::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


terça-feira, 24 de março de 2009

The Watchmen





Rorschach's Journal. November 12th, 1985: Dog carcass in alley this morning, tire tread on burst stomach. This city is afraid of me. I have seen its true face. The streets are extended gutters and the gutters are full of blood and when the drains finally scab over, all the vermin will drown. The accumulated filth of all their sex and murder will foam up about their waists and all the whores and politicians will look up and shout "Save us!"... and I'll whisper "no."











Um filme que considerei não ver devido a todas as circunstâncias e mais algumas, mas uma fã confessada da série Smallville, e depois de O Cavaleiro das Trevas, deixei o meu cepticismo completamente para trás no que concerne a filmes sobre super-heróis. Isto não são apenas filmes sobre super-heróis. Isto é ficção da melhor qualidade, passada sublimemente para o grande ecran. Ainda me sinto esmagada com o poder deste filme.

A banda sonora é irrepreensível e o genérico do filme fez-me pensar que só aquilo já valia o dinheiro do bilhete. A cena do assassinato do Comediante confirmou aquilo que viria a pensar no final de mais de duas horas e meia de filme: que cada segundo e cada minuto seriam saboreados como algo de precioso, digno de ser visto outra e outra vez. Em suma, soube a pouco como só as grandes obras são capazes de fazer sentir este mal estar com um relógio demasiado apressado.

Apenas e não somente isso: poderoso.

Aqui uma das melhores críticas sobre o filme. Aqui, o trailer.
















segunda-feira, 23 de março de 2009

Best Comedy EVER!






... e mais digo: o trailer não faz minimamente jus ao filme.



Brutal. Só mesmo visto, porque contado... quando pensamos que nada daquilo pode acontecer, acontece mesmo. Crescer é por vezes muito, mas muito aborrecido, e este filme lembra-nos isso mesmo.




domingo, 22 de março de 2009

A Primavera começou assim...

W.A. Mozart - Sonata em Si bemol Maior for violin and piano (Gerardo e Larsen)
Moskowsky, M. – Suite para dois violinos e piano (Gerardo e Rodolfo)
Vivaldi, A. – Concerto para três violinos e Orquestra de Cordas em Fá Maior (arranjo para piano) (Gerardo, Rodolfo, Marta e Larsen)
Tchaikovsky, P. – Meditation para violino e piano (Gerardo e Larsen)
Ravel, M. – Sonata para violino e piano em Sol Maior (Gerardo e Larsen







::fotografia de rankin::

sexta-feira, 20 de março de 2009

Is it friday already?









Descobri esta semana que sou muito mais apaixonada pelo que faço do que aquilo que julgava.




- Posso fazer-lhe uma pergunta?
- Sim...
- A ......... gosta daquilo que faz?
- Eh... sim, claro, gosto... porquê?
- Ah, nota-se que sim... há pessoas que fazem o mesmo e não gostam... a gente nota. A gente não é estúpida.
- Pois... quer dizer, não é fácil... há dias maus e mesmo cansativos... vocês não são nada fáceis, tu sabes...
(silêncio)
- Sabe... eu não ia nada com a sua cara no início do ano, mas depois fui conhecendo-a melhor e curto-a bué... e tem mesmo jeito pra isto...


(continuámos o trabalho que estávamos a fazer)


Não se trata de reconhecimentos do chefe, nem de promoções, nem de aumento de ordenado. Não se trata de colegas, de darmo-nos bem ou mal ou apenas da única forma que me sei relacionar com colegas e isso implica não haver grande intimidade. Trata-se disto mesmo. E enche a alma.



Ando inchada desde ontem.






terça-feira, 17 de março de 2009

Jornalistas e ministros (e seus assessores)

No sempre fantástico We Have Kaos In The Garden


A polémica toda aqui.

(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)

Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).

Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.

Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.

Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"






* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...

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"Descobrir a careca"

Podes enganar alguns durante o tempo todo
Podes enganar todos durante algum tempo
Mas não consegues enganar todos para sempre.


Sempre gostei desta frase, ajuda-me a não perder a fé na justiça e na verdade.
Aqui a palavra fé (e seu conceito) entenda-se como exercício de esperança à descoberta de uma verdade não alheia a todos os que se entendem injustificadamente como seres humanos.
Alguns não são. Têm grandes dedos e grandes frases e grandes pedestais e grandes teorias e grandes vidas e esquecem-se da aplicabilidade das mesmas.

Em suma, são chatos e são os últimos a percebê-lo. Pior, são burros e acham que os outros é que são.

