::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


domingo, 10 de maio de 2009

"Nada se perde, tudo se transforma"

Porque é que as pessoas (se as pensarmos em abstracto), se desencontram da sua natureza e se tornam feias e azedas, à medida que crescem? Porque, ao contrário da natureza, são escassas as vezes em que aprendem com a experiência. Porque não querem? Não; porque a complexidade dos seus sentimentos e do seu pensamento é grande. E, enquanto a natureza metaboliza as diferenças em ciclos de tempo onde caberiam muitas gerações humanas, é raro que uma pessoa encontre quem transforme, num período circunscrito da sua vida, sofrimentos enquistados, sentimentos por legendar e pensamentos que, simplesmente, se intuíram, sem nunca se terem formulado.

Eduardo Sá




Segundo o que Lavoisier defendia, "na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." . Há quem prefira citar grandes filósofos, poetas, escritores e, mais recentemente, psicólogos ou sociólogos; eu prefiro citar este grande Químico, que foi Lavoisier.



Concordo com a opinião de Eduardo Sá: o ser humano é, ao contrário do resto da Natureza circundante, complexo. Mais do que complexo, acrescento que o ser humano gosta de complicar, gosta de "inventar", criar situações ambíguas que não o permitem ver para além da sua esfera pessoal, fechada e compacta. Qualquer um tende a ampliar ou a diminuir determinada situação que acha que o separa do resto do mundo, apenas porque cada um de nós teima em não perceber que somos todos muito mais iguais do que imaginamos ou gostaríamos de achar que somos. Não vivemos em esferas separadas, vivemos todos dentro da mesma bolha gigante e todos nos dividimos por entre desejo, medo e sonho. Quem acredita piamente que é um desgraçado separado do resto do mundo, incompreendido pela sociedade, é com certeza alguém amargo, azedo, que não terá muito mais a dar senão o queixume típico de um "velho do Restelo". Existem os velhos amargos e existem os velhos loucos. Infelizmente, começa a existir uma legião enorme de pessoas tremendamente novas e muito amargas.
Será sempre assim? Deverá ser assim?



Há dois anos li um livro por sugestão de uma grande amiga: O Poder da Kaballah. Ofereci a resistência natural de quem acha que aquilo é um livro de auto-ajuda, mas ela explicou-me que não. Eu entendi que não, e de facto não o penso assim, afirmo mesmo que aquilo tem tanto de auto-ajuda como outro livro qualquer, um ensaio ou um romance. Gostei muito do que li, até porque o livro não "vende" soluções nem impinge ninguém a cumprir nada e cheguei à conclusão de que perdemos muito mais se não abrirmos horizontes em determinadas direcções. Seja culturais, seja pessoais, seja profissionais. Acharmos que estamos talhados para determinado objectivo ou que estamos destinados a ser de determinada forma, a conduzir a nossa vida e a seguir determinado rumo apenas porque os outros insistem em achar que sim, (ou porque nos auto-educamos e controlamos nesse sentido), é a forma mais limitativa e castradora de se viver a própria vida, de ter iniciativa, e condenamos a própria existência a um destino ou a um plano que alguém tem para nós.



Sempre me recusei a aceitar isso, tenho vindo a somar mais vitórias do que derrotas ao pensar desta forma; talvez por isso me assuma como ateia, talvez por isso me chamem "louca" muitas vezes. Talvez por isso me recuse a ver o mundo pelos olhos dos que se resignam e aceitam, dos que se conformam em nunca alterar o estado das coisas, em nunca mudar, em não aceitar o outro lado do espelho. Fazer as coisas sempre da m-e-s-m-a m-a-n-e-i-r-a conduz-nos a uma estagnação e a uma atrofia, a um empobrecimento espiritual, à tristeza.



Creio, em última instância, que o Bem vence. Que tudo está bem quando acaba bem. Que por mais que se sofra haverá uma contrapartida, que as diferenças poderão esbater-se se tivermos em atenção tudo o que os pratos da balança contêm. Que para tudo há uma causa, e tudo pode causar um efeito. Que, acima de tudo, nada mas mesmo nada justifica a mentira, a maldade, o Mal que impera e nada se faz para inverter o culminar de um final trágico. Nada se resolve por si. Certos pensamentos e sentimentos podem ser digeridos e metabolizados se assim o quisermos; as razões para procedermos ao esquecimento de alguém ou de alguma atitude são o motivo mais forte para que os danos sejam minimizados, para que as perdoemos ainda que nunca o saibam. Perdoar os outros, e sempre perdoar-se a si mesmo.


Nada se esquece, quando nos magoa, mas pode ser compreendido, pode ser dissecado, pode ser assimilado, à semelhança de um prato indigesto que nos caíu mal ou de uma chama de fogo pela qual passámos a nossa mão. Ninguém gosta de comer o que sabe que lhe vai fazer mal, se sabe que é alérgico, se sabe à priori que pode vomitar ou até morrer. Tal como ninguém coloca a mão na chama ao saber que se vai queimar. Vivemos condicionados pela aprendizagem que da vida fazemos, que da vida retiramos, dos erros que cometemos. Aceitar isso é importante, para não se voltar a um caminho por onde já se passou, para não voltar a magoar terceiros se já os magoámos antes. Transformamo-nos, todos os dias.



Ter a consciência de que é um mundo imenso, cheio de experiências e erros a cometer, é uma dádiva que devemos abraçar, na certeza que nem tudo é mau e que pode ser uma mais-valia queimarmo-nos de vez em quando. Uma e outra vez. Porque tudo se transforma, mas há chamas que nunca se extinguem.



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sábado, 9 de maio de 2009

Post do mês (passado, que este já tem campeão)

[ainda da importância dos aniversários]

Sou daquelas pessoas que não se farta de fazer anos, nem de receber chamadas telefónicas (ainda bem que foram mais as chamadas do que as sms'), e de continuar a somar as voltas de 365 dias (366 em anos bissextos) do calendário.

Do que eu me farto é daquelas mensagens escritas, muitas delas, de pessoas que não constam no raio da agenda e é um sarilho descortinar a proveniência das ditas cujas.

Quase podia adivinhar o cheirinho a Natal e suas múltiplas mensagens "tipo" com blablablas do tipo "és uma pessoa especial que merece tudo de bom na vida, admiro-te muito" e blablabla.... whatever... as pessoas que mais o afirmam são precisamente aquelas que menos o sentem. Têm dúvidas?


O Alvim compreende-me. E o Garfield também.










