::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 26 de maio de 2008

Californication

Isto, não foi, em momento algum, um amor à primeira vista. Confesso que não. Após o primeiro episódio, uma certa náusea terrivelmente estonteante abraçou o meu sentido crítico e pensei "lá vem mais uma série tipo Nip Tuck", uma espécie de O Sexo e a Cidade, mas desta vez, no lugar da minha emblemática NY, colocaram LA, que é a cidade que sempre atribuo a um certo anti-herói de seu nome Lebowski. Mas isso são outras histórias. E um facto que quase mulher nenhuma gosta de admitir: aquela certa impressãozinha em tons de verde após o visionamento de tanto par de mamas e gajas boas num mesmo episódio. Pensei "o Nuno deve estar a brincar comigo, só pode. Este gajo envia-me uma série perfeitamente masturbatória e ainda por cima é só GAJAS?!?" Maus fígados instantâneos. O gajo ao lado só dizia "sim sim amor, tens razão, estas gajas com as mamas de fora enjoam-me, são umas porcas".... Vocês, homens, e esse hábito de nos protegerem de nós mesmas com toda a hipocrisia do mundo nas palavras que imaginam que a nossa melhor amiga nos diria em semelhante situação, quando apenas nos vai uma coisa na cabeça "porque raio não tenho eu um cu daqueles?"





Hesitei entre colocar isto no Beautiful Losers ou aqui, em espaço aberto, porque pode sempre ferir as susceptibilidades de quem ande por aí a vasculhar em motores de busca, coisas designadas por palavras como Amor, Felicidade, Ambição, Sonhos e Perfeição e encontre algo tão cáustico como mamas, sexo e fornicação. No fundo, é um pouco de tudo isto que tratam estes doze episódios. Não gostei dos dois primeiros episódios, pareceu-me algo inconsistente e até inverosímil, não só pela questão do preconceito confessado, mas por uma certa incongruência da própria personagem. Depois, aconteceu aquilo que penso que deva acontecer com a maioria das mulheres que conhecem aquele homem, menino perdido, escritor com bloqueio, apaixonado pela ex-mulher mas completamente fodido daquela cabeça. Sim, eu escrevi completamente fodido. Perdido. Com a sensação de vertigem debaixo dos pés e sonhos toldados pela perda da mulher que sempre estivera lá e deixou de estar.

Somos todos um pouco assim. Somos todos peças de uma grande peça, manobradas por uma força universal superior que parece dizer-nos a todas as horas para darmos os passos errados na nossa vida. O "fazer merda", a prática errante e criticizante contra a correcta e saudável teoria. A perda de oportunidades de se ser feliz. O querer recuperar de uma certa beleza a todas as horas. O inferno não debaixo de chuva, como sempre é suposto (a estética do sofrimento, deus meu!) mas debaixo de sol ardente. Um carro fantástico todo riscado, de farol partido. O humor sarcástico que sai sempre sem ser pedido. O portátil partido contra a parede. O fazer o que lhe apetece. O fumar e beber a todas as horas, a falta de práticas de vida "saudáveis". Os finais infelizes. Muito infelizes. Miseráveis. A esperança de alguma forma, no meio da sarjeta.






E a miúda da série, a filha Becca é a cara da minha grande amiga Sara (muitos risos).

* a cena que me conquistou definitivamente foi a cena de sexo entre o Hank e a amiga quarentona, em que ele parte e vomita a tela do querido Bill (e todos entram no quarto)... hi-la-ri-an-te.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Há blogs que me exasperam por diversos motivos. Aqueles blogs a armar ao pingarelho cheio de palavras muito bonitas que foram retirar de livros e discos que têm lá por casa. Plágios. Assim é fácil ter um Blog. Como se de repente não fôssemos nós todos pessoas crescidas com mais livros e discos em casa. Genuínos, são poucos. Eu posso não escrever nada, nadinha de jeito, mas não faço cópias e assino por baixo o meu nome. Acho indecente. Enfim. Isto sou só eu e os meus maus fígados. Ando a perder a paciência para esta merda toda, hoje é um daqueles dias... exasperantes. Não se lê quase nada de novo. Não há nada de novo, os academismos efernizantes e a puta-que-pariu-o-Ingmar-Bergman-e-artistas-de-década-de-trinta cujos seguidores são os pseudos forinhas (ai que nojo que eu lhes tenho) fizeram com que tudo isto comece a atrofiar. A secar. Os donos da razão intelectualizante. Só apetece beber aguardente por uma palhinha. Mas siga. Siga siga....

Existem os outros. Aqueles que vale a pena ler. Reter. Na alma, no coração. Aqueles que nos prendem com as palavras, com as imagens. Existem os subentendidos que aprendemos a seguir pois deixámo-nos de ler para começar uma amizade ou simplesmente deixá-la a marinar em palavras. Em imagens. O que eu gosto de ler as entrelinhas da minha querida Sofia, aquele sarcasmo inspirado como só ela... as palavras infinitas e a racionalização dos conceitos em espiral do meu querido Nuno... ou a doçura da minha Ana... a dor sentida e por vezes mascarada de alegria e de tudo o que sei que é a alma da minha querida Sara... e sempre o meu amado Paulo que tem as fotografias mais puras e lindas de toda a blogosfera... sei lá. São poucos. Isto não é uma homenagem nem nada do género mas são estes poucos que me fazem voltar sempre a este Blogger. A este espaço. E todos aqueles que leio e não comento. Como este.

Sem palavras.










Lembro-me de naquele tempo não haver sequer vento, de não se agitar uma árvore lá fora e de haver um terraço apenas com roupa estendida e o cheiro do sabão espalhado nos tecidos. Lembro-me apenas de coisas mínimas. Do cheiro das laranjas que apodreciam no chão irisadas na luz que se entornava então sobre a terra. Lembro-me de naquele tempo sentir que cada palavra era uma distância. De sentir as coisas espalhadas no chão do meu quarto e de sofrer por só lentamente me poder aperceber de que tudo estava radicalmente só e dividido. Lembro-me, aliás, de naquele tempo ter dividido pela primeira vez as coisas do mundo: o chão e os frutos, as árvores e o céu, as ondas e o mar. Lembro-me de ter visto pela primeira vez o mundo representado nas asas de uma borboleta: cada asa é uma pessoa, murmurei, e cada borboleta é o pequeno prodígio de haver um mundo. Pensei que as asas de cada borboleta poderiam ser duas pessoas que ora se encontravam ora se perdiam para uma distância que na tensão da presença jamais poderia ser infinita. Pensei que o equílibrio de haver borboletas era justamente este ofício do encontro: no meio da borboleta estava o labirinto de haver um possível, de haver um animal sozinho na viagem das pessoas que o construíam para a sua morte. Não havia vento naquele tempo: as borboletas repousavam sem perturbações nos círculos de água da minha face. Lembro: cada asa tem o seu duplo como cada lábio tem o seu par, disse. Pela areia do sono descia ao fundo do meu coração e lembro-me, recordo-me muito bem de no interior do meu quarto ter construído uma margem de silêncio onde mais tarde entrancei o teu cabelo e casei o movimento dos teus pés descalços na areia das praias. De tudo isto fiz borboletas. Das ondas e do mar, do teu cabelo, dos teus olhos nos meus. Do teu corpo em ti própria. Cada borboleta regressa a si mesma como uma flor ao nascer da luz: fixando o sol, das asas nasce o animal e do animal nascem as casas, as palavras e o amor. Depois a borboleta faz uma escada para trás, para o seu deserto, para o fim do poema, para o fim de todos os poemas. Eu apago os passos: cada borboleta apaga então o que deixou pela areia: uma escama de luz, um pedaço de asa. E se chegou ao céu por voar, regressará a casa porque consegue pisar por amor o coração sem asas nem animal que lhe resta. Naquele tempo era tudo como me lembro hoje: a casa lá fora estava deitada sobre a luz, cá dentro não se agitavam as árvores e as palavras beijavam-se entre o silêncio. As coisas continuavam espalhadas pelo chão do meu quarto. E eu? Recomeçava, eu.


