::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::
terça-feira, 5 de maio de 2009
Estranha Forma de "BlogoViver"
Miguel Sousa Tavares, in Expresso
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domingo, 3 de maio de 2009
Reinvenções

Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
sábado, 2 de maio de 2009
em dia de despir
"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."
in http://matria-minha.blogspot.com/


Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.
Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.
Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Não resisto a um teste/quiz/whatever
Vi isto num Blog aqui ao lado e não resisti...
1)- Nome:a de ana.
2)- Porque lhe deram esse nome? era para ser pedro...
3)- Você faz pedidos às estrelas? sempre.
4)- Quando foi a última vez que chorou? ai o marley, o marley...
5)- Gosta da sua letra? gosto.
6)- Gosta de pão com o quê? com coxinhas. ahahahahaha...
7)- Quantos filhos tem? aí uns 160... e 30 deles são muito complicados.
8)- Se fosse outra pessoa seria seu amigo? depende dessa outra pessoa. não depende de mim. há uma coisa chamada livre-arbítrio...
9)- Saltaria de bungee-jump? nem de trampolins gosto.
10)- Desamarra os sapatos antes de tirá-los? por acaso não desamarro (os atacadores, claro)
11)- Acreditas que és uma pessoa forte? eu não acredito. eu sou.
12)- Gelado favorito? tenho saudades do gelado de noz do lidl.
13)- Vermelho ou preto? vermelho.
14)- O que menos gostas em ti? o rabo.
15)- O que mais gostas em ti? a acutilância.
16)- De quem sentes saudades? dos que estão sempre longe. dos que já morreram. dos que lá ficaram. e do gelado de noz do lidl.
17)- Descreva que roupa e calçado está a usar agora: camisola preta justa, calças largas de bolsos laterais verde tropa tudo a combinar com as pantufas vermelhas fantásticas do Félix, the Cat.
18)- Qual foi a última coisa que comeu hoje? sopa de grão com espinafres; peixe espada frito com arroz de cenoura e malagueta picante; pêra rocha muito verde.
19)- O que está a ouvir agora? o Portugalex AHAHAHAHAH!
20)- A última pessoa com quem falou ao telefone? Foi com a sra do PBX da instituição de ensino onde tirei o curso que anda "à minha procura" há dias...
21)- Bebida favorita? Depende. água, água das pedras, sumo de laranja natural, vinho tinto, café, chá, galão muito muito muito escuro.
22)- Comida? marisco. muito marisco.
23)- Último filme que viu no cinema e com quem? My Best Friend's Girl com o meu marido companheiro camarada palhaço...
24)- Dia favorito do ano? o primeiro dia de férias de Verão. sempre foi e sempre há-de ser!
25)- Inverno ou Verão? Primavera.
26)- Beijos ou abraços? beijos.
27)- Qual a tua sobremesa favorita? mousse de chocolate (com nozes).
28)- Que livro está a ler? comecei ontem o último do josé rodrigues dos santos.
29)- O que tem na parede do seu quarto? duas fotografias tamanho família: uma minha e outra do marido companheiro camarada palhaço... lindas...
30)- Filmes favoritos? muitos. the eternal sunshine of the spotless mind. cinema paradiso. clockwork orange. the shinning. etc etc etc lista interminável.
31)- Onde foi o lugar mais longe que já foi? até ao fundo da minha alma. lol.
32)- Uma música? se tivesse de escolher apenas uma única música seria concerteza de leonard cohen.
33)- Uma frase? Poetry is the evidence of life. If your life is burning well, poetry is just the ash. L.C.
sábado, 25 de abril de 2009
25 de Abril Hoje

cravos ?!
só se fôr
o da India,
pleno de sabores intensos
cheiros aromáticos
coisa e tal
anestesiar passados
acordar futuros
cravos?!
raiados de sangue quente
em flôr semente
ousar subir degraus
fazer frente, da frente
dar o murro na mesa.
cravos
só se forem a respeito
dos que lutam nas contas
dia sim
dia sim
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Procuram-se Loucos

