, sempre que falamos uma com a outra. Um sentimento que é muito mais do que de confiança, ou de pertença ou até mesmo a partilha de pormenores aparentemente insignificantes das nossas existências por alguém qualificadas de "dramáticas". A nossa vida dava um filme, é certo, e já levamos uns anos disto. Não é apenas por isso que a amizade personificada é esta imagem e esta amiga em concreto. Não é apenas a tal sensação de nos podermos identificar em gostos musicais, literários ou até por termos trocado roupas e maquilhagem quando éramos umas miúdas, até porque nem isso acontece ou aconteceu e as roupas, a maquilhagem, as músicas etc não passam de breves testemunhas do que somos num determinado tempo e espaço e de meros acessórios que perfazem um plural complicadíssimo de se entender em mulheres como nós. Nem sequer temos personalidades iguais ou maneiras de estar na vida parecidas. Os nossos signos são diferentes/complementares numa dicotomia Carneiro/Balança extraordinariamente macabra e rocambolesca e já marrámos de frente muitas vezes. Esta imagem condensa momentos, para mim, menos poéticos de "a tua consciência está mais suja que a água desse balde" ou "escusas de estar com a pose de rebelde sem causa". Agora já nos podemos rir, mas ainda me lembra sempre aquele momento crucial de quando, nos desenhos animados, se abre uma brecha no chão que estala e o coiote tem uma perna em cada lado do precipício que se estende até ao fim, e os olhos muito abertos de frente para a câmara. Aquela já fui eu, e podia ter sido mesmo o fim. Acima de tudo, condensa coisas como cacifos partidos, loiça por lavar, sapatos por passar a ferro, noites míticas em Coimbra, Buraco Negro, ouvir Shakira para não desabar a alma, telefonemas intermináveis e conversas a perder o rumo. Nunca encontrámos a chave da verdade e não sabemos o sentido da vida, talvez por isso os telefonemas sejam ainda tão longos.

Sempre que me lembro da palavra amizade lembro-me automaticamente do seu nome, do seu mau feitio a descasar com o meu e dos anos fantásticos que temos vivido. Acho que chorámos mais do que rimos, a bem dizer da verdade, e tantas foram as vezes que a quis proteger dos filhos da puta que lhe fazem mal como juro que foram ainda mais as que ela quis furar os olhos dos que me fizeram sofrer. A isto se chama Irmandade e não é a dos anéis. Só se for a dos anéis de curso. Sim, que isto de se ser moça brejeira e popular não tem nada a ver com ser-se fã de Moonspell. E foi a única pessoa que nunca perdi de vista no concerto do L.Cohen. A única que não faria perguntas desnecessárias ao ver-me chorar, porque é a única capaz de não me fazer sentir constrangida. "If It Be Your Will"...

Mais do que tudo isto e tudo o que posso colocar a mão no fogo pelo que somos, melhor define aquilo que sinto por ela é o sentimento de poder chamar-lhe Casa, Família e tudo o que nos faz sentir bem e confortáveis. Não há conversas calculadas nem sequer a curiosidade é assim tão grande ao fim de tantos anos, pelo que nos vamos surpreendendo com os tesouros que alguns trazem guardados para nós e limitamo-nos a sorrir na segurança de poder sentir que haverá sempre alguém que olha por nós, ainda que esteja longe.
Na Grey's Anatomy existe uma amizade assim. A Grey e a Yang. Elas dizem uma da outra "she's my person". Por mais que eu critique aquela série, tenho uma relação amor-ódio porque vejo estas coisas e aquilo até sou eu. Nós. Amizade. Ela é "a minha pessoa".


A amizade desta mulher resgatou-me muitas mais vezes do que ela própria calcula e estas palavras não são nada perante tudo aquilo que ela me vai ensinando ao longo do tempo. O seu coração não tem medida e a sua coragem e força são incalculáveis. E é por pessoas assim que tenho o maior orgulho em poder dizer no dia de hoje, que se sou o que sou, é também graças a elas, porque ninguém se faz sozinho, ainda que todos tenhamos a doce ilusão de que nascemos e morremos sós.

Hoje, e porque é Dia das Amigas (já sei, é lamechas e foleiro), a minha homenagem a ela. My person.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recomeços

Há mais de dois anos foi assim:








...ou o culminar de laços e nós que se querem bem apertados.

é sempre difícil transcrever momentos que acabam por ficar bem marcados nas nossas cabeças, mais não seja porque "até não nos conhecíamos de parte alguma", e de alguma forma, lá nos encontrámos. trocámos olhares, vimos para lá das palavras e dos gestos em forma verbal que discorremos nestas linhas em forma de expressão comunicação sensação... ou porque a amizade também nasce assim.