Fiz anos este Domingo e de novo senti o que já venho a suspeitar há algum tempo. O nosso dia de anos está cada vez mais parecido com o Natal. E foram muitas as sms que terei recebido que me lembraram isso. De tal modo, que recebi uma que dizia precisamente: " Feliz Natal e Bom ano novo!".





Irritam-me as mensagens tipo. As pessoas tipo. As empresas tipo. Os comportamentos tipo. Um bom tipo. Um mau tipo. O próprio Fiat tipo. Por mim, prefiro mil vezes uma mensagem que diga simplesmente " Parabéns!" a uma tipificada como: " Espero que este dia seja passado com aqueles que mais amas, na companhia dos teus verdadeiros amigos, e que este dia se repita por muitos e longos anos!" . Não sei explicar-vos, mas explico. Há aqui qualquer coisa de plástico. Ou de cimento armado. Ou tijolo casquinha. É duro perceber que já teremos lido isto em alguma parte. E já lemos. Possivelmente mais do que uma vez. Possivelmente até da mesma pessoa que no ano anterior, nos terá enviado uma mensagem exactamente igual a esta. Por mim, é preferível darem-me um par de meias todos os natais. Essas sempre aquecem.




Aliás de entre todas as mensagens que se enviam em datas como esta, a que terei recebido mais vezes, a recordista de sempre, a rainha das mensagens, a Vanessa Fernandes das sms’s, é sem qualquer pestanejar , a lendária mensagem de natal, a vossa atenção por favor para o festim de risadas que aí vem, o clássico dos clássicos que é: "Boas Festas?! Nós queremos é festas pelo corpo todo!:)".E assim, quando a recebo, possivelmente pela quadragésima quinta vez, é tal o riso que me provoca, que me atiro imediatamente ao chão e bato freneticamente com os pés e as mãos como se tivesse a fazer 100 metros mariposa. Ainda agora por exemplo, quando estava a escrever esta mesma piada, aconteceu-me outra vez e fui às lágrimas. Se não se importam, vou buscar lenços de papel que eu já não aguento emoções destas.




Fiz anos e neste dia há uma espécie de imunidade parlamentar que nos é dada. Isto é, podemos dizer e fazer o que quisermos, sem que nos julguem por isso. E assim, este é o dia perfeito para fazer as pazes com alguém ou, com a quantidade de sms recebidas, recuperar contactos que se encontravam perdidos há muito. Há pessoas que só nos ligam nestas alturas e ainda bem. São pessoas que existem só nestas duas ocasiões e eu não as censuro. Até porque essa é a diferença. E assim, é fácil percebermos que só há duas categorias de pessoas: as que existem durante estes dois dias e as que existem durante todo o ano. Eu gosto particularmente destas últimas.

Portugal na CEE

A propósito da data de hoje, alguém é capaz de me elucidar sobre a data de adesão de Portugal às comunidades europeias? Supostamente terá sido em 1986, mas algumas fontes alegam ter sido em 1985.





Esta música é de 1981. Formação inicial dos GNR com Alexandre Soares.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desmistificações

... e começar assim o fim-de-semana. Porque esta foi, sem dúvida, uma semana BEM cheia!





*dedicado aos meus amigos da Terceira e em homenagem às "touradas à corda" que começaram esta semana. Bem hajam!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Estranha Forma de "BlogoViver" III

Não há duas sem três, e se parece demasiado andar às voltas sobre o tema e atribuir importância desmesurada sobre isto, penso que dois ou três posts são apenas a ponta do iceberg. Um livro inteiro não chega para descrever aquilo que é o mundo virtual e como funciona isto de se ter um Blog.
Já agora, de fingir que não se tem um Blog.
Anteriormente discorri sobre os estafetas de comentários que fazem dos seus Blogs o seu objectivo de vida, pois normalmente não têm vida. Hoje, debruçar-me-ei sobre os olhares masturbatórios de quem finge não ter um Blog. Faz-se de conta que não se tem, tendo. Ou diz-se mesmo "tenho um Blog mas não digo a ninguém qual é". Classifico esta malta numa palavra: cobardolas. Ou cobardes, se preferirem, mas o termo "cobardolas" é mais engraçado na definição e na gíria.
- Dão tanta ou mais importância aos que afirmam ter um Blog.
- Normalmente chegam a ter mais do que um.
- Têm medo da crítica a que possam estar sujeitos, uma vez que criticam tudo e mais alguma coisa.
- São, por norma, pessoas picuinhas e desconfiadas.
- Têm uma insegurança que não lhes cabe nem na parvoíce de poderem afirmar que têm uma merda dum Blog. Porquê? Porque acham que os outros são como eles, e rir-se-íam das bacoradas que lá metem. Por outro lado, acham que atiçam a curiosidade alheia ao afirmar que têm um Blog mas não dizem qual é, talvez na tentativa desesperada de chamar a atenção e imaginar que o resto do mundo possa ter grande interesse pelo tal Blog fantasma. Nem perco tanto tempo a imaginar o que faço para o jantar, quanto mais...
Tenho conhecimento que algumas pessoas que lêem o meu Blog, têm, de facto, um Blog, mas não o dizem a ninguém. São as mesmas pessoas que acham que congemino uma teoria da conspiração no outro Blog, o tal, o do gostinho especial, o que dá por nome de Beautiful Losers. Bebem estas palavras como se fosse um qualquer vinho de reserva, e fazem visitas diárias.
Estas pessoas acabam por sempre ter uma enorme sensação de poder em relação ao que lêem no blog das outras, porque acham que têm acesso a coisas que, de outra forma, não teriam. Sentem-se, no fundo, felizes por ter acesso a isso, a páginas que julgam ser privadas, sagradas e preciosas para a pessoa que as escreve. No fundo, é uma sensação de falso poder que se impingem a si próprias, no momento em que denunciam a real importância que afinal nós sim, constituímos nas suas vidas. De que me interessa a mim dizerem-me, com ar trocista e imbecil "ah, afinal foste ver o Marley e fartaste-te de chorar... ehehehe".
Tipo: "e...?" Se eu não quisesse que toda a gente soubesse, não o teria escrito, certo? E se eu própria estiver a manipular essa informação? Não se deve acreditar em tudo o que se lê! E se estiver a mentir?, aquilo que toda a gente faz via Internet? O propósito é sempre esse: manipular e/ou informar.
Normalmente tenho as revistas Visão na casa-de-banho. Gosto de ler as crónicas do Lobo Antunes e do Gonçalo M.Tavares enquanto .... enfim... a importância desse momento sou eu que a assimilo e digiro. Gosto muito mais desses momentos de wc do que pegar no livrinho destes senhores e armar-me ao cagalhão numa esplanada qualquer! (Tipo forinhas da pacotilha, os que se vestem de preto e usam óculos de massa e papam tudo o que é alternativo só porque sim) E agora? Devo sentir-me importante por isso? Importantes são eles, os que escrevem, os que me motivam por alguma razão, a que num momento tão importante da minha existência digestiva, pegue numa das suas crónicas e me refugie num sítio em que mais ninguém entra enquanto eu lá estiver! Imagino o ar incrédulo do sr. Lobo Antunes se a ele me dirigisse e dissesse, com ar maroto, a piscar o olho: "ontem foi mesmo bom, aquela sua crónica deu um outro sentido à minha vida..." Se ele tivesse juízo nem me respondia e seguia caminho.
O olhar idiota, cretino e imbecil de quem lê uma porcaria qualquer de outro alguém e se dá o direito de se achar importante apenas porque sabe ler uma porcaria que está online, e não divulga as próprias porcarias que escreve, não é mais do que masturbatório. Já agora, um bocadinho presunçoso. Às vezes, é até mesmo um favor que estas pessoas nos fazem, não nos presentear com os seus demónios de horror, pesadelos, sonhos ou ambições, já para não falar das opiniões. Sabe-se lá o que iríamos ler nesses Blogs fantasmas. Mas é como dizia o outro: as opiniões são como as vaginas... cada um tem a sua... (ou não).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Post do mês