in http://a-manh-ser.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de maio de 2008

my blueberry nights













Há em Elizabeh um sonambulismo, uma atitude de quem observa a vida mais do que participa nela. Por isso, apesar de percorrer a América, são mais os outros que passam por ela. E os outros são personagens americanas - Arnie (David Strathairn), destruído pelo desgosto depois da mulher o ter deixado; Sue Lynne (Rachel Weisz), a mulher que o deixou, fatal (como era fatal a mulher de cabeleira loura de "Chungking Express"), a entrar no bar onde Elizabeth trabalha, para uma última, derradeira, discussão com Arnie, o polícia (como eram polícias duas das personagens de "Chungking..."); Leslie (Natalie Portman), viciada em poker, a viver no risco (como a tal mulher de cabeleira loura vivia no risco). Wong Kar-wai, portanto, mas na América. E na América o realizador de Hong Kong sai dos espaços fechados, dos corredores, galerias, labirintos de casas, lojas, restaurantes, calor, corpos que se cruzam, que se empurram, que esbarram, que passam como traços de luz, que se fecham em quartos minúsculos, e lança-se nos grandes espaços abertos, estradas, paisagens imensas - para, assim que pode, refugiar-se novamente no interior de um bar e na angústia de alguém que não consegue mover-se ou que não consegue parar. Está lá, como em todos os seus filmes, o tempo que passa, para Elizabeth - como um prazo que tem que expirar, como as latas de ananás em conserva que o polícia come em "Chungking Express" - e o tempo parado, para Jeremy (Jude Law), que espera pelo regresso dela, enquanto revê a velha cassete de uma câmara de vigilância. Está lá o momento perdido, as pessoas certas no momento errado, o que podia ter sido, o que fica adiado...


Excerto da crítica de Alexandra Prado Coelho, no "Público", "roubado" no Intruso.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pensamento do(s) Dia(s)... e esqueletos do ofício



"Senhor, dai-me sabedoria para entender alguns colegas, porque se me dais força, parto-lhes a cara!"




What can I possibly say?...
Há dias assim. Semanas. Interminavelmente aborrecidas e extenuantemente gritantes. O Inferno são mesmo os outros. Colegas de trabalho, neste caso. As noites e finais de tarde a compensar as manhãs. E algumas tardes também absolutamente execráveis (esta palavra lembra-me um colega que me disse certa vez:

"Ana, fui ver ao dicionário aquele termo que usaste no outro dia."
"Qual?" perguntei
"Execráveis"
Silêncio
"És mesmo má..."
"Porquê?..."



Os subentendidos que os entenda quem conseguir lá chegar.
Há profissões tramadas, sobretudo aquelas que têm a componente humana e relacional como sendo parte do seu quotidiano, a todas as horas. Seria incapaz de ter um daqueles trabalhos de gabinete, é certo, mas não coloco de parte acabar assim os meus últimos vinte anos de carreira. Seja ela qual for. Admito que, e isto, sem ponta de regozijo pessoal, a minha profissão é assaz esgotante e desgastante no que concerne a troca de pontos de vista, em que todos julgam ser os máximos conhecedores relativamente a qualquer assunto. Seja uma teoria académica, seja a vida da vizinha do lado. Ou da colega do lado.
Existem os baldas, existem os teimosos, existem os presunçosos, existem os "velhos", máximos doutos e existem os novos, maçaricos armados em campeões. Existem os chatos, aborrecidos, teóricos e líricos, existem os idealistas utópicos e existem os desinteressados. Existem os que não abrem a boca pra nada e existem os que abrem a boca pra tudo. Existem os que se borram de medo das chefias e existem aqueles que, tendo uma posição hierarquicamente mais elevada que o resto dos grupos e demais colegas, assumem cristas de galos empoleirados. Os que têm a mania e os que não têm espírito.
E depois há o pior: as reuniões, que são aqueles momentos lindos em que toda esta gente se reúne a debater coisas como o próprio nome das coisas. Uma hora a falar do mesmo. Uma outra meia hora a divagar sobre meia dúzia de coisas que só interessam ao próprio e outra arrastada meia hora a falar de algo que vai ser alterado, porque as alterações são constantes e ainda nos vêm com as tretas da estabilidade e qualidade etc etc etc num enorme e redondo etecetera a perfazer duas horas de quase nada, que é afinal o que nós temos em excesso nos nossos locais de trabalho: conversa da treta que não resolve nada. Papéis, muitos papéis, quase tantos como os cargos. Burocracia feita pelos amantes do atraso e arrastamento do processo...
Em resumo e porque não há muito mais que falar sobre o assunto, as pessoas cansam. Todos incluídos. Muitas palavras desnecessárias, muitos gestos a denotar que somos muitos ao mesmo. Intromissões e conflitos de personalidade. Falhas no equilíbrio natural da evolução dos relacionamentos. Alguns safam-se, mas a grande maioria começa a desconhecer cada vez mais o significado da palavra "parceria" ou "companheirismo". Em conclusão, posso bem considerar-me uma pessoa de sorte; deixo sempre o meu grandessíssimo mau feitio à porta da instituição de trabalho e tenho encontrado boas pessoas no meu percurso, mas dá sempre uma enorme vontade de rir todas as diferenças gritantes que nos separam logo à partida e são nítidas nas interjeições verbais das pessoas.
O que interessa? É que estamos já à beira do fim-de-semana.
(BIG BIG smile)
*dedico este post à minha colega Mila de quem tenho tantas e boas saudades, como pessoa e como colega.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

the darjeeling limited












Francis: [Francis and Peter are beating each other up] You don't love me!
Peter: Yes I do!
Jack: I love you too, but I'm gonna mace you in the face!











Jack: I wonder if the three of us would've been friends in real life. Not as brothers, but as people.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Metrossexualidade vs Futilidade


"Um grupo de cientistas do Uganda descobriu uma bactéria que pode estar na causa na metrossexualidade. Segundo o cientista responsável pela investigação, a bactéria em questão é encontrada em larga escala nos ginásios e health clubes, devido à grande quantidade de suor que normalmente se encontra nestes espaços.

Foram feitos vários estudos a metrossexuais e em diversos ambientes que lhes são familiares, nomeadamente em ginásios, solários, cabeleireiros e lojas de moda.

