::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sábado, 29 de novembro de 2008

Descubra as diferenças I

Nova rubrica aqui no tasco.


É daquelas coisas que... estou em casa ou a conduzir ou a ler ou na casa-de-banho e de repente... elàs! Vem-me assim algo à cabeça digno de ser registado: as semelhanças que determinadas pessoas (figuras públicas ou não) possam eventualmente ter.


Acho que ninguém vai escapar.
Estas duas, por exemplo: a Janice da série Friends ("Oh MYYY GOOOOOD!!!!") e a Amy Winehouse.




terça-feira, 25 de novembro de 2008

Natal II


Pois é, caros amigos e leitores, antes de mais, devo elucidar-vos de que tive uma preciosa descoberta enquanto fazia a minha pesquisazinha para fazer este post, mas, não havendo bela sem senão, ainda estou chocada com aquilo que o Google é capaz de nos mostrar. Imagens reais. Já lá iremos, claro. A boa surpresa foi este Blog.

Natal. Pois é. Para além de ter alterado a cor de fundo e a música deste Psicologias da Treta (para algo alusivo à época), lembrei-me daquele tema que fazia as delícias da minha irmã mais velha (bem como dos irmãos mais velhos de alguém, na época), aqui há umas décadas atrás, sendo mais precisa, há duas décadas atrás. Corria o Natal de 1984 e no gira-discos de 45 rotações lá de casa, corria um tema duma banda (de dois membros?) actualmente extinta, de seu nome "Last Christmas". A banda, essa, são os sobejamente conhecidos Wham. Ora lembrei-me de fazer este post em homenagem ao outro gajo do qual ninguém sabe o nome, dado que o nosso amigo George Michael é bastante conhecido e dispensa publicidade. Acredito que nem mesmo a minha irmã sabe o nome do outro gajo que passou a ser conhecido por "o outro gajo dos Wham". Incrivelmente, existe um "o outro gajo dos Wham" no mundo Blogger, cujo Blog indiquei antes. É um bom Blog.

Venho fazer justiça a esse grande senhor, cujo nome é desconhecido pelo público em geral, o qual presenteou-nos com um tema que inferniza as nossas vidas desde 1984, todos os Natais, nas rádios de (aposto) todo o Mundo: o outro gajo dos Wham chama-se Andrew Ridgeley. É isso mesmo, amigos: ANDREW RIDGELEY. Com este nome, ninguém se admira do gajo ser conhecido por "o outro gajo dos Wham".

Mais fantástico do que George Michael se ter tornado famosíssimo, é nunca mais termos ouvido sequer falar do gajo, mas depois de ter visto esta imagem (da qual ainda estou a recuperar) compreendo as razões do suposto "desaparecimento". Mais fantástico ainda, é milhões de fãs histéricas de hormonas aos saltos (como a minha então adolescente irmã) nunca se terem rendido às evidências, e se terem apercebido daquilo que até o meu pai já constatava na altura: "estes gajos de brinquinho... eh!..."






*estou a considerar seriamente alterar a musiquinha natalícia para aquele familiar "last christmas I gave you my heart....." Aqui fica, para os mais nostálgicos:








segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sexta, Sábado e Domingo





"Amo-te"








Último concerto do ciclo de cinco concertos dedicados à integral das Sinfonias de Beethoven na sua transcrição para piano a quatro mãos. Foram solistas desta série de cinco concertos os pianistas António Rosado e Alexei Eremine, com os comentários do compositor Alexandre Delgado.

O Ciclo Opus Beethoven é uma produção do Teatro Nacional São Carlos www.saocarlos.pt

Programa

Sinfonia n.º 9 em Ré menor, op. 125
Allegro ma non troppo e un poco maestoso
Molto vivace
Adagio molto e cantabile
Finale: Presto. Allegro assai





NO CENTRO DO UNIVERSO
As Nove Sinfonias de Beethoven


Nada se compara, no domínio orquestral, ao fascínio exercido pelas nove sinfonias de Beethoven. A carga mítica que adquiriram desde o século XIX colocou-as no centro do universo da música clássica, da qual se tornaram quase sinónimo. Tal como os quartetos ou as sonatas para piano do compositor, são pedra de toque de toda a evolução posterior do respectivo género.

Donde vem esse fascínio, esse impacto universal? Depois das 106 sinfonias de Haydn, das 49 sinfonias de Mozart, a diferença começa pelo número: o facto de serem apenas nove torna cada uma delas muito especial, com vida e personalidade próprias.

Na 1.ª Sinfonia (1800) o compositor emulou e homenageou os modelos de Haydn e Mozart ao mesmo tempo que já revelava a centelha do génio. Menos célebre que as suas irmãs, a 2.ª Sinfonia (1802) é um elo vital para a Eroica e oferece um vínculo subterrâneo com futura 9.ª Sinfonia, tendo como andamento lento um dos momentos máximos da produção beethoveniana.

A 3.ª Sinfonia, Eroica (1804), foi um ponto de viragem da história da música: a celebração do heroísmo e da capacidade de transcender as amarras da condição humana são indissociáveis da coragem com que o próprio Beethoven enfrentou a sua tragédia pessoal, numa obra que rompe os diques de todas as formas instrumentais conhecidas. Obedecendo à célebre dicotomia entre sinfonias pares e ímpares, a 4.ª Sinfonia (1806) oferece um contraste absoluto em relação à explosão prometeica da 3.ª, representando uma acalmia e um regresso a proporções mais clássicas.

