::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


terça-feira, 5 de maio de 2009

Estranha Forma de "BlogoViver"

"Uma sociedade inteira vive mergulhada num mundo de facilidades e aparências, afogada em sms, mails, blogues e redes sociais, onde procura criar uma estranha forma de vida e de relacionamento humano, que garante o contacto e o sucesso imediato e dispensa o incómodo que é enfrentar a vida real, sem ser a coberto do anonimato ou do disfarce hipócrita, e sem ter de assumir as consequências dos seus actos nem o vazio de passar por aqui sem ter feito nada de útil para os outros."




Miguel Sousa Tavares, in Expresso








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domingo, 3 de maio de 2009

Reinvenções








Independentemente de gostar ou não dos The Gift (que não gosto), este projecto "Amália Hoje" suscita profunda desconfiança da minha parte, logo à partida, porque para mim, tal como para a grande maioria dos portugueses, Amália não é de ontem, hoje ou de amanhã. Amália é de Sempre.




Gosto do chamado "Fado Novo" e do "Novo Fado", em que surgem nomes como Deolinda ou Camané. Gosto do fado vadio de Lisboa e do fado cantado nas ruas de Coimbra. Gosto mais do fado cantado pela voz masculina do que feminina e, para mim, mulher que canta fado, o nosso fado, é a grande Amália. Gosto de fadistas como a Mariza, a Cristina Branco, gosto. Gosto imenso da Dulce Pontes e daquele álbum que fez com o Ennio. Gosto da sua versão do Povo Que Lavas no Rio. Gosto da vertente nova e da roupagem que dão ao fado sob uma vertente pop ou electrónica, não me choca nada a adaptação. Pode existir em tudo isto alma, pode em tudo isto haver autenticidade. O que se segue não é nenhuma contrariedade de alma com aquilo que é a reinvenção do fado. Gosto de reinvenções. Gosto de covers, quando eles de facto acrescentam algo de novo. Ao menos, quando são genuínos.




Do que eu não gosto é que me atirem areia para os olhos, e à sombra de um nome tão grande como o da Amália, façam discos deste género, que mais não servem do que promover as próprias bandas, neste caso declaradamente dos Gift. Falo pois, do novo álbum do Projecto Hoje, "Amália Hoje". Não gosto mesmo nada, para além de não gostar nada daquele som, daquela interpretação tão desprovida de alma, tão sem nada de novo, tudo tão forçado. Não acrescenta nada ao que já existia. Não reinventa nada, não traz uma nova pulsação, são apenas covers de temas cantados pela vocalista dos The Gift. Ouvir aquilo é como ouvir os The Gift: the same old. A questão não é se conseguiram reinventar o fado de Amália transformando-o em música pop, a questão é que os The Gift não se conseguem reinventar a eles próprios, nem com as letras que Amália cantava, nem com arranjos musicais à la Arcade Fire.






Não gosto de criticar tão acerrimamente um "projecto" (tudo em Portugal é projecto, ex-projecto, projecto do ex-projecto, futuro projecto a partir de um projecto passado), e gosto ainda menos de falar sobre música - porque gosto muito de música e de muitos géneros e muitas bandas - mas detesto sobranceria e a soberba de quem se insurge como iluminado ou acha que fez algo de muito diferente do que lhe é já tão habitual. Obviamente haverá quem goste. Eu não gostei.
É apenas mais do mesmo. É pena.



Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
A imagem da Amália foi "reinventada" por mim.
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sábado, 2 de maio de 2009

em dia de despir



"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."



in http://matria-minha.blogspot.com/














Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.


Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.


Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não resisto a um teste/quiz/whatever





Vi isto num Blog aqui ao lado e não resisti...


1)- Nome:a de ana.
2)- Porque lhe deram esse nome? era para ser pedro...
3)- Você faz pedidos às estrelas? sempre.
4)- Quando foi a última vez que chorou? ai o marley, o marley...
5)- Gosta da sua letra? gosto.
6)- Gosta de pão com o quê? com coxinhas. ahahahahaha...
7)- Quantos filhos tem? aí uns 160... e 30 deles são muito complicados.
8)- Se fosse outra pessoa seria seu amigo? depende dessa outra pessoa. não depende de mim. há uma coisa chamada livre-arbítrio...
9)- Saltaria de bungee-jump? nem de trampolins gosto.
10)- Desamarra os sapatos antes de tirá-los? por acaso não desamarro (os atacadores, claro)
11)- Acreditas que és uma pessoa forte? eu não acredito. eu sou.
12)- Gelado favorito? tenho saudades do gelado de noz do lidl.
13)- Vermelho ou preto? vermelho.
14)- O que menos gostas em ti? o rabo.
15)- O que mais gostas em ti? a acutilância.
16)- De quem sentes saudades? dos que estão sempre longe. dos que já morreram. dos que lá ficaram. e do gelado de noz do lidl.
17)- Descreva que roupa e calçado está a usar agora: camisola preta justa, calças largas de bolsos laterais verde tropa tudo a combinar com as pantufas vermelhas fantásticas do Félix, the Cat.
18)- Qual foi a última coisa que comeu hoje? sopa de grão com espinafres; peixe espada frito com arroz de cenoura e malagueta picante; pêra rocha muito verde.
19)- O que está a ouvir agora? o Portugalex AHAHAHAHAH!
20)- A última pessoa com quem falou ao telefone? Foi com a sra do PBX da instituição de ensino onde tirei o curso que anda "à minha procura" há dias...
21)- Bebida favorita? Depende. água, água das pedras, sumo de laranja natural, vinho tinto, café, chá, galão muito muito muito escuro.
22)- Comida? marisco. muito marisco.
23)- Último filme que viu no cinema e com quem? My Best Friend's Girl com o meu marido companheiro camarada palhaço...
24)- Dia favorito do ano? o primeiro dia de férias de Verão. sempre foi e sempre há-de ser!
25)- Inverno ou Verão? Primavera.
26)- Beijos ou abraços? beijos.
27)- Qual a tua sobremesa favorita? mousse de chocolate (com nozes).
28)- Que livro está a ler? comecei ontem o último do josé rodrigues dos santos.
29)- O que tem na parede do seu quarto? duas fotografias tamanho família: uma minha e outra do marido companheiro camarada palhaço... lindas...
30)- Filmes favoritos? muitos. the eternal sunshine of the spotless mind. cinema paradiso. clockwork orange. the shinning. etc etc etc lista interminável.
31)- Onde foi o lugar mais longe que já foi? até ao fundo da minha alma. lol.
32)- Uma música? se tivesse de escolher apenas uma única música seria concerteza de leonard cohen.
33)- Uma frase? Poetry is the evidence of life. If your life is burning well, poetry is just the ash. L.C.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Procuram-se Loucos