Sou uma pessoa revoltada e isto não vai passar com a idade.
Há quem confunda esta minha revolta com insatisfação, e eu não a vejo nem sinto nem muito menos a deixo de pensar com mais fervor, à medida que me refastelo na vidinha e "cresço" e me torno uma pessoa satisfeita. Cresço como todos os que nasceram na década de 70, no pós ou durante 25 de Abril e são portugueses. Isto de se ser revoltado nada tem a ver com insatisfação ou infelicidade. Sou relativamente satisfeita e grata pela vida que tenho (a vidinha) e sou uma pessoa feliz. Sou lírica no que tenho de ser lírica e sou bastante pragmática no que sempre fui. Já mudei de opinião muitas vezes, mas nunca de cor política. Já tive mais fé na própria política do que tenho hoje. Sou de centro-direita, naquilo que todos temos de direita nos dias de hoje e sou mais humana que muita merda de "dita" esquerda. Sou revoltada porque olho para este país e revolto-me. Sou realista e vejo o que os outros também vêem. Não tenho fé no povo. Não tenho fé nos estudantes que têm muito medo e são uns merdas maiores do que eram há dez anos atrás quando acabei o meu primeiro curso superior. Não tenho fé nos diplomados como me chamaram há uns dias. Diplomada. Não tenho fé nos militares. No meio disto tudo tenho relativa fé nos malucos, nos loucos deste país, porque tenho fé de que não vamos lá com cravos, nem com manifestações, nem com revoluções de flor em punho. Só um louco nos pode salvar desta porcaria de democracia às três pancadas, em que tanta gente ainda passa fome em Portugal, em que tanta gente não sabe ainda ler ou escrever, em que tantos milhões gosta de novelas e futebol ao fim do dia, em que há tantos sem-abrigo a morrer de frio nas ruas de Lisboa, em que a podridão da miséria humana é do Terceiro Mundo, em que a corrupção política não é sequer beliscada ou posta em causa, em que nos deitam areia para os olhos todos os dias, em que temos políticos que mentem e roubam todos os dias, que manipulam toda a gente, sondagens e opiniões todos todos os dias.
Nada mudou desde o 25 de Abril de 1974, em que alguns capitães loucos se fizeram à estrada e outros colheram os lucros de tal ousadia. Este ano nem quero ligar a tv ou comprar o jornal. Não para ver a cara de um Primeiro-Ministro de cravo em punho, de um ditador que ignora greves e manifestações todos os dias, que nada faz para melhorar a vida dos portugueses, que é um autista proibidor, inquisidor, um mentiroso que nem Engenheiro é.
Fosse França ou Inglaterra ou outro país evoluído da união Europeia já estava na rua. Mas é Portugal. É 25 de Baril. É "porreiro pá!"
Entretanto, espero um dia destes dar voz à minha revolta. E espero pelos loucos que um dia salvem a pátria.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Cão e gato

- por estar sozinha em casa neste momento;
- pelo facto de ter tido uma ENORME discussão com aquele que se diz "ah e tal, eu amo-te muito", tipo "cara-metade" ou "metade da laranja" (devia ser espanhola e eu sou a parte podre);
- pela soma das duas razões anteriores, somando ao facto do gajo ser o fã número zero de tudo o que é felino aqui do bairro e arredores;
- porque escrevi há pouco tempo sobre cães e por me ter afirmado como "dog person";
- porque me apetece e sabe sempre bem dizer "porque me apetece".
Não gosto de gatos. Não gosto do seu ar arrogante, frio e distante. Não gosto da falsidade implícita dos gatos meio loucos que se atiram com as unhacas e não medem o perigo das suas acções. Não gosto daquele egoísmo pedante. Não gosto da suposta independência. Não gosto da ausência de entrega. Não gosto da elegância e sobretudo, mas mesmo acima de tudo, não gosto do cheiro dos gatos. Não gosto dos pêlos que os gatos deixam pela casa. Não gosto de partilhar espaços com gatos.
Gosto de cães. Gosto de tudo nos cães. Gosto mais de cães (oh muito mais!!!) do que de gatos. Os cães têm sentidos apurados, esperteza e "respondem-nos", falam connosco. Eu não sei falar para um gato, ou com um gato. A mais das vezes que falei com gatos, eles responderam-me com olhares à Garfield, olhos vazios de afecto.
Um gato responde à nossa voz e vem ter connosco quando o chamamos, apenas quando lhe apetece, o que resulta ser quase nunca. Isto está conotado como "independência". Um gato que não vem até nós quando o chamamos é porque tem vontade própria, é independente. Uma mula faz o mesmo e é burra. Uma girafa faz o mesmo e é estúpida. Mas o gato é independente. À semelhança das criancinhas mimadas (raio que as parta), que também têm vontade própria quando não querem comer o prato de sopa que têm pela frente, e que têm "personalidade e carácter forte". Ya, com os gatos passa-se o mesmo. Generalizou-se que os gatos são inteligentes e ponto. Independentes.
Enfim, era só mesmo isto: não gosto de gatos.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Marley & Me

A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?

Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.
O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.
Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.
É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.
Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.
Mais não digo.
O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.
sexta-feira, 17 de abril de 2009

Isso são tudo tretas pseudo-filosóficas para quem tem tempo para se preocupar com elas.
O problema de se crescer, seja aos oito ou aos oitenta, é estar-se mais perto da morte. Apenas isso, seguir a ordem natural das coisas. O tempo que escasseia até se fazer tudo o que nos faz dizer no leito de morte que se "teve uma boa vida" e estar-se grato pelo que se construiu.
Entretanto vou ali brincar com a minha Barbie Elegance (nova!) e já volto. ahahahahahaha.
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
entre o que muda e o que não muda na vida de uma pessoa. lembro-me de um desafio qualquer, ou de qualquer coisa que incluía pormenores do que nos muda e refaz, a cada dia que passa.


quarta-feira, 15 de abril de 2009
Slumdog Millionaire
terça-feira, 14 de abril de 2009
Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas
sábado, 28 de março de 2009
Regras Essenciais para uma Boa Amizade
Os homens assemelham-se às crianças, que adquirem maus costumes quando mimadas; por isso, não se deve ser muito condescendente e amável com ninguém. Do mesmo modo como, via de regra, não se perderá um amigo por lhe negar um empréstimo, mas muito facilmente por lhe conceder, também não se perderá nenhum amigo por conta de um tratamento orgulhoso e um pouco negligente, mas amiúde em virtude de excessiva amabilidade e solicitude, que fazem com que ele se torne insuportável, o que então produz a ruptura. Mas é sobretudo o pensamento de que precisamos das pessoas que lhes é absolutamente insuportável: petulância e presunção são as consequências inevitáveis.
Em algumas, tal pensamento origina-se em certo grau já pelo facto de nos relacionarmos ou conversarmos frequentemente com elas de uma maneira confidencial; de imediato, pensarão que nós também devemos ter paciência com eles e tentarão ampliar os limites da polidez. Eis porque tão poucos indivíduos se prestam a uma convivência íntima; desse modo, temos de evitar qualquer familiaridade com naturezas de nível inferior.
Contudo, se esse indivíduo imaginar que é mais necessário a nós do que nós a ele, terá como sensação imediata a impressão de que lhe roubamos algo. Tentará então vingar-se e reaver os seus pertences. O único modo de desenvolver a superioridade na convivência com os outros é não precisar deles de maneira alguma e fazê-los perceber isso. Consequentemente, é aconselhável fazer sentir de tempos em tempos a qualquer um, homem ou mulher, que podemos muito bem passar sem ele. Isso fortalece a amizade.
Para a maioria das pessoas, não é prejudicial se, de vez em quando, adicionarmos uma pitada de desdém na nossa atitude para com elas. Atribuirão tanto mais valor à nossa amizade: Chi non estima vien stimato [Quem não estima é estimado], diz um fino ditado italiano. Se, todavia, alguém nos é de facto muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães quase não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda.
Arthur Schopenhauer, in Aforismos para a Sabedoria de Vida
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Em Coimbra há um velho hábito de ostentar, nas pastas de estudante, oito fitas da cor do respectivo curso superior - não Sara, não vou falar dos anéis de curso (you wish!) - em que cada uma delas corresponde a: pais, irmãos, restante família, namorado/a, professores, colegas e, claro, amigos. Nessas fitas, os quartanistas (alunos do quarto ano do seu curso) deverão dá-las a todas essas pessoas das suas vidas, de forma a deixar umas palavras escritas nas fitas e devolvê-las à proveniência (pasta do estudante). As fitas são presas com uns colchetes e são a insígnia marcante antes da terça-feira do Cortejo da Queima das Fitas, altura em que os quartanistas deixam de usar a pasta para passar a usar a cartola e a bengala da cor do curso.
Tenho uma infinita pena de ter perdido a minha pasta e as respectivas oito fitas, nas quais constavam os vaticínios de familiares e amigos, os juízos, as honras, as palavras bonitas e algumas mais sérias e sentidas. Algumas piadas também, tal como as críticas à personalidade marcante do meu ser, com tudo o que isso tem de bom e de mau. A forma como marquei e o enorme orgulho de tantas assinaturas importantes daquelas pessoas tão maravilhosas que ainda hoje fazem parte da minha vida. Coimbra não me deu apenas um canudo, deu-me a oportunidade de conhecer mundos e pessoas fantásticas. Tive o privilégio de compartilhar espaços e tempo com essas almas, alegrias e tristezas, confidências e, acima de tudo, de me tornar uma pessoa melhor e mais completa. Sem as críticas, sem as observações, sem as chamadas de atenção, sem o olhar reprovador de tantos e bons amigos não me teria tornado quem tornei. Acima de tudo, sem a galhofa, sem os abraços, sem os beijos, sem os elogios, sem a aprovação, não seria a mulher que sou hoje.
O ego fortalecido não impede que demos mais marradas, não impede de nos sentirmos muitas vezes na merda, e não impede de fazermos asneira atrás de asneira, mas impede-nos de fazer o mal gratuitamente e impede-nos de achar que o que está acima transcrito seja, de alguma forma, verdade.
Não foi isso que os meus amigos me ensinaram, não é isso que ainda hoje me ensinam. Bons amigos não são cúmplices nas asneiras e porcarias que fazemos, são antes a voz da nossa consciência razoável, livre e que respeita a liberdade do outro.
Não existe esse conceito de "amizade excessiva".
Não no meu dicionário.
terça-feira, 24 de março de 2009
The Watchmen
Rorschach's Journal. November 12th, 1985: Dog carcass in alley this morning, tire tread on burst stomach. This city is afraid of me. I have seen its true face. The streets are extended gutters and the gutters are full of blood and when the drains finally scab over, all the vermin will drown. The accumulated filth of all their sex and murder will foam up about their waists and all the whores and politicians will look up and shout "Save us!"... and I'll whisper "no."