A justiça de que falo constrói-se de raíz, e chega a todos, mesmo àqueles que não têm berço nem chá nem educação nem se esforçam ao menos um pouco por tê-lo.
Permitimos essa falta de verdade na inoperância, no destrato e pior, nas desculpas que vamos fazendo, com alguma compaixão, de tais seres que confundem silêncio com esquecimento.
Verifica-se e aplica-se.

Eu nunca me esqueço.

Nunca.
Não quando há mentiras pelo meio. Pior, tiros no pé.




Depois de carecas a descoberto, passo à frente. Não interessa, porque nunca interessou. Simples.



E alguns de nós havemo-nos sempre de rir bastante desses tiros.

domingo, 15 de março de 2009

My name is Grey, M.Grey

Também se arranja Scrubs
You are most like Carla, the nurse. You are very kind and loyal to your friends and would drop dead before listening to anyone's crap. People view you as a very protective and strong individual.
Elaine!!!!!!

sábado, 14 de março de 2009

Vale a pena pensar nisto...

... o que é a Blogosfera no seu todo, que impacto tem afinal na sociedade real, o que vale para cada um de nós que tem um Blog e que importância lhe damos?
Este Psicologias da Treta iniciou o seu percurso há sensivelmente três anos, ganhando ao longo do tempo uma dimensão pessoal e demasiado intimista. Cheguei à conclusão de que a exposição era demasiada, comecei a sentir-me incomodada com aquilo que transparecia publicamente e no fundo, não interessava a ninguém. Objectivamente, não descrevo as mundanices e os quotidianos, a cor do cabelo e coisas que possa considerar uma parvoíce. É apenas um somatório dos meus dias, um diário de dor e paixão, de páginas de amor que ficam para trás e se sonham mais além. Nada mais, e nada disto interessa senão a mim. A vida privada de alguém, aquilo que transparece na escrita, não exactamente aquilo que pensa, mas o seu "eu"emocional e as entrelinhas de felicidade e/ou de dor num determinado contexto e circunstâncias de vida num tempo e espaço precisos, é algo que o tempo me ensinou a perceber que não dizia respeito senão a quem o soubesse respeitar. É algo, que a mim, importa somente mostrar a quem acho que o deve ler. Nasceu o meu precioso Beautiful Losers, apanágio de uma morte de infantilidades blogosféricas a dar origem a pensamentos mais meus, fonte de inspiração minha, as minhas musas e os meus demónios, a minha raiva e o meu amor.
O resto é treta e aquilo que é passível de se insultar, enxovalhar, criticar etc etc etc reservo para este Psicologias da Treta, como experiência blogosférica, como janela para o mundo, parte integrante da tal liberdade de expressão, um Blog prestes a poder ser parte de um todo - a Blogosfera - que reconheço também ser uma parte muito verdadeira de mim. Opiniões, críticas, humor e desumor. Com links, com português correcto (ou menos correcto), onde me permito a objectividade que às vezes me falta mas sempre me esforço por atingir.
Reconheço que a Blogosfera não é um "lugar novo", e o pensamento morreu de velho, não existe nada de novo debaixo do sol, apenas a tal grupusculização onde parecemos muitos a dizer o mesmo, numa só voz, esgrimindo com mais ou menos mestria argumentos velhos e teorias feitas, mas é talvez uma janela muito interessante onde se verifica que a condição humana não evoluíu muito desde que se inventou o fogo e uma feira de vaidades onde muitos continuam a abraçar a velha ilusão de poder "ser descobertos", onde se amaciam egos com a expressão "ah e tal, escreves mesmo bem".
Uma base de estudos sociológicos, sem dúvida, e a oportunidade de se escrever cartas a velhos amigos, tal como a possibilidade de um dia se poder reler pensamentos velhos, opiniões de um tempo pré-Magalhães e pré-Twitter. Só os burros não mudam de opiniões, e isso já pude constatar na minha velha infância de três anos blogosféricos em arquivos de meses idos, em que tanto mudou na minha cabeça e no meu coração.