Sou uma pessoa revoltada e isto não vai passar com a idade.
Há quem confunda esta minha revolta com insatisfação, e eu não a vejo nem sinto nem muito menos a deixo de pensar com mais fervor, à medida que me refastelo na vidinha e "cresço" e me torno uma pessoa satisfeita. Cresço como todos os que nasceram na década de 70, no pós ou durante 25 de Abril e são portugueses. Isto de se ser revoltado nada tem a ver com insatisfação ou infelicidade. Sou relativamente satisfeita e grata pela vida que tenho (a vidinha) e sou uma pessoa feliz. Sou lírica no que tenho de ser lírica e sou bastante pragmática no que sempre fui. Já mudei de opinião muitas vezes, mas nunca de cor política. Já tive mais fé na própria política do que tenho hoje. Sou de centro-direita, naquilo que todos temos de direita nos dias de hoje e sou mais humana que muita merda de "dita" esquerda. Sou revoltada porque olho para este país e revolto-me. Sou realista e vejo o que os outros também vêem. Não tenho fé no povo. Não tenho fé nos estudantes que têm muito medo e são uns merdas maiores do que eram há dez anos atrás quando acabei o meu primeiro curso superior. Não tenho fé nos diplomados como me chamaram há uns dias. Diplomada. Não tenho fé nos militares. No meio disto tudo tenho relativa fé nos malucos, nos loucos deste país, porque tenho fé de que não vamos lá com cravos, nem com manifestações, nem com revoluções de flor em punho. Só um louco nos pode salvar desta porcaria de democracia às três pancadas, em que tanta gente ainda passa fome em Portugal, em que tanta gente não sabe ainda ler ou escrever, em que tantos milhões gosta de novelas e futebol ao fim do dia, em que há tantos sem-abrigo a morrer de frio nas ruas de Lisboa, em que a podridão da miséria humana é do Terceiro Mundo, em que a corrupção política não é sequer beliscada ou posta em causa, em que nos deitam areia para os olhos todos os dias, em que temos políticos que mentem e roubam todos os dias, que manipulam toda a gente, sondagens e opiniões todos todos os dias.

Nada mudou desde o 25 de Abril de 1974, em que alguns capitães loucos se fizeram à estrada e outros colheram os lucros de tal ousadia. Este ano nem quero ligar a tv ou comprar o jornal. Não para ver a cara de um Primeiro-Ministro de cravo em punho, de um ditador que ignora greves e manifestações todos os dias, que nada faz para melhorar a vida dos portugueses, que é um autista proibidor, inquisidor, um mentiroso que nem Engenheiro é.

Fosse França ou Inglaterra ou outro país evoluído da união Europeia já estava na rua. Mas é Portugal. É 25 de Baril. É "porreiro pá!"

Entretanto, espero um dia destes dar voz à minha revolta. E espero pelos loucos que um dia salvem a pátria.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cão e gato


Este post tinha de ser escrito, mais cedo ou mais tarde, e hoje parece-me um bom dia, aliás noite, para o fazer. E porquê? Por diversas razões:



- por estar sozinha em casa neste momento;

- pelo facto de ter tido uma ENORME discussão com aquele que se diz "ah e tal, eu amo-te muito", tipo "cara-metade" ou "metade da laranja" (devia ser espanhola e eu sou a parte podre);

- pela soma das duas razões anteriores, somando ao facto do gajo ser o fã número zero de tudo o que é felino aqui do bairro e arredores;

- porque escrevi há pouco tempo sobre cães e por me ter afirmado como "dog person";

- porque me apetece e sabe sempre bem dizer "porque me apetece".