Chika Kan, responsável adjunto pela pesquisa, afirma: “Os resultados do estudo são claros: qualquer homem, dito “normal”, pode ir sem medos ao solário ou à pedicura que não existe o mínimo risco de se vir a tornar um metrossexual, no entanto, esse mesmo homem “normal” ao deslocar-se uma vez que seja a um ginásio, e por muito macho que seja, pode vir a contrair esta perturbação através da bactéria em estudo. Sabemos de homens que, depois de visitarem um ginásio, cancelaram todo o dia de trabalho e fizeram depilações completas ao corpo. Outros fizeram manicura e pedicura, chegando mesmo a pintar as unhas dos pés com preto glossy.

Este avanço da ciência pode vir brevemente a ter resultados concretos para a cura desta perturbação que afecta cada vez mais homens."







Posto isto, afinal o que é a metrossexualidade? Algo que se transmite como doença contagiosa? Quem a inventou?

Eu defendo que quem inventou a metrossexualidade foi um homem gay de extremo bom gosto*. Os motivos podem ser variados, na realidade, e o primeiro poderá sempre ser o de "virar" o macho, de modo a que a trupe gay aumente. É legítimo que o façam, muito embora não acredite que seja por aí. A verdade é que a grande maioria de homens ligados à moda é gay e depois de décadas a fazer as mulheres a sentir-se mais bonitas, talvez tenha chegado a vez dos homens. Mas vejamos: os tempos mudaram e os cremes de beleza, cosmética e perfumes bem como toda a indústria da moda começou a ver no homem, um potencial consumidor, atento e vaidoso, com elevado poder de compra. É uma natural verificação da evolução e mudança dos tempos.

Mulher que se preze e que goste de andar arranjada, bem vestida, maquilhada e penteada não quer certamente que o seu par ande de qualquer maneira ao seu lado na rua (ou dentro de casa). Longe vão os tempos em que o homem só tinha de fazer a barba e tomar o seu duche com gel de banho. Tudo mudou, quase de uma geração para outra, abruptamente. Hoje em dia um homem usa um hidratante, um creme de contorno de olhos, perfumes diversos e gosta de escolher o que veste, de acordo com um estilo próprio que deve cultivar. Obviamente chegamos também a um extremo (porque existem excessos em tudo) de homens que usam vernizes, e maquilhagem que era apenas destinada a mulheres, é agora também utensílio masculino na arte de bem parecer. Marcas como a Chanel e Jean Paul Gaultier têm maquilhagem específica para homem.


Será um homem menos homem ou menos heterossexual por usar verniz preto? Gostará menos da sua parceira por gostar mais do espelho?


A questão é que todos nós temos um estilo (muitos não têm estilo nenhum, ok, mas a grande maioria tem um estilo definido) e todos nós temos uma relação próxima de amor-ódio com o espelho que, à partida, deveria ser preservada e muito daquilo que é reflectido nesse espelho, não é somente a beleza que a Natureza nos deu, mas fruto de tudo aquilo que fazemos para cuidar da nossa aparência e dos cuidados que temos connosco próprios. A saúde passa por determinados comportamentos, e isso reflecte-se na beleza que exteriorizamos ao mundo. Portanto, não acho nem considero fútil alguém, homem ou mulher, cuidar de si. Cremes, maquilhagem, perfumes, roupas giras, acessórios, etc, e uma panóplia de cuidados alimentares e exercício não fazem mal a ninguém. Muito pelo contrário. Fútil é alguém dar uma imagem daquilo que não é. Ou uma colagem apenas porque é moda. Um gajo gordo de t-shirt rosa justa com verniz preto nas unhas dos pés em sandálias brancas e cabelo em pé é uma visão do Inferno. E de metrossexual nada tem. Existem preconceitos errados, a meu ver, relativamente ao conceito de metrossexualidade, e esse é um deles. Porque nem sempre o que é fashion fica bem a toda a gente. E nem todo o homem que gosta de usar um creme é "paneleiro". Muito gajo armado em macho, com medo dos estereotipos espera que a mulher saia de casa para usar certas coisas. E nada tem a ver com homossexualidade. Tem a ver com curiosidade e coragem de dar um passo em frente na hora de saber e querer agradar. Sem medo do que os outros possam dizer.


Metrossexual não tem de ser sinómo de pindérico e o que mais tenho visto por aí são gajos pindéricos armados em metrossexuais. Obviamente nem toda a gente tem um corpo e uma cara como os do Beckham, mas por isso há que saber encontrar um estilo e saber preservá-lo. Com sensibilidade e bom senso. Eu, como mulher heterossexual que sou, agradeço.


Já agora, que nome aplicar a mulheres que não gostam de se arranjar ou maquilhar, colocar perfume, usar acessórios, ou fazer tudo aquilo que um metrossexual faz e afinal de contas é suposto uma mulher gostar?...



*também há gays de extremo mau gosto.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

pessoal do algarve = pessoal fodido






Esta pode ser uma expressão afirmativa com os seus quês e quejandos interrogativos, uma interjeição algo dúbia que nos coloca a seguinte questão: afinal o que é isso de se ser fodido? Sem sombra de dúvida, é um dos comentários mais curtos e mais certeiros que recebi nos últimos tempos, que me colocou um sorriso nos lábios, em grande parte por ser uma algarvia muito isolada e por isso habituada a não ter conterrâneos por perto na hora de "defender a sua terra". Por outro lado, por lembrar velhas e recentes discussões acerca desta temática. O bairrismo. Ou como quem diz "o meu pai é maior que o teu". A meu ver, são estúpidas e desnecessárias, mas isso sou eu que de bairrista pouco tenho.


O contexto do dito comentário: deixar certas coisas para trás, o amor ou o que nos prometeram ou o que nos fizeram crer ou o que nos roubaram sem pedir licença, sem retaliar pode deixar aquela sensação de que ficou muito por dizer, mas a dada altura pensa-se que foi melhor assim, não fica a névoa do que seria esperado. a isso podes sempre chamar a capacidade de contornar a situação. lembra-te da frase sobre a carne e os ossos. que os comam e que os roam. isso já não te dirá respeito.


A propósito de uma carta sobre o costumeiro assunto do mal de amor ou dor de corno. Mas poderia ser a respeito de muitas outras coisas que isto de se ser “pessoal ou malta do Algarve” tem mais que se lhe diga. Não somos como os outros, dado que os outros não serão todos iguais, mas de entre uns e outros, distinguem-se os “do Norte” e os alentejanos. Os primeiros, têm a mania que são melhores que todos os outros (principalmente em relação aos de Lisboa, alfacinhas na gíria) e os alentejanos são aqueles que estão habituados a ser vistos como os mandriões cá do sítio.

Sinceramente, um algarvio, a sê-lo convictamente, acredita que não tem de se chatear a defender a sua terra, porque está provado por inúmeras razões que esta, é uma das regiões mais belas do mundo. O Algarve é uma região de inúmeras tradições, lendas, onde se come e bebe bem, para além de ter um clima privilegiado pela condição geográfica junto ao mar Mediterrâneo, onde sofre os ventos vindos do Norte de África. Não é só praia, mas não serve o post para descrever as maravilhas do Algarve. A grande questão que se coloca é se afinal, nós, nesse colectivo sempre tão subjectivo, seremos assim tão fodidos?