A 5.ª Sinfonia (1808) inspirou em 1810 uma crítica de E. T. A. Hoffmann que foi um dos marcos definidores do Romantismo. Exemplo máximo da integração da forma procurada por Beethoven, a obra foi a matriz do conceito de «construção cíclica», enquanto sinfonia unificada por uma «célula primordial». Depois da dimensão trágica e avassaladora da 5.ª, a 6.ª Sinfonia, Pastoral (1808) representa o retorno à vida e uma reconciliação apolínea com a natureza. Embora o compositor visse nela «mais expressão de sentimento do que pintura», a obra foi um dos principais modelos da tendência programática ou descritiva típica do século XIX.

Por contraste com o idílio melodioso da 6.ª, a gigantesca 7.ª Sinfonia (1812) oferece o primado do ritmo na sua dimensão mais orgiástica, que levou Wagner a defini-la como «Apoteose da Dança». Já na 8.ª (1812), a mais breve das suas sinfonias, Beethoven explorou o conceito específico de «pulsação»: é usual associar essa sinfonia, uma das mais bem dispostas do compositor, ao nome de Mälzel, o inventor do metrónomo.

A 9.ª Sinfonia (1823) é a obra-súmula, o coroar dum périplo que exigiu um período de gestação de várias décadas. Congregando todos os estilos e todos os géneros, do sinfónico ao vocal, do religioso ao profano, do erudito ao popular, é a Sinfonia que abriu a porta à voz humana para exprimir uma mensagem de fraternidade universal.

Nestes cinco concertos temos a oportunidade rara de ouvir as nove sinfonias de Beethoven na excelente transcrição para piano a quatro mãos realizada por Alfredo Casella (1883-1947), um dos mais importantes compositores italianos do período entre as duas guerras: uma perspectiva diferente para apreciar uma das mais extraordinárias criações do génio humano.

Alexandre Delgado






"You think it is over, but the games have just begun. "

domingo, 23 de novembro de 2008

Coitada da Lucy! (sim, isto É uma ironia)

No outro dia, ouvi uma conversa entre colegas de trabalho em que discutiam as reduzidas vestes da Lucy. Perguntei:

" - quem é a Lucy?"
" - a Luciana Abreu, pá!"
" - A Floribesta?"
" - Essa, sim... agora tem um programa para crianças que mais parece um programa para adultos XXXX..."


Pois eu acho que é uma injustiça! (ironia nº 1) Então a rapariga já não pode usar aqueles vestidinhos que os miúdos até gostam e tudo?!? (ironia nº 2) Aqui há uns anos ninguém criticava a Ana Malhoa naquele programa da Vacareré (ironia nº 3), o Buéreré, que também usava uma indumentária assim a dar para o arejado, e agora arranjam sempre maneira de chatear a pobrezinha (ironia nº 4) da ex-Flor? Sim, que ela é uma flor, uma menina que sustenta a família, não teve um pai rico e famoso como a Ana Malhoa! (ironia nº 5) Até andam a investigar aquilo que a rapariga ganha com o suor do seu trabalho, parece mentira! (ironia nº 6) Logo ela, que até é amiga do nosso Cristiano Ronaldo!...

Ora vejam as imagens (a tragédia, o horror) e descubram as diferenças/semelhanças.









A opinião do Dr House sobre a ex-Floribela, agora Lucy:


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Ministra e o Cozinheiro





Dois temas chamaram a minha atenção na semana passada: uma ministra e um cozinheiro.

Todos vimos, de novo, mais de 100 mil professores na rua. Não é preciso dizer nada, bastaria ver a manifestação para se concluir que é urgente tomar medidas. Não é possível continuar na mesma: mesmo que os professores não tenham razão, algo necessita ser feito. Nenhum comentário crítico aos docentes resiste à demonstração de que o descontentamento atingiu grandes proporções: o conjunto dos professores andará por 140 mil, nada se fará nas escolas com tão grande oposição às políticas do Ministério da Educação (ME).
Escrevo no domingo 9, logo a seguir à manifestação. Confesso-me perplexo perante os comentários da ministra. Só os entendo como revelação pública de que não sabe o que se passa nas escolas, algo muito grave para o cargo que ocupa. Basta falar com professores em qualquer estabelecimento de ensino para sentir de imediato o mal-estar docente: quem ignora esse facto distorce a realidade. A avaliação não só introduz burocracia (não é verdade que se limita só a um formulário, este é apenas a primeira fase do processo), como também fomenta problemas interpessoais entre professores. Bastaria a injustiça do concurso para titulares (organizado a partir de uma avaliação que não teve em conta toda a carreira) para a pôr em causa, mas há mais: como há departamentos que englobam várias disciplinas, temos professores de Educação Musical, por exemplo, a avaliar colegas de Educação Física! A questão é: quem avalia quem. E, acima de tudo, há que dizer bem alto que a avaliação, embora necessária, nunca deveria ter sido uma prioridade: foi um erro tê-la tornado urgente, em vez de conquistar os professores para a mudança, dando-lhes melhores condições de trabalho para todas as dificuldades que enfrentam na sala de aula.
Outros comentários do ME são ainda mais surpreendentes: desde a frase que as manifestações são feitas para "intimidar" os colegas que apoiam o ME (não se vê onde estão...), até ao discurso paternalista sobre os estudantes, que "precisariam" de uma manifestação por ano, como se os nossos jovens não tivessem cabeça para pensar!
Em 16 de Março escrevi aqui, sob o título "E agora?": "... o impasse a que se chegou merece medidas concretas... como em qualquer conflito grave, é necessária uma mediação... se tudo continuar como até aqui, o clima escolar sofrerá progressiva deterioração..." Meses depois, é o que se vê. Esperemos que, quando me lerem agora, algo tenha mudado.
Saí da angústia da educação para me encantar com o jovem cozinheiro Jamie Oliver, o britânico "Ministro da Comida". Ao contrário da nossa ministra, que só fala com os conselhos executivos (CE) e com os sindicatos, Oliver fala com todos: pais, alunos, professores, fornecedores de alimentos. Vai com os estudantes comprar os ingredientes e ensina-os a cozinhar, demonstrando como comer bem pode dar prazer e não engordar. Tem lá a televisão e publica livros, pois claro: já todos perceberam que é através do learning by doing que se obtêm resultados. Oliver compreendeu que muitos ingleses não sabem cozinhar, ou intuiu que o individualismo e a pressa dos nossos dias conduzem à comida rápida e à falta de convívio outrora possível na preparação e na ingestão de uma refeição partilhada. Ao contrário do que muitos pensam, Oliver sustenta que a obesidade não está só ligada à pobreza, mas também se relaciona com o estilo de vida e com a falta de conhecimentos sobre os alimentos e a maneira de os utilizar: por isso e de uma forma prática, foi direito ao assunto, sem perder tempo com grelhas de avaliação.
Como eu gostaria que a nossa ministra, sem um séquito de assessores e com tempo, parasse nas escolas a ouvir os professores: escutaria então os protestos ordeiros de tantos "bons" professores que diz defender e ouviria também como o famigerado Estatuto do Aluno até impede que estudantes doentes possam fazer uma psicoterapia prolongada (essencial para o seu sucesso escolar!), porque a simples justificação da falta por parte do técnico de Saúde Mental esbarra com a burocracia do ME: e não nos salvam os CE, que dizem nada poder fazer, porque o ME não distingue faltas justificadas das injustificadas!
Ao que chegámos, nas nossas escolas.