Não gosto de gatos. Não gosto do seu ar arrogante, frio e distante. Não gosto da falsidade implícita dos gatos meio loucos que se atiram com as unhacas e não medem o perigo das suas acções. Não gosto daquele egoísmo pedante. Não gosto da suposta independência. Não gosto da ausência de entrega. Não gosto da elegância e sobretudo, mas mesmo acima de tudo, não gosto do cheiro dos gatos. Não gosto dos pêlos que os gatos deixam pela casa. Não gosto de partilhar espaços com gatos.





Gosto de cães. Gosto de tudo nos cães. Gosto mais de cães (oh muito mais!!!) do que de gatos. Os cães têm sentidos apurados, esperteza e "respondem-nos", falam connosco. Eu não sei falar para um gato, ou com um gato. A mais das vezes que falei com gatos, eles responderam-me com olhares à Garfield, olhos vazios de afecto.





Um gato responde à nossa voz e vem ter connosco quando o chamamos, apenas quando lhe apetece, o que resulta ser quase nunca. Isto está conotado como "independência". Um gato que não vem até nós quando o chamamos é porque tem vontade própria, é independente. Uma mula faz o mesmo e é burra. Uma girafa faz o mesmo e é estúpida. Mas o gato é independente. À semelhança das criancinhas mimadas (raio que as parta), que também têm vontade própria quando não querem comer o prato de sopa que têm pela frente, e que têm "personalidade e carácter forte". Ya, com os gatos passa-se o mesmo. Generalizou-se que os gatos são inteligentes e ponto. Independentes.





Enfim, era só mesmo isto: não gosto de gatos.








segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marley & Me







A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?













Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.

O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.

Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.

É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.

Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.


Mais não digo.

O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.


sexta-feira, 17 de abril de 2009




O problema de se crescer não é deixar algumas coisas para trás, crenças, opiniões, juventude, inocência, vigor, saúde ou impaciência própria da tenra idade. O problema de se crescer não está no peso, nos vícios que se ganham e que se perdem, de ver o mundo com outros olhos, no ganhar rugas, responsabilidades e problemas. O problema de se crescer não é a soma de demónios (muitos desaparecem com o acumular de experiências, e alguns até desaparecem com a memória do tempo).



Isso são tudo tretas pseudo-filosóficas para quem tem tempo para se preocupar com elas.



O problema de se crescer, seja aos oito ou aos oitenta, é estar-se mais perto da morte. Apenas isso, seguir a ordem natural das coisas. O tempo que escasseia até se fazer tudo o que nos faz dizer no leito de morte que se "teve uma boa vida" e estar-se grato pelo que se construiu.


Entretanto vou ali brincar com a minha Barbie Elegance (nova!) e já volto. ahahahahahaha.



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quinta-feira, 16 de abril de 2009






entre o que muda e o que não muda na vida de uma pessoa. lembro-me de um desafio qualquer, ou de qualquer coisa que incluía pormenores do que nos muda e refaz, a cada dia que passa.

em vésperas de cumprir mais um ano de vida e fechar outro ciclo, entre quase três anos o que mudou e o que ficou na mesma. o nove de agora escreve-se assim. o seis de há quase três anos atrás foi o que pode ver abaixo, mais coisa menos coisa.