Penso que quanto a males de amor, assimilamos tão bem ou melhor que os outros as vicissitudes do sofrimento romântico, até porque há sempre muito que fazer: ir à apanha do tomate ou da laranja, do figo ou da alfarroba, da amêndoa ou simplesmente dedicar-se à pesca. Se curar a dor de corno não passa por trabalhar arduamente nestas culturas, pode-se sempre apanhar uma bebedeira de aguardente de figo ou de medronho (amêndoa amarga é pra malta fraquinha que é do Norte e pensa que cá em baixo só fazemos amarguinha), ou simplesmente deleitar-se numa praia daquelas que só nós, algarvios, conhecemos os atalhos, e apanhar sol até torrar a dor e o sofrimento. Isto, quando se quer esquecer e passar à frente, que há mais marés que marinheiros.





Se se resolver dar asas a pensamentos tenebrosos com requintes de malvadez, é escolher uma paisagem ali para os lados da serra de Monchique e ficar a bater mal durante uns tempos, ao som de Micah P. Wilson ;) e aí sim, talvez um ou outro algarvio possa então ter razões que o levem a afirmar que o pessoal do algarve é pessoal fodido. É que depois disso, é um caminho sem retorno e, muitas vezes, um algarvio quando resolve desaparecer da vida de alguém, é para sempre.



P.S.: este post é dedicado ao mê amigo Jorge que é ali dos lados da terra do bom medronho, e ao mê amigo da merda que acha que a batata doce é dos melhores produtos que o Algarve vê crescer ali para os lados de Aljezur.

sábado, 3 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As coisas mais simples da vida





Às vezes tudo se pode resumir a isto: falar ou escrever com o propósito de exorcizar o veneno que vive cá dentro. Eu pratico esse exercício e por vezes não chega. Eu que o diga. Inventei um Blog há uns anos por intermédio de um bom amigo com a intenção de trocar ideias sobre as mais diversas temáticas. Individualistas como somos, aquilo acabou por não ir a lado algum. Simples. Depois inventei um Blog só meu, e à semelhança de um brinquedo novo, aquilo era sentido como sendo mesmo meu. E exorcizei dores do passado. Fez-me bem. Simples.


O tempo avançou até ao dia de hoje, e as coisas simples da minha vida tomaram forma a poderem coexistir umas com as outras. As mudanças ditas naturais da vida tornaram-se parte integrante de uma evolução que tomou relevo numa existência já de si complicada, que é a minha, e que no fundo acabo por nunca abrir nem em Blogs nem em muitos sítios. E todas elas foram bem-vindas. Como essas, algumas pessoas que entraram com mérito de passadeira vermelha e por lá se mantêm até hoje. Simples. Acontecimentos e factos trazem pessoas. Mudanças. Trocas e baldrocas e feitas as contas, depois de mudar muita e tanta coisa, o que é essencial mantém-se. O constatar que, por mais anos que passem por mim, alguns defeitos são irreversivelmente os mesmos. Outros, desaparecem e dou por mim a pensar que estou a amolecer. Já não ligo a muita merda, mas ligo a muita outra. Não gosto que se metam na minha vida, porque a não ser que me peçam, eu não me meto na vidinha de ninguém. E quando não gosto, não gosto mesmo. E quando gosto, é até morrer. Salve-se a capacidade de perdoar quem amo. Quem mais amo. Quem sempre amei e quem prometo todas as honras dentro da minha casa. Continuarei a não ser de meios termos, característica essa que tenho vindo a perder nos últimos meses, e da pior forma, com a mania de "tentar ser mais tolerante". Definitivamente, não há paciência para aquela colega com aquele sotaque irritante com um cu de meio metro aos berros pelos corredores. Nem há paciência para todas as brincadeiras de profundo mau gosto, muito menos provindas de inveja mal digerida de meia dúzia de coisas na nossa vida. Nem tem de haver. E por isso, o mal que se torna generalizado na maioria dos casos com que tomo contacto e vejo na vida de amigos próximos, instiga-nos a que nos "vamos abaixo". E vamos todos ao fundo de quando em vez. E acabamos sempre por nos levantarmos.


Há pessoas que precisam desesperadamente de uma palavra, que lhes digamos que estamos lá para elas, no matter what. Há outras que, ao invés de silêncio e/ou desprezo ou que façamos simplesmente de conta que não as vemos e não as ouvimos, precisam de uma abordagem e sacudidela das grandes patente numa frase do género "vai morrer longe" ou um belo testamento escrito a provar por A + B que não andam por cá a fazer nada, e que podem sempre contribuir para a estatística das taxas de suicídio que têm e devem ser actualizadas.
E tudo isto é simples. Basta que o queiramos. Basta que estejamos atentos. O melhor de tudo é soltar umas boas gargalhadas nos piores momentos e há-de haver sempre alguém por perto para se rir connosco. Todos temos bons e maus sentimentos dentro de nós, sem excepção. Resta saber com quem fazer o quê.
O tema torna-se recorrente e vejo-o retratado em diversas formas pelos poucos Blogs que leio ultimamente. Chego à conclusão de que andamos todos um bocadinho fartos do estado de algumas coisas, o sentimento português de que algo poderia sempre estar melhor prevalece em detrimento da fé e da esperança de que tudo pode correr melhor. Em certos casos, trancas à porta e sem hipótese de fuga ou redenção. Noutros, os mais preciosos, é guardá-los como tesouros bem junto ao coração e saber construir para quem nos vai saber retribuir. Nem que seja com um sorriso.


Ontem disse e sinto-o em todas as palavras a alguém, que estou a ficar farta de pessoas. Da grande maioria. Não de todas. Algumas pessoas conseguem fazer com que nunca nos cansemos delas e alternar a paz de espírito com que nos presenteiam com o desafio constante de nos trazer coisas novas à nossa vida, é abraçar um raio de luz e viajar dentro de mundos vastíssimos que no fundo, traduzem as coisas mais simples da vida.


* dedico este post ao NAJ (grande imagem!) que tem sido um grande amigo nestes últimos dez anos, nas condições mais adversas a que uma amizade pode estar sujeita; à Sara, amiga de todas as horas e de sempre, e ao meu maior e melhor amigo, companheiro e confidente, travesseiro a quem conto os mais negros pensamentos, os mais satânicos, com quem choro e sobretudo, rio e sou muito feliz, o Paulo. O meu obrigada por existirem e darem um pouco mais de sentido à minha vida.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

April is the cruelest month II










Dois grandes autores, dois grandes músicos, homens do seu tempo ou talvez um pouco à frente do mesmo. Música da minha adolescência, e do início da fase da idade adulta jovem (seja lá o que isto quer dizer para cada um de nós). O tempo passa veloz e deixa-nos obras como feridas na alma, de pessoas que partiram demasiado cedo. Lithium ou Smells Like Teen Spirit ou La Decadanse ou Bonnie and Clyde... qualquer uma serve para ressuscitar velhos amigos que tenho em certos fantasmas. Suicídio ou nascimento, tudo faz parte dessa terrível dicotomia que se veste de Vida e Morte e toda ela acontece em Abril. Como não podia deixar de ser.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

April is the cruelest month





Em jeito de despedida. Ou de balanço. Ou que é como quem diz "Estamos fechados" "We're closed". Porque há pedaços de nós que se prendem mais depressa numa porta de comboio mal fechada do que na memória dos outros. Isto já teve melhores dias, de facto. Salve-se Abril. Salve-se a poesia e os dias mundiais de coisíssima nenhuma.