Um filme que considerei não ver devido a todas as circunstâncias e mais algumas, mas uma fã confessada da série Smallville, e depois de O Cavaleiro das Trevas, deixei o meu cepticismo completamente para trás no que concerne a filmes sobre super-heróis. Isto não são apenas filmes sobre super-heróis. Isto é ficção da melhor qualidade, passada sublimemente para o grande ecran. Ainda me sinto esmagada com o poder deste filme.
A banda sonora é irrepreensível e o genérico do filme fez-me pensar que só aquilo já valia o dinheiro do bilhete. A cena do assassinato do Comediante confirmou aquilo que viria a pensar no final de mais de duas horas e meia de filme: que cada segundo e cada minuto seriam saboreados como algo de precioso, digno de ser visto outra e outra vez. Em suma, soube a pouco como só as grandes obras são capazes de fazer sentir este mal estar com um relógio demasiado apressado.
Apenas e não somente isso: poderoso.
Aqui uma das melhores críticas sobre o filme. Aqui, o trailer.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Best Comedy EVER!

... e mais digo: o trailer não faz minimamente jus ao filme.
Brutal. Só mesmo visto, porque contado... quando pensamos que nada daquilo pode acontecer, acontece mesmo. Crescer é por vezes muito, mas muito aborrecido, e este filme lembra-nos isso mesmo.
domingo, 22 de março de 2009
A Primavera começou assim...
Moskowsky, M. – Suite para dois violinos e piano (Gerardo e Rodolfo)
Vivaldi, A. – Concerto para três violinos e Orquestra de Cordas em Fá Maior (arranjo para piano) (Gerardo, Rodolfo, Marta e Larsen)
Tchaikovsky, P. – Meditation para violino e piano (Gerardo e Larsen)
Ravel, M. – Sonata para violino e piano em Sol Maior (Gerardo e Larsen

sexta-feira, 20 de março de 2009
Is it friday already?