Daniel Sampaio, in Pública

Da opinião pública ou da importância de se ser do Contra

"Ainda tenho esperança que os professores queiram ser avaliados e que o problema de facto seja apenas a forma como se decidiu que seria feito!
A verdade é que esta classezinha (sim, ao longo dos tempos esta classe foi ficando "pequenina"!) parece não apresentar alternativas, mas apenas contestar.

Infelizmente, e com algum desgosto por já ter sido um deles, sei que muitos morrem de medo e perdem o sono só de pensar que possam ser avaliados! É sinal de consciência, conheço uma professora de português que não sabe distinguir entre "há" e "à" - é normal que perca o sono. Era fazer uma razia e passar esta gente a pente fino. Mas podia começar-se por avaliar as Escolas Superiores de Educação de onde saem estes génios (e as universidades também) para percebermos como se forma um professor de Língua Portuguesa que não sabe regras básicas da sua língua materna!
Há aí muito professor que gosta do ensino mas já não quer dar aulas. Ponham esses a candidatar-se a avaliadores apenas e só, para que todos tenham tempo de fazer o seu trabalho.
Antigamente havia inspectores que apareciam nas escolas sem avisar. Parece-me que podia ser uma boa alternativa! Cena de ditadura?... Talvez, se calhar uma ditadurazita fazia melhor a esta cambada que esta democracia!
E já me alonguei muito..."

Nota: este comentário está assinalado e linkado para a gaveta onde normalmente etiqueto e "arrumo" esta malta porreira de pêlo na venta. Sim, eu sou daquelas que rotula. Obrigada.





Acabei de ler este comentário a um post num Blog dum gajo que diz que não sabe muito bem como é que foi avaliado enquanto aluno. Pelo teor do dito post, a mim parece-me que o senhor gajo dono do Blog está de acordo com o método de avaliação imposto por este Governo Sócrates, ainda que reconheça que não está por dentro do assunto.

Este comentário que transcrevi é duma senhora gaja.

Coloquei a etiqueta "este é o meu novo eu" porque o meu "velho eu" já teria mandado àquela partezinha (sim, no diminutivo). Tipo à merda, estão a ver?

Ora bem, a mim, que só me pronuncio passionalmente a favor ou contra algo que conheça a fundo, ou que me diga respeito directa e pessoalmente, faz-me espécie este tipo de comentário furioso, pejado de emoções fortes, bem ao estilo de varina de mercado (depois assumem-se como urbano-depressivos ou coisas assim meio forinhas), incompreensivelmente pueril, na medida em que as pessoas até têm uma certa idade, mas assumem, infelizmente, os ignorantes que são e o quão triste é pertencer a uma geração que fala muito bem de cor e em repeat mode da merda que têm em casa e dos disparates que os papás dizem. Normalmente o que move este tipo de atitude do CONTRA só porque é cool remar contra a maré, é uma profunda frustração em relação aos seus próprios empregos: ou porque ganham mal, não se aguentam com o ordenado ao fim do mês, ou vivem em casa dos paizinhos e não têm jeitinho nenhum para as coisinhas que fazem a que chamam emprego/ocupação/whatever. Uma coisa é certa: existe demasiado ódio neste tipo de discursos e pior: falam em praça pública do que desconhecem.

No outro dia ouvi um comentário de um senhor que dizia que por cada voto de um professor que este Governo PS perde, ganha mais três da população. Dá que pensar: então mas os professores não fazem parte da população? E não seria melhor que fossem ler os estatutos ou, sei lá, ler a legislação(?) assim só naquela de se informarem antes de dizerem disparates? E realmente a fazer as contas, não existirá praticamente mais nenhum partido político a não ser o Socialista em quem votar. Com tanto voto!!! Até porque a única questão com que o povo se debate é estar CONTRA os professores! Mais nada interessa! Sim senhor! Ah valente! Finalmente um partido interessado em varrer essa escória da sociedade, esses bandidos, essa gentinha, esses nojentos professores! Patifes pá...