É disto às vezes que se trata. Apenas e somente. Gosto tanto tanto deste Blog que nunca o comento. É bom que se farta.






Porque é que não tenho escrito sobre cinema? Porque não tenho ido ao cinema. É simples. É a esse nível de merdice que a minha vida anda - tão grande tão grande tão grande que nem faço a única coisa que me preenche. Nem sequer vejo as centenas de filmes que tenho em casa, contam-se meses desde a última vez que peguei num dvd. Claro que tenho ouvido música - é a minha epiderme, não preciso de seguir-lhe o encalço. Mas, por exemplo, dançar. Não danço desde a passagem de ano. Não vou a concertos, muito menos nem aos do Mercado Negro. Este mês não li nada. Andava a ler a um ritmo tão bom, para o nível miserável dos últimos três anos e entretanto fui-me abaixo. É isso, fui-me abaixo, e não me apetece nada dizer que estou lá em cima. Este blogue anda a irritar-me. Anda muito levezinho. Foda-se, mas eu estou na merda ou não estou? Claro que estou. Como sempre. Então que se foda esta porra toda e vocês também, já agora. Entretanto, rio-me. Já não resisto à minha própria palhaçada, é o que é. Vai-se a ver e isto continua tudo muito triste. Óptimo. Manifesto desde já a minha intenção de repor o tom a que este blogue tem direito e obrigação: rasteirinho, rasteirinho, fodidinho, todinho. Nem a propósito, grita agora mesmo um guna na minha rua olhá, ámanhá, até te bou matare. Fixe, por mim podia ser já hoje. Mas antes queria mandar um beijinho lá para casa, para as pessoas que me estão a ver. Em especial, para o Zé, que não conheço pessoalmente e que no outro dia me fez um filho em sonhos, e eu em sonhos tinha namorado, que era o Pedro. Qual deles? Olhem, vão ver se chove, que pode ser que sim. O relato do sonho fica para depois, merece um tempo de antena exclusivo, como tudo o que é macabro e perturbador. Sinto-me mal. Se calhar não ajuda estar enterrada num puff preto enquanto escrevo - é como escrever sobre a escuridão da perspectiva de um buraco negro. Não saio de casa há dias seguidos. Demasiadas vezes dizem-me «és uma complicadinha», como quem diz «não há quem te ature». Mas é que não há mesmo. Estou sozinha há anos ou não estou? Ou vocês achavam que isto era tudo literatura? Desculpem lá se o discurso hoje é o inverso. Isto de falar para 400 pessoas diariamente não só é completamente contrário à minha vida real como às vezes me atrofia um bocado a tola.

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Estranha Forma de "BlogoViver" II

Os meus Blogs preferidos, na sua maioria, não recebem comentários meus, e não os recebem porque acrescentar algo ou comentar aquilo que considero bom ou excelente, acaba por ser um exercício inútil. Se já dizem tudo, para quê acrescentar o que quer que seja? Existem outros que nem sequer caixas de comentários têm e salvo um mail ou outro que acho por bem escrever aos seus "donos", fico-me por aí. Continuo sempre a visitá-los e lê-los diariamente.


Depois há os outros, os das palmadinhas das costas. Ninguém fala do que desconhece e reconheço a minha própria bestialidade nesse estranho mundo e dessa estranha e algo ingénua forma de coexistir virtual e levianamente. Como diz e bem Miguel Sousa Tavares, um mundo de facilidades. Os elogios, as opiniões sempre iguais, o nunca acrescentar nada de novo, um simples "bom dia", apenas uma sugestão daquilo que é uma espécie de amizade. Confunde-se tudo, confundem-se intenções, surgem sentimentos dúbios que não passam de solidões assistidas. Resultado de muito tempo entre mãos e uma imaginação fértil.


Às tantas, começamos a perceber que o propósito de se ter um Blog é apenas o da aceitação, o da retribuição, o do feedback, o cobrar-se qualquer coisa que começa a ser uma obrigação, sentimo-nos obrigados a ter de cumprir um ritual diário de passagem por um blog, à semelhança da passagem pelo café do costume, e não o da necessidade de escrever, pelo exercício puro de escrever.

Outro factor e, não obstante a forma como as pessoas se expressam, a obrigatoriedade passa a ser também o da concordância, para além do da presença. Curioso é constatar que pessoas tão social e política e racionalmente correctas não aceitam críticas ou opiniões divergentes das suas e pela expressão de tais opiniões nas suas caixas de comentários, "correm" connosco de lá numa valente chapada virtual. Como se fazer parte de uma "tribo" em que todos têm de ter as mesmas opiniões e dar as merecidas e previsíveis palmadinhas nas costas é condição obrigatória de um ritual de passagem para se obter uma pertença a qualquer coisa ou a alguém.

As gajas gostam de ouvir que são lindas e maravilhosas e se pudéssemos, formaríamos um Clube Pilinha Não Entra, do tipo Girl Power. Os gajos gostam do elogio fácil e que eles são os nossos Tarzans da opinião generalizada, e quiçá, um dia destes, ganham um Pullitzer ou serão um Nobel.