Descobri esta semana que sou muito mais apaixonada pelo que faço do que aquilo que julgava.
- Posso fazer-lhe uma pergunta?
- Sim...
- A ......... gosta daquilo que faz?
- Eh... sim, claro, gosto... porquê?
- Ah, nota-se que sim... há pessoas que fazem o mesmo e não gostam... a gente nota. A gente não é estúpida.
- Pois... quer dizer, não é fácil... há dias maus e mesmo cansativos... vocês não são nada fáceis, tu sabes...
(silêncio)
- Sabe... eu não ia nada com a sua cara no início do ano, mas depois fui conhecendo-a melhor e curto-a bué... e tem mesmo jeito pra isto...
(continuámos o trabalho que estávamos a fazer)
Não se trata de reconhecimentos do chefe, nem de promoções, nem de aumento de ordenado. Não se trata de colegas, de darmo-nos bem ou mal ou apenas da única forma que me sei relacionar com colegas e isso implica não haver grande intimidade. Trata-se disto mesmo. E enche a alma.
terça-feira, 17 de março de 2009
Jornalistas e ministros (e seus assessores)
A polémica toda aqui.
(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)
Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).
Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.
Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.
Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"
* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...
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"Descobrir a careca"
Podes enganar todos durante algum tempo
Mas não consegues enganar todos para sempre.
Sempre gostei desta frase, ajuda-me a não perder a fé na justiça e na verdade.
Aqui a palavra fé (e seu conceito) entenda-se como exercício de esperança à descoberta de uma verdade não alheia a todos os que se entendem injustificadamente como seres humanos.
Alguns não são. Têm grandes dedos e grandes frases e grandes pedestais e grandes teorias e grandes vidas e esquecem-se da aplicabilidade das mesmas.
Em suma, são chatos e são os últimos a percebê-lo. Pior, são burros e acham que os outros é que são.
A justiça de que falo constrói-se de raíz, e chega a todos, mesmo àqueles que não têm berço nem chá nem educação nem se esforçam ao menos um pouco por tê-lo.
Permitimos essa falta de verdade na inoperância, no destrato e pior, nas desculpas que vamos fazendo, com alguma compaixão, de tais seres que confundem silêncio com esquecimento.
Verifica-se e aplica-se.
Eu nunca me esqueço.
Nunca.
Não quando há mentiras pelo meio. Pior, tiros no pé.
Depois de carecas a descoberto, passo à frente. Não interessa, porque nunca interessou. Simples.
E alguns de nós havemo-nos sempre de rir bastante desses tiros.
What can I possibly say?...
Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais
- isto não é bem uma treta (78)
- tretas do meu fantástico e mais que interessante quotidiano (70)
- tretas da época (57)
- tretas das relações humanas (57)
- tretas em segunda mão (43)
- tretas do tipo "o meu vídeo é do youtube" e é bem melhor que o teu (42)
- tretas do tipo "dá-me música" (37)
- a treta ataca de novo (35)
- tretas do tipo "isto sim é sétima arte" (35)
- tretas políticas da porno-chanchada da república dos tugas (35)
- tretas do tipo "ri-me tanto que me borrei todo" (34)
- tretas pseudo-sociológicas (32)
- tretas desmistificativas (31)
- tretas com segundas intenções (30)
- tretas do tipo "let's kick their asses off" (30)
- tretas da porno-chanchada da república dos tugas (28)
- tretas do tipo "o que é que isto me lembra?" (27)
- tretas do outro mundo (26)
- tretas do tipo "coçar a micose em vez de estar a trabalhar" (26)
- tretas da era pós-moderna (24)
- tretas do tipo "este é o meu novo eu" (23)
- tretas a dar para o lamechas (22)
- tretas sobre sexo e coiso e tal (22)
- treta de blogospera (21)
- tretas de chacha (21)
- tretas batidas (20)
- tretas do tipo "a escrita da minha vizinha é melhor que a minha" (20)
- tretas do tipo "não me canso de bater no ceguinho" (18)
- treta de país (16)
- tretas do tipo "a culpa é da insónia" (15)
- tretas furiosas (14)
- tretas do tipo as mulheres são de Vénus e os homens são de Marte (11)
- tretas da treta do outro Blog (10)
- tretas do tipo "quando for grande quero escrever assim" (10)
- testes da treta (9)
- tretas do "lá fora é que é bom" (7)
- tretas dos Estados Unidos da Amérdia (7)
- treta do tipo"onde pára a maria armanda?" (5)
- tretas do tipo "o meu vídeo não é do youtube" e é bem melhor que o teu (5)
- tretas do tipo "era dar-lhe com um gato morto nas trombas até o gato miar" (4)
- tretas do tipo "mais uma para o HL comentar a metro" (4)
- tretas nostálgicas (3)
- tretas políticas da porno-chanchada do mundo lá fora (3)
Expresso
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Tretas que morreram de velhas...
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A Treta Mora ao Lado...
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receita para alcançar a imortalidade
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