Blogosfera de terceira geração


O recente artigo de José Pacheco Pereira - A bloguização da comunicação social - mete o dedo na ferida de uma degradação continuada do exercício de opinião, tanto nos blogues como na imprensa escrita. Curiosamente, quase ao mesmo tempo, João Lopes publicava um outro artigo de contornos próximos - A infância dos blogs.
Pacheco Pereira e João Lopes têm sido dos poucos autores capazes de produzir sociologia crítica sobre a blogosfera, questionando as especificidades da sua prática em Portugal. Este último afirma que a blogosfera adquiriu uma extensão imensa sem ter passado por um verdadeiro processo de maturação. Talvez isto não seja completamente certo se observado numa perspectiva internacional, mas parece próximo da verdade quando analisado no plano da nossa conjuntura. Entre nós nunca se afirmou uma cultura ou uma ética blog, discussão travada aberta e entusiasticamente na blogosfera ainda no início da década. Em Portugal, a explosão do fenómeno blog ocorre com o aparecimento das grandes plataformas – blogger, wordpress, sapo – ou seja, à blogosfera de segunda geração. E vemos hoje um fenómeno ainda mais surpreendente a que eu chamo de blogosfera de terceira geração: uma apropriação livre e espontânea da ferramenta blog, totalmente desinteressada da sua história e função original, suporte a conteúdos de download ilegal, pornografia barata, notícias de especialidade copiadas sem referenciação ou edição sobre consolas, wrestling, cinema, etc…
A horizontalidade da blogosfera é um prolongamento dessa cultura de relativização absoluta. Num espaço onde tudo vale o mesmo já nada tem valor. O paralelismo dos “temas fracturantes”, espécie de regurgitação compulsiva de questões que estão carregadas de complexidade real, denuncia esse absoluto simplismo de quem não é mais capaz de discutir o que quer que seja, da ausência de uma sombra que seja de reciprocidade.
Nesta opacidade ofusca-se em razão o que se troca por uma mera lógica de rejeição ou colagem, uma dinâmica opinativa que nada já tem de expressão intelectual mas antes de uma mera dissimulação identitária, de “acknowledgement” de grupo. A grupusculização de que fala Pacheco Pereira.
A decadência do exercício da opinião é mais um reflexo dessa devastadora terraplanagem intelectual em que vivemos e em que os blogs participam alegremente. A aparente agitação de conflitos de opinião não é apenas, como diz João Lopes, resultado de uma dimensão totalitária da agressividade sem pensamentos. É também o epitáfio de um domínio de simulação absoluta em que já nada, realmente, tem consequências. Um lugar em que nada acontece. A vitória da idiocracia.
Há quem chame a isto liberdade.



in http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/



ainda sobre este assunto, as opiniões de pacheco pereira e de joão lopes.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Tretas do dia





Números:
72 por cento das mulheres inquiridas preferem um homem forte e decidido, que saiba o que quer.

85 por cento afirmaram que as seduz que o homem as beije com paixão e as leve à cama sem hesitar. Preferem um homem que tome a iniciativa na hora da sedução e que as faça sentir desejadas.

60 por cento não gostam que eles demorem mais tempo que elas a arranjar-se. Não se trata de não se cuidarem, mas sim de não passar mais tempo que elas em frente ao espelho.




Acho piada à expressão "as leve à cama". Normalmente quem me "leva à cama" é a bendita da gripe ou alguma dor maldita. Enfim. O "forte e decidido" é extremamente redutor e dúbio. Um homem pode ser forte, determinado, etc etc etc em muitos quadrantes da sua vida, não o sendo necessariamente em todos ou nos mais importantes, no que diz respeito a relações amorosas. Há por aí muito bom rapaz determinado em fazer da sua vida um pântano sentimental. Há as aparências e há a realidade. Há quem pareça ser forte e há quem, de facto, o seja.

Definitivamente, não pertenço à classe dos 85%, principalmente porque já me aconteceu e não gostei nada. Um homem que parte do princípio que a mulher quer ir para a cama com ele apenas porque sim(?) é um homem que não sabe ler os sinais, ou na pior das hipóteses, presunçoso. Os arrebatamentos de paixão assolapada pouco me dizem. Mãos atabalhoadamente mal metidas e beijos feitos de línguas que fazem investidas ao lado, tudo à velocidade de banda larga, só servem para arranhar e pensar se aquele gajo irá acertar no umbigo na hora de acertar... pois.
Há formas e formas de se fazer passar a mensagem da paixão, mas infelizmente há quem confunda tesão com desespero, e paixão com força mal medida. Tudo demasiado, tudo forçado. A malta agradece, mas dispensa.

O incrível destes números e teorias, é que mesmo depois de tantas considerações acerca do comportamento sexual do homem, é inquestionável a postura da mulher no que concerne à iniciativa, e é dado adquirido que a mulher continua a ser um objecto sem vontade própria, um catavento que depende da vontade do senhor seu homem e é "levada à cama" em ápices de donzela resgatada para a alcova, na fúria da paixão sexual do seu Adónis, mais preocupado com a performance do Zezinho e em fazê-la crer que é a personagem principal do Nove Semanas e Meia. Será justo para o próprio homem, que é dissecado e questionado qual cobaia/ratinho de laboratório, que tenha a obrigatoriedade do poder de decisão e iniciativa? Melhor: será justo para a própria mulher não ter uma palavra a dizer, o direito de escolha, o direito a dizer onde quando e com quem? Já agora, a obrigação de saber também o que quer, ser forte e decidida, e ter ela mais qualquer coisa a fazer no processo todo, senão a atitude de "aqui me tens, de pernoca aberta e vamos lá a isto"?