Voltamos todos à adolescência, no fundo. A adolescência virtual do "se me visitares, eu visito-te a ti". Somos todos tão profundos e coiso e tal. Concordamos e tudo; se discordarmos, temos de o fazer com moderação, contenção e com as palavras certas nas linhas e entrelinhas certas, à boa maneira pidesca e portuguesa. Andamos todos a rir e a chorar pelo mesmo e lemos todos os mesmos livros e ouvimos todos os mesmos discos. Há uma obrigatoriedade de igualdade. Como se fôssemos todos equipas desportivas, e quem está de fora não é aceite. Basta clicar nalguns blogs em que alguns leitores se sentem constragidos até de dizer o que quer que seja do contra, em caixas de comentários, não vá levar chapada da grossa, porque anda tudo por lá a abanar a cabeça ao que o dono do blog diz.


Já fui corrida a pontapé, de muitos Blogs e até mesmo no meu próprio, por escrever sobre determinado assunto ou exprimir determinada opinião.


Perde-se algo neste percurso, neste labirinto imenso que é o mundo dos blogs. Perdemo-nos, se nos deixarmos iludir que aquelas pessoas nos compreendem muito mais do que as "nossas pessoas". Começamos outra tribo que, na realidade, não existe.


Estranha Forma de "BlogoViver"

"Uma sociedade inteira vive mergulhada num mundo de facilidades e aparências, afogada em sms, mails, blogues e redes sociais, onde procura criar uma estranha forma de vida e de relacionamento humano, que garante o contacto e o sucesso imediato e dispensa o incómodo que é enfrentar a vida real, sem ser a coberto do anonimato ou do disfarce hipócrita, e sem ter de assumir as consequências dos seus actos nem o vazio de passar por aqui sem ter feito nada de útil para os outros."




Miguel Sousa Tavares, in Expresso








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domingo, 3 de maio de 2009

Reinvenções








Independentemente de gostar ou não dos The Gift (que não gosto), este projecto "Amália Hoje" suscita profunda desconfiança da minha parte, logo à partida, porque para mim, tal como para a grande maioria dos portugueses, Amália não é de ontem, hoje ou de amanhã. Amália é de Sempre.




Gosto do chamado "Fado Novo" e do "Novo Fado", em que surgem nomes como Deolinda ou Camané. Gosto do fado vadio de Lisboa e do fado cantado nas ruas de Coimbra. Gosto mais do fado cantado pela voz masculina do que feminina e, para mim, mulher que canta fado, o nosso fado, é a grande Amália. Gosto de fadistas como a Mariza, a Cristina Branco, gosto. Gosto imenso da Dulce Pontes e daquele álbum que fez com o Ennio. Gosto da sua versão do Povo Que Lavas no Rio. Gosto da vertente nova e da roupagem que dão ao fado sob uma vertente pop ou electrónica, não me choca nada a adaptação. Pode existir em tudo isto alma, pode em tudo isto haver autenticidade. O que se segue não é nenhuma contrariedade de alma com aquilo que é a reinvenção do fado. Gosto de reinvenções. Gosto de covers, quando eles de facto acrescentam algo de novo. Ao menos, quando são genuínos.




Do que eu não gosto é que me atirem areia para os olhos, e à sombra de um nome tão grande como o da Amália, façam discos deste género, que mais não servem do que promover as próprias bandas, neste caso declaradamente dos Gift. Falo pois, do novo álbum do Projecto Hoje, "Amália Hoje". Não gosto mesmo nada, para além de não gostar nada daquele som, daquela interpretação tão desprovida de alma, tão sem nada de novo, tudo tão forçado. Não acrescenta nada ao que já existia. Não reinventa nada, não traz uma nova pulsação, são apenas covers de temas cantados pela vocalista dos The Gift. Ouvir aquilo é como ouvir os The Gift: the same old. A questão não é se conseguiram reinventar o fado de Amália transformando-o em música pop, a questão é que os The Gift não se conseguem reinventar a eles próprios, nem com as letras que Amália cantava, nem com arranjos musicais à la Arcade Fire.






Não gosto de criticar tão acerrimamente um "projecto" (tudo em Portugal é projecto, ex-projecto, projecto do ex-projecto, futuro projecto a partir de um projecto passado), e gosto ainda menos de falar sobre música - porque gosto muito de música e de muitos géneros e muitas bandas - mas detesto sobranceria e a soberba de quem se insurge como iluminado ou acha que fez algo de muito diferente do que lhe é já tão habitual. Obviamente haverá quem goste. Eu não gostei.
É apenas mais do mesmo. É pena.



Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
A imagem da Amália foi "reinventada" por mim.
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sábado, 2 de maio de 2009

em dia de despir



"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."



in http://matria-minha.blogspot.com/














Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.


Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.


Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não resisto a um teste/quiz/whatever





Vi isto num Blog aqui ao lado e não resisti...


1)- Nome:a de ana.
2)- Porque lhe deram esse nome? era para ser pedro...
3)- Você faz pedidos às estrelas? sempre.
4)- Quando foi a última vez que chorou? ai o marley, o marley...
5)- Gosta da sua letra? gosto.
6)- Gosta de pão com o quê? com coxinhas. ahahahahaha...
7)- Quantos filhos tem? aí uns 160... e 30 deles são muito complicados.
8)- Se fosse outra pessoa seria seu amigo? depende dessa outra pessoa. não depende de mim. há uma coisa chamada livre-arbítrio...
9)- Saltaria de bungee-jump? nem de trampolins gosto.
10)- Desamarra os sapatos antes de tirá-los? por acaso não desamarro (os atacadores, claro)
11)- Acreditas que és uma pessoa forte? eu não acredito. eu sou.
12)- Gelado favorito? tenho saudades do gelado de noz do lidl.
13)- Vermelho ou preto? vermelho.
14)- O que menos gostas em ti? o rabo.
15)- O que mais gostas em ti? a acutilância.
16)- De quem sentes saudades? dos que estão sempre longe. dos que já morreram. dos que lá ficaram. e do gelado de noz do lidl.
17)- Descreva que roupa e calçado está a usar agora: camisola preta justa, calças largas de bolsos laterais verde tropa tudo a combinar com as pantufas vermelhas fantásticas do Félix, the Cat.
18)- Qual foi a última coisa que comeu hoje? sopa de grão com espinafres; peixe espada frito com arroz de cenoura e malagueta picante; pêra rocha muito verde.
19)- O que está a ouvir agora? o Portugalex AHAHAHAHAH!
20)- A última pessoa com quem falou ao telefone? Foi com a sra do PBX da instituição de ensino onde tirei o curso que anda "à minha procura" há dias...
21)- Bebida favorita? Depende. água, água das pedras, sumo de laranja natural, vinho tinto, café, chá, galão muito muito muito escuro.
22)- Comida? marisco. muito marisco.
23)- Último filme que viu no cinema e com quem? My Best Friend's Girl com o meu marido companheiro camarada palhaço...
24)- Dia favorito do ano? o primeiro dia de férias de Verão. sempre foi e sempre há-de ser!
25)- Inverno ou Verão? Primavera.
26)- Beijos ou abraços? beijos.
27)- Qual a tua sobremesa favorita? mousse de chocolate (com nozes).
28)- Que livro está a ler? comecei ontem o último do josé rodrigues dos santos.
29)- O que tem na parede do seu quarto? duas fotografias tamanho família: uma minha e outra do marido companheiro camarada palhaço... lindas...
30)- Filmes favoritos? muitos. the eternal sunshine of the spotless mind. cinema paradiso. clockwork orange. the shinning. etc etc etc lista interminável.
31)- Onde foi o lugar mais longe que já foi? até ao fundo da minha alma. lol.
32)- Uma música? se tivesse de escolher apenas uma única música seria concerteza de leonard cohen.
33)- Uma frase? Poetry is the evidence of life. If your life is burning well, poetry is just the ash. L.C.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Procuram-se Loucos