... estava completamente fora do meu meio, os caos de todas aquelas vidas nada tinham a ver comigo de princípio, eu era simplesmente o peixe fora de água. sem referências. sem o meu ponto de gravidade. a geografia demarca-nos o limite, muitas vezes até mesmo do coração. curiosidade tremenda aliada a uma falta de expectativa, própria de quem tem muito mais à sua espera, própria daquele pequeno nada indicador de último recurso
"terei sempre o resto... as palavras... a vida lá fora"

... os rostos saíram da sombra, da penumbra desenharam-se os contornos feitos de luz, de aura, de encanto, de sorrisos, de gargalhadas, todos abraçados e entrecruzados com nós de gravatas, tentáculos de polvo e sei lá que mais. como em todas as situações, o risco, o limite por vezes até da paciência mortal tão à beira do fim, encontrávamo-nos inexplicavelmente unidos e transportámos a realidade sem rede para o espaço comum. a solidão é algo de tramado e lidarmos com quem não "conhecemos" é termos de passar obrigatoriamente pela nossa própria solidão humana de contacto. por nós próprios, pela nossa coerência, pelo nosso carácter.

... começou à beira do tejo. acabou à beira do tejo. pelo menos, para este peixe que olha o reflexo da água com a saudade própria de quem deixa parte do coração dentro do rio. dentro de cada um daqueles com quem mais se identificou, porque nestas coisas não há, nem tem de haver hipocrisias. basta que todos tenhamos um pouco de cada um dentro de si, filhos dum caos, produtos inacabados da solidão da moderna forma de nos deixarmos prender pelo nó duma gravata. ou de um sorriso.

nota de autor(A): até hoje não sei bem responder à pergunta que alguns fazem agora que regresso ao verbo, que regresso ao sul. como correu? não sei definir nem traduzir o conceito de sucesso ou de fracasso para estas horas, nem sei sequer como é possível que alguém parta com um saco para ficar 3 ou 4 dias e acabe por ficar mais duma semana. foi bom poder estar ali, mas é bom voltar a este lugar de todas as decisões. porque agora sim, há que definir os rumos incontornáveis, continuar a jornada, retirar as conclusões, prosseguir caminho ao sabor da loucura, do momento eterno que trago comigo, encerrado num par de raios de sol que se espelharam nas primeiras horas de madrugadas novas. algo de novo nasce... algo de muito bom.




Dois anos depois............



...das duas uma: ou estou a perder qualidades e o Atlântico fez-me mal à cabeça, ou muito se perdeu pelo caminho. Melhor, se transformou, pois a velha máxima de Lavoisier continua a ser permissa válida neste (e noutros) Blog(s) da minha autoria. Acima de tudo, outras máximas e teorias serão válidas: a do funil, a da demência, ou a de Cohen, aquela em que crescemos velhos e amargos. Seja. Bitterness. Não sei. Tenho saudades de algumas daquelas pessoas que estiveram naquele jantar, de pessoas que estiveram no Incógnito, de outras tantas, nem por isso. Alguns nicks ganharam forma, algumas letras passaram a corresponder a rostos e, até hoje, algumas dessas almas fazem apenas parte da memória daqueles dias em que se blogava, se trocava opiniões, risos e endereços de msn. Algumas caíram na saudade, outras caíram no esquecimento. Algumas ainda talvez passem pelo Psicologias da Treta, outras não. A grande maioria dispersou, como é natural quando as relações não estão cimentadas e naturalmente, seguem o seu curso até à avenida onde não passamos todos de maus vizinhos do mesmo prédio.

Nem tudo fará parte duma vasta maioria, e são essas poucas almas que ficaram e permaneceram na minha vida. É dessas que reza aquilo do qual se continua uma história, que fizeram valer a pena continuar a escrever porque é, muitas vezes, mote de conversas na nossa vida real, e não virtual. Vida real. Daquela em que se pega no telefone sem hora marcada, que se fala sem contrangimentos, e passaram a fazer parte da lista dos necessários, almas sem as quais não consigo passar. O Guronsan chamou-lhes, recentemente num post, "pólos positivos". A Sofia e a Ana são "pólos positivos", sem as quais não imagino a minha vida. São duas irmãs para mim, são duas mulheres que admiro profundamente, de quem gostarei até morrer.