A pressão que antecede o acto sexual em si, a antecipação e a possibilidade de rejeição, tudo isto, é algo que deve ser, tal como o prazer, partilhado pelos dois, dividido pelos dois, e um problema que não se deveria colocar em pleno século XXI. É ridículo, tal como é ridículo pegar em amostras e generalizar desta forma o sexo. Se fosse tão fragmentado e estereotipado e definível a este nível, não seria tão interessante debatê-lo. Ou fazê-lo. Estas estatísticas e estes números não são mais do que a anedota portuguesa do sexo dito "normal". Normalizámos tudo, desde que começaram na fruta.

Os comportamentos das pessoas mudam ao compasso dos seus desejos, dos seus projectos, dos seus diferentes amores e parceiros, o ser muda, transforma-se ao longo do tempo de vida. Há quem ache que foder aos 45 é ou deveria ser o mesmo que "foder"/"fazer amor" aos 35 ou 25 ou aos 15. Está no seu direito, tal como eu penso que o homem não atinge o seu auge sexual aos 18 nem tampouco a mulher aos 30. O sexo e os comportamentos são muito mais do que corpos e hormonas, testosterona e gritos. Acima de tudo, deveria ser muito mais do que números.


Mas isto sou eu, claro.

Este expresso online dá-me cabo da cabeça, por vezes...



terça-feira, 10 de março de 2009

Post da semana



Eu sei que ainda nem sequer é sexta-feira (I wish!) mas lufadas de ar fresco como as que recebo deste Blog, praticamente todos os dias, são dignas de ser gritadas ao mundo. Tudo a propósito de sexo casual (ou lá aquilo que cada um de nós entenda como tal), correspondências entre leitores e autores de Blogs, ideias concebidas e pre-concebidas. Este leva a etiqueta de "tretas sobre sexo e coiso e tal" e tenho imensa pena de não ter sido eu a escrever.



CASUAL,
do Lat. casuale
adj. 2 gén.,
que depende do acaso;
fortuito;
eventual;
acidental.



Vou esperar que o meu querido chegue a casa e, eventualmente, provocar um acidente sexual entre nós. Será sexo causal?...














Este blog não pretende dar quaisquer respostas. Nem que seja porque não as tenho. Mas reconheço-lhe, outra vez, que a observação, não sendo inócua, é gira. "Numa relação casual esse brincar-se ao que se pode ser e se é não acontece?" - foi um lapso a omissão do sentir? - Tenho cá para mim que ainda o mando à... família! Mas desconfio fortemente que é capaz de a conhecer melhor que eu. Ora, espere para ver.

Quando afirmei, na última CORRESPONDÊNCIA, que era numa relação estável que se tinha a liberdade de brincar ao longo do espectro do que se pode ser e sentir, podendo ser-se tudo e lailailailailai, não estava, obviamente, a fazer qualquer juízo de valor sobre aqueles que escolhem relações casuais ou a diminuir a relação casual. Aceito que para um elevado número de rapazes e meninas sem disponibilidade, ou vontade, ou capacidade, take your pick, de investimento amoroso - e não, não quero dizer emocional!- , sexualmente experientes e explícitos, também, quanto à natureza dos seus objectivos, possa ser um modo de relação muito satisfatório. E sei que alguns desses rapazes e meninas, num outro contexto, dentro de uma relação, são capazes de um compromisso emocional e sexual. Viu? Agora, vamos a factos muito estudadinhos e mais que provados. O desempenho sexual - apenas no sentido da mutualidade do prazer vivido - corresponde à experiência sexual. Até aqui nada de novo. Mas a verdade, verdadinha, é que essa experiência pode ser aprofundada. A confiança no outro, a empatia, a capacidade de aliar o sexo e a ternura, a integração do elemento agressivo despojado de hostilidade, a dependência madura, a activação de uma vida inconsciente de fantasia e a idealização da relação são os constituintes que permitem o desenvolvimento completo do erotismo. Ou se preferir, o investimento completo da pulsão libidinal, espelho da integração da pulsão sexual com a relação de objecto. (Dizem os tios Green e Stoller, a tal da família...) Mas isto são apenas psicologices que só servem para traduzir assepticamente aquilo que todos queremos: que o sexo - que pode ser um profundo prazer físico e emocional - seja também a expressão da intimidade. A coincidência do sentimento com o pensamento e o corpo. Amor. Isto vivido a dois. A três dúzias, temos pena, tanta peninha, ó!, mas não dá!
E como eu sou mais que magnânima, tome lá as palavrinhas deste rapaz a explicar isto tudo melhor dos que os tios todos juntos! Diz que é um link, diz que é...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Barbie - ou o mito da loira burra








A boneca mais famosa do planeta faz hoje 50 anos.