Sou uma pessoa revoltada e isto não vai passar com a idade.
Há quem confunda esta minha revolta com insatisfação, e eu não a vejo nem sinto nem muito menos a deixo de pensar com mais fervor, à medida que me refastelo na vidinha e "cresço" e me torno uma pessoa satisfeita. Cresço como todos os que nasceram na década de 70, no pós ou durante 25 de Abril e são portugueses. Isto de se ser revoltado nada tem a ver com insatisfação ou infelicidade. Sou relativamente satisfeita e grata pela vida que tenho (a vidinha) e sou uma pessoa feliz. Sou lírica no que tenho de ser lírica e sou bastante pragmática no que sempre fui. Já mudei de opinião muitas vezes, mas nunca de cor política. Já tive mais fé na própria política do que tenho hoje. Sou de centro-direita, naquilo que todos temos de direita nos dias de hoje e sou mais humana que muita merda de "dita" esquerda. Sou revoltada porque olho para este país e revolto-me. Sou realista e vejo o que os outros também vêem. Não tenho fé no povo. Não tenho fé nos estudantes que têm muito medo e são uns merdas maiores do que eram há dez anos atrás quando acabei o meu primeiro curso superior. Não tenho fé nos diplomados como me chamaram há uns dias. Diplomada. Não tenho fé nos militares. No meio disto tudo tenho relativa fé nos malucos, nos loucos deste país, porque tenho fé de que não vamos lá com cravos, nem com manifestações, nem com revoluções de flor em punho. Só um louco nos pode salvar desta porcaria de democracia às três pancadas, em que tanta gente ainda passa fome em Portugal, em que tanta gente não sabe ainda ler ou escrever, em que tantos milhões gosta de novelas e futebol ao fim do dia, em que há tantos sem-abrigo a morrer de frio nas ruas de Lisboa, em que a podridão da miséria humana é do Terceiro Mundo, em que a corrupção política não é sequer beliscada ou posta em causa, em que nos deitam areia para os olhos todos os dias, em que temos políticos que mentem e roubam todos os dias, que manipulam toda a gente, sondagens e opiniões todos todos os dias.

Nada mudou desde o 25 de Abril de 1974, em que alguns capitães loucos se fizeram à estrada e outros colheram os lucros de tal ousadia. Este ano nem quero ligar a tv ou comprar o jornal. Não para ver a cara de um Primeiro-Ministro de cravo em punho, de um ditador que ignora greves e manifestações todos os dias, que nada faz para melhorar a vida dos portugueses, que é um autista proibidor, inquisidor, um mentiroso que nem Engenheiro é.

Fosse França ou Inglaterra ou outro país evoluído da união Europeia já estava na rua. Mas é Portugal. É 25 de Baril. É "porreiro pá!"

Entretanto, espero um dia destes dar voz à minha revolta. E espero pelos loucos que um dia salvem a pátria.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cão e gato


Este post tinha de ser escrito, mais cedo ou mais tarde, e hoje parece-me um bom dia, aliás noite, para o fazer. E porquê? Por diversas razões:



- por estar sozinha em casa neste momento;

- pelo facto de ter tido uma ENORME discussão com aquele que se diz "ah e tal, eu amo-te muito", tipo "cara-metade" ou "metade da laranja" (devia ser espanhola e eu sou a parte podre);

- pela soma das duas razões anteriores, somando ao facto do gajo ser o fã número zero de tudo o que é felino aqui do bairro e arredores;

- porque escrevi há pouco tempo sobre cães e por me ter afirmado como "dog person";

- porque me apetece e sabe sempre bem dizer "porque me apetece".



Não gosto de gatos. Não gosto do seu ar arrogante, frio e distante. Não gosto da falsidade implícita dos gatos meio loucos que se atiram com as unhacas e não medem o perigo das suas acções. Não gosto daquele egoísmo pedante. Não gosto da suposta independência. Não gosto da ausência de entrega. Não gosto da elegância e sobretudo, mas mesmo acima de tudo, não gosto do cheiro dos gatos. Não gosto dos pêlos que os gatos deixam pela casa. Não gosto de partilhar espaços com gatos.





Gosto de cães. Gosto de tudo nos cães. Gosto mais de cães (oh muito mais!!!) do que de gatos. Os cães têm sentidos apurados, esperteza e "respondem-nos", falam connosco. Eu não sei falar para um gato, ou com um gato. A mais das vezes que falei com gatos, eles responderam-me com olhares à Garfield, olhos vazios de afecto.





Um gato responde à nossa voz e vem ter connosco quando o chamamos, apenas quando lhe apetece, o que resulta ser quase nunca. Isto está conotado como "independência". Um gato que não vem até nós quando o chamamos é porque tem vontade própria, é independente. Uma mula faz o mesmo e é burra. Uma girafa faz o mesmo e é estúpida. Mas o gato é independente. À semelhança das criancinhas mimadas (raio que as parta), que também têm vontade própria quando não querem comer o prato de sopa que têm pela frente, e que têm "personalidade e carácter forte". Ya, com os gatos passa-se o mesmo. Generalizou-se que os gatos são inteligentes e ponto. Independentes.





Enfim, era só mesmo isto: não gosto de gatos.








segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marley & Me







A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?













Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.

O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.

Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.

É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.

Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.


Mais não digo.