Por lá, está aberto apenas a muito poucos. Desculpem. Estas palavras e esta pérola dos Wilco (velhinha velhinha, mas muito boa) são para vocês, os que tiveram de ficar de fora. Como dizia o "outro"... "aos que lá ficaram!"


Sejam felizes. Até sempre.

Ainda da Arte ou da importância de se Ler as Entrelinhas

Matérias Especiais - Antes De Assinar, Leia As Entrelinhas - O Caso Natividad
por: Carlos Almiron


"Circula pela Internet uma petição contra um artista costarriquenho chamado Guillermo Varga Jiménez (mais conhecido pelo pseudônimo “Habacuc”). Dentre outras reivindicações, a petição pede a exclusão do artista da Bienal Centro-americana que acontecerá no ano que vem em Honduras.





Antes de assinar a petição, resolvi investigar o caso e o resultado é no mínimo interessante.
Em agosto deste ano, a Galeria Códice (localizada em Manágua, capital da Nicarágua) abrigou a instalação “Exposición nº 1” na qual um cão de rua foi exposto. No início de outubro começou a circular a notícia de que o cão havia morrido de fome e sede nesta exposição, fato que se espalhou rapidamente e causou grande repercussão entre os defensores dos animais.
Porém, informações desencontradas põem em dúvida a veracidade e credibilidade dos fatos. Pra isso a Internet é uma ferramenta indispensável para averiguar melhor esse caso.
As imprensas da Nicarágua e da Costa Rica tomaram conhecimento do fato a partir da “denúncia” feita e difundida através de blogs, porém trataram o caso superficialmente. Os principais e mais citados blogs são de Jaime Sancho que reúne todo material até agora divulgado sobre o caso e o blog de Rodrigo Peñalba única fonte que registrou e divulgou as fotos da exposição em questão. Aqui no Brasil a Folha de São Paulo publicou o fato na coluna “Pensata” de João Pereira Coutinho. É possível encontrar outras fontes, mas boa parte apenas traduz ou reproduz as fontes já citadas.
O primeiro apontamento que faço é sobre essas mesmas fontes. É no mínimo constrangedor imaginar que os principais jornais envolvidos nem sequer cobriram a exposição e ainda por cima publicaram opiniões sem nem ao menos saber se o que aconteceu era verdade ou não.
Fonte impar no caso, a jornalista Marta Leonor Gonzalez, editora do caderno cultural “La Prensa Literária” é a única que confirmou a morte do cão. Mas o estranho é que no seu próprio suplemento não há menção alguma da exposição e pra piorar “ela própria não esteve na exposição” como me confirmou Rodrigo Peñalba. Ao blog dele é atribuído o registro fotográfico da exposição. Rodrigo Peñalba, 26, é escritor, artista visual, web editor e neto do renomado artista nicaragüense Rodrigo Peñalba (1908-1980). Outro fato curioso: nem o próprio Peñalba viu o cãozinho Natividad. As fotos no seu blog foram enviadas pela artista Delia Chévez.
Cabe ressaltar aqui o trabalho que Peñalba desempenha na divulgação cultural da América Central. Seu blog tem recebido inúmeras visitas por causa dessa polêmica. “É o mês mais visitado do site e é uma visita que não retornará” lamenta Peñalba. É a real, quem vê as fotos repassa o link e nem sequer se dá ao trabalho de conferir o restante do conteúdo. Curioso em ver as fotos? Para descongestionar e evitar excesso de tráfego, um novo blog foi criado www.elperritovive.blogspot.com.

CASO NATIVIDAD







Antes de ser nome do vira-lata mais falado do momento, Leopoldo Natividad Canda Mairena era um nicaragüense de 25 anos que vivia ilegalmente há 9 anos na Costa Rica. Nati, como era conhecido nos diques de Cartago, saiu da casa dos pais do bairro Modesto Ramón Palma, em Chichigalpa, municipio do Departamento de Chinandega na Nicaraguá para buscar uma vida melhor nas ruas do pais vizinho. Terminou seus dias como mendigo e morando debaixo de uma ponte.
Na madrugada do dia 10 de novembro de 2005, Natividad acompanhado de um amigo saltou o muro da oficina mecânica “Romero” de propriedade de Fernando Zúñiga (localizada em Cartago, Costa Rica) e foi surpreendido e atacado por dois cães de guarda rottweiler. Seu amigo (cujo nome não foi divulgado pela investigação) conseguiu escapar do ataque e colaborou na reconstituição da tragédia. Natividad levou certa de 200 mordidas e teve múltiplas perdas de pele, músculos, tendões, artérias, veias e nervos dos braços e pernas. Conseguiu ser levado ainda com vida para o Hospital Max Peralta, onde passou por cirurgia e transfusão de sangue, ingressando na UTI. Porém horas depois, uma parada cardio-respiratória o levaria a óbito. Mórbida coincidência: “Hunter” era o nome de um dos cães de guarda.
A morte da Natividad trouxe a tona acusações de xenofobia, negligência, omissão de socorro, descumprimento do dever policial e tornou ainda mais tensas as relações diplomáticas entre os dois paises (existe uma disputa na corte Internacional de Haya pelo direito de navegação pelo rio San Juan).
Segundo a investigação feita pelo Organismo de Investigação Judicial, que cuidou do caso, dois agentes da Força Pública tiveram oportunidades de salvar Natividad ao disparar contra os cães de guarda e não o fizeram por oposição do dono da oficina. Os gritos de socorro durante o ataque, que durou aproximadamente 54 minutos, também foram ouvidos e presenciados pelo vigia noturno da oficina, pelos bombeiros e pela cruz vermelha.
Passado o calor do momento, após exaustivas investigações e acuações mútuas, surge a denúncia de que a empresa norte-Americana Bandeco ofereceu uma indenização à família de Natividad para esquecer e dar o caso por encerrado.
O inquérito permanece aberto e é provável que os indiciados fiquem impunes.

A HOMENAGEM DE HABACUC






A idéia de Habacuc não era só homenagear Natividad, mas trazer para uma exposição artística um elemento urbano, cotidiano. Causou grande repercussão por se tratar de um vira-lata doente, exposto num ambiente em que se espera encontrar obras de arte. É claro que não foi considerado arte por muitos que assinaram a petição. Crueldade ou manifesto político?
Alguns elementos da instalação remetiam diretamente ao caso Natividad: na entrada lia-se a frase “es o que lês” escrita com ração e culminava com a exposição do cão sarnento. Significados? A frase nada mais é do que isso mesmo: Natividad foi comida pra cachorro e o cão representava o próprio Natividad, que neste momento servia como objeto para revelar a hipocrisia humana: enquanto está na rua, o cão passa despercebido, não sensibiliza ninguém, mas quando está numa galeria de arte ganha o foco das atenções. Talvez isso explicasse as enigmáticas declarações do artista, que se negava a responder se o cão havia sido alimentado, se havia morrido e porque não permitia que o público libertasse o animal. Talvez sua crítica fosse de que assim igualmente ocorreu com Natividad, que nunca fora notado nas ruas e que no momento da sua morte poderia ter sido salvo, mas que ninguém fez nada pra isso, permaneceram como meros expectadores.