Nunca tive uma Barbie. Desconheço os motivos pelos quais a minha mãe nunca me presenteou com tal oferenda num qualquer aniversário ou Natal, suspeito talvez por embarcar naquela conversa pro-feminista típica das mulheres emancipadas da década de 60, que a Barbie é uma boneca que apela ao lado fútil da mulher, magrinha com medidas surreais, vestida a matar, maquilhagem comme il faut, qual femme fatale dos sonhos mais húmidos de um Ken presente no precoce imaginário subtilmente erótico da mente de uma criança, demasiado adulta e inteligente para embarcar nestas coisas próprias da feminilidade absurda feita de pó de arroz e saltos agulha. Submissa e muito loira, talvez a Barbie não fosse o estereótipo feminino que a minha mãe desejaria que povoasse a minha ambição e projecção no futuro, ainda que dinheiro não lhe faltasse, bons carros, um namorado giraço, um apartamento, amigas giras como ela (sem dramas e borbulhas como as minhas amigas) e nada que fazer o dia todo, já para não falar do par de protuberantes (pois) sapatos (claro) cor-de-rosa que ela sempre usou. Para além disso, a Barbie era uma miúda toda virada para os desportos com personal trainer, cabeleireiro, equitação e tardes inteiras na piscina e health club.

Querias? Eu também...

Gostava de ter tido uma Barbie. Acho-a uma boneca adorável, bonita, feminina e não vejo mal algum em se gostar de toda aquela futilidade cor de rosa que envolve a nuvem mágica do mundo Barbiesco. Para além disso, uma mulher há-de ser sempre uma mulher, e tal como quase todas, eu adoro cabeleireiros, roupas, cosméticos, maquilhagem, perfumes, e de todas as mariquices que nos fazem gastar uns extras ao fim do mês e que fazem os mais que tudo "abrir bem a pestana" e sorrir frente ao espelho. Tal não interfere nas despesas que fazem de mim um ser mais inteligente; comprar um shampoo da Kérastase é uma felicidade tão maior quanto comprar o último livro do Lobo Antunes (ele diz que é mesmo o último, o ultimozinho) e ambas conseguem coexistir livremente dentro de mim.


Confesso que às vezes apetecia mesmo ter uma vida como a da Barbie. Tudo cor-de-rosa, a começar nos sapatos, um namorado com ar de parvo a rir-se sempre para nós, o dia inteiro sem fazer nenhum, ter uma silhueta de top model e ainda assim comer aqueles doces todos, estar metida no ginásio e no cabeleireiro, ter amigas giras sem borbulhas nem problemas nem dramas nem lágrimas e todas as distâncias e saudades encurtadas por um jacto particular... ((suspiro)) e quem contariar isto está a mentir descaradamente.


Pensamento do dia

"Senhor, dai-me paciência para ignorar alguns colegas, porque já esgotei a sabedoria para poder percebê-los, o ano passado... e se me dais força, parto-lhes a cara."



Existem comportamentos para os quais não tenho paciência e/ou tolerância, determinantes na triagem que sempre faço ao fim de um certo tempo (podem ser meses ou anos), quando já a apreciação está feita e as conclusões tiradas. Transcendem qualquer conceito de competência, profissionalismo e mérito pelo que fazem, já para não falar de ética e até mesmo de moral.



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(ignorar e passar à frente. e siga!)

domingo, 8 de março de 2009

"Abrir a pestana"

Perguntei ao meu querido qual era o tipo de mulher (ou parafraseando-me) ou qual dessas "gajas conhecidas" era assim, a que, de repente, a mais apelativa. Entre um esgar ou outro (e porque o tema entre nós é recorrente) lá acedeu ao meu pedido e disse