O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.


sexta-feira, 17 de abril de 2009




O problema de se crescer não é deixar algumas coisas para trás, crenças, opiniões, juventude, inocência, vigor, saúde ou impaciência própria da tenra idade. O problema de se crescer não está no peso, nos vícios que se ganham e que se perdem, de ver o mundo com outros olhos, no ganhar rugas, responsabilidades e problemas. O problema de se crescer não é a soma de demónios (muitos desaparecem com o acumular de experiências, e alguns até desaparecem com a memória do tempo).



Isso são tudo tretas pseudo-filosóficas para quem tem tempo para se preocupar com elas.



O problema de se crescer, seja aos oito ou aos oitenta, é estar-se mais perto da morte. Apenas isso, seguir a ordem natural das coisas. O tempo que escasseia até se fazer tudo o que nos faz dizer no leito de morte que se "teve uma boa vida" e estar-se grato pelo que se construiu.


Entretanto vou ali brincar com a minha Barbie Elegance (nova!) e já volto. ahahahahahaha.



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quinta-feira, 16 de abril de 2009






entre o que muda e o que não muda na vida de uma pessoa. lembro-me de um desafio qualquer, ou de qualquer coisa que incluía pormenores do que nos muda e refaz, a cada dia que passa.

em vésperas de cumprir mais um ano de vida e fechar outro ciclo, entre quase três anos o que mudou e o que ficou na mesma. o nove de agora escreve-se assim. o seis de há quase três anos atrás foi o que pode ver abaixo, mais coisa menos coisa.





gosto de mim aos 30. não gosto da recordação de não gostar de mim aos 20. não gosto de me ver ao espelho do elevador. gosto de me ver nas montras das lojas. não gosto de lojas. não gosto de compras. gosto de datas especiais. gosto de aniversários. não gosto de fretes. não gosto de obrigações. gosto de fazer surpresas. não gosto que me façam algumas surpresas. gosto de cães. não gosto de gatos. gosto de gaivotas. não gosto de gaiolas. não gosto de aquários. gosto de peixes. gosto de lagoas. gosto do mar. gosto de água. gosto de fogueiras. gosto de lareiras. gosto do Natal. não gosto da Páscoa. gosto da Académica. não gosto do FCP. gosto da cidade do Porto. não gosto das pessoas da cidade do Porto. gosto de Lisboa. gosto do Alentejo. gosto dos sulistas. gosto do desprendimento. gosto da saudade. não gosto de saudosismos. gosto de ler. gosto de pintar. gosto daquilo que faço. não gosto dos meus colegas de trabalho. gosto de alguns colegas de trabalho. gosto de trabalhar em equipa. gosto de ser competitiva. gosto de ser a melhor. não gosto de ser chata. não gosto de me chatear. não gosto de gente picuinhas. gosto de pormenores. não gosto de fazer tempo. não gosto de esperar. não gosto de fazer esperar. gosto de ser pontual. gosto de fazer aquilo que faço. gosto de ideais. não gosto do que o dinheiro faz às pessoas. gosto de galões muito escuros. gosto de pastéis de belém. gosto de vinho tinto. gosto de vinho verde. gosto da lei do tabaco. gosto de já não fumar. não gosto do primeiro-ministro. não gosto do presidente da república. gosto de democracia. gosto de História. gosto de ficar em casa. gosto de ir ao cinema. gosto de ir ao teatro. gosto de concertos. não gosto de saídas que já não me dizem nada. não gosto de pessoas que "armam ao pingarelho". não gosto de hipocrisia. gosto que me digam as coisas na cara. gosto de reinícios. gosto de segundas oportunidades. gosto de ter objectivos. não gosto de fazer planos. gosto do meu cabelo. gosto do vento no rosto. gosto de ir à praia. não gosto de campo. gosto de rosas. gosto de orquídeas. não gosto de cravos. não gosto de cobardia. gosto de coragem. gosto de apanhar sol. gosto de caminhar. não gosto de correr. gosto do dia dos namorados. não gosto do dia da mulher. gosto de ter esperança. não gosto da miséria e da pobreza e da fome e de todas as desgraças do mundo. gosto de crianças. gosto de velhos. gosto de adolescentes. gosto de cristo. não gosto da Igreja católica. não gosto de gente beata. gosto de azul. gosto de vermelho. gosto de preto. gosto de branco. não gosto de amarelo. gosto de promessas. não gosto de pessoas que fazem promessas e não as cumprem. gosto de café. gosto de chá. gosto de água. gosto de dançar. gosto de perfumes. gosto de cheiros. gosto de fins-de-semana. gosto de canela. gosto de viajar. não gosto de chorar. não gosto de sofrer. gosto de rir. gosto de rir sozinha. gosto de arte. não gosto de ciências exactas. gosto de estudar. gosto de fotografia. gosto de escrever. gosto de música. não gosto da ideia de perder o concerto do cohen. gosto que algumas coisas cheguem ao fim. gosto de começar tudo de novo. gosto de manhãs. gosto da noite. gosto de estar sozinha. gosto de estar com amigos. gosto de silêncio. gosto da ideia de envelhecer. não gosto de doenças. não gosto da morte. não gosto de funerais. gosto de casamentos. gosto de queijo. gosto de abraços. gosto da sensação da areia da praia fina e fria debaixo dos pés. não gosto da sensação de relva debaixo dos pés. não gosto de alturas. gosto de andar de avião. gosto de andar de comboio. não gosto de adrenalina. gosto do Verão. gosto da mudança. gosto de morangos. não gosto de pêras maduras. gosto de perceber o que se passa à minha volta. gosto de árvores. gosto de pratos vegetarianos. gosto de peixe e marisco. gosto do número sete. gosto de conduzir. não gosto de motas. gosto da antecipação. gosto de pontes. gosto de alcançar algo pelo qual lutei. gosto de chegar onde quero chegar.


gosto do amanhã.





