DECLARAÇÕES






Mediante a pressão pública e a crescente adesão à petição a Galeria Códice, membros do jurado Bienarte 2007 e o Museu de Arte e Desenho Contemporâneo da Costa Rica (sede da Bienarte 2007 que classificou Habacuc para a Bienal Honduras 2008) divulgaram notas sobre a polêmica.
Coube à Galeria Códice confirmar o período da estadia do cão em suas instalações (3 dias) sendo que ele era alimentado regularmente pela ração que o próprio Habacuc levara.
Inesperadamente, o cão teria fugido da Galeria durante a limpeza do pátio interior, local onde o cão ficava solto enquanto não participava da exposição. É a palavra da Galeria contra a jornalista Marta Leonor.
Já os membros do jurado da Bienarte 2007 acrescentaram esclarecendo que as obras apresentadas por Habacuc eram inéditas e sem relação alguma com a “Exposicion Nº1”. Ainda na nota, rechaçaram a "campanha midiática que se orquestrou pretendendo desqualificar e amedrontar, manipulando a informação e promovendo interesses obscuros, de caráter fascista, incluindo um chamado para a violência e o crime".
Por sua vez, o Museu de Arte e Desenho contemporâneo da Costa Rica aclarou não ter influência na representação da Costa Rica na Bienal Honduras 2008, atuando apenas como "facilitador e sede da seletiva de obras realizada pelo jurado internacional" e que as obras de Habacuc que foram classificadas e que estão expostas no museu são outras. A "Exposicion Nº 1" não participou da seletiva pra Bienal e portanto não está vinculada nestes eventos.
Um ponto em comum nas três declarações, além de não aprofundarem ou quererem levar adiante o caso, é a questão da censura e do próprio limite do que viria a ser arte.
Nesse foco o comunicado do Museu é interessante quando relembra que em 1966, durante a Guerra do Vietnã, Peter Brook estreou em Londres o espetáculo “US”. Nele um ator fazia um monólogo sobre o uso e efeitos do Napalm. Para sensibilizar a platéia, no final da atuação, o ator que tinha uma borboleta viva presa entre o polegar e o indicador, tirou do bolso um isqueiro e tacou fogo nas suas asas. Chocante, não? O ator teve que pedir desculpa diante do protesto e indignação da platéia. Mas antes de deixar a cena, o ator fez notar sua estranheza, já que o mesmo público que se indignava com a sorte da borboleta, até o momento, havia permanecido indiferentes aos vietnamitas queimados pelo Napalm. Na época ninguém ousou por em dúvida se Peter Brook era ou não artista.
O mesmo comunicado do museu também serve para encerrar a discussão sobre o veto da participação do artista na Bienal de 2008, o que frustra uma das reivindicações da petição on-line.

QUAIS CONCLUSÕES PODEMOS TOMAR?

Enquanto o próprio Habacuc não vem a público dar sua versão, nunca se ouvirá falar tanto nos personagens dessa noticia. Se dar o que falar e o que pensar era sua intenção, conseguiu em partes. Mesmo que o artista prossiga normalmente com seu trabalho, utilizando ou não objetos do cotidiano, sempre será lembrado por essa polêmica ou cairá no esquecimento quando outro artista for o mais novo alvo do sensacionalismo.
Tudo isso poderia ter sido evitado se as partes envolvidas dessem maior atenção a sua assessoria de imprensa, evitando declarações infelizes. De certo a galeria Códice não imaginava que daria todo esse reboliço, mas não custava nada explicar ao público visitante que Natividad receberia os devidos cuidados, afastando qualquer hipótese de maus tratos. Pelo menos assim ocorreu com o Museo Oscar Niemeyer (Curitiba/PR) durante a exposição “Revolver” do trio Jum Nakao, Kiko Araújo e Julio Dojcsar, na qual havia a participação de 3 esquilos da Mongólia e deixava claro no realese que tipo de materiais foram utilizados e que tratamento lhes era dado. Essa polêmica também serviu para escancarar ainda mais como a juventude atual nem sequer presta atenção no que lê, muito menos questiona antes de aderir uma causa ou reproduzir uma “notícia”. E por fim, mesmo que a obra da Habacuc tenha ferido artigos da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, o que podemos esperar de um mundo onde não se respeita sequer os Direitos Humanos?"

Carlos Almiron, 25, Graduado em História e apresentador do Programa Mundo Caos na PunkRadio.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quanto mais conheço o Homem...





... mais gosto dos animais.


Em conversa com uma grande amiga aqui há dias, afirmei em fria e pura convicção: há pessoas que não prestam. Pessoas que não prestam... se o fosse dizer em voz alta (a considerar que o afirmaria) há anos atrás, seria de forma absolutamente estridente e passional e, provavelmente, por quem me conhece de outros carnavais, diria que a dita afirmação seria fruto de algum desamor mal digerido ou de franca impulsividade mal medida. E que passaria no mesmo ápice em que tinha chegado. Nos dias que correm, e fora a abundante e afluente maré de acontecimentos políticos e sociais menos felizes que o nosso país enfrenta, a afirmação "existem pessoas que não prestam" sai-me de forma prudente e calculada e fria e seca, e talvez isto seja de uma amargura demasiado crua, mas é a realidade que me rodeia de há uns dois anos para cá. Nos últimos dez anos tive a enorme felicidade de ter conhecido pessoas que são absolutamente fantásticas. Se for aos últimos vinte, então posso considerar-me uma pessoa de sorte, porque a confiança nessas pessoas é inabalável, e não é por discussões de merda que deitamos "pessoas fora". É no confronto de ideias que nasce a verdadeira luz. Falo pois de falta de valores, de pessoas que roubam (sim, roubam), mentem, enganam, traem... homens e mulheres, e se for a bem da verdade, e em bom rigor, mais mulheres que não prestam do que homens.

O engraçado é que estas pessoas acabam por sempre ter um desequilíbrio qualquer muito grande a nível psiquiátrico ou psicológico. São sempre frágeis. "Boas pessoas", que tudo fazem para agradar. Atravessam quase sempre depressões, ou sofrem de distúrbios, ou têm histórias muito tristes para contar. Don't we all?...

Chego à conclusão muito íntima e pessoal de que não gosto de "boas pessoas". Também não gosto de conhecer pessoas pela net. Há pessoas com as quais não pretendo manter qualquer tipo de contacto senão o estritamente necessário, pois a grande maioria de valentes merdas que conheci por este meio tiram-me a vontade de sociabilizar seja por que meio for. Histórias de gente que não interessa, vigarices, putedo, loucos com a mania que vão mudar o mundo, e isto em frentes que vão desde a favela até secretários de estado. Toda a gente pretende ser algo que no fundo não é. Uns têm Blogs para engatar, outros têm Blogs para armar ao pingarelho. Eu tenho um Blog para falar mal desta merda toda (este) e outro para dar azo àquilo que o Vítor Espadinha cantava: e recordar é viver.

Chego à conclusão que não quero conhecer pessoas novas nem estreitar laços, os amigos que tenho chegam-me e confesso que me sobram em dadas alturas. São boas pessoas e valem a pena. Chego à conclusão que a vida não está para perder tempo com quem não o perde connosco.