- Cláudia Vieira
- Mas ainda agora dizias que a Diana Chaves era mais gira!...
- Não, não... hmmm.... pensando bem, é a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira não, pois não?
- Eh... não... a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira tem um grande defeito, o maior deles todos (ele já a pensar que eu iria dizer a cana do nariz ou os dedos dos pés ou todas aquelas peculiaridades físicas que as mulheres apontam nas outras sob a forma disfarçada de encarar a própria inveja)... o maior defeito da Rita Pereira é o Angélico... uma gaja daquelas com um gajo daqueles não abona muito em seu favor...
(risos)
- Mas diz lá... e estrangeiras?
- Alicia Keys (depois de ter feito de conta que tinha pensado veementemente no assunto)
- Alicia Keys?!? A sério?
- Sim... ou a Scarlett Johansson...
- A Monica Belucci? Não? (eu tenho uma grande pancada com a Monica Belucci)
- Eh... não, nem por isso... quer dizer (ri-se) a Monica Belucci é outra coisa...
- Pois (rio-me) é isso mesmo, é essa coisa que eu quero saber! (tesão)
- Não... também é, mas a Alicia Keys é mais gira... acho-lhe mais piada...
(penso que com muito esforço e dedicação às máquinas de cardiofitness lá do ginásio ainda posso vir a parecer-me mais com a Monica, mas entre mim e a Alicia não há nada que me valha)
- Então e a Charlize? (Theron) e mostro-lhe as imagens no Google
- Eh... prefiro a Scarlett. Essa está meio "acabada".

- Acabada? (ele deve preferi-las mais novinhas)
- Parece que estamos a escolher chocolates...




Pois.



- Então e tu não queres saber qual é o gajo que me diz assim qualquer coisa? (afinal hoje é dia da mulher)
- É lá aquele brasileiro, aquele Reynaldo "Ginecologista"...
- (rio-me)
- De tugas é que não estou a ver quem... não estou a ver quem é que te abre a pestana...
- Abre a pestana?? (risos)



O meu Blog tem vida própria. O Reynaldo, de facto, reúne consensualidade. Confesso que o físico de um homem não me diz grande coisa, nunca disse e nem a prevista idade da parvoeira da meia idade irá afectar isso. A inteligência, sensibilidade e sentido de humor (sem ser do tipo palhácico) continuam a ser os critérios principais que me confundem e trocam as voltas ao espírito.








Ainda assim vejam isto. A cereja em cima do bolo. Para os mais cínicos (leia-se "homens") e pessoas com sentido de humor.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Imaginação do caraças



... quando for grande quero ter um gato kitsch...


aqui







quinta-feira, 5 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Puxões à Memória e Lições de Moral

[Post dedicado à malta da nossa grande Academia de Coimbra.]













Não, não é um post sentimentalóide ou nostálgico ou lamechas, este. Na grande maioria do tempo, lembrar-me da minha bem amada Lusa Atenas é maior o riso do que o blue feeling, é mais fácil a pergunta "como é que fui capaz de?" do que o lamento de nunca ter feito. Isto abarca muito mais do que o canudo, o estatuto e os jogos de cartas que fazíamos tardes a fio, num sobe e desce dentro da carteira do Bispo. Engloba muito mais do que os primeiros amores, as lágrimas sofridas a ouvir Cohen e Cure e Tindersticks e etc etc etc e as cartas escritas às colegas de todos os dias que faziam as vezes das amigas de infância, num tempo em que não haviam blogs. Escreviam-se testamentos nessas cartas. E a seguir íamos beber um copo e um café até às seis da manhã e discutir essas cartas. E os meninos bonitos do FCDEF. É maior que a perda da inocência (essa, regenera-se, aprendemos a fazê-lo, ao fim de um certo tempo, pois nada de tão mau tem uma importância tão significativa que nos impeça de viver e faz tamanho estrago que justifique sermos uns merdas duns amargos o resto da vida).


A memória de Coimbra chega a ser maior do que todas as noitadas, borgas em directas intermináveis a culminar nas moelinhas e caldo verde da Via Latina ou na espiral de decadência alcoólica da States. Coimbra é muito mais do que a paisagem urbana feita de Botânico, Portugal dos Pequenitos, biblioteca da Universidade, Torre da Universidade, Praça da República e capelas que tais. Ou era, dado que os nomes foram trocados e as vivências serão já outras, novas recordações, um velho tempo por um novo tempo.


Coimbra é a História feita das histórias de quem por lá passou e de quem a visitou.


A minha memória daqueles tempos é muito mais do que apenas tudo isto, que já é muito: é o tempo mais reduzido em que conheci o maior número de pessoas decentes, que escusavam as lições de moral, numa desproporção inigualável. A minha melhor memória de Coimbra é pensar que quase tudo o que veio depois é uma valente enxurrada de merda de que tenho memória desde que nasci e Coimbra, uma espécie de reduto do resto da vida que tive o privilégio de viver.