Houve quem, por portas travessas, afirmasse que eu "tenho a mania que sou poeta e que sei escrever" e outras coisas que tais. Reconheço que tenho muitas manias e a maior de todas elas é que não sou (falsa) modesta ou hipócrita. Em suma, sou uma "perfeita convencida de merda". Não tenho objectivo profissional nenhum com a "minha escrita", ou com este blog, isto apenas servirá para mostrar aos meus netos o que o acordo ortográfico fez com a língua e aquilo que a avó deles achava da vida quando era uma miúda à beira de um colapso nervoso. Adiante. Tenho as minhas ideias demasiado cimentadas para me importar com quem não conheço, ou com a opinião de x ou y. Não o faço com aqueles que mais considero, portanto não seria de esperar que fosse pessoa de querer agradar seja lá a quem for. Penso que ninguém pode ser feliz ou sentir-se realizado ou ser mais respeitado quando está mais interessado naquilo que os outros pensam. Talvez a mania que mais tenho é de me ir surpreendendo com as pessoas, seja pela positiva seja pela negativa. Nas últimas semanas, houve quem me tivesse desiludido terrivelmente (quando ainda me conseguem surpreeender pela negativa é bom sinal, como diz a Ana) e houve quem me tivesse surpreendido bastante pela positiva. Ainda que com pequenos gestos, a Iara surpreendeu-me pela positiva. Utilizo o seu nome próprio e não virtual ou fictício de Blog, pois considero-a uma pessoa real, alguém que esteve presente naquela noite, alguém que tem os seus problemas (como toda a gente), tem as suas virtudes e defeitos, alguém que merece ser ouvido, que tropeçou em mim e eu nela, e o nosso início não foi o mais positivo. Pode ser com pequenas coisas, com detalhes, mas eu sou assim mesmo, e a atitude que a Iara teve não é a de qualquer pessoa ou que qualquer um tenha nos dias de hoje: foi humilde, foi humana.

Quase três anos depois daquele primeiro encontro, apostaria mesmo que no próximo Verão talvez nos vejam numa esplanada perto do Tejo, com três ou quatro ou cinco imperiais à frente em dois dedos de boa conversa. Quem sabe, um outro jantar no Gravatas(?)

É que eu tenho esta mania de ainda gostar de me surpreender. E de recomeços.


"Let's Sing Another Song"...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Perspectivar


A rapariga na imagem chama-se Katie Kirkpatrick, de 21 anos. Ao lado dela está o noivo, Nick, de 23. A fotografia foi tirada pouco antes da cerimónia de casamento dos dois, realizada a 11 de Janeiro de 2005, nos Estados Unidos. Katie tem cancro em estado terminal e passa horas por dia a receber medicação. Na imagem, Nick aguarda o término de mais uma destas sessões. Apesar de todos os pesares, decidiram levar avante o seu casamento.



















Katie morreu 5 dias após o casamento. Esta história corre pela Internet e as fotografias venceram um concurso americano de jornalismo.
São histórias como esta que fazem parar para perspectivar tudo, porque dão realmente que pensar no que somos, no quão frágil é a vida e na quantidade de vezes que desperdiçamos os momentos que temos ainda pela frente, seja para amar, sofrer e lutar. Para viver.


...? Beauty












"Esqueça, o gosto dos homens nunca vai mudar"
é o slogan desta marca de iogurtes brasileira.





Pode ser que então o gosto das mulheres mude. Depois admiram-se de haver modelos anorécticas e bulímicas a morrer.


Há com cada publicitário que havia de levar com um gato morto nas trombas até o gato miar. Ou na minha versão mais recente da expressão: era dar-lhes com um magalhães nas trombas até o magalhães se partir todo. Tenho dito.

Rótulos, Emos e estados emocionais





Um Eno, eu já sabia o que era, agora um Emo.... fui investigar e descobri este site e de lá retirei esta explicação.



Close enough to punk and rock Emo is now know for it's more emotional state of mind. Instead of the anger hard-core way of expressing one-self , Emo (short for emotional) has taken a new tole on the twentith century of expressing yourself. From the music with strong emotion and feeling, unlike hard rock or this is more of an alternative way to let your feeling be known.Emo is not only a classification or a type of music it's also taken over the way one expresses themself by dressing. It includes the tighter fiting pants to the dyed-black or dark hair with it covering your face. The longer hair in front with the spikes in the back is also a more Emo- or emotional look to dressing. Emo is also being known as for the hot emo guys and emo girls kissing. From pictures all on the web to the music videos. Hot emo girl to girl and well as hot emo guy to guy is becoming more and more adventurous and more open concluding; Emo meaning being comfortable with oneself. Its a more direct way of altering the feelings one has without words, just emotion.

Some say music is not a type of music. That it is more of a fashion and a way of feeling, hence the emotional. Just recently people have been considering emo to be a genre or music.. Taking back Sunday is one of the many bands people consider to be emo.

Wondering why everyone hates emo? Not all emo people are cry babies or sucidial. Many emo kids come from families which are having serious issues whether it being money issues.