Uma coisa é certa, e para que se saiba, pois este Blog é público e serve muita gente que, ao contrário das minhas opiniões, pode ter uma opinião errada e infundada por acreditar em parvoíces de gente frustrada e ignorante deste tipo: sempre houve avaliação nas escolas. Os tais inspectores que a rapariguinha cita continuam a visitar as escolas por diversos momentos ao longo do ano lectivo, os quais constituem aquilo que se designa por inspecção pedagógica. Todos os professores sempre foram avaliados. E sempre hão-de ser.

Levanto uma questão: se isto é assim tão errado e se os professores aos olhos de muito boa gente são uns calões do caraças, será que são TODOS??? É que de entre mais de 120 mil que protestam, os que restam são muito poucos... será esta classe assim tão pouco profissional e baldas? Serão assim tão incompetentes?


Já a minha avó dizia: cada um nasce para o que nasce. Importante é gostar daquilo que se faz. Eu faço a minha parte, adoro fazer o que faço, acima de tudo, e gostava de ver toda a gente feliz a fazer aquilo que melhor sabe fazer. Claro que uns há que não têm jeito para fazer nada, nem nasceram com um talento especial, mas claro que esses são aqueles que não sabem sequer o que é que cá andam a fazer.


Há coisas que me fazem sorrir por dentro. A ignorância dos outros, por exemplo. Um pouco como o Toy, no fundo....

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Malta que quase ninguém gosta assim a dar para o arrogante ou anti-qualquer coisa ou política e socialmente incorrecto......



... mas que eu até gramo.


Então é assim: as imagens que se seguem podem conter informações chocantes sobre tudo aquilo que vocês, caros leitores, possam pensar ou saber ou ter ouvido sobre esta humilde criatura que martela as teclas do computador.

Não, o Toy não está incluído. Nem o Alberto João Jardim ou o Paulo Portas. Ainda ponderei a Cicciolina, o Tomás Taveira ou o Ramalho Eanes, mas nenhum deles desperta realmente a minha animosidade. Estes chegam. Para já.

(post em construção).




::vasco pulido valente::









::karl lagerfeld::



::kalimero::



::madonna::



::manuela moura guedes::



::nuno gomes::



::amy winehouse::



::miguel sousa tavares::




::josé mourinho::


::manuela ferreira leite::






::josé cid::

Prémio "Alarve Mais Alarve Não Há"

Na semana em que toda a gente anda em órbita e a passar-se completamente com as declarações da Dra Manuela Ferreira Leite relativas à ditadura que se vive no país, eu ainda estou embasbacada com este grandessísimo animal de seu nome Toy. Foi no "Zé Carlos" de Domingo passado e as lágrimas espreitam ainda ao canto do meu olho... resta saber se de histeria alegre se de pena por compartilhar a nacionalidade com a besta. Vejam porque vale a pena. Ou revejam.



domingo, 16 de novembro de 2008

Sábado e Domingo







[after having found a CD they believe contains files of the CIA]
Linda Litzke: You should put up a note in the ladies locker room.
Chad Feldheimer: Put up a note? "Highly classified shit found: Raw intelligence shit, CIA shit?" Hello, anybody lose their secret CIA shit? I don't think so!

in Burn After Reading (2008)

O melhor filme dos irmãos Coen desde o fabuloso Big Lebowski, de (já?) 1998. Na minha parca opinião, obviamente. Como diria o "outro", vale o que vale. Excelentes interpretações de John Malkovich, Frances McDormand e Brad Pitt. O humor como sempre deveria ser.






"Once upon a time, I wanted to know what love was. Love is there if you want it to be. You just have to see that it's wrapped in beauty and hidden away in between the seconds of your life. If you don't stop for a minute, you might miss it."


in Cashback (2006)




Não é apenas mais um filme que fala de amor para aqueles que acreditam no amor. É cru, é belo (tem uma fotografia excelente), é sensual e sexual (sem cair na vulgaridade) e tem, a espaços, uma parcela finita de cinismo. A personagem principal, narrador da sequência, é um jovem muito jovem em que talvez muitos de nós já não nos revejamos, talvez ainda nos identifiquemos, mas que pela sua maturidade, pela sua inteligência emocional e uma despretensão algo incomum do que é habitual nas pessoas da sua idade, ganha o estatuto de "diferente". Ainda por cima é artista, um pintor que congela os segundos de forma a fazer com que o tempo passe mais depressa. Todos temos tácticas para fazer "passar o tempo" nas tarefas que mais tempo achamos que perdemos a concretizá-las. Não olhar para o relógio, por exemplo. Ele faz precisamente o contrário, perdendo-se em cada "frozen second", tirando partido de cada um dos tique-taques do ponteiro dos segundos. E é nesses segundos de estática que descobre o que é o amor.

Um filme de Sean Ellis que nos relembra a importância de saber parar. Em vez de querer sempre avançar.




Foi um óptimo fim-de-semana.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"malhação"

Ontem foi o meu primeiro dia num ginásio.
Há mais de dois anos que não fazia exercício regular de espécie alguma.
Voltarei ao assunto quando as dores musculares aliviarem e me permitirem articular algo de simpático relativamente a isto.




*paguei três meses adiantados para não cair na tentação de não lá voltar.

Puer aeternus... ou os novos "trintões"

Puer Aeternus is Latin for eternal boy , used in mythology to designate a child-god who is forever young; psychologically it refers to an older man whose emotional life has remained at an adolescent level, usually coupled with too great a dependence on the mother. The puer typically leads a provisional life, due to the fear of being caught in a situation from which it might not be possible to escape. He covets independence and freedom, chafes at boundaries and limits, and tends to find any restriction intolerable.