gosto de mim aos 30. não gosto da recordação de não gostar de mim aos 20. não gosto de me ver ao espelho do elevador. gosto de me ver nas montras das lojas. não gosto de lojas. não gosto de compras. gosto de datas especiais. gosto de aniversários. não gosto de fretes. não gosto de obrigações. gosto de fazer surpresas. não gosto que me façam algumas surpresas. gosto de cães. não gosto de gatos. gosto de gaivotas. não gosto de gaiolas. não gosto de aquários. gosto de peixes. gosto de lagoas. gosto do mar. gosto de água. gosto de fogueiras. gosto de lareiras. gosto do Natal. não gosto da Páscoa. gosto da Académica. não gosto do FCP. gosto da cidade do Porto. não gosto das pessoas da cidade do Porto. gosto de Lisboa. gosto do Alentejo. gosto dos sulistas. gosto do desprendimento. gosto da saudade. não gosto de saudosismos. gosto de ler. gosto de pintar. gosto daquilo que faço. não gosto dos meus colegas de trabalho. gosto de alguns colegas de trabalho. gosto de trabalhar em equipa. gosto de ser competitiva. gosto de ser a melhor. não gosto de ser chata. não gosto de me chatear. não gosto de gente picuinhas. gosto de pormenores. não gosto de fazer tempo. não gosto de esperar. não gosto de fazer esperar. gosto de ser pontual. gosto de fazer aquilo que faço. gosto de ideais. não gosto do que o dinheiro faz às pessoas. gosto de galões muito escuros. gosto de pastéis de belém. gosto de vinho tinto. gosto de vinho verde. gosto da lei do tabaco. gosto de já não fumar. não gosto do primeiro-ministro. não gosto do presidente da república. gosto de democracia. gosto de História. gosto de ficar em casa. gosto de ir ao cinema. gosto de ir ao teatro. gosto de concertos. não gosto de saídas que já não me dizem nada. não gosto de pessoas que "armam ao pingarelho". não gosto de hipocrisia. gosto que me digam as coisas na cara. gosto de reinícios. gosto de segundas oportunidades. gosto de ter objectivos. não gosto de fazer planos. gosto do meu cabelo. gosto do vento no rosto. gosto de ir à praia. não gosto de campo. gosto de rosas. gosto de orquídeas. não gosto de cravos. não gosto de cobardia. gosto de coragem. gosto de apanhar sol. gosto de caminhar. não gosto de correr. gosto do dia dos namorados. não gosto do dia da mulher. gosto de ter esperança. não gosto da miséria e da pobreza e da fome e de todas as desgraças do mundo. gosto de crianças. gosto de velhos. gosto de adolescentes. gosto de cristo. não gosto da Igreja católica. não gosto de gente beata. gosto de azul. gosto de vermelho. gosto de preto. gosto de branco. não gosto de amarelo. gosto de promessas. não gosto de pessoas que fazem promessas e não as cumprem. gosto de café. gosto de chá. gosto de água. gosto de dançar. gosto de perfumes. gosto de cheiros. gosto de fins-de-semana. gosto de canela. gosto de viajar. não gosto de chorar. não gosto de sofrer. gosto de rir. gosto de rir sozinha. gosto de arte. não gosto de ciências exactas. gosto de estudar. gosto de fotografia. gosto de escrever. gosto de música. não gosto da ideia de perder o concerto do cohen. gosto que algumas coisas cheguem ao fim. gosto de começar tudo de novo. gosto de manhãs. gosto da noite. gosto de estar sozinha. gosto de estar com amigos. gosto de silêncio. gosto da ideia de envelhecer. não gosto de doenças. não gosto da morte. não gosto de funerais. gosto de casamentos. gosto de queijo. gosto de abraços. gosto da sensação da areia da praia fina e fria debaixo dos pés. não gosto da sensação de relva debaixo dos pés. não gosto de alturas. gosto de andar de avião. gosto de andar de comboio. não gosto de adrenalina. gosto do Verão. gosto da mudança. gosto de morangos. não gosto de pêras maduras. gosto de perceber o que se passa à minha volta. gosto de árvores. gosto de pratos vegetarianos. gosto de peixe e marisco. gosto do número sete. gosto de conduzir. não gosto de motas. gosto da antecipação. gosto de pontes. gosto de alcançar algo pelo qual lutei. gosto de chegar onde quero chegar.


gosto do amanhã.





















Gosto de cores. Gosto de preto. Gosto de me vestir de preto. Gosto de me vestir de branco. Gosto de vestidos. Gosto da Primavera. Não gosto de frio. Gosto de rir. Gosto de chorar. Não gosto de sofrer. Gosto de madrugadas. Gosto de manhãs. Gosto da noite . Gosto de me sentir bonita. Gosto de elogios. Não gosto de bajulação. Gosto de personalidades muito fortes. Não gosto de mentiras. Gosto de frontalidade. Não gosto de sorrisos amarelos. Não gosto de caras amuadas. Gosto que me apontem os defeitos. Não gosto de críticas destrutivas. Gosto de conversar. Gosto de política. Não gosto de religião. Gosto de futebol. Gosto de ténis. Gosto de fazer desporto. Não gosto da enorme preguiça que tenho. Gosto de fumar. Gosto da ideia de deixar de fumar. Gosto de rosas vermelhas. Não gosto de cravos. Não gosto de doenças. Gosto de saber ultrapassar as doenças. Gosto de conforto. Gosto de lareiras. Não gosto de ar condicionado. Gosto de pintar. Não gosto de limpar os pincéis. Gosto do cheiro a pão quente. Gosto do cheiro de livros velhos e bibliotecas. Não gosto de centros comerciais. Gosto de segundas e sexta-feiras. Não gosto de domingos. Gosto de inícios. Gosto de ciclos. Não gosto de rupturas. Gosto do cheiro do mar em manhãs de Maio. Gosto do cheiro das laranjeiras em Março. Não gosto de poluição. Gosto de bicicletas. Não gosto de motas. Gosto de velocidade. Gosto do meu carro. Gosto do primeiro mergulho em Abril. Gosto do meu mês. Não gosto do mês de Agosto. Gosto de música. Não gosto de barulho. Gosto de silêncio. Gosto de paz. Gosto de adrenalina. Não gosto que falem comigo de manhã. Gosto de acordar com a voz da pessoa que amo ao meu lado. Gosto de beijos. Gosto de sexo. Gosto de abraços. Não gosto de dependências. Gosto de marisco. Não gosto de fígado. Gosto de vinho tinto. Não gosto de vinho branco. Gosto de cerveja preta. Gosto do Natal. Não gosto do Carnaval. Gosto de dançar. Gosto de me divertir. Gosto de sentir saudades de alguém de quem gosto . Não gosto de estar longe de quem gosto. Gosto de frutos vermelhos. Não gosto de meloa. Gosto de melão. Gosto da Briosa. Gosto de ganhar. Não gosto de perder. Gosto de desafios. Não gosto de pressões. Gosto do campo. Gosto de neve. Gosto de tomar longos banhos. Não gosto de dormir de tarde. Gosto de ler. Não gosto de relógios. Gosto de ser pontual. Não gosto de esperar. Gosto do escuro. Gosto de escrever. Não gosto de usar óculos. Gosto de cozinhar para muita gente. Não gosto de cozinhar só para mim. Gosto de cozinhar apenas para dois. Gosto de cinema. Não gosto de televisão. Gosto de receber cartas e mails. Não gosto que não me respondam a cartas e mails. Gosto de uma boa discussão. Não gosto de pessoas que não sabem explicar as suas razões. Gosto de opiniões. Não gosto de quem não sabe aceitar uma opinião. Gosto do meu cabelo. Gosto dos meus olhos. Não gosto do meu nariz. Gosto de caminhar. Não gosto de correr. Gosto de gaivotas. Não gosto de abutres. Gosto de leões. Não gosto de répteis. Gosto de cães. Não gosto de gatos. Gosto de cavalos. Gosto de observar as estrelas no céu. Gosto de pedir desejos às estrelas cadentes. Gosto de crianças. Não gosto de birras. Gosto de ensinar. Não gosto de gritos. Gosto de conduzir enquanto oiço música. Não gosto de trânsito. Gosto das estradas no Alentejo, da EN 125, da Marginal Cascais-Lisboa, de conduzir em grandes cidades à noite. Não gosto de conduzir no Porto. Gosto da cidade do Porto. Gosto de pontes. Não gosto de parques infantis pequenos. Gosto muito de viajar. Gosto de andar de avião. Não gosto de enjoar em alto mar. Gosto de barcos. Não gosto de ter vertigens. Gosto de sonhar. Não gosto de ter maus pressentimentos. Gosto de surpreender. Gosto que me surpreendam. Gosto de chocolate. Não gosto de rebuçados, pastilhas e pipocas. Gosto de açúcar amarelo. Gosto de chá. Gosto de café. Gosto de especiarias e picantes. Não gosto de fast food. Gosto de peixe grelhado. Gosto de novidades. Gosto de jornais. Gosto de todas as formas de Arte. Não gosto de ler críticas de Arte. Gosto de ser como sou. Não gosto de me irritar com facilidade. Gosto dos meus amigos. Não gosto de agradar a gregos e troianos. Gosto que me contrariem. Não gosto de agressividade gratuita. Gosto de brincar. Gosto de pessoas. Gosto de me sentir a apaixonar por alguém. Gosto de paz. Não gosto de guerras. Gosto do meu país. Não gosto de extremismos. Gosto do cheiro de pinheiros mansos. Não gosto de planear demasiado as coisas. Gosto de aprender. Gosto de ser do contra. Gosto de provocar. Gosto que me provoquem.