Chego à conclusão que mais vale divagar sobre o sentido da vida com aqueles que não nos vão julgar, com quem já apanhámos uma valente cardina, com aqueles que erram e a quem confessamos erros, e que mais vale um minuto de silêncio por vezes entre um pires de caracóis e uma imperial, do que trinta minutos de muita conversa fiada.

Sejam felizes.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Arte?...


"A necessidade interior nasce de três causas místicas e está constituída por três necessidades místicas: 1. Todo o artista, como criador tem que expressar o que lhe é próprio (elemento da personalidade). 2. Todo o artista, como filho da sua época tem que expressar o que é próprio dessa época (elemento do estilo, como valor interno, constituído pela linguagem da época mais a linguagem da nação, caso esta exista). 3. Todo o artista como servidor da arte tem que expressar o que é próprio da arte em geral (elemento da pureza e eternidade artística que vive em todos os homens, povos e épocas e se manifesta em obras de arte de cada artista, de cada nação e de cada época e que como elemento principal da arte, não conhece nem o espaço nem o tempo)." Kandinsky


"Nos últimos anos deste século, a arte sofreu uma transformação. Embora a sua própria essência seja a constante mudança, desta vez ela atingiu camadas mais profundas, não se limitando aos aspectos exteriores. O próprio conceito de arte é posto em questão. Não obstante, à primeira vista, esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores. Assim, talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora." Klaus Honnef









"Atrasado mental que continua a pensar ser artista...

Como sabes e até deves ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, é um suposto artista animalesco que colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e de sede.

Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galería de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario da besta chamado Homem. Se achares por bem empregue consulta os links e tira as tuas conclusões.

[http://img505.imageshack.us/img505/1990/dscn8139vk6.jpg]
[http://img339.imageshack.us/img339/5848/dscn8146pu4.jpg]
[http://img259.imageshack.us/img259/5720/dscn8153yv8.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7240/navitividad1cq9.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7937/navitividad4so6.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/5895/perritoho5.jpg]

Parece-te forte?

Mas nao é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, que a selvageria cometida por esta Besta das artes, Guillermo Vargas Habacuc fosse novamente convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008, acto este que podemos impedir, colaborando com a nossa indignação, protesto e assinatura nesta petição:

http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

(não tem que se pagar, nem registar) para enviar a petição contra o chamado 'artista' por tão cruel acto, por tão ínfima sensibilidade ao desfrutar em prazer com a dor alheia."



Posto isto, levanto a seguinte questão: determinará, o autor de inédita façanha, alguma intenção de criar um fundo de eternidade artística perante o observador? Quererá criar um sentido de pertença dentro de um mundo que se identifica com a suposta "obra"? Será ele um filho do seu tempo, dentro do seu tempo ou à frente do mesmo? Obra de avantgarde? Arte? Contemporaneidade na Arte?
Levanto ainda uma outra questão, que não indo de encontro a nenhuma Lei, irá questionar os próprios princípios da ética e da moral de cada um, tão em desuso nestes dias contemporâneos tão dados a tudo o que é novidade: que terão pensado os transeuntes daquela exposição? Os observadores, os "clientes" deste acto denominado como sendo "artístico"? Nada fizeram? Porquê?

Não pertenço a nenhuma associação defensora de animais, não sou vegetariana, mas ainda sou um ser humano que não entende este conceito de Arte no ano 2008 d.C. Não entendo nem tenho pretensões de entender. O que caracteriza, acima de tudo, uma obra de Arte como tal, é a intemporalidade manifesta nessa obra, e a capacidade que terá de resgatar algo ou alguém no que nos distingue como seres humanos, no que nos faz pensar, agir e sentir.

quinze minutos de fama








In the future everyone will be famous for fifteen minutes.

Andy Warhol








Eu dispenso os meus quinze minutos de fama a outra pessoa. Mesmo no anonimato torna-se muitas vezes complicado gerir uma vida, quanto mais... mas dá que pensar, principalmente porque esta permissa torna-se verdadeira na vida dos demais seres humanos banais e normais, sem grande coisa a acrescentar na vida dos outros. Fundamental acho, é fazermos aquilo que gostamos, já que perdemos tantas horas concentrados nisso mesmo. A não consegui-lo, que tenhamos hobbies que vão de encontro a uma saudável e equilibrada existência. Caso nenhuma destas situações se aplique, a minha dúvida reside basicamente na própria existência em si, que é como quem diz: afinal o que é que essas pessoas andam a fazer por aí? A procriar e a populacionar o planeta? Poupem-se e poupem-nos a isso. O que é que pretendo ao certo com isto, dizer? Que a sociedade formada por pessoas autómatas, mecanizadas, competitivas e desequilibradas pela noção de "grupo" metem-me asco. Ninguém valoriza o ser humano individualizado: há que rotular, estigmatizar e depois, apedrejar se não estiver dentro dos parâmetros ditos normais. Tudo o que já pode ser considerado alternativo, nunca o é de todo, como se houvesse actualmente uma certa obrigação em ser-se diferente, mas a sê-lo realmente, é-nos apontado um dedo.
Já gostei mais de pessoas, de facto. Começo a cansar-me das pequenas idiossincrasias idióticas e patéticas dos outros, quando confrontados com as nossas próprias exclamações de prazer quotidiano. No fundo, a nossa felicidade pode por vezes ser o calcanhar de Aquiles de alguém.
Por isso mesmo, acabo como comecei este post: dispenso os meus quinze minutos de fama a essas pessoas.




sexta-feira, 28 de março de 2008

Ser ou aparentar? Eis a questão.



Este post fez-me pensar (como quase todos os que ali encontro).


"Não raras vezes ouço a questão, normalmente vinda de pessoas com quem tenho alguma proximidade, na qual estas desconhecem a imagem ou efeito que projectam nos outros. não quer isto dizer que se importem com o que outros possam opinar em confronto com a sua identidade pessoal, mas tão somente a forma como serão vistos. Arrisco que qualquer um de nós talvez já tenha gostado de ser invisível e introduzir-se em local onde o próprio é motivo de conversa. Há, para algumas pessoas, um lado semi-perverso/voyeur, mas existe outro que, em meu ver, se prende com o desejo de saber quem somos, nem que seja por espelho conceptual e necessariamente exógeno. Em suma, quem nos vê, o que verá?

(...)

A verdade é que se o velho clichê está certo, e nenhum homem é uma ilha ( com todo o devido respeito, eremitas e capuchinhos, se não estão doidos, ficarão muito rapidamente. Eu pelo menos ficaria, pronto...), a projecção da nossa personalidade, físico, opiniões, capacidades, forma de nos identificarmos enquanto seres humanos com valores expressos na glóriosa lógica da liberdade pessoal, não pode ser despicienda. Nem que seja para nos conhecermos melhor, para que o papel que afinal queremos escrito para nós seja alvo de uma melhor adaptação."






Este foi um dos melhores posts que já li desde que ando nestas coisas de Blogs, tomadas de opinião, escritas on-line, etc. E porquê? Porque levanta uma série de questões relacionadas com tudo aquilo que é um pouco fútil em nós mesmos e nem por isso assim tão fútil como isso.