Hoje em dia confunde-se bastante imaturidade com irresponsabilidade, promiscuidade com leviandade, e a verdade anda de mãos dadas com a mentira, ao ponto de já nem sabermos distinguir uma coisa de outra.

A verdade é que as pessoas escondem-se atrás de frases feitas tais como "tenho medo da entrega, da vulnerabilidade que existe numa relação"quando, na verdade, o que se esconde é o medo de ter de enfrentar a parte assustadoramente real que existe numa relação. Como diria um amigo meu, "as cuecas sujas no meio do chão" (Cadete dixit). Quem normalmente proclama que já sofreu muito por amor e reafirma que tem medo de voltar àquele lugar, nega as afirmações anteriores. Diz que isto é treta. A perda da independência, a perda do "seu espaço", o medo (pavor, aliás) da partilha das horas e do tempo escondem muitas vezes, um egoísmo natural de quem ainda não está preparado para enfrentar as tais responsabilidades e imperfeições do mundo real (as cuecas, portanto), e são uma boa desculpa para a manutenção dos ponteiros do relógio numa equação de vida que se quer jovem, bonita e leve.

É natural que presentemente, em pleno século XXI, já todos vivemos concerteza uma grande história de amor que correu mal. Sejamos francos: correu mal... mas passamos à frente. Já ninguém vive vidas quebradas ou estilhaçadas ou interrompidas, e a reputação de uma mulher não fica manchada para sempre, porque teve um namorado e aquilo correu mal. Sim, somos modernos, trintões, solteiros e recusamo-nos a viver aquilo que os nossos pais na geração de 60 ou 70 viveram. Vinte anos depois divorciavam-se e é talvez nessa altura que se dá o fim do medo da ruptura. Hoje em dia já não sofremos rupturas em que o peso da dor era tantas vezes suplantado pelo peso da derrota social. E portanto o nosso medo em acabar uma relação ou ver a nossa relação chegar ao fim é mais baseada na dor que sentimos por ver alguém que amamos partir do que propriamente as convenções sociais e o medo de "ficar para tio/a". É "fácil" acabar uma relação e digo "fácil" porque nunca o é. Depois há a separação lógica dos termos "relação" e "caso", pois mais são os "casos" do que as "relações" (ditas sérias).

Conclusão de tudo isto: amar alguém e ter uma relação, viver com essa pessoa nunca foi, nem será, fácil. É um desafio que não está ao alcance de todos, conseguir manter a tal chama acesa. É uma questão de timming, cada hora e cada minuto. Por vezes convencemo-nos de que se já fomos capazes e falhámos, é porque algo está errado connosco, quando na verdade pode ter sido apenas um mau passo, e não era aquela a pessoa que nos completa, nos faz felizes. Ou não. Pode bem ser o sinal, que se não conseguimos ultrapassar a barreira do "tal medo, do pavor" de partilha, é porque talvez a vida não tenha de passar por aí, e somos felizes de outra forma. Sozinhos.

Penso que já é tempo de deixarmo-nos de ilusões e também de preconceitos. Provavelmente quando se tem trinta(s) e não se encontrou ninguém à altura do tal desafio, não há que desesperar. Nem que esperar ("pode ser que seja aos 40..."). Sinceramente, acho que se pensa demais NO problema e menos nas causas DO problema, que é aquilo que cada um de nós é no seu percurso de vida e o que quer realmente nesse percurso. Aparentemente, podemos encontrar imensas pessoas compatíveis connosco, a nível cultural ou sexual, mas as exigências do novo século e dos estilos de vida agitados pedem-nos algo parecido com a perfeição. Idealiza-se a pessoa perfeita que deve estar ao nosso lado. A perfeição não existe, porque ninguém é perfeito e o ser humano muda todos os dias. Mas pode haver perfeição dentro da imperfeição. Há que saber viver aquilo que é uma aprendizagem que se constrói com os erros e cabeçadas que se vão dando. Saber aceitar o que se é e aceitar os defeitos dos outros. Saber aquilo que se é e para onde se vai. Muita gente encontra o amor aos 40, aos 50 e aos 60... e por aí fora, na constância de uma vida que se quer plena, com os seus altos e baixos e sonhos a cada etapa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Explica-me isso da avaliação de desempenho dos professores como se eu fosse muito burro..."

Há várias formas de explicar este processo. (*se não tiver pachorra para ler isto tudo, siga até ao último parágrafo, a preto).



Esta, é a que consta, sinteticamente, no Portal da Educação:



A que melhor qualifica o dito processo elaborado em tempo recorde (na gíria "em cima do joelho") é esta: o facto de haver ou não uma avaliação do desempenho docente deixou de ser uma questão de justiça, bom senso ou inteligência, capacidade analítica de objectivos alcançados no que concerne a sucesso escolar, ou sequer uma ferramenta útil na dignificação da carreira. Passou a ser uma questão política, um "braço-de-ferro" entre Sócrates (bem como na pessoa da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues) e os professores deste país.
É praticamente uma questão de honra, em que os dois descuram o poder altamente significativo e simbólico de 120 mil pessoas na rua a fazer aquilo que não passa somente pela contestação de um processo de avaliação, mas como da própria democracia do país; aquilo que está em causa passou a ser muito mais do que a avaliação de desempenho, e a reacção autista e da suposta "força" desta maioria dita socialista, é de fazer corar um menino outrora chamado Oliveira Salazar.