quarta-feira, 15 de abril de 2009

Slumdog Millionaire

Aviso: isto não é bem um post a falar deste filme.
Confesso que tinha uma grande expectativa relativamente a este filme. O que é que Danny Boyle teria feito desta vez para levar os senhores da Academia de Hollywood a atribuir-lhe um óscar? Não o ganhou com Trainspotting, quando na minha modesta opinião, o podia ter feito, uma vez que continuo a considerá-lo o seu melhor filme.
Confesso que apesar de ter gostado relativamente do filme, considero-o um filme menor de Danny Boyle. Comparativamente aos outros nomeados para este ano, The Curious Case of Benjamin Button "abriu-me mais a pestana". Não se trata de discutir qual o melhor ou pior pois são filmes diferentes. Em certa medida, e na minha óptica, o Button foi melhor e mais feliz no seu propósito. Apenas sei o que me tocou mais, o que me emocionou mais, o que me fez vibrar mais. A história de encantar de Button conquistou-me, num tempo em que preciso de histórias de encantar, como aquelas que já não se fazem no cinema do séc.XXI.
Após tantas considerações e confissões (sem ter falado no filme em si), reconheço que gostei medianamente do filme; tal como em contraposição às histórias de encantar, também gosto das histórias do mundo real. Sempre tive um fascínio enorme pela Índia, e apesar de ter sentido um amargo de boca, esse fascínio não foi beliscado. Sabia de antemão para o que ía. São estas histórias que fazem o cinema contemporâneo e isto leva-me a um outro filme que, na mesma base que este Slumdog Millionaire, fala-nos da tragédia e da miséria humana de um povo. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, é um filme merecedor de todos os prémios quantos pudessem haver, e nem por isso os ganhou.
Há filmes como Slumdog Millionaire, que nos fazem rir e emocionam-nos pelo lado bonito e justo de tudo estar bem quando acaba bem, fruto de um destino que escreve-nos a vida certa nas linhas mais tortas e depois há filmes como Cidade de Deus, que são filmes que nos ficam gravados pela real beleza que não se basta a um destino feliz, a um ganhar a lotaria, a uma vida forçada e finais de dança à desenho animado indiano. A história, a dada altura, tal como num mau livro, faz-nos antever o desfecho, em artes de previsibilidade sonolenta. "Vá, ganha lá o prémio e fica lá com a gaja para irmos para casa" pensa-se a dada altura. E nem sequer existe um mínimo pormenor que nos faça pestanejar. No entanto, é um filme engraçado.
Cidade de Deus é um filme maior, que nos dá a vida como ela realmente é, que nos faz verter lágrimas e soltar gargalhadas genuínas, não nos conta a história de anos do menino coitadinho e ignorante que fica com o dinheiro e a miúda gira no final em segundos. É uma história de luta, algo que se nos remexe as entranhas, digna de ser lembrada, pois essa sim, é a história sobre um ideal que não mistura destino e desgraça, sofrimento e dança, como se tudo aquilo afinal não tivesse passado de uma manobra triste de entretenimento.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas




Sempre fui da opinião que se deve dizer às pessoas o que pensamos delas. Melhor, se gostamos delas, se as estimamos, se achamos que temos um papel importante nas suas vidas. Fazer juízos de valor e fundamentá-los, tendo por base um conhecimento real das suas acções e da sua personalidade. Criticar as pessoas é uma forma de as levar ao seu melhor, sempre pensei. Acima de tudo, dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quão importantes são na nossa vida, que as amamos, que fazem de nós melhores seres humanos, etc etc etc. De igual modo, não temer de vez em quando ter de mandar à merda essas pessoas. Assim, sem mais nem menos, quando elas merecem. Acima de tudo, aceitar o mesmo comportamento quando se nos é dirigido.


Sempre fui desta opinião. Depois, veio a vida e ensinou-me que isto não está errado, está até muito bem, mas não é válido para todos. Porque senão vejamos: nem toda a gente gosta de ser criticado e alvo de juízos de valor; nem toda a gente acha que terei (ou outra pessoa qualquer) o direito de criticar seja lá o que for; as pessoas não atribuem a mesma importância que eu lhes dou a elas, independentemente de estarem no top ten da minha preferência. Isto é o que a vida me tem ensinado. A percepção que temos dos outros é algo de inacabado quando esses outros não nos dão a verdade daquilo que são. Desculpabilizar-se aquilo que consideramos errado à luz de um afecto que só existe na nossa cabeça, ou de olhos de carneiro mal morto, é a maior estupidez que se pode cometer em detrimento de nós próprios, e de outros que estimamos, admiramos e valorizamos. Até porque depois o que levamos é um grande chuto no cu à menor contrariedade (leia-se crítica). Adiante.


As camadas de verniz caem sempre, por mais que essas pessoas jurem a pés juntos que gostam de nós, que nos admiram, etc etc etc. Portanto, nem sempre aquilo que parece, é.

Li este post e concordo inteiramente, naquilo que me é dado aceitar interiormente, como pessoa que sou e sabendo aquilo que sou, afirmando aquilo que sei sentir por quem me rodeia. Às vezes também me engano e reconheço que me enganei. Os afectos podem passar por gostar mais de mousse de chocolate do que de baba de camelo, e aquilo que eu pensava que era um afecto incondicional com duas faces, deixa de o ser quando me apercebo que mais do que está em causa, é por vezes, aquilo que fica em jogo quando o outro se sente atacado pois não entende o que foi dito. A grande maioria das pessoas tem uma baixíssima auto-estima, e não quer aceitar uma crítica ao mesmo tempo que grita a plenos pulmões que quer sinceridade e transparência. A amizade para estas pessoas clama por aprovação, nem que andem a comer merda às colheres.

O ser humano é o maior cão do diabo se o pretender ser. Não existem pessoas completamente boas nem completamente más. Existem as chamadas zonas cinzentas por onde juízos de valor e afectos andam de mãos dadas e cruzam-se em escadas rolantes. Por vezes, apenas se cruzam e seguem caminhos opostos.


Exemplos disto temos todos nós nas nossas vidas, todos os dias: os colegas de trabalho que cravam facas nas costas enquanto se riem para toda a gente, amigos que deixam de se relacionar porque não gostam da cara-metade do amigo, amigos que não aceitam críticas, amigos que têm blábláblá mas que na pior hora não nos atendem sequer o telefone, etc etc etc. E a dada altura das suas vidas, acredito piamente que se juraram amizade eterna, ou que disseram que adoravam mesmo trabalhar com aquela pessoa. Eu sei, já me aconteceu a mim, um pouco de todas estas situações. O melhor é seguir caminho, com algum amargo de boca, num sorriso algo forçado. Para além de tudo isto, as pessoas crescem, as pessoas mudam todos os dias, e acompanhar esse crescimento é muitas vezes difícil. Se as pessoas não mudam, as suas vidas com certeza que sim. Talvez por isso, amigos de infância deixam de sê-lo.


Não é fundamental dizer-se a alguém, a um amigo, que o "amamos".


A autenticidade não reside nas palavras, escritas ou ditas, mas sim no valor que sabemos que essa pessoa tem para nós e nós, para essa pessoa. O resto é um big big bullshit. Vivemos dias em que toda a gente quer cultivar a palavra amo-te e adoro-te e acaba por não ser nada daquilo.

O amor anda subvalorizado nos dias que correm, mas as palavras andam na boca de toda a gente. Tenho uma grande amiga que lhe chama leviandade, o "adoro-te" a toda a hora. Tenho uma outra que admite que não é pessoa que goste de ter grandes demonstrações de afecto. Eu gosto de demonstrações físicas de afecto, abraços e tal, mas só os dou a quem os quer receber, e só àqueles de quem realmente gosto. Não sou de dizer "amo-te" e "adoro-te". Se algum dia o disse a alguém, é porque o senti realmente, sabendo que não existem estradas sem retorno. Como disse antes, também eu me engano.