Viewers Voice

Emo,yes it is short for emotional. But,there is more to emo then hair and looks. Emo is a state of mind. Most people,made them selves appear emo. While in reality,they have to much hope to be emo. Emo is much like goth. But,goth is Darker. Emo is more emotional,harder to fake. Yes,some emos cut themselves,but there is more than that. Emo is one of the hardest things,to explain. People hate emos,b/c they view us as suicidal,cry babies,or just week. That's NOT what emo is. Suicidal yes,at times. But,don't judge me for being emo. It's not what I chose to be. It's just what I am.



Fiquei mais ou menos na mesma.

A questão que levanto com os Emos é a mesma relativamente aos Góticos, que é precisamente a mesma que se prende com a existência de Punks, Betos, Alternativos, etc... porque raio as pessoas precisam tanto de sobreviver à custa de rótulos? Porque raio necessita o Homem de se prender estetica e musical e até mesmo sexualmente a rótulos sociais? Porque necessitamos tão desesperadamente de nos resumir a filosofias e regimes de grupos? O amor e o ódio subjacente a quem está dentro e a quem está fora de um determinado grupo é obscenamente ridículo e sem nexo nenhum. Não seremos nós seres multifacetados? Não seremos mais do que a música que ouvimos ou a maneira como nos vestimos? Uma pessoa que veste preto e pinta o cabelo de vermelho não pode ter um amigo que vista de vermelho e tenha o cabelo preto? Claro que há ideologias completamente adversas e não estou a ver um homofóbico a relacionar-se com um gay, ou um nazi a relacionar-se com um judeu ou um negro. Há coisas que, apesar de não respeitar, como o racismo ou a homofobia, ENTENDO, e não tenho receio algum de dizer que não respeito, pois vivo num país livre, mas há coisas que não entendo de maneira nenhuma, e os rótulos não passam duma fachada "para inglês ver".

Isto estende-se também a religião, política e equipas de desporto.

Os tempos de liceu transformam-se nas vidas das pessoas e os traumas da imbecilidade perseguem as mentes mais fracas sob outras formas nas vidas supostamente adultas, que não as mais frequentes no liceu, como o bullying. A aceitação e pertença (ou não-pertença) a grupos de cariz diverso de forma obssessiva paira na mente de frustrados que não têm mais por onde se agarrar nas suas vidas. Porque sucumbir-se a rótulos e abraçar o ódio ou a obssessão baseados em esquemas sociais destes é a mais pura forma de fraqueza e falta de carácter.

O vídeo que se segue é em espanhol e pode ferir susceptibilidades. Agradeço desde já ao meu amigo não-rotulável Daniel pelos momentos de boa disposição e gargalhadas ao ouvir isto. Acho incrível como pode esta malta pensar ou achar que é mais profunda ou sente mais isto ou aquilo que os demais, os não-rotulados, ou os que se proclamam como outra coisa qualquer. Tenho alguns amigos que se afirmam como góticos, outros como punks, outros como alternativos, outros são surfers, outros acham-se isto ou aquilo, e eu própria acho-me muita coisa... na medida em que gosto de tanta coisa diferente, pertenço a um partido político, sou ateia e tenho as minhas convicções assentes em qualquer coisa, acho que não gosto apenas dos "sensiveizinhos" que a mais das vezes, são muito pouco coerentes nos seus estilos de vida e pessoas muito mais descuidadas com os sentimentos dos outros do que aquilo que querem fazer crer.






Sempre pensei, desde os tempos de adolescente, que as guerrinhas parvas descritas no Blitz, tivessem os dias contados, mas infelizmente esta onda de imbecilidade só teve espaço para crescer e em vez de uma evolução, assistimos a uma regressão, onde o aspecto exterior das pessoas conta cada vez mais em detrimento do que lhes vai verdadeiramente na alma.






Faz hoje 60 anos...
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[...]

Honor a ti por lo que el aire trae,

lo que se ha de cantar y lo cantado,

honor para tus madres y tus hijos

y tus nietos, Stalingrado.

Honor al combatiente de la bruma,

honor al Comisario y al soldado,

honor al cielo detrás de tu luna,

honor al sol de Stalingrado.



Guárdame un trozo de violenta espuma,

guárdame un rifle, guárdame un arado,

y que lo pongan en mi sepultura

con una espiga roja de tu estado,

para que sepan, si hay alguna duda,

que he muerto amándote y que me has amado,

y si no he combatido en tu cintura

dejo en tu honor esta granada oscura,

este canto de amor a Stalingrado.



Pablo Neruda, in NUEVO CANTO DE AMOR A STALINGRADO

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...