Se 120.000 pessoas saem à rua a proclamar e a repudiar uma medida do Governo, é porque provavelmente algo está mal. Não será? A atitude de avestruz bem poderá originar uma atitude de pânico se o pior acontecer, ou simplesmente uma atitude de arrependimento na hora dos portugueses irem às urnas.
O ensino em Portugal está a deixar de ser digno, exigente, e acima de tudo, está a deixar de ser JUSTO.

O ensino está a cair na mediocridade, no facilitismo, no "passa toda a gente" ainda que os alunos não saibam escrever o seu nome. Penso que nenhum pai ou nenhuma mãe gosta de ver o seu filho saber menos do que a geração anterior quando era suposto haver uma melhoria e uma evolução nas gerações pós 25 de Abril. Um dos maiores pilares da sociedade É efectivamente a Educação e num país em que se descura e desrespeita a democracia desta forma, em que se protela e promove "os coitadinhos", em que não existe justiça e nivelamento dos alunos, em que ser excelente aluno é igual a ser péssimo aluno, pois toda a gente passa de ano, num país em que os professores são agredidos (física e verbalmente) e constantemente desrespeitados nas suas aulas, é natural que um processo de avaliação como este seja a coisa mais natural do mundo.




A ministra pediu desculpa MAS reitera que o processo vai avançar. A bem ou a mal.
A Marcha da Indignação aconteceu dia 8 de Março de 2008. 100.000 professores saíram à rua.
A Marcha da Exigência aconteceu no passado dia 8 de Novembro. 120.000 professores...
Seguir-se-á que Marcha? A da Violência?
Não é com computadores da treta resistentes ao choque e aos líquidos, com nomes ibero-americanos que se melhora o ensino nas escolas portuguesas.
Não é com autoritarismo que se conquista o respeito das pessoas. Não é pela teimosia e pela falsa aparência de querer melhorar a educação que enganam a população portuguesa (querem prestigiar a carreira docente?!? aos olhos da opinião pública?? - que raio de argumento é este? A carreira dignifica-se a si própria quando existem bons resultados e não resultados A MARTELO do tipo passar toda a gente, no matter what). Não é com falsos pedidos de desculpa e mil e uma negociações com os sindicatos que vão conseguir jogar poeira para os olhos dos professores, que estão unidos, e não alinham em jogos políticos de qualquer frente. E não é concerteza com este autismo, esta inflexibilidade e arrogância que vão conseguir conquistar votos nas próximas eleições.





*Para terminar o post e se o caro leitor não teve pachorra de ler o post na íntegra, isto é muito simples: os professores são um dos poucos sectores da função pública com formação superior, o que, no total, custa bastante dinheiro ao Estado (ah e tal, até tirou um curso que agora é posto em causa, mas isso de se ter um curso quer dizer que tem de se pagar mais aos gajos). Se "cortarem"ao máximo a progressão na Carreira Docente, inventa-se um processo de avaliação assim a dar para o lixado: os mais velhos fartam-se de andar a fazer manifs e pôem-se a andar com reformas antecipadas; não chegam ao décimo escalão, o que é bom porque o 10º escalão é uma pipa de massa; corta-se no pessoal contratado porque entretanto uns vão para a rua (são dados como maus professores e tal), outros desistem porque não passaram no exame (o curso por si só não chega, têm de fazer uma prova na qual a nota mínima exigida é 14, senão são inaptos) e torna-se assim mais fácil pagar menos à malta, fica bastante pilim nos cofres $$$$$ Se puderem continuar a facilitar a passagem dos alunos no Ensino Básico como até agora, ainda melhor: passam os putos todos, com nível de exigência zero e qualquer dia, a ministra até se lembra: "Professores para quê? Fazem o Ensino Básico por correspondência pela Internet (com o tal portátil de nome ibero-americano) e não precisam de professores para nada até ao 9º ano!, fazem o 12º ano com as Novas Oportunidades e com este Tratado de Bolonha, tiram um curso em três anos!!!"





***** a Manuel Alegre nas suas críticas a este Governo e àquilo que toda a gente percebe menos o Sr.Diz-que-É-Uma-Espécie-de-Engenheiro Sócrates. O deputado socialista esteve muito bem num período negro do Socialismo português, em que o BPN é a maior anedota do panorama actual. Constâncio torna-se patético. Portas fê-lo com imensa pinta no Parlamento (só por isso leva uma estrela também).

**** a Alberto João Jardim na sua avaliação por portaria. Todos os professores da Região Autónoma da Madeira terão Bom. Contornou o problema da melhor forma até que surja um modelo de avaliação coeso e forte. Um recado audaz ao Presidente da República.

*** à malta de Fafe. "Ganda nóia pá!"Mas...ovos? Que desperdício. Sócrates referiu-se ao ocorrido como uma falta de educação. Concordo. Outro tipo de material seria mais apropriado. Penso que um dia, e pelo decorrer da coisa, veremos tal acontecer. Infelizmente.

Porque os "ovos são as novas pérolas"... a porcos.

AGORA, ENTRE OS PROFESSORES, NEM A VIDA DE GATO É ESTIMADA. PARA CÃO JÁ BASTA ASSIM…
Dia 15 de Novembro, participe na GRANDE MANIFESTAÇÃO DA INDIGNAÇÃO DOS PROFESSORES, EM LISBOA, para que PORTUGAL ACORDE.
INSCREVA-SE, PELA DIGNIDADE E PELA SANIDADE PROFISSIONAL.




Escola nova


Estás a ouvir Barry White
( é o teu primeiro dia na escola está tudo maravilhoso, os alunos são o máximo, todos muito deseducados e atenciosos...)


depois de 3 meses ...


Estás a ouvir HOUSE Music
(Tens tanto trabalho, a preparar e corrigir testes, que não sabes se ficas ou vais embora, as crianças respondem torto e não obedecem à primeira .....)