As pessoas, em geral todas, sabem sentir quando são importantes para alguém, ainda que a outra pessoa não o tenha dito, tal como sabem distinguir quando não o são, muito embora a outra pessoa afirme a pés juntos que é uma "grande amiga de x".


Por isso, não é grande pecado amar-se alguém, gostar incondicionalmente de uma pessoa sem nunca lho ter dito. Não existe urgência na demonstração verbal dos afectos. Não quando as pessoas se conhecem verdadeiramente, não quando sabem os demónios interiores que ocupam determinados espaços na vida de cada um.




p.s.: dedico este post aos amigos a quem nunca disse que os amo. ehehehehe. eles sabem quem são.



sábado, 28 de março de 2009




Regras Essenciais para uma Boa Amizade


Os homens assemelham-se às crianças, que adquirem maus costumes quando mimadas; por isso, não se deve ser muito condescendente e amável com ninguém. Do mesmo modo como, via de regra, não se perderá um amigo por lhe negar um empréstimo, mas muito facilmente por lhe conceder, também não se perderá nenhum amigo por conta de um tratamento orgulhoso e um pouco negligente, mas amiúde em virtude de excessiva amabilidade e solicitude, que fazem com que ele se torne insuportável, o que então produz a ruptura. Mas é sobretudo o pensamento de que precisamos das pessoas que lhes é absolutamente insuportável: petulância e presunção são as consequências inevitáveis.

Em algumas, tal pensamento origina-se em certo grau já pelo facto de nos relacionarmos ou conversarmos frequentemente com elas de uma maneira confidencial; de imediato, pensarão que nós também devemos ter paciência com eles e tentarão ampliar os limites da polidez. Eis porque tão poucos indivíduos se prestam a uma convivência íntima; desse modo, temos de evitar qualquer familiaridade com naturezas de nível inferior.

Contudo, se esse indivíduo imaginar que é mais necessário a nós do que nós a ele, terá como sensação imediata a impressão de que lhe roubamos algo. Tentará então vingar-se e reaver os seus pertences. O único modo de desenvolver a superioridade na convivência com os outros é não precisar deles de maneira alguma e fazê-los perceber isso. Consequentemente, é aconselhável fazer sentir de tempos em tempos a qualquer um, homem ou mulher, que podemos muito bem passar sem ele. Isso fortalece a amizade.

Para a maioria das pessoas, não é prejudicial se, de vez em quando, adicionarmos uma pitada de desdém na nossa atitude para com elas. Atribuirão tanto mais valor à nossa amizade: Chi non estima vien stimato [Quem não estima é estimado], diz um fino ditado italiano. Se, todavia, alguém nos é de facto muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães quase não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda.


Arthur Schopenhauer, in Aforismos para a Sabedoria de Vida




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Em Coimbra há um velho hábito de ostentar, nas pastas de estudante, oito fitas da cor do respectivo curso superior - não Sara, não vou falar dos anéis de curso (you wish!) - em que cada uma delas corresponde a: pais, irmãos, restante família, namorado/a, professores, colegas e, claro, amigos. Nessas fitas, os quartanistas (alunos do quarto ano do seu curso) deverão dá-las a todas essas pessoas das suas vidas, de forma a deixar umas palavras escritas nas fitas e devolvê-las à proveniência (pasta do estudante). As fitas são presas com uns colchetes e são a insígnia marcante antes da terça-feira do Cortejo da Queima das Fitas, altura em que os quartanistas deixam de usar a pasta para passar a usar a cartola e a bengala da cor do curso.

Tenho uma infinita pena de ter perdido a minha pasta e as respectivas oito fitas, nas quais constavam os vaticínios de familiares e amigos, os juízos, as honras, as palavras bonitas e algumas mais sérias e sentidas. Algumas piadas também, tal como as críticas à personalidade marcante do meu ser, com tudo o que isso tem de bom e de mau. A forma como marquei e o enorme orgulho de tantas assinaturas importantes daquelas pessoas tão maravilhosas que ainda hoje fazem parte da minha vida. Coimbra não me deu apenas um canudo, deu-me a oportunidade de conhecer mundos e pessoas fantásticas. Tive o privilégio de compartilhar espaços e tempo com essas almas, alegrias e tristezas, confidências e, acima de tudo, de me tornar uma pessoa melhor e mais completa. Sem as críticas, sem as observações, sem as chamadas de atenção, sem o olhar reprovador de tantos e bons amigos não me teria tornado quem tornei. Acima de tudo, sem a galhofa, sem os abraços, sem os beijos, sem os elogios, sem a aprovação, não seria a mulher que sou hoje.

O ego fortalecido não impede que demos mais marradas, não impede de nos sentirmos muitas vezes na merda, e não impede de fazermos asneira atrás de asneira, mas impede-nos de fazer o mal gratuitamente e impede-nos de achar que o que está acima transcrito seja, de alguma forma, verdade.

Não foi isso que os meus amigos me ensinaram, não é isso que ainda hoje me ensinam. Bons amigos não são cúmplices nas asneiras e porcarias que fazemos, são antes a voz da nossa consciência razoável, livre e que respeita a liberdade do outro.