*isto obviamente não se aplica às colegas de turma (quase todas), que apontavam os pecados dos outros com honras de ratazana de sacristia, mestres dos bons costumes e moral.


segunda-feira, 2 de março de 2009

Os sonhos e projectos da nossa vida anterior





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia





É incrível a capacidade que o ser humano tem de se reinventar, separando o trigo do joio. Explico: tudo o que achávamos que sempre nos acompanharia, como um plano secreto e divino, infalível e seguro, pode dar, por vezes, lugar a outro sonho que acompanha a nossa própria mutação/metamorfose ao longo dos dias. A teimosia de nos repetirmos até à exaustão algo que desejamos para nós, mas na certa previsão da impossiblidade de alcançar o "sonho", apenas poderá dar lugar a algo que já não tem razão de existir. Provavelmente, nunca teve. Pode dar lugar ao vazio e à clara percepção de que "it wasn't meant to be", à desistência, ao abandono. A partir daí, pode ser a frustração total ou a tal capacidade de reinvenção. Vermos mais além, vermos o todo, "the all picture".




O comodismo das facilidades do nosso século novo permite-nos, muitas vezes, não discernir o que pode ser uma meta de realização pessoal, pois nunca há tempo para pensar no que fazemos e se nos faz realmente felizes. Muitas vezes, entre a segunda-feira e o domingo passa-se uma semana feita de um quotidiano sem margem para loucuras e a rotina instala-se em semanas todas elas iguais. Pessoas que vivem a mesmíssima história todos os dias da sua vida, sem nunca saírem do seu lugar, sem andarem nos sapatos de outros, sem se darem uma oportunidade real de viverem a plenos pulmões. De fazerem o que querem, de cumprir sonhos, de amar incondicionalmente, de se olharem ao espelho e gostarem do que vêem.




Da capacidade de se conseguir ver algo que esteve sempre presente, mas que nunca foi muito óbvio, apenas depende de cada um. Algo que pode ter estado sempre à nossa frente, mas nunca declarado. Algo oculto apenas permitido num momento de pura lucidez, num rasgo de loucura, numa antítese deliciosa entre o real e o sonho.

É um exercício, ele próprio, de busca, de fé, de se saber um pouco louco e um pouco sábio, de se dar o benefício da dúvida, de conseguir perceber o que se quer, afinal.


Isto pode ser válido para o sonho de uma vida em prol de uma carreira, pode ser válido para uma grande paixão, pode servir para a mudança que se impõe a partir de dada altura, pode ser o motor de arranque de forma a valorizar os aspectos mais importantes da nossa vida, pode ser o encararmo-nos no espelho e gostarmos daquilo que vemos.



E pode acontecer a qualquer momento, a qualquer idade.


domingo, 1 de março de 2009

Séries de TV e o que elas dizem sobre nós...

















O que é que House, Scrubs, Grey's Anatomy e, mais recentemente na minha agenda, Nip Tuck, têm em comum?

Bisturis, relações complicadas, sangue, muito sangue e toda aquela política do ser humano mais que completo nas suas múltiplas vertentes, nos seus estados de alma e nas suas variadas circunstâncias.

Acima de tudo, têm um Hospital como cenário de fundo, a lembrar-me que não sou do tipo de pessoa a quem ir ao Hospital faz confusão e que diz "não gosto de hospitais". Acho que ninguém gosta.



Segue-se Dexter.