Depois de 6 meses ....



Estás a ouvir Moonspell
( O teu dia de trabalho começa as 8h00 e acaba as 20h00, porque além dos testes já tens reuniões -muitas- e fichas de objectivos individuais para preencher e mais fichas, não se sabe bem para quê se amanhã já não são estas....)

depois de 9 meses...



Estás a ouvir Da Weasel
( por causa do stress, engordaste , estás inchada, não sabes bem como vais ter 100% de transições (não são passagens de ano, são transições e retenções)

Depois de 1 ano ...


Estás a ouvir Tupac Shakur
( Esqueceste o que é um 'Bom dia' e vives só da Cafeína, os jovens não obedecem de todo, os objectivos individuais são todos cumpridos, os 100% de transições - nem que fossem 200%- são alcançados, mas tu estás um bocadinho em baixo...)


Finalmente depois de 2 anos ...

Estás a ouvir Techno e
estás completamente louca !!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

post da semana

Ainda vou a tempo de colocar no ar o melhor sketch dos Gato Fedorento a parodiar o nosso PM?


(Desta vez, o trabalho de caracterização do programa fez um excelente trabalho. Ricardo de Araújo Pereira está muito parecido com o nosso PM. Notável.)




Janela Indiscreta




Hesitei entre colocar este post aqui ou lá, onde o silêncio é maior e os cinzentos se misturam nos olhos de quem passa e se apercebe que afinal a vida não é a preto e branco. Então me dei conta que os Blogs são muitos mais hoje em dia do que no ano em que abri o primeiro Blog (este) e por aqui o silêncio começou também a ser maior, o espaço mais aberto, menor quantidade de olhos e finalmente adquiriu o pleno direito da não-obrigação da escrita, que é no fundo, o que me faz escrever. Ou fazer outra coisa qualquer. Foi devolvido a este Blog o pleno direito de introspecção e diário de bordo. Engane-se quem achar que se escreve sempre para si mesmo; ou que escreve sempre para terceiros. Existe um equilíbrio. Ou talvez seja eu que estou a entrar em (des)equilíbrio, sabe-se lá... mas chega uma altura em que se sente a alma tão dividida que a fuga acaba sempre por ser o caminho para a frente, e mais acabam por ser os espectadores inesperados e imprevisíveis do que aqueles que esperamos.
Há coisas demasiado nossas e privadas que não se expôem em Blogs e a conclusão a que chego é que andamos todos muito confusos, ou fazêmo-lo de forma inconsciente, e nem sempre expômos o que deveríamos expôr, ou o que mostramos é confundido com algo que ao invés de ser nosso, é apenas mera ficção, e não passa disso mesmo. Por outro lado, e acontecer uma exposição da vida privada que não interessa a ninguém senão ao próprio e a quem dessa vida faz parte, não constitui interesse para ninguém. Ou a quase ninguém. Desta forma, porquê tantos Blogs? Porquê tanto interesse na vida alheia? Porquê esta vontade de apenas dizer "estou aqui"?Porquê tanto alarido e porque nascem tantas amizades e amores a partir desta vida virtual que todos temos? Não seria suposto cada um seguir a sua vida? Será que de repente todos temos assim tanto uma palavra a dizer?... penso que a resposta a esta questões oscila entre ego e solidão.
Ego porque todos sentimos a necessidade de nos sentirmos importantes perante algo ou alguém, nem que seja o nosso próprio espelho.
Solidão porque acaba por sempre ser uma companhia e uma brincadeira, entre verbos e contacto com outras pessoas que escrevem outros Blogs e partilham as suas opiniões.
Hoje olhei para dentro da minha própria "janela indiscreta" e senti-me bem com o que lá está, muito embora reconheça que ter dois Blogs é uma carga de trabalhos e optarei por continuar apenas um deles.

Dama Aflita


terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Amizade

"O raio do tempo passa e nem sequer deixa um número para onde lhe possamos telefonar. Muda de casa, de mês, de ilha, de tempo (daquele que antes fez sol e agora é de chuva), muda de nome, de dentes, de cor de cabelo, ganha e perde barriga sem pedir autorização, esquece nomes e senhas e passwords, enfim, o Tempo é um ingrato quando tudo o que devia ser é Agradecido. Por isso, o tempo deixa angústias por não ter deixado agarrar-se a tempo.

Faz tempo que não tinha tempo para coisas importantes - porque a esmagadora maioria das parcelas que compõem a minha vida são feitas de coisa nenhuma, perdida entre filas de automóveis e anotações de conversas chatas que, ainda por cima,têm de ser correctamente reproduzidas -, mas, dizia-vos, faz tempo que Vos queria ver... E hoje fi-lo.

Fiquei com aquela lágrima emperrada ao canto do olho, porque sou dado a estas coisas que caem para o lado da cebolinha bem picadinha, e comovi-me com a casa azul e os tempos que juntam o 30 ao 31.

Não sei se me consigo redimir sobre a tal minha ausência, mas se for possível meter uma valente cunha nesse sentido, também aproveito para, juntamente com a remessa da dita cunha, Vos deixar, do fundo do meu coração, o maior beijo que vos possa dar."



J.