Não existe esse conceito de "amizade excessiva".
Não no meu dicionário.


terça-feira, 24 de março de 2009

The Watchmen





Rorschach's Journal. November 12th, 1985: Dog carcass in alley this morning, tire tread on burst stomach. This city is afraid of me. I have seen its true face. The streets are extended gutters and the gutters are full of blood and when the drains finally scab over, all the vermin will drown. The accumulated filth of all their sex and murder will foam up about their waists and all the whores and politicians will look up and shout "Save us!"... and I'll whisper "no."











Um filme que considerei não ver devido a todas as circunstâncias e mais algumas, mas uma fã confessada da série Smallville, e depois de O Cavaleiro das Trevas, deixei o meu cepticismo completamente para trás no que concerne a filmes sobre super-heróis. Isto não são apenas filmes sobre super-heróis. Isto é ficção da melhor qualidade, passada sublimemente para o grande ecran. Ainda me sinto esmagada com o poder deste filme.

A banda sonora é irrepreensível e o genérico do filme fez-me pensar que só aquilo já valia o dinheiro do bilhete. A cena do assassinato do Comediante confirmou aquilo que viria a pensar no final de mais de duas horas e meia de filme: que cada segundo e cada minuto seriam saboreados como algo de precioso, digno de ser visto outra e outra vez. Em suma, soube a pouco como só as grandes obras são capazes de fazer sentir este mal estar com um relógio demasiado apressado.

Apenas e não somente isso: poderoso.

Aqui uma das melhores críticas sobre o filme. Aqui, o trailer.
















segunda-feira, 23 de março de 2009

Best Comedy EVER!






... e mais digo: o trailer não faz minimamente jus ao filme.



Brutal. Só mesmo visto, porque contado... quando pensamos que nada daquilo pode acontecer, acontece mesmo. Crescer é por vezes muito, mas muito aborrecido, e este filme lembra-nos isso mesmo.




domingo, 22 de março de 2009

A Primavera começou assim...

W.A. Mozart - Sonata em Si bemol Maior for violin and piano (Gerardo e Larsen)
Moskowsky, M. – Suite para dois violinos e piano (Gerardo e Rodolfo)
Vivaldi, A. – Concerto para três violinos e Orquestra de Cordas em Fá Maior (arranjo para piano) (Gerardo, Rodolfo, Marta e Larsen)
Tchaikovsky, P. – Meditation para violino e piano (Gerardo e Larsen)
Ravel, M. – Sonata para violino e piano em Sol Maior (Gerardo e Larsen







::fotografia de rankin::

sexta-feira, 20 de março de 2009

Is it friday already?









Descobri esta semana que sou muito mais apaixonada pelo que faço do que aquilo que julgava.




- Posso fazer-lhe uma pergunta?
- Sim...
- A ......... gosta daquilo que faz?
- Eh... sim, claro, gosto... porquê?
- Ah, nota-se que sim... há pessoas que fazem o mesmo e não gostam... a gente nota. A gente não é estúpida.
- Pois... quer dizer, não é fácil... há dias maus e mesmo cansativos... vocês não são nada fáceis, tu sabes...
(silêncio)
- Sabe... eu não ia nada com a sua cara no início do ano, mas depois fui conhecendo-a melhor e curto-a bué... e tem mesmo jeito pra isto...


(continuámos o trabalho que estávamos a fazer)


Não se trata de reconhecimentos do chefe, nem de promoções, nem de aumento de ordenado. Não se trata de colegas, de darmo-nos bem ou mal ou apenas da única forma que me sei relacionar com colegas e isso implica não haver grande intimidade. Trata-se disto mesmo. E enche a alma.



Ando inchada desde ontem.






terça-feira, 17 de março de 2009

Jornalistas e ministros (e seus assessores)

No sempre fantástico We Have Kaos In The Garden


A polémica toda aqui.

(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)

Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).

Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.

Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.

Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"






* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...

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"Descobrir a careca"

Podes enganar alguns durante o tempo todo
Podes enganar todos durante algum tempo
Mas não consegues enganar todos para sempre.


Sempre gostei desta frase, ajuda-me a não perder a fé na justiça e na verdade.
Aqui a palavra fé (e seu conceito) entenda-se como exercício de esperança à descoberta de uma verdade não alheia a todos os que se entendem injustificadamente como seres humanos.
Alguns não são. Têm grandes dedos e grandes frases e grandes pedestais e grandes teorias e grandes vidas e esquecem-se da aplicabilidade das mesmas.

Em suma, são chatos e são os últimos a percebê-lo. Pior, são burros e acham que os outros é que são.

A justiça de que falo constrói-se de raíz, e chega a todos, mesmo àqueles que não têm berço nem chá nem educação nem se esforçam ao menos um pouco por tê-lo.
Permitimos essa falta de verdade na inoperância, no destrato e pior, nas desculpas que vamos fazendo, com alguma compaixão, de tais seres que confundem silêncio com esquecimento.
Verifica-se e aplica-se.

Eu nunca me esqueço.

Nunca.
Não quando há mentiras pelo meio. Pior, tiros no pé.




Depois de carecas a descoberto, passo à frente. Não interessa, porque nunca interessou. Simples.



E alguns de nós havemo-nos sempre de rir bastante desses tiros.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...