Gosto de cores. Gosto de preto. Gosto de me vestir de preto. Gosto de me vestir de branco. Gosto de vestidos. Gosto da Primavera. Não gosto de frio. Gosto de rir. Gosto de chorar. Não gosto de sofrer. Gosto de madrugadas. Gosto de manhãs. Gosto da noite . Gosto de me sentir bonita. Gosto de elogios. Não gosto de bajulação. Gosto de personalidades muito fortes. Não gosto de mentiras. Gosto de frontalidade. Não gosto de sorrisos amarelos. Não gosto de caras amuadas. Gosto que me apontem os defeitos. Não gosto de críticas destrutivas. Gosto de conversar. Gosto de política. Não gosto de religião. Gosto de futebol. Gosto de ténis. Gosto de fazer desporto. Não gosto da enorme preguiça que tenho. Gosto de fumar. Gosto da ideia de deixar de fumar. Gosto de rosas vermelhas. Não gosto de cravos. Não gosto de doenças. Gosto de saber ultrapassar as doenças. Gosto de conforto. Gosto de lareiras. Não gosto de ar condicionado. Gosto de pintar. Não gosto de limpar os pincéis. Gosto do cheiro a pão quente. Gosto do cheiro de livros velhos e bibliotecas. Não gosto de centros comerciais. Gosto de segundas e sexta-feiras. Não gosto de domingos. Gosto de inícios. Gosto de ciclos. Não gosto de rupturas. Gosto do cheiro do mar em manhãs de Maio. Gosto do cheiro das laranjeiras em Março. Não gosto de poluição. Gosto de bicicletas. Não gosto de motas. Gosto de velocidade. Gosto do meu carro. Gosto do primeiro mergulho em Abril. Gosto do meu mês. Não gosto do mês de Agosto. Gosto de música. Não gosto de barulho. Gosto de silêncio. Gosto de paz. Gosto de adrenalina. Não gosto que falem comigo de manhã. Gosto de acordar com a voz da pessoa que amo ao meu lado. Gosto de beijos. Gosto de sexo. Gosto de abraços. Não gosto de dependências. Gosto de marisco. Não gosto de fígado. Gosto de vinho tinto. Não gosto de vinho branco. Gosto de cerveja preta. Gosto do Natal. Não gosto do Carnaval. Gosto de dançar. Gosto de me divertir. Gosto de sentir saudades de alguém de quem gosto . Não gosto de estar longe de quem gosto. Gosto de frutos vermelhos. Não gosto de meloa. Gosto de melão. Gosto da Briosa. Gosto de ganhar. Não gosto de perder. Gosto de desafios. Não gosto de pressões. Gosto do campo. Gosto de neve. Gosto de tomar longos banhos. Não gosto de dormir de tarde. Gosto de ler. Não gosto de relógios. Gosto de ser pontual. Não gosto de esperar. Gosto do escuro. Gosto de escrever. Não gosto de usar óculos. Gosto de cozinhar para muita gente. Não gosto de cozinhar só para mim. Gosto de cozinhar apenas para dois. Gosto de cinema. Não gosto de televisão. Gosto de receber cartas e mails. Não gosto que não me respondam a cartas e mails. Gosto de uma boa discussão. Não gosto de pessoas que não sabem explicar as suas razões. Gosto de opiniões. Não gosto de quem não sabe aceitar uma opinião. Gosto do meu cabelo. Gosto dos meus olhos. Não gosto do meu nariz. Gosto de caminhar. Não gosto de correr. Gosto de gaivotas. Não gosto de abutres. Gosto de leões. Não gosto de répteis. Gosto de cães. Não gosto de gatos. Gosto de cavalos. Gosto de observar as estrelas no céu. Gosto de pedir desejos às estrelas cadentes. Gosto de crianças. Não gosto de birras. Gosto de ensinar. Não gosto de gritos. Gosto de conduzir enquanto oiço música. Não gosto de trânsito. Gosto das estradas no Alentejo, da EN 125, da Marginal Cascais-Lisboa, de conduzir em grandes cidades à noite. Não gosto de conduzir no Porto. Gosto da cidade do Porto. Gosto de pontes. Não gosto de parques infantis pequenos. Gosto muito de viajar. Gosto de andar de avião. Não gosto de enjoar em alto mar. Gosto de barcos. Não gosto de ter vertigens. Gosto de sonhar. Não gosto de ter maus pressentimentos. Gosto de surpreender. Gosto que me surpreendam. Gosto de chocolate. Não gosto de rebuçados, pastilhas e pipocas. Gosto de açúcar amarelo. Gosto de chá. Gosto de café. Gosto de especiarias e picantes. Não gosto de fast food. Gosto de peixe grelhado. Gosto de novidades. Gosto de jornais. Gosto de todas as formas de Arte. Não gosto de ler críticas de Arte. Gosto de ser como sou. Não gosto de me irritar com facilidade. Gosto dos meus amigos. Não gosto de agradar a gregos e troianos. Gosto que me contrariem. Não gosto de agressividade gratuita. Gosto de brincar. Gosto de pessoas. Gosto de me sentir a apaixonar por alguém. Gosto de paz. Não gosto de guerras. Gosto do meu país. Não gosto de extremismos. Gosto do cheiro de pinheiros mansos. Não gosto de planear demasiado as coisas. Gosto de aprender. Gosto de ser do contra. Gosto de provocar. Gosto que me provoquem.







quarta-feira, 15 de abril de 2009

Slumdog Millionaire

Aviso: isto não é bem um post a falar deste filme.
Confesso que tinha uma grande expectativa relativamente a este filme. O que é que Danny Boyle teria feito desta vez para levar os senhores da Academia de Hollywood a atribuir-lhe um óscar? Não o ganhou com Trainspotting, quando na minha modesta opinião, o podia ter feito, uma vez que continuo a considerá-lo o seu melhor filme.
Confesso que apesar de ter gostado relativamente do filme, considero-o um filme menor de Danny Boyle. Comparativamente aos outros nomeados para este ano, The Curious Case of Benjamin Button "abriu-me mais a pestana". Não se trata de discutir qual o melhor ou pior pois são filmes diferentes. Em certa medida, e na minha óptica, o Button foi melhor e mais feliz no seu propósito. Apenas sei o que me tocou mais, o que me emocionou mais, o que me fez vibrar mais. A história de encantar de Button conquistou-me, num tempo em que preciso de histórias de encantar, como aquelas que já não se fazem no cinema do séc.XXI.
Após tantas considerações e confissões (sem ter falado no filme em si), reconheço que gostei medianamente do filme; tal como em contraposição às histórias de encantar, também gosto das histórias do mundo real. Sempre tive um fascínio enorme pela Índia, e apesar de ter sentido um amargo de boca, esse fascínio não foi beliscado. Sabia de antemão para o que ía. São estas histórias que fazem o cinema contemporâneo e isto leva-me a um outro filme que, na mesma base que este Slumdog Millionaire, fala-nos da tragédia e da miséria humana de um povo. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, é um filme merecedor de todos os prémios quantos pudessem haver, e nem por isso os ganhou.
Há filmes como Slumdog Millionaire, que nos fazem rir e emocionam-nos pelo lado bonito e justo de tudo estar bem quando acaba bem, fruto de um destino que escreve-nos a vida certa nas linhas mais tortas e depois há filmes como Cidade de Deus, que são filmes que nos ficam gravados pela real beleza que não se basta a um destino feliz, a um ganhar a lotaria, a uma vida forçada e finais de dança à desenho animado indiano. A história, a dada altura, tal como num mau livro, faz-nos antever o desfecho, em artes de previsibilidade sonolenta. "Vá, ganha lá o prémio e fica lá com a gaja para irmos para casa" pensa-se a dada altura. E nem sequer existe um mínimo pormenor que nos faça pestanejar. No entanto, é um filme engraçado.
Cidade de Deus é um filme maior, que nos dá a vida como ela realmente é, que nos faz verter lágrimas e soltar gargalhadas genuínas, não nos conta a história de anos do menino coitadinho e ignorante que fica com o dinheiro e a miúda gira no final em segundos. É uma história de luta, algo que se nos remexe as entranhas, digna de ser lembrada, pois essa sim, é a história sobre um ideal que não mistura destino e desgraça, sofrimento e dança, como se tudo aquilo afinal não tivesse passado de uma manobra triste de entretenimento.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas




Sempre fui da opinião que se deve dizer às pessoas o que pensamos delas. Melhor, se gostamos delas, se as estimamos, se achamos que temos um papel importante nas suas vidas. Fazer juízos de valor e fundamentá-los, tendo por base um conhecimento real das suas acções e da sua personalidade. Criticar as pessoas é uma forma de as levar ao seu melhor, sempre pensei. Acima de tudo, dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quão importantes são na nossa vida, que as amamos, que fazem de nós melhores seres humanos, etc etc etc. De igual modo, não temer de vez em quando ter de mandar à merda essas pessoas. Assim, sem mais nem menos, quando elas merecem. Acima de tudo, aceitar o mesmo comportamento quando se nos é dirigido.


Sempre fui desta opinião. Depois, veio a vida e ensinou-me que isto não está errado, está até muito bem, mas não é válido para todos. Porque senão vejamos: nem toda a gente gosta de ser criticado e alvo de juízos de valor; nem toda a gente acha que terei (ou outra pessoa qualquer) o direito de criticar seja lá o que for; as pessoas não atribuem a mesma importância que eu lhes dou a elas, independentemente de estarem no top ten da minha preferência. Isto é o que a vida me tem ensinado. A percepção que temos dos outros é algo de inacabado quando esses outros não nos dão a verdade daquilo que são. Desculpabilizar-se aquilo que consideramos errado à luz de um afecto que só existe na nossa cabeça, ou de olhos de carneiro mal morto, é a maior estupidez que se pode cometer em detrimento de nós próprios, e de outros que estimamos, admiramos e valorizamos. Até porque depois o que levamos é um grande chuto no cu à menor contrariedade (leia-se crítica). Adiante.


As camadas de verniz caem sempre, por mais que essas pessoas jurem a pés juntos que gostam de nós, que nos admiram, etc etc etc. Portanto, nem sempre aquilo que parece, é.

Li este post e concordo inteiramente, naquilo que me é dado aceitar interiormente, como pessoa que sou e sabendo aquilo que sou, afirmando aquilo que sei sentir por quem me rodeia. Às vezes também me engano e reconheço que me enganei. Os afectos podem passar por gostar mais de mousse de chocolate do que de baba de camelo, e aquilo que eu pensava que era um afecto incondicional com duas faces, deixa de o ser quando me apercebo que mais do que está em causa, é por vezes, aquilo que fica em jogo quando o outro se sente atacado pois não entende o que foi dito. A grande maioria das pessoas tem uma baixíssima auto-estima, e não quer aceitar uma crítica ao mesmo tempo que grita a plenos pulmões que quer sinceridade e transparência. A amizade para estas pessoas clama por aprovação, nem que andem a comer merda às colheres.

O ser humano é o maior cão do diabo se o pretender ser. Não existem pessoas completamente boas nem completamente más. Existem as chamadas zonas cinzentas por onde juízos de valor e afectos andam de mãos dadas e cruzam-se em escadas rolantes. Por vezes, apenas se cruzam e seguem caminhos opostos.


Exemplos disto temos todos nós nas nossas vidas, todos os dias: os colegas de trabalho que cravam facas nas costas enquanto se riem para toda a gente, amigos que deixam de se relacionar porque não gostam da cara-metade do amigo, amigos que não aceitam críticas, amigos que têm blábláblá mas que na pior hora não nos atendem sequer o telefone, etc etc etc. E a dada altura das suas vidas, acredito piamente que se juraram amizade eterna, ou que disseram que adoravam mesmo trabalhar com aquela pessoa. Eu sei, já me aconteceu a mim, um pouco de todas estas situações. O melhor é seguir caminho, com algum amargo de boca, num sorriso algo forçado. Para além de tudo isto, as pessoas crescem, as pessoas mudam todos os dias, e acompanhar esse crescimento é muitas vezes difícil. Se as pessoas não mudam, as suas vidas com certeza que sim. Talvez por isso, amigos de infância deixam de sê-lo.


Não é fundamental dizer-se a alguém, a um amigo, que o "amamos".


A autenticidade não reside nas palavras, escritas ou ditas, mas sim no valor que sabemos que essa pessoa tem para nós e nós, para essa pessoa. O resto é um big big bullshit. Vivemos dias em que toda a gente quer cultivar a palavra amo-te e adoro-te e acaba por não ser nada daquilo.

O amor anda subvalorizado nos dias que correm, mas as palavras andam na boca de toda a gente. Tenho uma grande amiga que lhe chama leviandade, o "adoro-te" a toda a hora. Tenho uma outra que admite que não é pessoa que goste de ter grandes demonstrações de afecto. Eu gosto de demonstrações físicas de afecto, abraços e tal, mas só os dou a quem os quer receber, e só àqueles de quem realmente gosto. Não sou de dizer "amo-te" e "adoro-te". Se algum dia o disse a alguém, é porque o senti realmente, sabendo que não existem estradas sem retorno. Como disse antes, também eu me engano.


As pessoas, em geral todas, sabem sentir quando são importantes para alguém, ainda que a outra pessoa não o tenha dito, tal como sabem distinguir quando não o são, muito embora a outra pessoa afirme a pés juntos que é uma "grande amiga de x".


Por isso, não é grande pecado amar-se alguém, gostar incondicionalmente de uma pessoa sem nunca lho ter dito. Não existe urgência na demonstração verbal dos afectos. Não quando as pessoas se conhecem verdadeiramente, não quando sabem os demónios interiores que ocupam determinados espaços na vida de cada um.




p.s.: dedico este post aos amigos a quem nunca disse que os amo. ehehehehe. eles sabem quem são.



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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