As pessoas, na sua grande maioria, dividem-se entre aqueles que dão uma grande importância relativamente àquilo que os outros pensam de si e aqueles que simplesmente se estão a cagar. Sim, porque existem sempre pessoas que se estão com-ple-ta-men-te nas tintas para aquilo que os outros pensam.
Isto, claro, com todas as variações e percentagens entre cada uma das partes de importância que cada núcleo de opinião constitui para cada um. Ou seja: um indivíduo pode ser alguém que se divida 70-30 em percentagem para cada um dos lados; estar em certa medida preocupado com aquilo que os outros pensam de si, mas não é algo determinante na escolha de acção x ou z no seu quotidiano.
Existem duas questões fundamentais que o meu amigo SK não abordou e que julgo serem vitais em toda esta questão de ser a tal mosca que quer saber o que os outros pensam de si:
1ª e mais importante: quem são esses outros? Que importância têm para nós?
2ª: será que a imagem que transmitimos aos outros é sempre a mesma ou variamos conforme quem temos à nossa frente? Será que temos consciência do que somos para cada uma das partes?
Os outros. O Inferno serão mesmo os outros? Se calhar... ou não. Normalmente tendo a discordar desta afirmação, com a máxima "quem boa cama fizer, nela se deitará". Não podemos culpabilizar os "outros" e o mundo pelas nossas acções e escolhas erradas, ou as nossas frustrações. Para cada uma das nossas acções, existe sempre um feedback, sendo mais ou menos visível. Conforme o tipo de acção, boa ou má, alegre ou triste, mais ou menos reflectora daquilo que somos na realidade, terá sempre um feedback. Interessa aqui saber quem são os outros. Conheceremos os outros tal como eles são? Até que ponto falamos aqui de amigos ou conhecidos? Será o nosso companheiro/a ou o chefe? Colegas de trabalho ou familiares? Amigos a quem confessamos tudo ou amigos de beber copos? Já agora, daremos a mesma importância a cada uma destas pessoas ou é tudo farinha do mesmo saco? Provavelmente toda a gente confrontada com esta afirmação dirá que "ah, claro que nem toda a gente é igual!!!" e afirmamos saber fazer a distinção, mas já todos cometemos o pecado da estupidez traiçoeira. Algures na nossa vida, apaixonámo-nos por quem não devíamos, fomos amigos de pessoas que afinal se revelaram nem assim tão amigas, pessoas em quem confiámos e não estiveram à altura das nossas expectativas; por outro lado, quantas vezes deixámos de fazer algo que faria um amigo ou amiga feliz, tendo consciência disso? Quantas vezes deixámos para trás alguém em prol de fazer uma merdice qualquer sem qualquer importância? Quantas vezes dizemos a nós mesmos que não temos tempo ou que não temos paciência para x y ou z? Tudo isto culmina num ponto que toda a gente já causou ou foi vítima: a desilusão.


Cada uma das pessoas encerra um papel diferente na nossa vida e isso equivale dizer que obviamente existem gradações variadas da importância afectiva que damos aos outros. Consequentemente, teremos uma importância diferente para cada uma das partes, importante é que não confundamos os alhos com os bugalhos. Salutar que a importância que eu dê a um colega de trabalho seja a mesma que ele me dê; de igual forma, seria ideal que entre amigos essa confiança fosse primordial e equilibrada, o que nem sempre é fácil. As relações humanas quase nunca o são. Fôssemos todos mais transparentes e honestos, primeiro para connosco, depois com os outros, em igual proporção de veracidade, e o mundo seria um caos. Sim, não seria melhor. Há coisas que não devem ser ditas, principalmente se temos consciência de que vão magoar terceiros e o preço da verdade nem sempre justifica tudo. Às vezes, é demasiado alto.


Por outro lado, é fulcral que a imagem residual que temos de nós mesmos seja o mais aproximada possível à imagem que procuramos transmitir. Na senda do não se poder agradar a gregos e troianos, penso mesmo que em última instância, temos de ter a consciência de que nem sempre desempenhamos aquilo que é esperado de nós, e muitas vezes, podemos até ter agradáveis surpresas quando a resposta vinda do outro lado é positiva. As relações humanas constroem-se com tempo, a cimentar estruturas de confiança mútua, no intercâmbio das acções/reacções de cada uma das partes envolvidas. Acho que só esse tempo nos dá a avaliação daquilo que vamos sendo pela vida fora e as transformações que sofremos, a par e passo com os nossos próximos, a desempenhar vários papéis e a sofrer as evoluções de cada relacionamento. Nada é estanque ou definitivo. E esse é o maior desafio, mas também a maravilha de se ser humano.

Afinal... havia outro!

O meu novo amor chama-se J.D. aka Dr.Dorian e passa todos os dias... mesmo no sofá cá de casa.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nervo cerebral e telemóveis no cinema

Supostamente deveria escrever sobre AQUELE outro post relacionado com o que os outros pensam de nós e do quão bom e maravilhoso seria podermos ser uma mosca apenas para ouvir as conversas paralelas em que o assunto principal é a nossa pessoa, mas... não temos tempo!(eheheh), e esbarrei neste anúncio, também no fantástico blog Different Seasons, e como acho uma certa piada à temática e ainda ontem fui ao cinema, acho por bem complementar o post que seguiu abaixo sobre o western visionado.

Às vezes, o western passa-se na cadeira mesmo ao nosso lado, e poucos de nós acham piada ao facto. Confesso que sou avessa a multidões dentro duma sala de cinema (aliás, sou avessa a multidões, daí não ser grande fã de festivais do género Paredes de Coura ou Sudoeste), tal como não sou propriamente grande apreciadora de pipocas (em ocasião alguma) e ainda menos de gente mal educada, barulhenta, etc. Posso eventualmente cochichar antes do início do filme e se a sala não estiver muito cheia, bem capaz serei de tecer um ou outro comentário com o parceiro do lado. De igual forma, sou incapaz de mandar alguém calar ou de fazer barulho ou ainda, de comer as enervantes pipocas, como se estivesse em casa. Confesso que salvo um ou outro episódio mais chato, em que me aborreço e lanço o olhar surdo e fulminante no escuro, não ligo a essa malta. Passo ao lado. Ignoro.

Um facto curioso é que são as pessoas aparentemente mais calmas que realmente se enxofram com atitudes do género; à semelhança do adepto fervoroso do FCP, calminho e bom chefe de família que é capaz de gritar pela casa toda GOLO ou que o árbitro era filho duma senhora dada a práticas... ok, já perceberam, era uma senhora muito dada, ou ainda, daquele rapaz que é uma jóia de moço, mas que se enerva histericamente ao volante quando assiste àquelas manobras tão bem conhecidas das nossas estradas. São as chamadas transformações do tipo Dr Jekyll e Mr.Hide.

Por mais tolerantes que sejamos, por maior ou menor que seja o grau de paixão que colocamos naquilo que fazemos ou somos, existe uma facção negra ou um lado obscuro na nossa personalidade, que quando accionada, leva-nos a fazer coisas e a tomar atitudes, que de cabeça fria provavelmente não faríamos. É o tal nervo pequenino dentro do nosso cérebro, o frasquinho que se parte quando a coisa não corre bem...

Fica o vídeo. Brilhante.



3:10 to Yuma















What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...