Post da semana - Voltando à Vaca Fria





voltando à vaca fria

Lendo a blogoesfera, temos por um lado os que acham que aquilo foi um arremedo de censura bacoca; por outro, os que acham que a PSP não tinha obviamente a obrigação de conhecer Courbet nem de saber que aquilo é "arte", pelo que a sua intervenção foi, digamos, legítima, pois visou evitar uma espécie de mal maior. Neste último caso, quem assim pensa fá-lo com sobranceria, como se tivesse descoberto a pólvora, demonstrando compreensão para com os pobres pais de Braga, coitados, imaginando-os a taparem os olhos esbugalhados dos Carlinhos e dos Manelinhos que, no remanso domingueiro, foram de repente confrontados com a crueza de um pipi no seu estado natural, tão diferente daqueles rapados a cera das brasileiras das casas de alterne que os papás seguramente frequentam. Coitados destes e coitadinha da PSP, que nunca foi ao Museu D´Orsay e que só tentou conter a calamidade pública que se adivinhava. Estes, os que insinuam ter muito mundo e perceber das coisas, e que vêm o Portugal profundo das suas tocas à Lapa e à Graça com vista para o Tejo, os que acham que Sacavém é outro país, são os que não fazem a mais puta ideia da profunda ignorância e estupidez das polícias da província e do modo como condicionam a vida das populações e de como são um factor efectivo de não-progresso. Mas eu entendo que, quando o mundo se resume à internet e à fnac do Chiado, não se saiba que o país é quase todo ele a periferia de uma enorme província, e que mesmo à beirinha de Lisboa haja milhares de pessoas que não sabem ler. É claro que esta gente vê mal a coisa, mas os outros não a vêem melhor. "Censura" coisa nenhuma; não atribuam à nossa pobre polícia tamanho pathos, por favor! Eu explico. Por cada “ocorrência” a que um polícia assiste, ele levanta um auto que fica arquivado na esquadra respectiva, caso não dê origem a um processo, por exemplo crime ou contra -ordenação. Ora, eu já li muitos autos. Quanto a este, e pelo que vislumbrei da imagem que apareceu na tv, nem sequer o nome do livro apreendido souberam escrever: escreveram "Pornografia", em vez de "Pornocracia" - e para ler uma palavra polissilábica não é preciso ter um curso de história da arte, apenas o ensino básico. Estes pequenos pormenores são reveladores e eu adoraria ter lido todo o auto, de certeza que encontraria verdadeiras pérolas. Como já encontrei nos inúmeros autos das várias polícias que ao longo dos anos me foram passando pelas mãos. Desde o cão perigoso que era de raça “rotguilas” (em vez de rottweiller), à arma do crime, um chicote que, na descrição técnica do graduado de serviço era “tipo piça de boi”, pequenos exemplos da mais rematada ignorância e falta de formação das nossas polícias, a todos os níveis. Como polícias de trânsito que escrevem mal as marcas dos carros que nem sequer conhecem, que não sabem o que é um GPS, que confundem um motociclo com um ciclomotor (distinção fundamental para encaixar num ou noutro tipo de crime, por exemplo) e que dizem “iamaia” referindo-se a uma Yamaha. Isto como profissional, porque depois, como cidadã, tenho o reverso da medalha: polícias que me quiseram prender porque eu disse educadamente que não concordava com a autuação de um pai que estacionara mal para ir, num minuto, entregar o filho bebé à escola num dia de chuva; e que, quando eu lhes perguntei “mas o senhor agente vai lavrar isso em auto?”, me responderam, “Eu não lavro nada que não sou lavrador, sou agente da autoridade!”; polícias que mandam parar um carro novo para lhe testarem os faróis, cegos para os tunners que passam ao lado a acelerarem os carros quitados; que mandam parar uma mãe numa familiar às seis da tarde num bairro residencial movimentado e a obrigam a retirar todas as cadeirinhas, sacos, cobertores e restante parafernália toddler só para lhe verem o triângulo. Tudo dentro da legalidade mas tudo profundamente estúpido, mesquinho, um abuso de poder, do poderzinho pequenino que lhes é conferido para, essencialmente, poderem chatear o cidadão pagante. Gente que não tem a menor noção do que é o serviço público, do que é servir o público. É por isso que acho uma desgraça, que um graduado qualquer que caiu de pára-quedas no centro de Braga, mesmo que (naturalmente) nunca tenha ouvido falar em Courbet, não tenha parado um momento para reflectir, não tenha tentado chegar à fala com o comandante, ou com o comandante do comandante, ou com um MP ou um juiz (sim, eu sei: estão vocês a pensar que não é garantia de upgrade na escala evolutiva, mas quanto mais não seja levaram com um curso superior em cima, mais uma data de estágios, por muito pouco mundo que também tenham), e que, cheio de medinho (porque aquilo foi mais medinho que outra coisa: miúfa, é o que vos digo, de que os paizinhos de Braga partissem logo ali para a ignorância: é que ia livros, ia livreiro, ia clientes, ia cona, ia tudo, que aquela gente do norte não é para brincadeiras… vejam lá quantas portagens eles pagam!). E isso é que é triste - que, perante a ignorância, não tivessem tentado informar-se em vez de fazerem de imediato um juízo de valor que descambou no lapsus calami que foi a troca do nome do livro; e que, perante a ameaça de desacato, tivessem preferido apreender o dito, porque assim acabavam-se os problemas. E é esta gente que nos multa, que nos guarda, que supostamente nos protege, que não sabe lidar com as pessoas nem com as situações, que não sabe nada de nada, que não tem a humildade de se informar e de tentar saber, que se verga perante os mais fortes lá da terra (os pais de braga, os padres, os autarcas), e que faz usualmente disparate quando há qualquer tentativa de exercício da mais normal cidadania por parte dos contribuintes. Esta é a questão, e é isto que é trágico. O resto é barulho das luzes e gente a falar do que não sabe.

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