De psicologias da treta





Não vinha aqui há muito tempo, pois as minhas obrigações profissionais não mo permitem, para além do facto de não ter Internet em casa ou móvel ou coisa que o valha. Quando tenho tempo, não tenho os meios. Quando tenho os meios, não tenho tempo, nem sequer disposição para isso. No trabalho, e ao contrário do que se passa com a esmagadora maioria dos demais que ao invés de trabalhar, estão ligados à rede e a estas coisas dos Blogs, não posso de maneira nenhuma vir aqui, a este espaço que tanta falta me tem feito, como a tal fuga à vida real que tantas vezes necessito. Para além do facto de gostar de escrever de noite, obviamente. Mas hoje, e porque um amigo que conheci por estas andanças faz anos hoje, resolvi ler mais qualquer coisa e, dedicar um bocadinho dos intervalos e da minha humilde escrita, à amizade. A isto dos Blogs. A isto de se ser amigo de alguém e de se saber porquê. E li esta mensagem que ainda não tinha lido e que se refere também a mim, num plural "vocês" que me junta àquele que amo. E adorei ter lido o que li. Porque está bem escrito e porque é honesto. E é esta a minha queixa no "muro das lamentações" de hoje, primeira parte deste post: as pessoas deixaram algures de ser honestas. Primeiro, consigo mesmas; depois, com os outros. Porque tiveram um azar, porque iam perdendo o emprego, porque perderam alguém da família, porque só elas é que sofrem e só elas é que sabem o que passam. E queixam-se. E justificam a falta de atenção para com os outros, esquecem-se que os outros também passam por aflições no emprego, sofrem e choram por motivos profissionais, têm a mãe a morrer, estão longe de todos aqueles que mais amam e estão sinceramente fartos de tanta indiferença e apatia. Às vezes, uma merda duma mensagem ou dum telefonema de dois minutos fazia toda a diferença. A amizade não é algo que se coloca na prateleira e arruma-se porque sim. Precisamos uns dos outros. Todos. E ninguém gosta de se sentir "arrumado". Eu sei que não gosto. Mas também não é uma obrigação e sinto-me triste quando tenho de "lembrar" que há coisas que não deveriam ser assim ou assado. Ou se calhar eu é que devia estar caladinha, deixar de ser parva e aperceber-me da real importância que (não) tenho na vida dos outros. Eu até tenho uma agenda ocupada, tenho mesmo MUITO que fazer e não entendo como é que as pessoas se limpam ao "tempo". Se calhar até acaba por nem ser assim tão importante. E "caga nisso". Passa-se à frente. Como em tantas outras coisas que se adiam, também algumas pessoas ficam para trás. Ou porque estão longe, ou porque têm namorado/marido/mulher, ou porque são "solteironas"/"solteirões", ou porque ganham mais, ou porque ganham menos, ou porque não são "fixes" e não saem à noite, porque são "caretas", porque ouvem as músicas erradas e lêem os livros errados, sei lá... uma data de coisas que só valem aquilo que valem. Eu concerteza é que não vou deixar de ter tempo para a pessoa que amo, nem de trabalhar, de fazer as coisas que gosto de fazer, assumi-las até ao fim, de ter tempo para mim e de ser como sou, para apenas poder agradar a gregos e troianos.
No outro dia, discutia com uma amiga a importância do destino. Alguns dias depois, falava com outra sobre o mesmo assunto. E vamos assim parando o tempo, damos lugar a conversas que nos arrastam durante umas boas horas e ainda que não cheguemos a conclusão alguma, ao menos ficamos com uma ideia de quem são os outros, o que pensam e como agem a partir dessa linha de pensamento. Agem em conformidade, são coerentes consigo mesmos, no trabalho e na vida pessoal. Se estamos ou não destinados a encontrarmo-nos, todos, e de que forma as nossas vidas assumem importância nas vidas dos outros, é algo que ainda estou para descobrir e entender. Algumas pessoas assumem uma tal importância na minha vida que são primordiais. Gosto delas como se fossem parte do meu sangue. São pessoas que têm a capacidade de fazer os meus dias mais felizes, e de ficar triste por elas quando algo não lhes corre bem. Sei que do outro lado é a mesma coisa. E podemos nem sequer falar todas as semanas sequer. Mas se as semanas passam e passam e passam e arrastam-se indefinidamente, acabo por sempre sentir uma enorme saudade dessas pessoas, ainda mais vivendo tão longe de toda a gente. Se a árvore é regada no seu tempo devido, pode viver séculos e perde-se na memória do tempo. Se não, acaba mesmo por morrer. Pode soar pindérico, mas eu sou assim mesmo: pindérica e foleira e acredito em coisas que estão um bocadinho em desuso. E existem também todas as outras, que fazem parte de um quotidiano que, no meu caso, acaba por ser bastante mutável, oscilatório, pois é diferente todos os anos. Não faço novos Amigos, mas alguns desses, poucos, acabam ou acabaram por fazer parte da minha vida e adquirem uma importância muito maior do que aquela que esperaria de início. E surgem as boas surpresas. Não sou nem nunca fui de amores à primeira vista no que diz respeito à construção de uma relação, e do alto da minha proclamada burrice e desconfiança não "abro" a porta a qualquer pessoa, mas também não sou apologista de que a longevidade seja o critério principal para que uma amizade perdure no tempo, e não nego que uma grande amizade possa desenvolver-se num curto espaço de tempo.

Melhor: cada vez mais, acredito nas pessoas politicamente incorrectas, nas pessoas que fazem as coisas porque sim, porque acreditam nelas e não têm de provar nada a ninguém senão a elas próprias. Nas pessoas que assumem os seus problemas e complexos, que sabem aquilo que não querem mesmo, que não andam a fingir coisíssima nenhuma, que ponderam (ou não) as suas acções baseadas nas suas experiências e que assumam os erros, não descartando culpas. Acredito nas pessoas que se interessam, que são realmente diferentes e defendem as suas diferenças, ainda que sofram com elas, porque são essas que geralmente fazem toda a diferença.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...